Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Adolescênte rebelde

Dra,
 
Encontro-me num dilema sobre como agir com minha filha de 13 anos. Ela sempre cursou escolas particulares e no meio do ano passado optou por ir para uma escola pública próxima de nossa casa por lá se encontrar grande parte dos vizinhos. Na verdade, ela se dava bem com as colegas da outra escola, mas preferiu sair. Ela mesma procurou a vaga, pediu a transferência e como precisava de nossa autorização tentamos convencê-la a permanecer, mas todo argumento foi em vão.
Quando ela tinha 1 ano, fui submetida a cirurgia de câncer de mama, o que me impediu de amamenta-la. Fui submetida a quimioterapia e radioterapia em outra cidade, o que a deixou em mãos de amigos; na época tiraram-lhe a chupeta.
Quando ela tinha 8 anos, tive uma metástase óssea e tive que me afastar novamente para novo tratamento (prótese e radioterapia). Nesse período, ela foi muito protegida por todos (parentes, professores, etc).
 
Não devo deixar de comentar que ela é a menor de 4 filhas.
Com 09 anos observei em seu quarto um celular escondido que ela "pegou" de um colega. Repreendemos e demos castigo. Recentemente estava pegando dinheiro escondido de minha carteira e das irmãs, apesar de lhe dar uma mesada simbólica. Mas pega para agradar as colegas, comprar coisas para elas, pagar-lhes lanches. Repreendi e falei que era só pedir e se eu tivesse eu daria.
Como o fato tornou a acontecer ameacei-a de castigá-la fisicamente e sabe qual foi a reacção? Simplesmente saiu de casa com uma coleguinha falando que ia fazer um trabalho de escola e não voltou deixando-nos (meu marido e eu) aflitos e frágeis. Procuramos em todos os lugares imagináveis e depois fomos à polícia. Após 1 dia retornou dizendo que a ameaça que eu fiz a forçou a isso.
 
Ao ser repreendida ela não demonstra emoção nenhuma, fica impassível como se tivesse representando (não chora, não nega, não responde). O que devo fazer? Por favor, me ajude.
 

 

Cara M.,
 
A sua filha está em plena crise de adolescência e muitas vezes esses comportamentos acontecem. Pode ser que essa rebeldia passe espontaneamente mas se continuar assim o melhor é levar a sua filha em uma consulta de psicologia para ver o que se passa realmente com ela e para um diagnóstico completo.
 
Entretanto não se culpe pelo comportamento da sua filha, ela pode ter sentido algumas carências durante a infância o que não justifica o comportamento actual.
Procure manter uma linha de educação, dando limites sem se tornar permissiva em nome da culpa por não lhe ter sido possível dar mais atenção quando pequena.
 
A adolescência é um momento difícil, de grandes mudanças e ela provavelmente procura chamar atenção transgredindo e testando valores e limites.
 
Um abraço e muita saúde e felicidade em 2008!
Mariagrazia