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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Depressão e humor instável

 

Paula Rego

 

 

Olá. O meu nome é B. e tenho 18 anos.

 

Acho que preciso de falar com alguém que entenda alguma coisa de psicologia, pois sei que não estou bem mas não sei o que se passa comigo.

 

Sei que tudo começou quando eu tinha 9 anos e os meus pais se divorciaram. Foi um divórcio "amigável" mas que mesmo assim me fez sofrer muito pois ninguém quer ver os pais separados. Um ano depois morreram 3 pessoas próximas na minha família, uma delas o meu avô materno de quem eu gostava muito. Não se por ser no dia dos anos de uma amiga ou por outro motivo, quando me deram a notícia lembro-me de cair em mim, num abismos enorme mas não deitei uma única lágrima. Sinto a falta dele que me dava bons conselhos! Sentia uma grande responsabilidade de nunca deixar as minhas notas descerem e isso era uma grande pressão sobre mim. Até ao 9º ano fui sempre uma aluna de quadro de mérito.

 

Comecei a vestir-me de preto no 7º ano e a perceber que cada corte que fazia era um grito mudo que dava para me acalmar a mim e o que sentia. Tornei-me numa daquelas raparigas que se veste toda de preto mesmo no pico do verão, que frequenta cemitérios como se fossem um café e comecei a fumar. Sempre tive bons amigos e sempre fui muito sociável e simpática para toda a gente. Nunca tive dificuldades em conhecer e dar-me bem com pessoas. A necessidade de fazer mal a mim mesma é cada vez maior. A minha mãe desde a morte do meu avô que não esta visivelmente bem, desde problemas no trabalho até problemas com o novo companheiro. A minha avó coitada, atura-me a mim e à minha mãe que vivemos praticamente todos os dias na mesma casa (fora aqueles que eu estou com o meu pai). Namoro há mais de um ano e meio, e gosto muito dele apesar de todos os problemas que houve entre nós. Acabamos e estivemos com outras pessoas mas não resultou porque gostamos muito um do outro.

 

Hoje, depois de não ter conseguido entrar na faculdade e curso que queria e de ver todos os meus amigos a fazerem-no, eu continuo a cortar os meus pulsos e já não sei o que hei-de fazer. Não mostro a ninguém o meu estado, por medo ou vergonha. Trato mal as pessoas à minha volta e digo coisas que não e que me saem da boca sem eu querer.

Choro todas as noites. Choro muito até adormecer. O meu humor muda com muita facilidade e a coisa errada dita no momento errado é o suficiente para me deixar irritada, frustrada, com vontade de chorar, de me cortar ou mesmo de morrer.

 

Tentei suicidar-me com comprimidos, mas o que consegui foi ficar tonta e cair no chão sem forças em lado nenhum.

Acho que preciso de ajuda. Pode ajudar-me?

 

Cumprimentos, B.

 

 


Cara B.,

 

A tua carta é um “grito de socorro”! É evidente que precisas de ajuda e sentes isso. Precisas de um tratamento psicológico para saíres desse marasmo, para aprenderes a gostar de ti, gostar do teu corpo, confiar nas pessoas e em ti própria e assim modificar esses actos auto-agressivos.

 

O cortar-se é uma forma de aliviar a dor psíquica, que não resulta e ainda agride o teu corpo.

 

Cada vez que sentes o desejo de cortar-te procure transformá-lo num carinho, num abraço. Concede ao teu corpo aqueles “mimos” que gostarias de ter recebido, talvez, de teus pais. Trate teu corpo como uma criança que precisa de ajuda e de carinho. O teu problema não é insolúvel, procura uma aliada, uma terapeuta que te ajude a gostar de ti plenamente e te ajude a apostar na vida.

 

Tudo de bom

Mariagrazia

 

 

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