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Consultório de Psicologia

Espaço de transformações com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações relacionadas com o seu bem-estar. Encontre o equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia.

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Suicídio (jogo Baleia-Azul)

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O jogo "Baleia Azul" terá surgido na Rússia. Hoje em dia, está disseminado por vários países, entre eles França, Inglaterra, Roménia, Espanha, Portugal e também Brasil. O jogo funciona à base de pressão emocional. É composto por cinquenta desafios “absurdos” diários que devem ser completados no final de 50 dias e inclui mutilação de partes do corpo, filmes de terror e atividades praticadas durante a madrugada. Uma das premissas do jogo é que se deve jogar até ao fim, sem desistências e sem contar a ninguém. Este jogo acaba por ser, na realidade, um incentivo ao suicídio, já que além de envolver automutilação, o último desafio é uma provocação mortal: “Tira a tua própria vida”. O propósito final do jogo é levar os jogadores a cometerem suicídio.

 

Os mentores são as pessoas responsáveis por introduzirem os jogadores, a maior parte jovens, nos desafios “Baleia Azul”. Enviam mensagens diariamente com o desafio do dia e asseguram-se, pedindo fotografias ou vídeos como prova, de que os desafios sejam cumpridos. Os mentores dizem ter em sua posse todas as informações do jogador, como o local de residência e quem são os seus familiares, informações que são usadas como ameaça no caso de o jogador querer desistir.

Os mentores, aliciam, acompanham, coagem e ameaçam os jogadores até ao desafio final e conseguem, assim, entrar na mente dessas pessoas a ponto de elas fazerem o que eles mandam e perderem a noção de perigo

 

O nível emocional da quem se deixa envolver é de alguém que se encontra fragilizada, que está em grande sofrimento psicológico ou com alguma ideia de suicídio já em mente. É um jovem vulnerável, com um nível emocional debilitado, tem um comportamento depressivo, com baixa autoestima, dificuldade de relacionamento, passando por um momento de crise, sofrendo com angústias e inquietações. A automutilação é uma forma de expressar todo esse sofrimento, substituindo uma dor psíquica indefinida por uma dor física localizada.

 

Os jovens devem ter o cuidado quanto aos riscos de adicionar desconhecidos nas redes sociais e não participar de jogos desconhecidos.

 

Os sinais que indicam que a pessoa possa estar a participar a esse tipo de jogo são:

  1. mutilações na palma da mão
  2. assistir filmes de terror ou psicadélicos com frequência
  3. mutilações nos braços , cortes grandes com desenho de baleia ou de qualquer outro animal
  4. desenhos de baleia
  5. post em redes sociais com dizeres“#i_am_whale” (eu sou baleia)
  6. sair de casa em horários estranhos
  7. cortes nos lábios
  8. furos nas mãos com agulhas
  9. arranjar brigas
  10. evitar conversar durante muitas horas

 

Há ainda outros sinais de risco exteriores como a sensação de desesperança, ansiedade intensa, autodesprezo, apatia, tristeza intensa, comportamento impulsivo e mudanças rápidas de humor.

 

As pessoas não devem entrar no jogo, por ser um jogo misterioso e perigoso, que vai num crescendo, espalha o medo entre os jovens e pode conduzir ao suicídio adolescentes que se encontrem vulneráveis.

 

É preciso precaução, pais e professores, devem escutar os jovens e permitir que eles se abram. O espaço familiar acolhedor dá segurança ao adolescente, fortalece a sua autoestima e faz com que se sinta acolhido em seu sofrimento. É preciso passar a mensagem: "conte comigo sempre”.

É preciso desenvolver empatia e compaixão pelos adolescentes e tentar nos aproximarmos deles com intimidade, sem invadir sua privacidade, para dialogar sem moralismos, ouvir com atenção e interesse o que dizem abertamente e aprender a ler o que dizem nas entrelinhas

 

O ideal é que o jovem possa conversar com um adulto: pais ou professores, para que possa ser orientado e ajudado a sair desse esquema. Os jovens e adolescentes querem e precisam a presença do adulto verdadeiramente interessado na vida deles que o escute. É preciso incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.

 

É importante estar alerta e, se for o caso, denunciar pelo facebook dizendo que é um conteúdo violento e prejudicial, através do whatssap quando o curador entra em contato, ou diretamente na polícia.

 

É preciso também:

  1. Reforçar a supervisão e monitorização da atividade das crianças e jovens na internet e redes sociais.
  2. Alertar as crianças sobre os riscos de adicionar desconhecidos e recomendar que apenas a família, amigos e pessoas da escola façam parte da sua lista de amizades nas redes sociais.
  3. Incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.
  4. Caso haja alguma suspeita, os pais devem dirigir-se à esquadra mais próxima.

 

Sabemos que o índice de suicídio vem crescendo no mundo todo, em todas as faixas etárias, em especial entre os jovens e adolescentes. O Brasil e Portugal seguem essa tendência global, e o tema costuma ser tratado como tabu, ou melhor, não costuma ser tratado. A polémica em torno da "Baleia Azul", portanto, provocou pelo menos uma consequência produtiva. Falar sobre o suicídio, um assunto tão inquietante e espinhoso, é bem melhor do que silenciar.

Ouvir coisas

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Olá Dra. Boa noite. Tenho uma pergunta tenho 46 anos e desde a minha adolescência escuto a mesma frase!

"Tá com saudades de mim?" A frase por si só não me é estranha, porém não existe estado emocional nem lugar pra ouvir, a não ser pelo fato de que eu sempre estou só, sem amigos ou familiares junto comigo.

As vezes eu nem ligo outras me encabula, porque de eu ouvir sempre está pessoa me perguntando isso?

 

Um novo estudo publicado recentemente no “The Lancet Psychology”, resultado de uma pesquisa online e análise em profundidade de 153 pessoas que ouviam vozes, diz que há uma enorme variação de formas entre as pessoas que “ouvem coisas”.

 

Muitas vezes, elas são vozes internas e não dizem nada em voz alta

 

É quase como se as pessoas estivessem exagerando na dose daqueles diálogos internos que temos em nossas cabeças todos os dias.

 

Na verdade, a pesquisadora Angela Woods, da Universidade Durham, que liderou o estudo, observou que 15% das pessoas que relatam ouvir vozes não foram diagnosticadas com qualquer distúrbio psicológico. As pessoas que ouvem vozes dizem que elas podem ser assustadoras, mas também podem ser amigáveis.

 

No seu caso é "ouvir coisas" de uma voz amigável, embora a alerte para o fato de “sentir solidão” e talvez de uma necessidade interior de sentir-se mais acompanhada.

 

Uma psicoterapia poderá ajudá-la a entender essas vozes como parte de si e a revelar suas preocupações subconscientes.

Medo que alguém morra

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Olá Doutora, preciso muito de sua ajuda!! Meu filho tem 10 anos e já passou por alguns fatos que marcaram a vida dele como um acidente que o pai sofreu, o avô que passou mal perto dele, e o falecimento do seu passarinho de estimação. Pois bem, quando ocorreram esses fatos ele ficou por um tempo muito nervoso, vomitava muito, chorava perguntando a toda hora se alguém iria morrer.

Passado um tempo ele voltou a ser o garoto feliz como sempre, mas de umas 2 semanas pra cá quando chega a noite ele entra em desespero com medo que alguém morra, ele chora, vomita, me faz prometer que não vai acontecer nada com ninguém e mesmo assim ele não consegue se acalmar, eu converso muito com ele mas nada do que eu falo o acalma, eu não sei mais o que fazer!!

 

O que posso fazer pra tirar esse medo dele, toda noite é a mesma coisa e isso está prejudicando muito.

Desde já agradeço pela sua compreensão.

 

Cara mãe,

Embora seja normal as crianças pequenas sentirem receio diante de certas situações (ruídos fortes, pessoas estranhas, início da escola), em algumas ocasiões estes medos convertem-se em fobias que impedem o seu desenvolvimento psicológico normal. Felizmente estes medos irracionais são fáceis de tratar.

Não deve forçar a criança a enfrentar a situação que lhe causa medo, nem superprotegê-la. Fale com o seu filho para saber em concreto o seu medo e saber o que se está a passar e ao mesmo tempo seja paciente com ele.

Seja também assertiva dizendo-lhe que não vai acontecer nada de mal a ninguém e que pode confiar em si.

 

Para acalmá-lo pode aplicar os quatro passos seguintes:

-Pare – Pare por breves momentos e faça algumas respirações profundas com a criança. A respiração profunda pode ajudar a inverter a resposta do sistema nervoso.

-Enfatize – A ansiedade é assustadora. A criança quer saber que você percebe isso.

-Avalie – Assim que a criança fique mais calma, é hora de descobrir possíveis soluções.

-Desapegue-se – Deixe de lado a sua culpa; você é uma mãe ou educadora incrível para a criança, fornecendo as ferramentas para gerir a sua preocupação.

 

Um abraço

 

Problemas com a mãe

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Olá, mu nome é B., tenho 20 anos e sou estudante de direito. Tenho um problema com a minha mãe que existe desde que me entendo por gente: ela sempre tenta diminuir-me.

Desde criança eu não tenho um gosto próprio, tudo o que eu vestia, usava e assistia era escolhido pela minha mãe. Quando eu tentava escolher uma peça de roupa, por exemplo, minha mãe sempre dizia o quanto aquilo era horrível e eu acabava desistindo da compra. Tudo, absolutamente tudo, o que eu gostava tinha o dedo dela, até mesmo com relação aos desenhos animados. Aprendi que o certo era escolher o que ela queria, minha opinião era simplesmente terrível, vergonhosa.

 

Por conta disso, eu me tornei uma menina tímida e isso só aprofundou as críticas. Agora, o passatempo preferido de minha mãe era dizer o quanto eu era esquisita, sempre dizia que eu parecia uma doente. Dizia que eu era burra e preguiçosa. Com 10 anos fiz um concurso para conseguir uma vaga no melhor colégio do Rio de Janeiro e ela disse mais de uma vez que eu não passaria. E quando passei ela não deu parabéns.

 

No entanto, as pessoas sabiam da minha insegurança e timidez e se aproveitavam. Sofri muito bullying no colégio e fui vítima de pessoas falsas, que só se aproximavam para ficar na minha aba nos trabalhos escolares ou pedir dinheiro. Eu era a esquisita, a estranha da sala como a minha mãe falava. Tentava de tudo para parecer normal, até mesmo nos meus gestos eu me policiava. Vivia sendo xingada por pessoas que eu chamava de amigas, e quando alguém era grosseiro comigo eu abaixava a cabeça e pensava o quanto eu era estúpida e que eu devia ficar calada. Em casa, a situação continuava a mesma: se eu colocasse uma música para tocar, minha mãe logo aparecia dizendo o quanto a música era horrível e eu desligava o som, me sentindo uma idiota.

 

Com 15 anos, eu já me havia cansado disso. Comecei a comprar coisas escondidas da minha mãe. Ia de ônibus para a escola então às vezes eu parava no centro comercial e comprava um pequeno presente para mim (escondido da minha mãe, lógico, pois é algo que ela iria detestar). Comecei a gozar da minha independência e me sentir melhor quando estava sozinha. No entanto, ainda assistia filmes à escondida, escutava música escondida... Tudo como se eu estivesse cometendo um crime.

 

Minha mãe continuava a mesma. A era do vestibular chegou. Eu saí de casa seis horas da manhã e voltava às 23h. Dormia três horas por noite porque os estudos não deixavam eu ter uma vida saudável. Em meio a isso, lembro da minha mãe dizer que estava torcendo para que eu não passasse. Isso só me deu mais força para continuar e passei. Só não contava com a hipocrisia da minha mãe, que esfregava na cara de todo mundo que a sua filha conseguiu uma vaga numa faculdade pública.

 

O melhor de tudo é que quando eu saí do ensino médio eu deixei para trás todo o bullying que sofria, passei a interagir com mais gente e creio que finalmente me sinto à vontade para expressar minha vontade. Mas a minha mãe não muda. Hoje sou a mal educada da casa, aquela que dá patadas quando ela fala uma besteira. Vivemos brigando por conta disso e, por isso, sinto que perdi a confiança nela.

 

Não conto mais nada sobre o que passa na minha vida à ela, mesmo morando na mesma casa que ela. Não gosto de ver filmes ou sair com ela, não comento sobre nada que não seja um gosto em comum. Eu não queria que fosse assim, só que ela parece com esse tipo de atitude. Hoje mesmo eu comentei com o meu pai que quando eu tirar a carteira da OAB eu o representaria nos processos que ele passasse, aí ela se meteu no meio da conversa e disse: "ah, mas o problema é que você nunca abre a boca, não vai ser uma boa advogada". Eu, furiosa, perguntei porque ela dizia esse tipo de coisa e ela, sem graça, remendou: "ah você é inteligente, mas não abre a boca..." Mandei ela controlar a língua e repensar as suas atitudes e ela se retirou constrangida para o quarto. Ela não muda não importa o quanto eu fale.

O que eu posso fazer?

 

Cara B.,

Precisa se libertar dessa sua mãe muito opressiva e adquirir a sua independência.

 

Aqui tem 3 MEDIDAS DE EMERGÊNCIA

Sugeridas pela terapeuta familiar Karyl McBride, no livro ‘Will I ever be good enough’.

 

1 Relação ‘light’

Muitas filhas tentam a terapia, mas muitas mães difíceis são narcisistas: não são capazes de comunicar intimamente com os outros e também não conseguem conectar-se com a sua vida interior, e portanto muitas vezes não colaboram com a terapia. Remédio: admitir que nunca serão próximas e ter uma relação mais leve, mais distante, sem tentar uma intimidade que ela nunca dará.

 

2 Separação temporária

Tire uma ‘folga’ da sua mãe para se recompor. Diga-lhe que está a tratar de assuntos urgentes e que lhe telefona se houver uma emergência.

 

3 Separação total

Se tentou tudo e mesmo assim aquela relação compromete inequivocamente o seu

bem-estar, esta pode ser a única opção. Mas é raro haver quem a tome, até porque é uma opção socialmente muito malvista e condenada.

 

Um abraço

Ultrapassar luto

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Boa tarde.  Gostaria de receber alguns esclarecimentos acerca da minha situação. Meu pai se suicidou pelo motivo  aparente de situação económica muito difícil, da qual eu nunca tive conhecimento, pois nunca pediu ajuda. já passaram 2 meses e depois disso, nunca mais consegui retomar a minha vida sexual com o meu marido, nunca mais senti desejo nem sequer vontade.

Gostaria de saber se é normal demorar tanto tempo, uma vez que o meu marido está ficar impaciente comigo, pois acha que já deveria ter ultrapassado isto.

 

Grata pela atenção

RC

 

Cara RC,

 

Permita-se sentir a dor. Permita-se sentir tristeza, afinal está a viver a ruptura de um vínculo muito importante. Fale das suas emoções, dos seus sentimentos e inquietudes.

Quando perdemos alguém que amamos, esta pessoa ainda está viva em nossos pensamentos e memórias.

 

Permita-se dizer não. Faça o que for possível e somente aquilo que fizer sentido para si e o que sentir que tem algum significado.

 

O luto de um pai não é fácil, de um pai suicida ainda pior. Ficam muitas dúvidas e sentimentos, por vezes, de culpa. Penso que o importante é poder permitir-se também, sentir alguma alegria no momento presente. Às vezes, quando estamos a sofrer, podemos ter um momento de leveza. Deixe a alegria e o sorriso acontecer! Não se censure caso em algum momento  se sentir feliz mesmo em seu processo de luto.

 

O luto leva seu tempo, não queira queimar etapas, mas também não se culpe de poder sentir algum prazer, como por exemplo prazer sexual. Às vezes  é uma questão de recomeçar.

 

Um abraço

 

 

Jogo no computador

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Meu filho de 17 anos, trabalha e não quer mais estudar, sendo que o trabalho dele depende do estudo pois ele é menor aprendiz, tudo por causa de jogo no computador, tento colocar limites mas não consigo, ele não obedece. O que fazer? Ele a cada dia sai de uma coisa, saiu do curso de inglês, agora da escola, e não importa se perder o emprego, tenho medo de influências de (amigos) no jogo. Me ajuda por favor.

 

Cara Leitora,

 

Os pais ou responsáveis por adolescentes relatam com frequência a influência do uso excessivo da Internet em seus filhos, bem como os déficits de comportamentos manifestados em suas rotinas, refletindo-se nas áreas familiar, académica/profissional, social e na saúde física. Acrescentam-se dificuldades pela labilidade de humor, comportamento depressivo e reações emocionais impulsivas quando são restringidos no uso da internet.

Na tentativa de oferecer ajuda, os pais geralmente adotam recursos aversivos, visando a cessação imediata do comportamento abusivo. O adolescente, em contato com atividades e emoções prazerosas advindas da Internet e frente ao controle dos pais, foge e/ou esquiva-se, criando paulatinamente um ciclo desadaptativo de convivência familiar.

 É preciso também haver disciplina em casa com horários fixos para o computador, bem como maior convivência familiar. Procure estimular seu filho a participar das refeições familiares e mostre interesse por suas atividades (incluindo os jogos). Também é importante proporcionar atividades em família ou com amigos que sejam prazenteiras para ele, bem como inseri-lo em programa de actividades físicas e em contextos sociais onde ele possa sentir-se bem.

Caso a situação se mantenha é fundamental encaminhar seu filho para um psicólogo para uma avaliação e tratamento.

 

 

 

Dúvidas sobre sexualidade

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Olá, meu nome é D. Tenho 22 anos. Recentemente tenho dúvidas sobre minha sexualidade. Já "namorei" sete garotos, o mais longo foi o sétimo que durou um mês, desde então não me envolvi com mais ninguém. Eu não gostava que eles me tocassem, "ainda não gosto", beijava sem vontade. Até uns meses atrás eu não tinha dívidas sobre minha sexualidade "Eu achava que tinha algum problema comigo. Que eu era uma “frigideira que nunca encontraria uma tampa”, até assistir uma série americana, as dúvidas começaram a surgir. Então "voltei ao passado". Eu tinha sete anos quando dei meu primeiro beijo, com uma menina mais velha, foi estranho, mas não recuei, sim eu me lembro de tudo, mas até então nunca tinha pensado sobre isso.

Outro fato, sempre gostei de brincar com meus irmãos de carrinho, boneco e luta. Nunca brincava com minha irmã, preferia ser o "marido" da minha prima, nos compartilhávamos tudo. Aos quinze ela veio morar com minha família. Nossa relação era bem difícil, às vezes estávamos bem, às vezes não.

Lembro que ficava com raiva quando ela me deixava por outra pessoa "amiga ou namorado" mas eu associava esse 'cisma' ao imenso amor que sentia por ela. Algumas colegas de classe também entram nessa lista. Não gosto de saia ou vestido, maquiagem, apenas um gloss e um delineador para sair, em casa calções largos e blusas de manga masculinas. Um fato que minha irmã sempre chamou a atenção, mais eu nunca parava para pensar. Nunca tive nada além do beijo aos sete com uma menina. Mas já fiz sexo com um rapaz e em nenhum momento tive desejo, por isso pensava existir algum problema comigo... Mas com tudo isso não sei se sou lésbica. Não tenho coragem de testar. Outra coisa eu sou bem tímida com estranhos, quieta, não gosto de sair.

 

Cara D.,

Provavelmente está a passar por um momento de crise de orientação sexual.

A orientação sexual refere-se à direção ou à inclinação do desejo afetivo e erótico de cada pessoa. De maneira simplificada, pode-se afirmar que esse desejo, ao direcionar-se, pode ter como único ou principal objeto pessoas do sexo oposto (heterossexualidade), pessoas do mesmo sexo (homossexualidade) ou de ambos os sexos (bissexualidade).

 

É importante lembrar também que não nascemos com uma orientação sexual definida, pronta, acabada. Pelo contrário, ao longo da vida vamos aprendendo e nos identificando com diferentes formas de vivenciar nossos desejos de uma forma mais fixa ou mais flexível, conforme as experiências vividas por cada pessoa.

 

O importante é não forçar uma definição de identidade, mas deixar fluir seus sentimentos e vai ver que vai encontrar o seu caminho sexual.

Abs,

Infidelidade e violência

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Boa noite Dra. Espero que esteja bem. Escrevo-lhe pelo seguinte sou médica e tenho 30 anos, 1 filha de 3 anos e sou casada a 4 anos com homem de 36 anos. Nos conhecemos há 10 anos. Desde namoro que temos problemas de compatibilidade e no casamento estamos sempre com brigas.

E sempre foi muito desleixado, uma pessoa que não pensa no futuro, sempre tive ser eu a lutar pelo nosso futuro. Ele tem ensino médio, sempre lhe incentivei a fazer faculdade, ele sempre me disse que iria fazer é até hoje nada.

Gosta de consumir bebidas alcoólicas e sempre gostou de chegar de madrugada em casa, e isso sempre me deixou triste motivo de várias discussões nossas e melhorou um pouquinho.

A casa onde moramos é minha e o carro que ele conduz também é meu. E ajuda pouco ou quase nada com as despesas de casa e da nossa filha é preciso muita discussão.

Quase nunca saímos juntos sozinhos para passear, assistir cinema. Ele prefere ir beber com os amigos e deixar-nos em casa sozinha ou na casa da mãe dele.

Apaixonei por outro homem, que partilha e entende os meus problemas, e a nossa química sexual é muito maior.

Meu marido descobriu e ficou chamando-me nomes durante um tempo, pedi perdão e ele diz que me tem perdoado. E deixei o meu amante. A verdade é que 4 meses depois por uma mensagem que não tem nada a ver com meu ex amante ele me agrediu violentamente, ao ponto de ir parar a polícia e todos vizinhos do prédio acordarem.

Estou na casa dos meus pais e pedi a ele para sair da minha casa, deixar meu carro e me dar o divórcio. Ele diz que me ama precisa que eu o perdoe e volte para casa, já passa 1 mês e eu não quero, não me sinto feliz ao lado dele. Nem sinto prazer em estar com ele. Sinto-me explorada por ele.

Que faço ajude me por favor??

 

Cara Maria ,

 

A minha indicação é para fazerem uma terapia de casal. Entre os principais motivos que levam os casais a recorrer à terapia, destacam-se as dificuldades de comunicação, o desinteresse sexual, os conflitos, como por exemplo, na gestão da parentalidade ou em relação às famílias de origem.

 

Durante a terapia, o casal aprende a conhecer melhor o outro, a falar dos seus problemas de forma positiva, sem críticas, sem preconceitos e a compreender o tipo de dinâmica que têm e o que os leva a entrarem sistematicamente em conflito. A comunicação é o maior problema de muitos casamentos. E é por isso que é importante a intervenção de alguém que promova o diálogo aberto, mas sem ofensas.

 

Relacionamentos não nascem prontos, toda relação tem que ser continuamente construída e é preciso ter respeito, reconhecimento, responsabilidade e recreatividade . A cotidianidade exige maturidade para administrar conflitos e ao mesmo tempo deixar espaço para o lúdico, para o amor e para o sonho.

 

E tanto um como outro não estiveram a construir juntos, pelo contrário estão a seguir caminhos opostos com toda consequência que essa postura possa trazer: infidelidade, violência, programas individuais e agora é tempo de rever a relação para decidirem se há possibilidade de recuperação ou se o divórcio é a solução.

Um abraço

Problema emocional

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Bom dia 

 

Meu nome e F., tenho 49 anos. estou casado há 22 anos e 01 filho de 10 anos.

 

Estou passando por um grande problema emocional, principalmente depois que meu pai faleceu em 2013.

Mas minha história começa há mais de 25 anos atrás.

Em 1989 conheci uma moça (M. ela tinha na época 18 anos, eu 22) tanto eu como ela começamos a nos conhecer, pois tínhamos interesses em comum. No mês de maio daquele ano seus pais decidiram mudar para outra cidade. Ficamos muitos tristes, porque estávamos amando um ao outro. No segundo semestre daquele ano, fui visitá-la.

 

Seus pais gostavam muito de mim, e eu deles. Na  minha ultima visita (Dez de 89) fui para oficializar o namoro, quando fui surpreendido com a noticia que ela não estava mais interessada e que queria continuar os estudos e não tinha ninguém em vista( que era minha grande preocupação, pois estávamos longe para se ver e vulneráveis por outros). Fique, naquela época muito decepcionado, porque nos contatos telefónicos, fazíamos planos para o futuro, juras de amor, etc. Na volta desta viagem, desabei a chorar, pois amava muito ela e não tivemos a oportunidade de nem se quer dar um beijo. no ano de 1990 fique com depressão, achando que o mundo tinha acabado pra mim, tinha antes de conhecê-la . Com baixa alutoestima, me achando feio, tímido demais para conquistar uma mulher, alguns meses se passaram, e logo fiquei sabendo que ela estava namorando um rapaz na cidade, o que aumentou mais ainda minha depressão, pensando que nunca mais iria vê-la.

 

Depois de 1 ano (1991), suportei a depressão, resolvi ligar para a M. e sua mãe atendeu e ficou muito contente em falar comigo e me contou que a Marcia não estava mais namorando. Isso me deixou com muitas esperanças, então combinei com a mãe dela que iria lá no mês de Julho de 1991. Nesse mesmo ano e antes de ligar para a M., conheci outra moça (G.) Percebi que a G. era muito parecida com a M. fisicamente. Isso estava me perturbando, por que ainda amava muito a M. Precisava ir vê-la para conferir o seu interesse por mim. Essa viagem foi muito boa, pude vê-la, passear, ir ao cinema e quando fui perguntar a ela se havia alguma esperança, M. pediu-me um tempo.

 

Fiquei mais confuso ainda na época, porque eu tinha a G. e lá a M.

Como a M. já me havia decepcionado antes, decide começar um namoro com a G.

que estava interessada. Eu por orgulho e egoísmo deixei a M. com seus pensamentos.

 

O grande problema e que eu estava enganando a mim mesmo, porque amava muito a M. e só percebi isso muito tempo depois. em 1992 A M. e sua mãe vieram na minha cidade e percebi que ela ainda estava me esperando e eu não notei isso, pois estava ainda namorando a G.. A G. achou as fotos e cartas que tinha da M. e destruiu tudo (menos os negativos). Não tinha mais o telefone para entrar em contato com a M.. Em 93 com quase tudo preparado para casar com a G.  tivemos uma forte desentendimento e desmanchamos o noivado, mas fiquei envergonhado por chegar até aquele momento e desistir, apesar de não amá-la, como amava a M. reatamos e casamos em 93.

 

Ao longo dos anos sempre me lembrava da M. com muito carinho e amor, mas não tinha como entrar em contato, porque o telefone e o endereço foram destruídos. Por muitas vezes eu e a G. brigávamos muito a ponto que querer jogar tudo pro alto e separar, A G. chegou até se interessar por outro, mas relevei. Em 2006 nasceu meu filho, isso me fez rever o casamento, mas veio outros problemas maiores ainda. Por volta de 2010, comecei a digitalizar as fotos que eu tinha e também os negativos. Foi quando voltei ao passado e rever os momentos que tive com a M.. A curiosidade de saber como a M. estava foi crescendo a ponto de começar a pesquisar na internet. Depois de muito tempo achei seu endereço e também outras coisas nas redes sociais. Vi que a M: já tinha uma filha (dois anos mais nova que meu filho) mas notei que não havia o marido em algumas fotos no facebook. Em 2016 consegui com muito custo o telefone da mãe dela e entrei em contato depois de 25 anos. Conversamos por telefone e ela me disse que havia casado em 2007 e teve sua filha em 2008, mas não durou muito o casamento e 2010 estava separada e em 2013 seu pai havia falecido e ela havia se divorciado. Notei que o meu sentimento pela M., que havia ficado adormecido, acordou. Começamos a nos comunicar por telefone e whatsapp. Recentemente (jan de 17) fui sozinho à cidade dela para vê-la, sem ela saber e nem minha esposa a G. Conversando com sua mãe, pois a M. não mora com ela. Sua mãe me disse que depois que voltamos a nos comunicar, M. ficou mais feliz e que o voltar a conversar mexeu com ela. Mas que está muito preocupada comigo pois ainda estou casado.

 

Sinto que essa história ainda não acabou apesar do tempo, meu amor por ela ainda bate forte no peito, coisa que nunca senti pela G. Pelo lado da M., achou que também despertou o amor que tinha, mas pelo que sua mãe me falou, ela está com medo de ser o pivô de uma separação e de destruir uma família. Meu casamento anda de mau a pior a anos. Para dizer a verdade casei com a G. com a M. na cabeça e no coração.

 

Agora que a encontrei sinto a necessidade de ajudá-la, visto que esta sozinha criando sua filha. Mas eu também estou dividido com um casamento em erupção, um filho de 10 anos e um amor no peito me castigando e me deprimindo cada dia. Desde  Outubro de 2016 não tenho dormido direito, estou ansioso demais, não paro de pensar na M. (apesar de morarmos longe)

 

Sei que enfrentarei muitos problemas, separação, um relacionamento duvidoso (pois dependerá da M. se vai me aceitar depois de fazer isso)  

 

Mas tudo isso foi culpa minha, pois se amava tanto a M., porque não dei o tempo em 91, porque não desisti de casar, porque não separei enquanto não tinha o filho, são tantos os porquês, que minha cabeça não anda bem, estou a cada dia mais depressivo e temo muito o poder vir acontecer, pois penso que a única saída para meu sofrimento e acabar com tudo, não sei mais o que fazer, por isso estou pedindo uma ajuda profissional, como fazer...

 

 

Grato.  

 

Caro F.,

 

Penso que esteja numa grande confusão mental! O seu amor pela M. parece idealizado, uma saudade do tempo passado e da sua juventude e que claramente não voltará mais.

 

Pense bem : será que vale terminar um casamento e destruir uma família por um amor do passado que talvez seja só uma ilusão?  Uma separação sempre traz problemas, frustrações e infelicidade para toda a família. Antes de tomar uma decisão ponha tudo na balança. Se está ao lado de alguém que ama, que o faz feliz, que lhe dá segurança, vale a pena abandonar tudo isso por outra? Não se deixe levar pela ilusão de uma relação perfeita.

Amar é aceitar o imperfeito e torna-lo perfeito para nós. Para que uma relação resulte é preciso respeito, reconhecimento, responsabilidade e recreatividade.

 

Sugiro que não tenha pressa em decidir, reflita com calma e pondere o que é melhor fazer. Um acompanhamento psicológico poderá ser de ajuda nessa fase complicada de indecisão.

Fique bem

 

Namoro adolescente

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 Meu nome é I., tenho 51 anos e uma filha de 12 anos que anda a namorar com um rapaz de 16, isso é ilegal? O que devo fazer, trata-se de um individuo com historial de drogas e violência. Agradeço desde já a ajuda

 

Cara I.,

A sua filha está num namoro prematuro e prejudicial. A comunicação entre pais e filhos é essencial nesse caso.

 

Converse muito com ela sobre as possíveis consequências de seus atos e fale da importância que esta pessoa seja da sua idade ou de idade próxima, que compartilhem os mesmos princípios, valores e crenças pessoais e familiares. Esse rapaz não pode namorar com ela pois irá prejudicar a vida de sua filha em todos os sentidos.

O papel dos pais é buscar que seus filhos vivam com intensidade o que é próprio da idade juvenil, isto é, que cada etapa seja aproveitada em extensão e plenitude com as experiências necessárias ao amadurecimento pessoal, sem os obstáculos apresentados por uma relação afetiva prematura.

 

Fique perto de sua filha e não permita que essa relação continue, aos 12 anos ainda não tem maturidade para decidir e nem para namorar.

Caso não consiga sozinha encaminhe-a para uma consulta de psicologia para que possa ajudar nesta e quiçá outras questões que estejam por trás.

 

Tudo de bom