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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Depressão reactiva

 

 

Bom dia Drª Mariagrazia,
 
como está?
Consultei o seu blog e devo dizer-lhe que em parte só o facto de o ter descoberto já me fez sentir mais confortada psicologicamente porque ontem à tarde fiquei horas a ler os casos que se encontram publicados e tive vontade de também expor o meu. Tenho uma depressão, que apesar de não ter sido detectada muito tarde, me trouxe bastantes mudanças a nível psicológico e também físico. Sentia-me cansada, por vezes com muito sono e outras sem nenhum e até problemas gástricos comecei a sentir, assim como dores musculares e um cansaço sem razão aparente que me alarmou e me fez dirigir ao meu médico de família que me prescreveu o Cypralex e o Victan, fármacos que deve conhecer, sendo que o segundo me foi receitado dado ter já tido também episódios de ansiedade que espero, venham a normalizar.
 
Com tudo isto resta-me contar-lhe os motivos que estão na causa destes distúrbios. Há 2 anos a minha mãe foi vítima de AVC e permanece até hoje acamada aos cuidados de uma instituição de saúde devido à vida que eu e o meu pai temos (ambos trabalhamos) e como deve imaginar seria difícil tê-la em casa, negligenciando-lhe cuidados por ter que ficar sozinha. No ano passado o meu pai foi operado a uma neoplasia no colón sigmoide (intestino) e como filha única que sou vi-me bastante debilitada e desanimada, chorando muitas vezes por estar revoltada com tudo e todos, como deve calcular. Perguntava-me se não chegava ter a minha mãe no estado em que está, quanto mais ainda ter o meu pai com cancro.
 
Felizmente o tumor era pequeno, in situ, e a operação correu bem, no entanto foram dias de grande angústia e ansiedade e ainda hoje passado um ano sobre tudo isto (o meu pai foi operado dia 7 de Maio de 2007), sinto-me mais frágil do que antes, não sei, parece que algo mudou...e eu que me considerava alguém tão forte em termos de personalidade e forma de encarar a vida! Para complementar isto tudo na altura em que a minha mãe teve o AVC (Julho de 2006) fui obrigada a terminar uma relação de 5 anos que mantive com a pessoa que até hoje mais amei, confesso. Terminei porque naquele momento da parte dele não havia o mínimo interesse em me acompanhar nos meus problemas e fiquei chocada como em certos momentos lhe era indiferente que eu estivesse bem ou mal, não se importava minimamente. Depois passado algum tempo começou a perseguir-me, chegando mesmo a fazer-me ameaças, as quais reportei para as autoridades competentes porque andava cheia de medo.
 
Entretanto apareceu outra pessoa na minha vida que insistiu muito para namorar comigo e eu aceitei por também gostar dessa pessoa. Mas nunca mais fui capaz de amar com a mesma intensidade, tornei-me muito pessimista e penso sempre em perspectivas de vida falhadas com essa pessoa porque sinto que da parte dele não há a dedicação que eu gostaria de sentir, há dias em que também se mostra frio e indiferente e já lhe mostrei muitas vezes o meu desagrado face a isto e já tivemos discussões devido a isto. Passados uns dias volta tudo ao mesmo, parece um círculo.
 
Finalmente no trabalho as coisas também não são fáceis, além de estar a recibos verdes, o clima com as colegas de trabalho também não é o melhor, havendo dias em que nem trabalhar me apetece e foi com este ambiente laboral que o meu estado se agravou o que me fez procurar ajuda médica porque sentia-me extremamente cansada e a ponto de ter um esgotamento. Agora já me sinto melhor, talvez a medicação ajude mas preferia não tomar nada, porque sei que me posso tornar dependente de medicamentos e não queria. Não sei se a Dr.ª tem casos de pacientes que sofrem de assédio moral em contexto de trabalho. É o que eu tenho enfrentado, mas não com o chefe e sim com as colegas, como anteriormente referi.
 
E é esta a minha história. Sei que me alonguei demais na descrição mas pedia-lhe que me dissesse algo que me ajude em todas as situações que referi.
Muito Obrigada por ter lido o meu longo e-mail!
 
Os meus melhores cumprimentos,
 
AL
 
 

Cara AL,

 

Seria muito bom se eu tivesse uma receita milagrosa para acabar com o sofrimento e para resolver todos os seus problemas, mas infelizmente não é assim. Cada um é responsável pela mudança e cada pessoa tem que resolver as suas dificuldades e problemas da vida. Sei que não é fácil mas se chegou até aqui e tem consciência que precisa mudar, penso que certamente conseguirá. Já está medicada e isso ajuda. Não tenha medo de ficar dependente, os medicamentos estão aí para nos ajudar e tendo acompanhamento médico não tem problema.

 

Cara Cristina a sua é uma depressão reactiva às situações que enfrentou e que enfrenta.

O que ajudaria no seu caso seria se pudesse fazer uma psicoterapia para ajudá-la a fortalecer e elevar a sua auto-estima e dar -lhe mais forças e segurança para enfrentar as adversidades da vida.

 

De qualquer maneira, procure ser forte e corajosa, não se deixe intimidar pelas suas colegas de trabalho. Ver os pais doentes é muito difícil e traz uma grande tristeza e desânimo, mas lembre-se que se estiver bem vai poder ajudá-los com o seu ânimo e poderá aproveitar os bons momentos. Cuide de si para não adoecer, faça alguma coisa que lhe dê prazer além do trabalho, não se esqueça de se cuidar,  se divertir e se distrair.

 

Um beijinho e fique bem

Mariagrazia