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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Segundo casamento

 

 

 

 

Doutora Maria Grazia,

 

Boa noite.

 

Escrevo-lhe este e-mail sem nunca saber se alguma vez será lido ou se terá resposta.

 

Chamo-me Pedro, tenho 39 anos e sou casado, pela segunda vez. Tenho uma mulher inteligente, lindíssima, o sonho de qualquer homem. Acontece que a “esgotei”.

 

Ao longo da nossa relação de quase 7 anos, da qual nasceu uma filha, deixei que a ex –mulher continuasse a interferir na presente relação, ao inicio eram os telefonemas por causa da filha desse casamento, ao longo de 5 anos foram as batalhas relativas à pensão de alimentos – o valor que eu pago nunca é suficiente .

 

A minha esposa acompanhou-me sempre estoicamente nessas batalhas, mas essas batalhas perdidas sucessivamente  e a minha falta de firmeza para com a mãe da minha outra filha (por amor à minha filha mais velha e não à ex) resultaram em que eu de uma forma inconsciente desse como garantida a minha atual mulher.

Devo referir que por falta de meios para pagar a um advogado e por o meu agregado familiar ter um valor de 20 € superior ao limite que a segurança social define como limite para ter direito a  um advogado oficioso, foi ela que durante horas, dias fez pesquisa jurídica, requerimentos ao tribunal etc. Foi ela a minha “advogada” e isto percebo agora fez com que sofresse ainda mais.

 

Compreendo e assumo todas as culpas de a ter esgotado, ela sabe, aliás não mo deixa esquecer.

 

Nunca a traí, apesar de haver um acontecimento ocorrido há dois anos que a marcou. Eu, as escondidas e para evitar que a mãe da minha filha mais velha colocasse mais um processo em tribunal o que daria mais problemas há atual relação, “dava” dinheiro sem a minha atual mulher saber até ao dia em achei que já era demais.

Nesse dia, a mãe da minha filha mais velha chantageou-me e disse que iria dizer a minha atual mulher que eu lhe dava esse dinheiro, preferi ser eu a contar o que foi, e com razão, considerada uma traição.

O problema não foi dar o dinheiro, foi dar sem ela saber, as escondidas.

 

Neste momento, a mulher que eu amo esta numa profunda depressão, diz que ainda tem sentimentos fortes por mim mas que no entanto não é feliz comigo e que não sabe o que quer para o futuro.

 

Por um lado sabe que eu a amo e que estou diferente, por outro tem medo do que o futuro reserva, se um amor saudável na minha companhia ou se mais 6 anos de problemas e dor.

 

Trabalhamos juntos, o que por si só desgasta, por isso decidimos, por sugestão dela  separarmo-nos por uns tempos para ver o que realmente ela sente ou quer.

 

Pelo amor que tenho por ela, pelo sentimento de culpa de  a ter destroçado emocionalmente sei que a única coisa que devo fazer é sair de casa, dar –lhe o espaço que ela precisa mas no entanto ela precisa da minha ajuda para cuidar da nossa filha de 3 anos e meio uma vez que está com uma depressão profunda e tem picos ora de euforia ora de tristeza.

 

Eu sair é bom para ela mas ao mesmo tempo ela também precisa do meu amparo. Eu sei que devo sair, mas não posso virar as costas à mulher da minha vida quando ela esta tão em baixo.

 

Na próxima quarta-feira dia 24 de Outubro ela tem uma consulta de psiquiatria, devo esperar que a medicação faça efeito e ela encontre um equilíbrio emocional e só aí sair?

 

Serão estas dúvidas dela também fruto da depressão?

 

Nos últimos dias passamos horas a falar e eu dou comigo a tentar explicar-lhe o que ela sente, mesmo que ao explicar-lhe ainda faça com que a culpa e remorso que eu sinto aumentem em mim e possivelmente que ele perceba ainda mais que eu fui uma besta!

 

Ao mesmo tempo temos falado com uma franqueza que até  aqui parecia impossível, falamos de traumas de infância, partilhamos experiencias dolorosas que quer um ou o outro jamais teria ousado contar a alguém.

 

Devo continuar a escutar as mágoas dela, creio não ser a pessoa mais indicada pois sou o ouvinte que ela precisa mas ao mesmo tempo sou a causa dessa mágoa.

 

Doutora, nunca nos iremos conhecer pessoalmente, nunca lhe poderei pagar mas peço que me ajude, me indique um rumo.

 

Obrigado

 

R.

 

Caro R.,

 

Tendo em conta que já passou por uma relação mal sucedida, se gosta da sua actual companheira porque por tudo a perder novamente?

 

 Converse com ela, o diálogo é sempre a melhor solução. Toda relação tem seus “defeitos e qualidades”, se não quiser pular de uma para outra, tentem se entender.

 

Imagino que esteja a passar por muito stress, pois 5 anos de tribunais é muita coisa e não dá para ter tranquilidade.

Ex mulher será ex para sempre e vai ter que aturar pedidos e exigências. O melhor que tem a fazer é ter calma e ir resolvendo os problemas um a um.

 

Não idealize o casamento e reconheça que conflitos são inevitáveis – fazem parte do amadurecimento e proporcionam mudanças necessárias. O importante é aprender a administrá-los e não perder o respeito pelo outro.

 

Existe um ditado popular que diz: “ quem te ama também te faz chorar”. É por meio de confrontos, brigas e solidariedade que acontecem numa relação que se desenvolvem novas maneiras de se entender e novas perspectivas de abordagem.

Se separar ou dar um tempo, não resolve, o que resolve é continuarem juntos e tentarem restabelecer uma boa relação baseada na sinceridade, partilha e autenticidade.

 

Se ela está deprimida, com esgotamento e já marcou uma consulta com o psiquiatra, é mais um motivo para esperar antes de tomar decisões tempestivas. Com o tratamento ela certamente irá melhorar o estado de tristeza e estará mais apta a avaliar a situação realisticamente e com mais tranquilidade.

 

Se existe amor, não desista. Deixe tudo se acalmar e vai ver que vai conseguir reverter a situação.

 

Tudo de bom

Mariagrazia