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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Luto

 

 

Paula Rego     

Sou viúva há já dez anos e uma pessoa muito tímida. De repente com 44 anos vi-me sozinha com duas filhas que adoro agora uma tem 27 e outra de 34, ambas já com família formada e duas filhas lindas. Fui mãe e pai o que foi muito complicado e para o qual eu não estava preparada. A minha sogra de 83 anos também vive comigo.

 

Eu mesmo ainda não ultrapassei a morte que apanhou o meu marido de repente (sinto uma saudade imensa), e só há pouco tempo acabei de dar roupas dele que tinha em casa. Meteram-me na cabeça que este facto não o deixa descansar e sobre este tema sou completamente leiga.

 

Os meus amigos (as) desapareceram todos, penso que as pessoas fogem das viúvas como se tivéssemos lepra, foi difícil constatar que muitos amigos eram na realidade interesseiros. Sinto uma solidão imensa e penso que já perdi a faculdade de fazer novas amizades. Actualmente estou num instituto superior (à noite) mas os colegas ou são muito mais novos ou também já tem as suas vidas formadas. Que posso fazer para sair da solidão em que me encontro. Vejo muitas publicações mas nada aborda o tema da viuvez.

 

Sei que neste mundo egoísta em que vivemos não devo ser a única. Embora trabalhando e estudando (para ocupar a cabeça) é triste saber que por vezes nem para tomar um café ou ir a um cinema se tem companhia, alguém com quem desabafar. Penso que este foi o maior objectivo deste e-mail, conseguir por para fora o que me vai na alma.

 

Um bom Natal

A.

 

 

Cara A.,

 

O luto é uma experiência muito angustiante e que pode ser muito difícil de integrar. Embora o tempo cure tudo e, especialmente no luto, ajude a ultrapassar a tristeza, a saudade do seu marido é normal, especialmente quando perdemos alguém muito importante de quem gostamos muito e quando o luto acontece inesperadamente.

Ao guardar as recordações intactas, como se ele fosse voltar a qualquer momento, não ajuda a resolução do luto e dar as roupas certamente foi uma acção positiva.

 

Espero que tenha conseguido por um pouco para fora o que lhe vai na alma e quero que saiba que a solidão é uma das "questões" principais da angústia existencial do ser humano. A solidão está relacionada com o "vazio existencial" e para preenchê-lo nada melhor do que procurar um sentido para a nossa vida que nos complete e que nos traga conforto e plenitude.

 

Mas não encontramos o nosso sentido para a vida sós. Pelo contrário, encontramos o nosso sentido da vida na relação com outras pessoas, membros da família, amigos, namorados. A solução passa por nos sentirmos úteis num projecto nosso e único.

 

Penso que já tenha o seu, dedicando-se aos estudos e certamente encontrará alguém para compartilhar a sua vida ou para amenizar a sua solidão. O que vai ajudar é continuar a se dedicar á vida e às pessoas que estão a sua volta.

 

Feliz 2009!

Mariagrazia

 

 

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