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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Irmão de pais separados

 

 

 

Boa tarde Dr.ª!!

Permita-me antes de mais, expressar o meu profundo respeito pela sua área de trabalho. Sou casado e pai de três filhos, sendo que o segundo não é da minha esposa. Na verdade, a diferença entre o primeiro e o segundo é de apenas 3 meses, estando, ambos com 5 anos e o mais novo com 1 nove meses.

 

A mãe do meu segundo filho é uma pessoa que foi minha namorada durante 7 anos (somos amigos apesar da separação), dos quais, a partir do quarto ano, iniciei uma outra relação com a minha esposa. Foram, na verdade, cerca de 2.5 anos de vida dupla que resultou no nascimento dos dois primeiros rapazes.

 

Após o meu casamento, tivemos de mudar de cidade por razões profissionais e em concertação com a minha esposa, pedi a mãe do meu segundo filho para que ele fosse viver connosco, mesmo porque ela é uma pessoa que viaja muito e parte do seu tempo é passado no campo, em virtude de ser formada em engenharia florestal e como tal, estar mais tempo longe das cidades.

 

Ela concordou que o miúdo vivesse connosco, tendo pedido apenas para visitar o filho sempre que o trabalho permitir, o k implica viagem de uma cidade para outra, percorrendo uma distância de mais de 500 km.

 

Passados um ano nesse regime, a minha esposa diz que não se sente confortável com a presença mensal da mãe da criança na cidade onde vivemos e acha que ela deve esperar apenas o período de férias para ver o miúdo que, entretanto, deverá ir ao encontro da mãe. Não concordo e isso está a criar um mau estar no nosso relacionamento pois, eu disse-lhe que jamais impediria a mãe de ver o miúdo, lembrando-lhe que essa condição foi por nós aceite como forma de termos o pequeno junto dos irmãos.

 

A última viagem que ela veio ver o filho, ligou-me e perguntou se havia algum inconveniente em vir com o namorado, ao que prontamente respondi que não, tendo, inclusivamente, oferecido, ao casal, hospedagem na casa de hóspedes que o meu serviço têm, facto que gerou um clima tenso entre eu e a minha esposa pois ela não concordou, tendo dito inclusivamente, que por ela, a mãe da criança não mais deveria vir, mas que era um assunto que já não lhe dizia respeito. Mudou de postura, certamente, porque ainda existe um bom relacionamento entre nós, tudo em prol do bem-estar do nosso filho.

 

Esse posicionamento da minha esposa tem sustentação no facto de ela achar que sempre que a mãe do miúdo vem, ele depois fica triste nos dois dias que seguem a sua partida, questionando porque é que a mãe tem que trabalhar longe e como tal, ele não poder viver com ela.

 

A minha esposa acha que o miúdo está a desenvolver algum tipo de trauma, pois, por duas vezes já o surpreendeu a chorar e quando ela questionou o que se passava, ele respondeu que queria a mãe. Na verdade, ma das vezes que ele acordou assustado e a chorar, eu mesmo fui ao quarto deles e questionei o que se passava, o que me disse que estava com saudades da mãe, e questionou-me porque é que eu não caso com a mãe dele para ele poder viver como os irmãos, com pai e mãe!!

Não fui capaz de lhe dar uma resposta naquele momento, tendo-lhe dito apenas que os homens devem casar apenas com uma mulher de cada vez. Não estava a espera daquela pergunta.

1.      Será mesmo que o miúdo está a desenvolver algum tipo de trauma?

2.      Noto que a minha esposa mudou de opinião quanto ao facto de o miúdo viver connosco, mas nunca me disse provavelmente por ter receio da minha reacção, que certamente, não será no sentido de nos afastarmos dele. Tal é assim, porque, mesmo que ele deixe de viver connosco, a solução será ele ficar com uma tia que vive na cidade por impossibilidade de a mãe estar com ele em função do seu trabalho. Entre ele ficar com a tia e connosco, logicamente que me parece mais assertivo ele crescer junto com os dois irmãos.

3.      O que me aconselha Dr.ª? Sei que essa situação pode por em causa o nosso casamento, mas acho que não devo abrir mão de viver e acompanhar de perto o crescimento dos meus filhos apenas porque a minha esposa não se sente confortável com a presença da mãe do meu filho, que, em suma, é ad eterno, pois, temos um filho e necessariamente, teremos que viver essa realidade.

Ajude-me a encaminhar este assunto sem pôr em causa o meu casamento, e muito menos a permanência do miúdo connosco. Eu apenas abrirei mão desse convívio entre os irmãos, quando a mãe estiver em condições de viver ela com o miúdo, pois, tenho consciência de que, em princípio, filhos estão sempre melhor com as mães, mas antes, não me parece, salvo se de facto, houver alguma possibilidade de o miúdo estar a desenvolver o aludido trauma, o que não me parece, pois, aqueles episódios não são frequentes e ele gosta de viver connosco, isto é, com o pai, a mãe (como ele chama a minha esposa) e os irmãos.

À minha esposa reconheço todo esforço que ela certamente faz para gerir o nosso casamento, sem afetar a educação dos miúdos, mas, confesso que me decepcionou ao mudar de uma hora para outra de comportamento, alegadamente porque a mãe do miúdo engendrou tudo isso para estar sempre perto de mim. Acho absurdo, tal é que a mesma já está numa outra relação a mais de 8 meses.

 

Tal mudança de comportamento é notório porque antes era ela que nas visitas da mãe da criança, levava o miúdo à mãe, falavam sobre a escola dele, e outras questões, mas agora, nem telefone atende e quando ela vem ver o miúdo, não há espaço parasse encontrarem, eu é que devo ir deixar o miúdo para ver a mãe. Que fazer, é meu filho, faço com imenso prazer.

Com este andar, receio que a mãe do miúdo perceba este clima e me pressione para levar o miúdo para com a avo deixar, o que eu não quero que aconteça. O que faço Dr.ª?

 

 

Entendo a sua situação delicada e a dificuldade que sente para gerir da melhor maneira mantendo o miúdo e o seu casamento.

 

O que me parece é que há um certo ”ciúme” da parte da sua mulher, mas infundado já que é com ela que está casado e é com ela que vive e para o miúdo poder conviver com os irmãos e o pai é uma situação saudável e não penso possa “traumatizar”, embora é normal que sinta saudade da mãe, mas nada que possa vir a ser um problema pois ele está habituado à convivência com vocês e encontrar com a mãe mensalmente.

 

Diante da separação dos pais a criança pode ficar menos amável ou apresentar problemas de ordem emocional e educacional. A resposta que ela dará à situação — superando-a ou não — vai depender da qualidade da relação que manterá com os pais e da habilidade que estes terão para lidar com as dificuldades do filho.

É importante que os pais transmitam à criança que o par amoroso se rompeu, mas os dois vão continuar sempre a dar amor e apoio aos filhos.

 

O que pode fazer é dialogar com a sua esposa, para que continue a aceitar a situação e que, como bem disse, é uma situação que nunca vai mudar pois a ex- sempre será mãe de seu filho e irão ter que se encontrar sempre durante a vida.

 

Dialogue com ela sem discutir, mas com paciência e amor e verá que ela irá certamente entender.

 

Tudo de bom

 

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