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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Mãe e adolescente

 

 

 

 

Olá Dra. Mariagrazia.

Eu tenho 39 anos, sou portuguesa e vivo à 15 anos em Moçambique.

Tenho um filho de 14 anos. Separei-me do seu pai, quando ele tinha 5 anos.

 

Somos todos amigos e encontramo-nos  com frequência.

Entretanto voltei a encontrar outra pessoa, de nacionalidade alemã, com quem vivo à 5 anos. O meu filho e ele são muito amigos e companheiros.

Em 14 anos de existência , vivemos em três países, em 6 cidades , em 11 casas, e ele andou em 5 escolas diferentes.

Isto trouxe coisas boas e más, obviamente.


Uma das minhas grandes preocupações é a falta de amigos, com quem ele se possa identificar, fazer comparações de famílias, vidas, partilhar músicas, filmes, desporto, etc.

Agora ele frequenta uma escola relativamente pequena, são  apenas, 4 alunos na turma dele.

É uma escola de carácter religioso, com um bom curriculum inglês. Sei que ele gostaria de uma escola mais dinâmica, alegre e mais actividades extra curriculares. Mas não existe. Não temos muito  opção de escolha, onde vivemos.


Temos uma vida um pouco incomum. Trabalhamos com turismo e temos duas casa de hóspedes lindas, onde vivemos também.

Sou uma pessoa bastante forte e dinâmica, muito empreendedora, super exigente comigo mesma e com os outros.


Talvez falhei com os princípios básicos de educação dele, como ser amigo das pessoas que lhe tratam bem, respeitar-me, partilhar e dividir as suas coisas, agradecer o que lhe dão, a sua higiene pessoal, dizer o que pensa calmamente, honestamente sem agressividade.

Digo isto porque apesar de todas estas mudanças que fizemos na vida, tentei dar carinho, conforto em casa, uma boa escola, viajamos sempre para compensar  a ausência de outras informações, uma vez que vivemos num lugar mais isolado. Estou sempre presente nas refeições, actividades escola, T.P.C....enfim...Uma canseira, para ser a melhor mãe, possível!!!

Acontece que o meu filho, não me dá valor!!!


Diz que sou muito nervosa, que discuto por tudo, que sou chata, que não percebo inglês o suficiente para lhe ensinar, qualquer assunto diz para me calar que não sei, detesta ajudar-me, acha que cumpre com o seu papel que é estudar e tirar boas notas, e tira-as e pronto, mais que isso não faz.

Claro que eu não permito que ele faça de nós empregados domésticos e obrigo a lavar a loiça, ajudar-me na recepção da casa de hóspedes ,etc.


Mas é sempre uma discussão. CANSATIVA!!!!

Sempre que estamos juntos as suas conversas, dúvidas da escola, são com o padrasto, que é uma pessoa com maior capacidade intelectual que a minha. E eu sou completamente ignorada.


Eu sou boa é para fazer as comidinhas, comprar-lhe tudo o que necessita, pensar em fazer os programas de férias, ou de fim-de-semana e basicamente o saco de boxe dele, quando as coisas não estão bem.


Não consigo conversar com ele de uma forma mais intima. Detesta falar dos seus problemas, diz que não é com a mãe que deve fazê-lo.

Como lhe passar valores bonitos e que ele não me veja como a sua empregada doméstica?

Não é fácil resumir em algumas linhas o problema. Nem sou muito boa a escrever. Espero que esteja minimamente claro para ser perceptível.


Obrigada pelo seu tempo.

Um abraço C.

 

Cara C.,

 

Não se preocupe e não exija demais d si e de seu filho. Essa diversidade de escolas e ambientes lhe trarão uma cosmo visão mais ampla.

O adolescente ao agir assim como refere, está à procura da própria identidade e independência e para tal quer liberdade e ter a própria intimidade preservada. O fato dele se comunicar mais com o padrasto é um sinal dele se identificar com essa figura masculina, o que é normal.

Essa é uma idade de contestação mas internamente sabe valorizar o amor dos pais.

 

Os pais na ânsia de não cometerem erros vão cada vez mais em busca de informações, que por vezes são controvertidas e confundem ainda. O que vale na educação é sempre usar a intuição e o bom senso.

 

Tudo de bom e felicidades pelo seu trabalho