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Consultório de Psicologia

Espaço de transformações com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações relacionadas com o seu bem-estar. Encontre o equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia para favorecer seu crescimento psicológico.

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Casamento em crise

 

 

Doutora,

 

Gostei muito do seu blog e decidi expor o meu problema, para obter ajuda e também para alertar os casais:

 

Sou casado há 24 anos. 

Sempre fui um homem muito apreciado pelas mulheres. A minha mulher que é lindíssima frequenta o ginásio diariamente e eu anteriormente também. Sempre fomos um casal lindo que sempre suscitou a inveja de muita gente. Muitas vezes quando saiamos de braço dado eu recebia piropos de outras mulheres mas nunca ligava e ela orgulhava-se muito de mim. Hoje em dia, depois de ler muitos artigos, descobri que sempre fui o chamado Macho Alfa. Resta dizer que a nível sexual, durante 19 anos, foi o paraíso na terra. Acredito que existisse igual, mas melhor não existiu. Mesmo sendo muito requisitado pelas mulheres, inclusive assediado, fui sempre fiel e naturalmente monogâmico. Temos 2 filhas de 22 e 17 anos de idade. 

 

Os anos foram passando e na tentativa de melhorar a vida estudei e consegui melhorar muito a nível profissional.

 

Há perto de 5 anos comecei a ter problemas psicológicos com ataques de pânico frequentes e crises de ansiedade, acordando varias vezes na sala de reanimação do hospital, sem no entanto ter qualquer problema físico. Comecei a frequentar Psiquiatras que me foram enchendo de medicamentos. Foi uma pena não ter encontrado logo a psicoterapia. Engordei 55kg e desleixei-me completamente fechando-me numa 'doença' que corrói as pessoas até há morte. Comecei a dormir no sofá pois ressonava imenso e ela não conseguia dormir. Ali passei os últimos 4 anos da minha vida. Quantas e quantas vezes ela me chamou para a cama em sofrimento, com o rosto lavado em lágrimas, e eu respondia: Estou melhor aqui! 

Até me custa escrever isto... como é que eu pude agir desta maneira??? Simplesmente, devido há doença que me deixou 'cego', eu pensava que já não a amava! Gritava com ela e com as minhas filhas; era sarcástico da pior forma possível; tentava ofender etc. etc. etc.   

 

Chamo a atenção para esta doença psicológica que é um demónio extremamente caprichoso e maligno, pois ataca fazendo-nos todo o mal do mundo, toldando-nos o espírito, cegando-nos a visão e depois, um belo dia, retira-se como se nada fosse deixando-nos sãos mas com a vida totalmente destruída.

 

Foi o que me aconteceu precisamente no momento em que a minha amada esposa me diz que resolveu deixar-me porque já não me ama mais! Posso dizer-lhe que senti o céu a cair-me em cima. Nunca pensei que pudesse haver algo tão avassalador. Pois pudera, ela levou anos a tentar reaver o seu amado sem sucesso e sem compreender por quê. Ainda hoje não consegue compreender. Como ela diz: Tu mataste aquilo que eu mais adorei: Tu! Como podemos ouvir isto da boca da pessoa que descobrimos que estamos loucamente apaixonados? Como é possível eu ter repudiado durante anos a pessoa que eu mais adoro???

 

Hoje estou curado devido há minha tremenda força interior, pois descobri que quem comanda o nosso cérebro somos nós. Devido há psicoterapia estou cada vez mais a descobrir a pessoa incrível que eu sou. Por isso digo que toda a gente deveria consultar pessoas como a Doutora e seguir um plano de psicoterapia. 

 

Mas tudo estava destruído entre mim e a minha amada. Tenho tentado reconstruir a minha relação pedra por pedra mas é muito difícil pois ela está tremendamente irritada e ofendida. Eu peço-lhe ajuda e ela pergunta-me quem a ajudou durante 5 anos de desgosto. Eu digo-lhe que foi uma doença estúpida e ela responde que é uma boa desculpa. Estou muito triste porque ela está a tornar-se muito má para mim  e amargurada dizendo que eu tenho que pagar por tudo o que lhe fiz passar. Tento aproximar-me e ela repudia-me. Desde que emagreci 30 kg e restabeleci a minha postura natural tenho notado muito interesse de outras mulheres e dela também pois claramente noto que não lhe sou indiferente. Sei que tratou de toda a papelada para o divórcio mas parou entretanto. Há dias, demonstrando uma raiva pouco comum, disse-me que eu era um estúpido ignorante pois ela há um tempo atrás pensava uma coisa e agora pensa outra e que eu não percebia nada de nada. Claro que isto é um claro sinal do seu interesse por mim.

 

Anteriormente tinha muita dificuldade em percebe-la pois ela começou a falar por código, mas agora percebo que ela está profundamente atraída por mim, mas como quer dar-me uma lição, está num conflito imenso que só destrói cada vez mais a nossa relação e não permite que conversemos. Diz-me que não me ama mais e eu pergunto se está realmente a dizer a verdade ao que ela responde: "Foi o que durante anos tu me disseste." Repare bem que eu não tenho ideia de alguma vez lhe ter dito algo de semelhante mas as minhas filhas corroboram dizendo que eu proferi essas odiosas palavras vezes sem conta! Como pode ser isto possível?

 

Estou pronto para fazê-la a mulher mais feliz do mundo simplesmente porque já estive no "fundo do poço" e, portanto, sei o que fazer para evitar cair lá de novo. Não voltarei a cometer o mesmo erro duas vezes, pois agora sei: Nós temos o total controle da nossa psique. Só entra o que nós deixarmos entrar.

 

P.

 

 

Caro P.,

 

O seu sentimento é sincero e se a percepção do seu casamento é correta, tente tudo por tudo e invista para uma reconciliação. Fale com ela, peça para que ela lhe dê uma chance para recomeçar, invista na relação e prove com as suas atitudes que mudou e que mudou para melhor.

 

Procure se controlar para conseguir uma gestão dessa fase de instabilidade e conflito da melhor forma e com muita paciência.

 

Continue com a sua psicoterapia que certamente vai ajudar a manter o seu equilíbrio psicológico e emocional.

 

Se existe amor entre o casal certamente poderão voltar a ter uma vida em comum.

 

O segredo de muitas uniões felizes está em manter um equilíbrio saudável, que significa estar na relação sem perder-se nela. Isto é, não agir como se o parceiro estivesse ausente e nem antepor ou impor as próprias necessidades às do parceiro, mas sim perceber-se como seres “distintos” e “únicos” e considerar o parceiro como um companheiro de viagem.

 

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