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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Fobia social, agorafobia e depressão

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Desde a minha adolescência comecei a me isolar e ficar antissocial, deixei de ser sociável. Mas quando criança, eu era muito travesso, astuto, sociável e interagia facilmente com outras pessoas, inclusive crianças, mas mesmo assim brigava muito com garotos e tinha hábitos de quebrar coisas.

 

No ano de 2011 comecei a fazer tratamento psiquiátrico, hoje estou com 28 anos e continuo fazendo o tratamento. No começo eu pensava que era depressão, ao me aprofundar mais no assunto e vasculhando em meio a arquivos da internet, cheguei a uma conclusão, que eu era portador da síndrome de asperger, mais foi totalmente descartado pelo médico.

Cheguei a dizer ''Dr, qual é meu diagnóstico, qual é meu problema? O que eu tenho? Do que que eu sofro? E ele me deu o diagnóstico de fobia social, depressão, isolamento social e agorafobia. Mas no meu dia a dia, e convívio social eu estava percebendo que nada me afetava. Como sentir emoção, sentimento de afeto, e até mesmo sentimento de empatia. Pesquisando e analisando meu perfil, cheguei em uma conclusão, de imediato, que eu era um sociopata.

 

Tenho dificuldades de expor, jogar para fora meus sentimentos. Quando sou pego de surpresa por uma notícia ruim, de algum parente próximo a mim, ou não, ou um falecimento, eu não sinto aquele impacto, tristeza, ou até mesmo vontade de chorar.

 

Eu não consigo fazer cara de sério, fico sem jeito, sem saber o que falar, é uma sensação estranha, como se eu fosse dar uma leve enraizada, mais eu não quero rir propositadamente, só vem esse sentimento em mim. Eu não choro, mas quando choro é um choro desesperador, um choro incontrolável. Não sou de me apegar muito as pessoas, mas quando me apego, consigo sentir um sentimento de carinho, como uma amiga, que eu sempre a chamei de amiga, mas as vezes chamo ela para sairmos juntos, e até pedi-la em namoro, e minha mãe, que já é idosa, e é a pessoa que eu mais amo nessa vida. Tenho 28 anos e nunca tive um relacionamento afetivo e sempre fui mais apegando à minha mãe, do que ao meu pai.

 

Gosto muitoooooo de ANIMAIS, principalmente CACHORROS, e também sou apaixonado por CRIANÇAS, e às vezes que choro, e sinto sentimento de raiva, não é porque eu vi um vídeo de um homem sendo espancado, e sendo torturando na internet, mas sim de animais sendo mortos, e sendo maltratadas ou de crianças sofrendo maus tratos.

Não consigo sentir empatia e expor meus sentimentos para as pessoas, mas eu gosto de idealizar algo. Gostaria de ser um ativista. Me espelho muito no Gandhi. Gostaria de lutar por alguma causa, lutar contra o machismo. Adoraria idealizar e apoiar um movimento, como o pró-feminismo, ou alguma ong de animais abandonados e maltratados, ou alguma ong de crianças especiais... como Autistas, e Sindrome de Down.

Às vezes acho que sou uma pessoa especial, como uma pessoa visionária e genuína. Sou conhecido pelas pessoas por ser educado, simpático, companheiro e carismático. Gosto de ficar no meu quarto, na internet, jogando vídeo game.

 

Voltando ao assunto, sou muito impulsivo e ansioso ao extremo. Já cheguei a um ponto de agredir meu pai umas vezes. Quando vejo alguém chorar ou uma imagem de impacto, isso me choca demais... fico sem reação e em estado de choque.

Quando morre alguém próximo a mim, e a minha família, não vou há velórios, porque ver minha mãe triste e chorando e pessoas chorando, vai deixar-me em choque e abalado a tal ponto que tenho vontade de sair correndo.

Não vou em eventos familiares, como festas, aniversários e casamentos. Tenho medo das pessoas, ou melhor dizendo, tenho medo de lugares, com muitas aglomerações de pessoas. Sou muito excêntrico, tímido, e introspetivo. Sempre fui reservado, porém verdadeiro, ingénuo, e sincero.

 

Sempre fui uma pessoa simples, odeio hipocrisia, e pessoas egocêntricas. Só não consigo sentir emoções como afetos e empatia.

ME AJUDA, POR FAVOR?

 

Caro Leitor,

 

A agorafobia está muitas vezes associada à ansiedade generalizada ou ao transtorno de pânico. É o sistema de medo, que se engana na forma de sentir a situação pois avalia-a como perigosa, o que dá origem ao impulso de fugir da situação.

Acontece que a mente interpreta de uma forma errónea o local, como se este implicasse um perigo real para a pessoa.

Não há formas instantâneas de mudar a situação, mas uma psicoterapia torna bastante provável a superação deste medo. É preciso compreender a fisiologia e psicologia do medo e da ansiedade e é essencial mudar o pensamento errado acerca deste medo, pois são as crenças erróneas que amplificam e mantêm a ansiedade.

Para superar seus problemas é preciso fazer algumas mudanças. Pode começar por pequenas mudanças, como por exemplo participar em alguns eventos familiares, sair mais de casa, procurar amigos e expor-se aos poucos a novos eventos de modo a que se habitue a uma nova maneira de se relacionar com as pessoas.

 

É preciso que reinterprete os seus pensamentos e desdramatize o que lhe vai dentro da cabeça. Ao mesmo tempo é preciso que se exponha de modo gradual à situação que teme, constatando que não é por se expor que algo de mal lhe vai acontecer. É preciso que aprenda a construir pensamentos mais saudáveis e a vencer o medo enfrentando-o, substituindo-o por conhecimento.

Procure também ser menos rígido e mais solto consigo mesmo e no relacionamento com as pessoas. Amplie seu leque de amizades, preocupe-se com elas, não se importando com as possíveis críticas.

 

Se não conseguir sozinho procure ajuda especializada. Um tratamento continuo psicológico irá ajudá-lo a superar suas dificuldades e resultará numa melhora global do seu problema.

Abusada pelo pai

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Boa noite doutora,

 

Pensei muito antes de escrever. Tenho 24 anos, fui abusada sexualmente pelo meu pai quando tinha 10 anos, não sei por quanto tempo mas imagino que um ano mais ou menos, com frequência, as vezes vinha na minha cama quando estava dormindo, ou quando estava em casa sozinha com ele.

Eu não dizia nunca de não, e gostava quando me tocava. Não contava pra ninguém porque pensava que se eu não dissesse ele seria sempre "bonzinho" comigo, não me bateria mais e daria coisas como doces e presentes.

Na verdade nada mudou, e uma vez que fiquei até mais tarde na casa de uma amiga, levei uma surra de cinta. Decidi que não queria mais, mas quando ele vinha eu não tinha coragem de dizer não!

 

Minha irmã descobriu, e escreveu uma carta a minha mãe contando o que acontecia! Minha mãe me chamou para conversar, chorei horrores, achei que ela ia bater-me, mas ela só estava em choque e queria saber a verdade, contei tudo.

 

Não me lembro se se passaram uma semana ou um dia, mas ela falou com ele e pediu para ele ir embora de casa, ele não aceitou, meu pai bebeu veneno e morreu no mesmo dia.

 

Desde então eu tenho uma relação com o sexo que não vejo natural. Perdi a virgindade com 15 anos, depois disso tive vários homens, não perguntava nem o nome! Aos 19 fui morar em outra cidade e lá depois de alguns meses comecei a prostituir-me. Fiz por um ano e meio mais ou menos! Não consigo manter uma relação duradoura, estou há oito meses com uma pessoa, e já sinto vontade de sair com outra, não quero trair, gosto muito dele, mas não é ativo sexualmente como eu sou! Penso sempre no que me aconteceu no passado e acho sempre que tudo acontece por esse motivo, o sexo a prostituição, a minha frieza... Espero que possa ajudar-me! Agradeço desde já!

Um Abraço Maria

 

Cara Maria,

 

O abuso sexual praticado em crianças e adolescentes provoca nessas pessoas, dores e traumas irreversíveis. Esses traumas desencadeiam uma profunda violação dos limites físicos e psicológicos, gerando consequências gravemente negativas para a vítima ao longo de seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, comportamental e social, e principalmente para os seus relacionamentos interpessoais futuros.

Percebe-se que com a vivência do abuso, a Maria perdeu a espontaneidade e naturalidade de sua sexualidade, deixando marcas profundas, o que em muitos casos pode levar até à perda do sentido da vida.

 

Para enfrentar essas consequências psíquicas e emocionais é preciso primeiramente conscientizar-se que a via da prostituição não é o caminho adequado para ultrapassar o seu passado de abuso, muito pelo contrário leva a uma agudização da sua inconstância sexual e frieza emocional, por não confiar nem nas pessoas e nem em si.

 

Procure ter uma atitude positiva, o que aconteceu consigo faz parte do passado, aceite o sucedido como fosse um acidente de percurso e não como justificação para seus comportamentos presentes. É preciso superar com esforço, com assertividade e força.

 

Ao mesmo procure ajuda especializada. Faça uma psicoterapia para poder trabalhar os seus fantasmas do passado e poder viver o presente com desenvoltura, serenidade e amor.

Sensação de vazio

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Tenho me sentido estranha a vida toda, mas foi com o fim de uma relação amorosa, que me tornei mais estranha e infeliz.

Não consigo explicar a sensação de vazio e solidão que sinto dentro de mim.

É como se nada fosse importante.

As coisas à minha volta até podem estar a correr bem, mas nada disse é importante, porque me sinto vazia e só.

Tentei preencher este vazio com coisas do exterior, mas ou não as conseguia alcançar, ou, quando conseguia, elas se tornavam irrelevantes.

Neste momento, acho que queria ter uma vida normal, como as pessoas da minha idade têm: sair muito, ter muitos amigos, ter gente que me valoriza. Mas também é difícil. Eu tenho amigos, mas não consigo gostar deles. Eu tendo a não gostar das pessoas que gostam de mim.

Acho que apenas ter uma relação amorosa me podia fazer feliz, mas isso é um desastre, porque ou o rapaz gosta de mim e eu não gosto, ou eu gosto do rapaz, e ele não gosta de mim.

Este vazio dói muito, é uma dor muito forte, violenta e má cá dentro, e já não sei o que fazer para me sentir bem, normal, alegre e satisfeita com a vida, como toda a gente da minha idade...

 

Cara leitora,

A nossa felicidade e bem-estar não podem estar condicionados ao estado de estar numa relação amorosa.

 

É preciso descobrir o suporte para sua felicidade.

Algumas dicas:

  • crie pensamentos e sentimentos positivos
  • supere os obstáculos do dia a dia e evolua diante da adversidade
  • saiba com ser positiva e otimista em todas as circunstâncias da vida
  • conheça os conceitos chave para a realização de seus objetivos e torne os seus sonhos realidade
  • desenvolva o poder mental para ser bem-sucedida
  • obtenha equilíbrio emocional e estimule a sua motivação

 

Um abraço

Automutilação e depressão

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Olá, meu nome é Maria, tenho 16 anos. Posso ser nova mas ando a me sentir muito vazia, muito vazia mesmo. Às vezes tenho vontade de morrer e como busca dos meus problemas eu me automutilo. Acho que a automutilação me ajuda a ter a paciência de que preciso. O mundo é injusto e cheio de desigualdades. A minha vontade no fundo é desaparecer daqui, é ir para outro lugar e descansar em paz. Procuro sair da automutilação mas no fundo, no fundo acho que não quero.

Me ajuda por favor a saber se tenho depressão.

 

Cara Maria,

 

Embora se trate de um ato de agressividade auto-dirigida, o objetivo da automutilação é a relativização física da dor psicológica e emocional. Na base da automutilação está uma muito fraca autoestima, uma depressão e a crença de que o sofrimento é merecido.

Fale com a sua mãe e não desista de procurar ajuda, pois para tudo tem cura e não vale a pena continuar a viver assim agredindo-se e desprezando a vida.

 

Confie em si e na sua capacidade de mudar. Se me procurou é porque há desejo de tratamento e de acabar com esse comportamento inadequado. Procure ajuda o quanto antes, vai ver como logo vai voltar a ter paciência sem a necessidade de automutilar-se e sem desejar morrer. A vida é para ser vivida e enfrentada com coragem, autodeterminação e pensamento positivo.

 

Um abraço

Medo de solidão e mudanças

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Meu nome é Patricia, eu tenho 42 anos e muito medo de mudanças e solidão. Me afligem ao ponto de paralisarem-me e eu perder totalmente a ação do dia-a-dia até para pequenas coisas. Não consigo ultrapassar isso e me sinto cada dia pior. Por favor me ajude.

 

Cara Patricia,

 

A solidão, apesar de ser algo sentido a um nível universal, é ao mesmo tempo complexa e única para cada indivíduo. A solidão não tem causa única comum, por isso, as prevenções e os tratamentos para este estado de espírito variam bastante de pessoa para pessoa.

A solidão não é necessariamente estar sozinho. Pelo contrário, é a perceção de estar sozinho e isolado.

 

De acordo com estudos realizados na Universidade de Chicago, a solidão está fortemente relacionada com a genética. No entanto, existem outros fatores que contribuem para a solidão, como o isolamento físico, a mudança para um novo local ou o divórcio. A morte de alguém importante na vida de uma pessoa também pode levar a sentimentos de solidão.

 

Além disso, a solidão também pode ser atribuída a fatores internos, como a baixa autoestima. As pessoas que não têm confiança em si mesmas, muitas vezes acreditam que não são dignos da atenção ou respeito de outras pessoas, podendo levar ao isolamento e à solidão crónica.

 

Algumas sugestões que o podem ajudar a superar a solidão:

 

– Permita-se aceitar que a solidão é um sinal de que algo precisa mudar;

 

– Compreenda os efeitos que a solidão tem na sua vida, tanto física como mentalmente;

 

– Considere fazer serviço comunitário ou outra atividade que goste. Estes contextos oferecem oportunidades para conhecer pessoas novas e cultivar novas amizades e interações sociais;

 

– Foque-se no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que partilham atitudes, interesses e valores semelhantes aos seus;

 

– Espere o melhor. Pessoas solitárias muitas vezes esperam rejeição, por isso, concentre-se em pensamentos e atitudes positivos nos seus relacionamentos sociais.

 

O medo sempre vem na hora da mudança, pareça ela boa ou não, mas não devemos permitir que ele nos pare, não podemos nos autossabotar, jamais desistir, ter sempre uma coragem maior que o medo, ter autoaceitação, autoconfiança, saber que somos capazes de vencer o que for necessário. Como a lagarta, não devemos cortar etapas, e sim, aceitar a metamorfose, sair da zona de conforto, vislumbrar e desbravar novos horizontes, cientes de que a cada queda é preciso recomeçar, e é possível, basta acreditar!

 

Um abraço

Trauma de infância

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Eu tenho 22 anos, estudante, solteira, gostaria de fazer um relato de uma situação imperdoável que aconteceu na minha infância, que até hoje me prejudica emocionalmente. Você pode ajudar-me?

 

Na época que eu tinha 12 anos, sempre ia na casa da minha prima para jogar vídeo game (fica bem na frente da minha casa, em certo momento, ela disse que precisava ir no supermercado e me deixou sozinha jogando lá, depois o marido dela chegou (eu me dava bem com ele naquela época), e começou a me acariciar e por fim, conseguiu o que ele queria. Voltei para casa imediatamente, apesar de estar ameaçada, chorei horrores de dor no banheiro, tomei banho para me acalmar e me limpar, sendo que minha mãe estava em um quintal lavando roupas e não me viu entrando, acabei não contando, após 4 anos, comecei a pensar que não adianta sentir um negócio ruim dentro de mim e acabei revelando para os meus pais. Eles ficaram em choques, tanto que infelizmente não tínhamos opções para provar o quanto isso foi injusto e cruel comigo. Até hoje, eu vejo ele em frente da minha casa e só sinto nojo e não tem nada para fazer para prova-lo. Porque eu só sinto nojo? Hoje sou uma pessoa muito fria. Não consigo demonstrar os meus sentimentos totalmente. Muita gente me julga até hoje o porque o meu comportamento é assim, frio/seco. Às vezes consigo demonstrar o quanto importo ou amo a pessoa, mas com o meu jeito diferente. Estou conhecendo alguém e estou com medo dele não gostar desse meu jeito... um pouco distante.

Hoje percebi que o que tem dentro de mim é o medo. O medo de passar por isso novamente, de ser tocada com força por amigo/namorado, qualquer pessoa. Gostaria de saber a sua opinião, o que faço para se livrar desse medo, desse trauma?

 

Se puder ajudar-me, aguardo a sua resposta. Desde já agradeço.

 

Cara jovem,

uma de abuso sexual pode manter as feridas até a vida adulta dependendo da sua intensidade ou de quanto a pessoa conseguiu elaborar a situação que passou. As sequelas de um trauma fazem com que o adulto acredite estar sempre desamparado, abandonado e solitário, tornando-se uma pessoa insegura, tímida e com medo de se aventurar na vida.

 

Quando a elaboração não ocorre é aconselhável procurar ajuda de um psicoterapeuta.

A psicoterapia fazer com que o adulto perceba que não é mais aquela criança inocente, submissa, indefesa e despreparada que acreditava ser. Junto com o terapeuta, o indivíduo traumatizado vai encontrar novos caminhos para redescobrir sua força, sua energia e sua vontade de viver. Para isso, é necessário que o trauma seja revivido não só com lembranças, mas com emoções e afetos correspondentes. É preciso retornar àquele lugar doloroso, mas com segurança não elaborada anteriormente. A terapia vai fazer com que o indivíduo organize aquilo que ficou fragmentado no decorrer da vida. As lacunas do viver serão preenchidas por pensamentos de confiança, tranquilidade, força e ousadia para se recolocar no mundo de forma ativa e positiva. O processo não é fácil, mas é possível.

 

Procure ajuda para elaborar o seu trauma e confie em si que vai conseguir ultrapassar e amar plenamente sem a sombra do passado.

Um abraço

O ciclo se repete

 

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 Me chamo R, tenho 38 anos e em todos os meus namoros tenho um comportamento evasivo após um tempo de relação. Começo a buscar defeitos, a criticar a parceira e dai o namoro fica desinteressante. 

 

Não entendo esse comportamento que tenho mas carrego a culpa de terminar essas relações com pessoas maravilhosas que sempre me deram carinho, respeito e atenção! Da minha parte ainda não sei ser parceiro e faço cobranças excessivas. E sinto também que tenho dificuldade de me dedicar a essa relação, deixando sempre brechas para conhecer outras mulheres.

 

E daí começo outro namoro, me empolgo no início e o ciclo se repete. A culpa e a falta de entendimento me incomodam. 

 

Que comportamento é esse? Parece que não consigo amadurecer como um adulto saudável, mesmo tendo consciência desse comportamento juvenil. Isso é constrangedor!

 

Ressalto que todas as namoradas eram pessoas do bem com famílias ótimas e tenho certeza de que existe algo em mim a ser desenvolvido. 

 

Obs: sou bem-sucedido na área profissional, mas na afetiva tenho dificuldade. 

 

Agradeço se puder ajudar-me a entender e a seguir em frente! 

 

Abraço

 

Caro R.,

A relação ideal não existe. Se for muito crítico vai, provavelmente, sempre chegar a: “ buscar defeitos, a criticar a parceira e dai o namoro fica desinteressante”.

A sua inconstância emocional pode estar relacionada à sua auto-estima e insegurança.

A psicoterapia pode ser de ajuda nesses casos para trabalhar o aumento da autoconfiança, potenciar a auto-estima e desenvolver a autonomia emocional.

 

Também pode ser que até o momento não tenha ainda encontrado “a sua alma gémea” ou seja nenhuma das relações foram importantes para criar consigo um vínculo duradouro.

 

A parte positiva é ter consciência disso e assim ter o cuidado de não deixar que esses sentimentos prejudiquem a sua vida. Procure cortar o ciclo quando se sentir confortável para tal.

 

Fique bem

Ouvir frase

 

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Olá Dra. Boa noite. Tenho uma pergunta tenho 46 anos e desde a minha adolescência escuto a mesma frase! Tá com saudades de mim?

A frase por si só me é estranha, porém não existe estado emocional nem lugar pra ouvir, a não ser pelo fato de que eu sempre estou só sem amigos ou familiares junto comigo. Às vezes, nem ligo, outra me encabula, porque de eu ouvir sempre esta pessoa me perguntando isso?

 

Cara Leitora,

Essa pergunta está dentro da sua mente. Muitas vezes, é uma alucinação auditiva interna. As alucinações auditivas seriam um sinal de que a “voz interior” está ocupada, cuidando das próprias necessidades.

Talvez signifique que esteja a sentir saudades de tempos passados ou esteja com saudades de alguém que não encontra há muito tempo. Tente perceber do que é que sente falta e se reaproximar. Pode ser que seja uma dica para preencher a sua solidão retomando amizades perdidas ao longo do tempo ou reaproximando familiares ou até mesmo esteja a evidenciar um afastamento da sua criança interior.

Tente algum movimento no sentido de se reaproximar de pessoas ou coisas que já fez e que deixou de fazer ou mesmo de cuidar de sua criança interior, que ajuda na alegria de viver!

 

Só podemos mudar algo quando conseguimos reconhecer alguns padrões em nossa vida.

 

"Em todo adulto espreita uma criança, uma criança eterna, algo que está sempre vindo a ser, que nunca está completo, e que solicita cuidado, atenção e educação incessantes. Essa é a parte da personalidade humana que quer desenvolver-se e tornar-se completa". (Carl G. Jung)

Bloqueio sentimental

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Ola Drª,

Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo blog, que é muito interessante onde tive a oportunidade de me identificar com muitos casos. Gostaria de colocar o meu caso em especial, e requerer se possível uma opinião a respeito dessa situação.

 

Eu acredito que esteja com bloqueio sentimental, eu tenho problemas para sentir amor para com os outros, antes eu conseguia forçar essa situação, agora nem isso consigo mais, está tudo muito estranho gostaria de saber sua opinião.

Já sofri sim por amor, mas tenho certeza que já superei todas essas experiências

 

Caro Leitor,

O amor é um sentimento que surge espontaneamente e não pode ser forçado. Se não sentiu mais talvez seja por não ter surgido, embora possa estar travado por medo de sofrer.

 

O bloqueio emocional é um mecanismo de defesa no qual o inconsciente oculta memórias de dor para evitar o sofrimento. Quando isso acontece, entretanto, a situação dolorosa não deixa de existir: ela passa a se manifestar de maneira inconsciente, refletindo negativamente na vida da pessoa sem que ela perceba.

Tratar um bloqueio emocional é um processo difícil, pois as memórias precisam vir à tona para que possam ser ressignificadas internamente. A experiência vivida não mudará, mas a pessoa poderá dar um novo sentido àquela memória, fazendo com que cause menos dor.

 

A solução para o bloqueio emocional é reconhecer a emoção e liberá-la. Se não conseguir sozinho procure ajuda de um psicólogo para que possa trabalhar todos os seus traumas e ressignificar cada um até que esses bloqueios se dissolvam.

Fique bem

Suicídio (Baleia-Azul)

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O jogo "Baleia Azul" terá surgido na Rússia. Hoje em dia, está disseminado por vários países, entre eles França, Inglaterra, Roménia, Espanha, Portugal e também Brasil. O jogo funciona à base de pressão emocional. É composto por cinquenta desafios “absurdos” diários que devem ser completados no final de 50 dias e inclui mutilação de partes do corpo, filmes de terror e atividades praticadas durante a madrugada. Uma das premissas do jogo é que se deve jogar até ao fim, sem desistências e sem contar a ninguém. Este jogo acaba por ser, na realidade, um incentivo ao suicídio, já que além de envolver automutilação, o último desafio é uma provocação mortal: “Tira a tua própria vida”. O propósito final do jogo é levar os jogadores a cometerem suicídio.

 

Os mentores são as pessoas responsáveis por introduzirem os jogadores, a maior parte jovens, nos desafios “Baleia Azul”. Enviam mensagens diariamente com o desafio do dia e asseguram-se, pedindo fotografias ou vídeos como prova, de que os desafios sejam cumpridos. Os mentores dizem ter em sua posse todas as informações do jogador, como o local de residência e quem são os seus familiares, informações que são usadas como ameaça no caso de o jogador querer desistir.

Os mentores, aliciam, acompanham, coagem e ameaçam os jogadores até ao desafio final e conseguem, assim, entrar na mente dessas pessoas a ponto de elas fazerem o que eles mandam e perderem a noção de perigo

 

O nível emocional da quem se deixa envolver é de alguém que se encontra fragilizada, que está em grande sofrimento psicológico ou com alguma ideia de suicídio já em mente. É um jovem vulnerável, com um nível emocional debilitado, tem um comportamento depressivo, com baixa autoestima, dificuldade de relacionamento, passando por um momento de crise, sofrendo com angústias e inquietações. A automutilação é uma forma de expressar todo esse sofrimento, substituindo uma dor psíquica indefinida por uma dor física localizada.

 

Os jovens devem ter o cuidado quanto aos riscos de adicionar desconhecidos nas redes sociais e não participar de jogos desconhecidos.

 

Os sinais que indicam que a pessoa possa estar a participar a esse tipo de jogo são:

  1. mutilações na palma da mão
  2. assistir filmes de terror ou psicadélicos com frequência
  3. mutilações nos braços , cortes grandes com desenho de baleia ou de qualquer outro animal
  4. desenhos de baleia
  5. post em redes sociais com dizeres“#i_am_whale” (eu sou baleia)
  6. sair de casa em horários estranhos
  7. cortes nos lábios
  8. furos nas mãos com agulhas
  9. arranjar brigas
  10. evitar conversar durante muitas horas

 

Há ainda outros sinais de risco exteriores como a sensação de desesperança, ansiedade intensa, autodesprezo, apatia, tristeza intensa, comportamento impulsivo e mudanças rápidas de humor.

 

As pessoas não devem entrar no jogo, por ser um jogo misterioso e perigoso, que vai num crescendo, espalha o medo entre os jovens e pode conduzir ao suicídio adolescentes que se encontrem vulneráveis.

 

É preciso precaução, pais e professores, devem escutar os jovens e permitir que eles se abram. O espaço familiar acolhedor dá segurança ao adolescente, fortalece a sua autoestima e faz com que se sinta acolhido em seu sofrimento. É preciso passar a mensagem: "conte comigo sempre”.

É preciso desenvolver empatia e compaixão pelos adolescentes e tentar nos aproximarmos deles com intimidade, sem invadir sua privacidade, para dialogar sem moralismos, ouvir com atenção e interesse o que dizem abertamente e aprender a ler o que dizem nas entrelinhas

 

O ideal é que o jovem possa conversar com um adulto: pais ou professores, para que possa ser orientado e ajudado a sair desse esquema. Os jovens e adolescentes querem e precisam a presença do adulto verdadeiramente interessado na vida deles que o escute. É preciso incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.

 

É importante estar alerta e, se for o caso, denunciar pelo facebook dizendo que é um conteúdo violento e prejudicial, através do whatssap quando o curador entra em contato, ou diretamente na polícia.

 

É preciso também:

  1. Reforçar a supervisão e monitorização da atividade das crianças e jovens na internet e redes sociais.
  2. Alertar as crianças sobre os riscos de adicionar desconhecidos e recomendar que apenas a família, amigos e pessoas da escola façam parte da sua lista de amizades nas redes sociais.
  3. Incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.
  4. Caso haja alguma suspeita, os pais devem dirigir-se à esquadra mais próxima.

 

Sabemos que o índice de suicídio vem crescendo no mundo todo, em todas as faixas etárias, em especial entre os jovens e adolescentes. O Brasil e Portugal seguem essa tendência global, e o tema costuma ser tratado como tabu, ou melhor, não costuma ser tratado. A polémica em torno da "Baleia Azul", portanto, provocou pelo menos uma consequência produtiva. Falar sobre o suicídio, um assunto tão inquietante e espinhoso, é bem melhor do que silenciar.