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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Dúvidas sobre sexualidade

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Olá, meu nome é D. Tenho 22 anos. Recentemente tenho dúvidas sobre minha sexualidade. Já "namorei" sete garotos, o mais longo foi o sétimo que durou um mês, desde então não me envolvi com mais ninguém. Eu não gostava que eles me tocassem, "ainda não gosto", beijava sem vontade. Até uns meses atrás eu não tinha dívidas sobre minha sexualidade "Eu achava que tinha algum problema comigo. Que eu era uma “frigideira que nunca encontraria uma tampa”, até assistir uma série americana, as dúvidas começaram a surgir. Então "voltei ao passado". Eu tinha sete anos quando dei meu primeiro beijo, com uma menina mais velha, foi estranho, mas não recuei, sim eu me lembro de tudo, mas até então nunca tinha pensado sobre isso.

Outro fato, sempre gostei de brincar com meus irmãos de carrinho, boneco e luta. Nunca brincava com minha irmã, preferia ser o "marido" da minha prima, nos compartilhávamos tudo. Aos quinze ela veio morar com minha família. Nossa relação era bem difícil, às vezes estávamos bem, às vezes não.

Lembro que ficava com raiva quando ela me deixava por outra pessoa "amiga ou namorado" mas eu associava esse 'cisma' ao imenso amor que sentia por ela. Algumas colegas de classe também entram nessa lista. Não gosto de saia ou vestido, maquiagem, apenas um gloss e um delineador para sair, em casa calções largos e blusas de manga masculinas. Um fato que minha irmã sempre chamou a atenção, mais eu nunca parava para pensar. Nunca tive nada além do beijo aos sete com uma menina. Mas já fiz sexo com um rapaz e em nenhum momento tive desejo, por isso pensava existir algum problema comigo... Mas com tudo isso não sei se sou lésbica. Não tenho coragem de testar. Outra coisa eu sou bem tímida com estranhos, quieta, não gosto de sair.

 

Cara D.,

Provavelmente está a passar por um momento de crise de orientação sexual.

A orientação sexual refere-se à direção ou à inclinação do desejo afetivo e erótico de cada pessoa. De maneira simplificada, pode-se afirmar que esse desejo, ao direcionar-se, pode ter como único ou principal objeto pessoas do sexo oposto (heterossexualidade), pessoas do mesmo sexo (homossexualidade) ou de ambos os sexos (bissexualidade).

 

É importante lembrar também que não nascemos com uma orientação sexual definida, pronta, acabada. Pelo contrário, ao longo da vida vamos aprendendo e nos identificando com diferentes formas de vivenciar nossos desejos de uma forma mais fixa ou mais flexível, conforme as experiências vividas por cada pessoa.

 

O importante é não forçar uma definição de identidade, mas deixar fluir seus sentimentos e vai ver que vai encontrar o seu caminho sexual.

Abs,

Infidelidade e violência

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Boa noite Dra. Espero que esteja bem. Escrevo-lhe pelo seguinte sou médica e tenho 30 anos, 1 filha de 3 anos e sou casada a 4 anos com homem de 36 anos. Nos conhecemos há 10 anos. Desde namoro que temos problemas de compatibilidade e no casamento estamos sempre com brigas.

E sempre foi muito desleixado, uma pessoa que não pensa no futuro, sempre tive ser eu a lutar pelo nosso futuro. Ele tem ensino médio, sempre lhe incentivei a fazer faculdade, ele sempre me disse que iria fazer é até hoje nada.

Gosta de consumir bebidas alcoólicas e sempre gostou de chegar de madrugada em casa, e isso sempre me deixou triste motivo de várias discussões nossas e melhorou um pouquinho.

A casa onde moramos é minha e o carro que ele conduz também é meu. E ajuda pouco ou quase nada com as despesas de casa e da nossa filha é preciso muita discussão.

Quase nunca saímos juntos sozinhos para passear, assistir cinema. Ele prefere ir beber com os amigos e deixar-nos em casa sozinha ou na casa da mãe dele.

Apaixonei por outro homem, que partilha e entende os meus problemas, e a nossa química sexual é muito maior.

Meu marido descobriu e ficou chamando-me nomes durante um tempo, pedi perdão e ele diz que me tem perdoado. E deixei o meu amante. A verdade é que 4 meses depois por uma mensagem que não tem nada a ver com meu ex amante ele me agrediu violentamente, ao ponto de ir parar a polícia e todos vizinhos do prédio acordarem.

Estou na casa dos meus pais e pedi a ele para sair da minha casa, deixar meu carro e me dar o divórcio. Ele diz que me ama precisa que eu o perdoe e volte para casa, já passa 1 mês e eu não quero, não me sinto feliz ao lado dele. Nem sinto prazer em estar com ele. Sinto-me explorada por ele.

Que faço ajude me por favor??

 

Cara Maria ,

 

A minha indicação é para fazerem uma terapia de casal. Entre os principais motivos que levam os casais a recorrer à terapia, destacam-se as dificuldades de comunicação, o desinteresse sexual, os conflitos, como por exemplo, na gestão da parentalidade ou em relação às famílias de origem.

 

Durante a terapia, o casal aprende a conhecer melhor o outro, a falar dos seus problemas de forma positiva, sem críticas, sem preconceitos e a compreender o tipo de dinâmica que têm e o que os leva a entrarem sistematicamente em conflito. A comunicação é o maior problema de muitos casamentos. E é por isso que é importante a intervenção de alguém que promova o diálogo aberto, mas sem ofensas.

 

Relacionamentos não nascem prontos, toda relação tem que ser continuamente construída e é preciso ter respeito, reconhecimento, responsabilidade e recreatividade . A cotidianidade exige maturidade para administrar conflitos e ao mesmo tempo deixar espaço para o lúdico, para o amor e para o sonho.

 

E tanto um como outro não estiveram a construir juntos, pelo contrário estão a seguir caminhos opostos com toda consequência que essa postura possa trazer: infidelidade, violência, programas individuais e agora é tempo de rever a relação para decidirem se há possibilidade de recuperação ou se o divórcio é a solução.

Um abraço

Problema emocional

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Bom dia 

 

Meu nome e F., tenho 49 anos. estou casado há 22 anos e 01 filho de 10 anos.

 

Estou passando por um grande problema emocional, principalmente depois que meu pai faleceu em 2013.

Mas minha história começa há mais de 25 anos atrás.

Em 1989 conheci uma moça (M. ela tinha na época 18 anos, eu 22) tanto eu como ela começamos a nos conhecer, pois tínhamos interesses em comum. No mês de maio daquele ano seus pais decidiram mudar para outra cidade. Ficamos muitos tristes, porque estávamos amando um ao outro. No segundo semestre daquele ano, fui visitá-la.

 

Seus pais gostavam muito de mim, e eu deles. Na  minha ultima visita (Dez de 89) fui para oficializar o namoro, quando fui surpreendido com a noticia que ela não estava mais interessada e que queria continuar os estudos e não tinha ninguém em vista( que era minha grande preocupação, pois estávamos longe para se ver e vulneráveis por outros). Fique, naquela época muito decepcionado, porque nos contatos telefónicos, fazíamos planos para o futuro, juras de amor, etc. Na volta desta viagem, desabei a chorar, pois amava muito ela e não tivemos a oportunidade de nem se quer dar um beijo. no ano de 1990 fique com depressão, achando que o mundo tinha acabado pra mim, tinha antes de conhecê-la . Com baixa alutoestima, me achando feio, tímido demais para conquistar uma mulher, alguns meses se passaram, e logo fiquei sabendo que ela estava namorando um rapaz na cidade, o que aumentou mais ainda minha depressão, pensando que nunca mais iria vê-la.

 

Depois de 1 ano (1991), suportei a depressão, resolvi ligar para a M. e sua mãe atendeu e ficou muito contente em falar comigo e me contou que a Marcia não estava mais namorando. Isso me deixou com muitas esperanças, então combinei com a mãe dela que iria lá no mês de Julho de 1991. Nesse mesmo ano e antes de ligar para a M., conheci outra moça (G.) Percebi que a G. era muito parecida com a M. fisicamente. Isso estava me perturbando, por que ainda amava muito a M. Precisava ir vê-la para conferir o seu interesse por mim. Essa viagem foi muito boa, pude vê-la, passear, ir ao cinema e quando fui perguntar a ela se havia alguma esperança, M. pediu-me um tempo.

 

Fiquei mais confuso ainda na época, porque eu tinha a G. e lá a M.

Como a M. já me havia decepcionado antes, decide começar um namoro com a G.

que estava interessada. Eu por orgulho e egoísmo deixei a M. com seus pensamentos.

 

O grande problema e que eu estava enganando a mim mesmo, porque amava muito a M. e só percebi isso muito tempo depois. em 1992 A M. e sua mãe vieram na minha cidade e percebi que ela ainda estava me esperando e eu não notei isso, pois estava ainda namorando a G.. A G. achou as fotos e cartas que tinha da M. e destruiu tudo (menos os negativos). Não tinha mais o telefone para entrar em contato com a M.. Em 93 com quase tudo preparado para casar com a G.  tivemos uma forte desentendimento e desmanchamos o noivado, mas fiquei envergonhado por chegar até aquele momento e desistir, apesar de não amá-la, como amava a M. reatamos e casamos em 93.

 

Ao longo dos anos sempre me lembrava da M. com muito carinho e amor, mas não tinha como entrar em contato, porque o telefone e o endereço foram destruídos. Por muitas vezes eu e a G. brigávamos muito a ponto que querer jogar tudo pro alto e separar, A G. chegou até se interessar por outro, mas relevei. Em 2006 nasceu meu filho, isso me fez rever o casamento, mas veio outros problemas maiores ainda. Por volta de 2010, comecei a digitalizar as fotos que eu tinha e também os negativos. Foi quando voltei ao passado e rever os momentos que tive com a M.. A curiosidade de saber como a M. estava foi crescendo a ponto de começar a pesquisar na internet. Depois de muito tempo achei seu endereço e também outras coisas nas redes sociais. Vi que a M: já tinha uma filha (dois anos mais nova que meu filho) mas notei que não havia o marido em algumas fotos no facebook. Em 2016 consegui com muito custo o telefone da mãe dela e entrei em contato depois de 25 anos. Conversamos por telefone e ela me disse que havia casado em 2007 e teve sua filha em 2008, mas não durou muito o casamento e 2010 estava separada e em 2013 seu pai havia falecido e ela havia se divorciado. Notei que o meu sentimento pela M., que havia ficado adormecido, acordou. Começamos a nos comunicar por telefone e whatsapp. Recentemente (jan de 17) fui sozinho à cidade dela para vê-la, sem ela saber e nem minha esposa a G. Conversando com sua mãe, pois a M. não mora com ela. Sua mãe me disse que depois que voltamos a nos comunicar, M. ficou mais feliz e que o voltar a conversar mexeu com ela. Mas que está muito preocupada comigo pois ainda estou casado.

 

Sinto que essa história ainda não acabou apesar do tempo, meu amor por ela ainda bate forte no peito, coisa que nunca senti pela G. Pelo lado da M., achou que também despertou o amor que tinha, mas pelo que sua mãe me falou, ela está com medo de ser o pivô de uma separação e de destruir uma família. Meu casamento anda de mau a pior a anos. Para dizer a verdade casei com a G. com a M. na cabeça e no coração.

 

Agora que a encontrei sinto a necessidade de ajudá-la, visto que esta sozinha criando sua filha. Mas eu também estou dividido com um casamento em erupção, um filho de 10 anos e um amor no peito me castigando e me deprimindo cada dia. Desde  Outubro de 2016 não tenho dormido direito, estou ansioso demais, não paro de pensar na M. (apesar de morarmos longe)

 

Sei que enfrentarei muitos problemas, separação, um relacionamento duvidoso (pois dependerá da M. se vai me aceitar depois de fazer isso)  

 

Mas tudo isso foi culpa minha, pois se amava tanto a M., porque não dei o tempo em 91, porque não desisti de casar, porque não separei enquanto não tinha o filho, são tantos os porquês, que minha cabeça não anda bem, estou a cada dia mais depressivo e temo muito o poder vir acontecer, pois penso que a única saída para meu sofrimento e acabar com tudo, não sei mais o que fazer, por isso estou pedindo uma ajuda profissional, como fazer...

 

 

Grato.  

 

Caro F.,

 

Penso que esteja numa grande confusão mental! O seu amor pela M. parece idealizado, uma saudade do tempo passado e da sua juventude e que claramente não voltará mais.

 

Pense bem : será que vale terminar um casamento e destruir uma família por um amor do passado que talvez seja só uma ilusão?  Uma separação sempre traz problemas, frustrações e infelicidade para toda a família. Antes de tomar uma decisão ponha tudo na balança. Se está ao lado de alguém que ama, que o faz feliz, que lhe dá segurança, vale a pena abandonar tudo isso por outra? Não se deixe levar pela ilusão de uma relação perfeita.

Amar é aceitar o imperfeito e torna-lo perfeito para nós. Para que uma relação resulte é preciso respeito, reconhecimento, responsabilidade e recreatividade.

 

Sugiro que não tenha pressa em decidir, reflita com calma e pondere o que é melhor fazer. Um acompanhamento psicológico poderá ser de ajuda nessa fase complicada de indecisão.

Fique bem

 

Namoro adolescente

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 Meu nome é I., tenho 51 anos e uma filha de 12 anos que anda a namorar com um rapaz de 16, isso é ilegal? O que devo fazer, trata-se de um individuo com historial de drogas e violência. Agradeço desde já a ajuda

 

Cara I.,

A sua filha está num namoro prematuro e prejudicial. A comunicação entre pais e filhos é essencial nesse caso.

 

Converse muito com ela sobre as possíveis consequências de seus atos e fale da importância que esta pessoa seja da sua idade ou de idade próxima, que compartilhem os mesmos princípios, valores e crenças pessoais e familiares. Esse rapaz não pode namorar com ela pois irá prejudicar a vida de sua filha em todos os sentidos.

O papel dos pais é buscar que seus filhos vivam com intensidade o que é próprio da idade juvenil, isto é, que cada etapa seja aproveitada em extensão e plenitude com as experiências necessárias ao amadurecimento pessoal, sem os obstáculos apresentados por uma relação afetiva prematura.

 

Fique perto de sua filha e não permita que essa relação continue, aos 12 anos ainda não tem maturidade para decidir e nem para namorar.

Caso não consiga sozinha encaminhe-a para uma consulta de psicologia para que possa ajudar nesta e quiçá outras questões que estejam por trás.

 

Tudo de bom

Vozes no pensamento

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Eu sou M. Eu escuto vozes no meu pensamento de pessoas conhecidas. Eu faço tratamento psiquiátrico há 3 anos. Eu tenho 31 anos. Esse problema surgiu quando eu perdi a minha mãe e tive muito stress no trabalho. Essas vozes ficam o tempo todo conversando comigo parecem até espíritos. Eu tenho cuidado do meu psicológico e do meu lado espiritual também. Essas alucinações têm-me perturbado muito. As vozes são de pessoas boas e conhecidas. Eu vi na novela um personagem que teve esta doença que mostrava vozes agressivas e más. Ele fez tratamento psicológico também.

Qual é o seu diagnóstico?

 

Cara M,

O que ouve são alucinações auditivas, que são uma característica comum de muitos transtornos psiquiátricos, como psicose, esquizofrenia e transtorno bipolar. Mas, também são experimentadas por pessoas sem condições psiquiátricas. A terapia vai ajudar a que possa entender as vozes como parte de si a revelar preocupações inconscientes.

O fato de ter perdido a sua mãe pode ter interferido no sentido de tentar mantê-la presente na sua mente com a recordação de frases que se presentificam como vozes.

O importante é como interpreta essas vozes. A melhor maneira é ter consciência que essas vozes são parte de seus pensamentos e é como se pensasse alto e falasse consigo mesma.

 

Segundo Pichon, a personalidade se constrói numa relação bi-pessoal entre o eu e o outro que existe dentro de mim. Esse outro eu é uma imagem com a qual discuto enquanto penso, é como se eu falasse comigo mesmo. Pichon busca o fundamento teórico nos conceitos de id, ego e superego de Freud, onde o ego (indivíduo) se localiza entre os anseios e desejos do Id (volição interna) e as regras e repressões do superego (valores absorvidos).

 

O pensamento é uma atividade lingüística, uma vez que pensamos em palavras, queremos compreentender os sentimentos e transformá-los em palavras que provoquem o entendimento do que estamos sentindo.

Um abraço.

 

Sensação de estar fora do corpo

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Boa tarde! Quando fico muito nervosa, minha memória apaga; quando chega o ápice, tenho a sensação que estou fora do corpo (já me vi, como se eu estivesse atrás de mim) , ou maior do que sou, já cheguei a ponto de parecer que estou levitando no teto vendo meu corpo em baixo, em todas situações, me vejo fora, mas meu corpo continua como se eu estivesse dentro.

Entretanto quando chega a esse nível, não me lembro de mais nada depois, só me lembro destes flashes; isso começou a acontecer depois que tive depressão. Por favor, gostaria de entender. Grata

 

Cara leitora,

O seu distúrbio está, provavelmente, relacionado com o seu alto nível de ansiedade e como consequência da depressão. O que descreve é uma espécie de despersonalização. Esta é entendida como uma desordem dissociativa, caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia. Pode ser um sintoma de outras desordens como transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, depressão, esquizofrenia, stresse pós-traumático e ataques de pânico. A despersonalização pode ainda surgir com o consumo de drogas, como Cannabis ou Ecstasy; mas há outras causas: esta pode desenvolver-se devido a uma exposição prolongada a stress, mudanças repentinas no contexto pessoal, laboral ou social, entre outros factores. A despersonalização encontra-se intimamente relacionada com a ansiedade.

 

A despersonalização associa-se, frequentemente, a outras perturbações mentais que necessitarão de ser tratadas ou é desencadeada por elas. Deve ter-se em conta qualquer tipo de stress relacionado com o início (instalação) da perturbação de despersonalização.

 

Como tratamento é eficaz a psicoterapia. A sensação de despersonalização desaparece, frequentemente, com o tratamento.

Procure ajuda e vai ver que vai sentir-se bem melhor e vai conseguir superar o seu problema.

 

Esquizofrenia e cannabis

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Olá Dra, 2 meses atrás eu fui em uma festa e usei cannabis. (Foi a 3ª vez na minha inteira vida) Fiquei mal a noite toda, depois fui pra casa onde dormi e quando acordei já estava melhor. Estudei para a prova que eu teria no dia seguinte, fiz tudo normalmente. Quando foi na hora de dormir eu senti minhas pernas a terem calafrios, minhas mãos suavam, meu coração disparava, eu fiquei muito confuso, desnorteado, etc. Dai fui ver que poderia ser ansiedade. Mas sentia as coisas como se elas não fossem reais e vi que poderia ser despersonalização e desrealização. Mas depois eu vi que uso de cannabis poderia causar esquizofrenia e a despersonalização era um sintoma.

Então meu quadro de ansiedade foi aumentando cada vez mais. E comecei a achar que eu poderia ter câncer, e logo depois achei que tinha problema de personalidade (algum distúrbio) A seguir eu voltei a achar que tenho esquizofrenia. Agora meu ouvido fica muito sensível a qualquer barulho e estou sempre perguntando se alguém também ouviu o que eu ouvi, com medo de estar tendo alguma alucinação auditiva. Só que eu nunca tive uma, ou ouvi vozes, ou vi coisas, etc.. nunca tive nenhuma alucinação. Só que eu li que esquizofrénico cria paranóias de conversar com a TV ou rádio e agora quando assisto TV começo a ficar ansioso, vi também que esquizofrénico não olha nos olhos porque se sente incomodado e agora quando eu olho paro o olho de alguém eu fico ansioso também, mas sei que está tudo bem e que ninguém me vai prejudicar. Vi que esquizofrénico ouve vozes que dão ordem a ele, e aí vem uns pensamentos do tipo que eu fico com medo de olhar pra uma faca ou tesoura.

 

Cheguei até guardar uma tesoura numa caixa e esconder com medo de ouvir alguma voz. Será que eu estou ficando louco? Sinto que a despersonalização fica mais forte cada vez que eu tenho crise de ansiedade ou lembro de todas essas coisas. Mas eu acordo ansioso e durmo ansioso. Por favor me ajuda!!

 

Caro leitor,

Como não é usuário frequente de cannabis todas essas sensações estão, provavelmente, relacionadas com um excesso de ansiedade. O uso de cannabis pode dar sintomas psicóticos, que podem durar, por vezes, algum tempo, mas não provoca esquizofrenia. O que acontece é que se a pessoa tiver predisposição para esquizofrenia o consumo de cannabis poderá precipitar a doença. Portanto o consumo regular de cannabis pode induzir sintomas psicóticos principalmente entre pessoas predispostas ao surgimento de quadros esquizofreniformes.

No seu caso é a sua ansiedade que alimenta esses sintomas. No entanto apenas uma avaliação clínica especializada poderá avaliar um diagnóstico preciso.

Amor

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“Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor”, Freud (1912) destaca características que determinam a escolha da pessoa amada, demonstrando conflitos que ocorrem entre a capacidade de amar e desejar sexualmente o mesmo objeto. A harmonia de uma relação amorosa normal sustenta-se entre o equilíbrio das correntes eróticas e afetivas.

 

Feliz dia de San Valentim!

Guerra no casamento

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Bom dia Dra.

 

Cheguei ao seu contato através da internet, me chamo J.S. tenho 43 anos sou casado ha 6 anos minha esposa tem 28 anos, temos 3 filhas.

Cerca de 3 meses vivo uma guerra pois ela conheceu outro homem de mesma idade que ela, antes da traição vir à tona ela disse que não poderia mais estar casada pois devido à problemas do casamento e que havíamos tentado tudo mas não dava mais.

 

Eu relutei argumentando que poderíamos tentar concertar já que passamos por outras crises, logo após esta conversa acabei descobrindo o real motivo, traição mesmo assim não me alterei e mostrei que a amava e poderíamos superar. 

Mas a situação ficou cada vez pior no início ela se mostrava indecisa dividida, agora faz um mês que saiu de casa levando as crianças para casa de familiares. 

 

Já conversamos bastante ela até me disse que me ama mas acha que não dará mais certo, há dois dias confessou que pensou em uma possível volta mas agora voltou a ficar irredutível, pouco conversa, trata-me com certa pena, aconselha-me a conformar-me, assumiu de vez o relacionamento, diz-se estar apaixonada e o rapaz também por ela.

Tentei de tudo pois a amo e quero minha família de volta mas a cada dia vejo esta possibilidade distante.

O que fazer Dra.?

 

Caro J.S.,

 

Não há muito que possa fazer, a não ser falar com ela, talvez conversar com os pais dela para que eles possam ajudar. Talvez ela precise de um tempo para pensar e refletir no que ela realmente sente e quer para a sua vida.

 

Se o que sente por ela é amor e se do lado dela também houver amor, valerá a pena tentar restaurar a relação e rever os problemas no casamento.

 

Não é fácil gerir as inseguranças que resultam deste afastamento e da traição, mas também pode ser uma oportunidade para repensarem a relação. Como têm três filhas o afastamento físico não será longo. Conversem sobre as necessidades de cada um e sobre as mudanças necessárias para voltarem a se entender em harmonia.

 

Pode ser que com o afastamento ela perceba que tudo não passou de uma ilusão, mas que tenha sido apenas uma aventura com necessidade de afirmação.

 

Continue compreensivo com ela e caso nada funcionar não se desespere, mas aprenda a se valorizar e procure tomar um novo rumo na sua vida.

Uma terapia de casal é sempre benéfica nesses casos, para que possam elaborar o sucedido e para que não sobrem rancores ou ideias infundadas.

 

Vazio de sentimentos

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É normal não sentir amor pela própria família? Eu mesma não ligo pra minha família nunca me apaixonei por ninguém pra dizer a verdade nunca senti amor sou vazia de sentimentos não choro apenas sinto um vazio dentro de mim e ódio onde sou capaz de matar sem me preocupar com as consequências. Não ligo pra vida. 

Isso é normal ou simplesmente estou estou ficando louca?

 

Cara leitora,

Essa condição afetivo-emocional de vazio de sentimentos possui uma denominação médica: "atimia", do grego "athumía", que consiste na ausência de sentimentos e de manifestações afetivas.

Uma condição que é comum em portadores de esquizofrenia, neurose ou depressão.

Não quer dizer que seja portadora de esquizofrenia ou neurose, mas pode estar a passar por uma depressão. Ou ainda é mais provável que isso seja apenas um traço isolado da sua personalidade, pois no quadro completo da esquizofrenia o portador da enfermidade não tem consciência da sua condição afetiva, como está a ocorrer consigo.

Manifestações de indiferença afetiva são também observadas nos neuróticos. Na melancolia, o desinteresse pelas coisas do mundo

Essa condição surge a partir e durante as interações da pessoa com o ambiente, principalmente no seu período de formação cognitiva e desenvolvimento de habilidades sociais, a pessoa tem uma habilidade comportamental não aprendida ou bloqueada por algum acontecimento traumático ou sucessões de acontecimentos onde a pessoa sente dificuldade para sentir e expressar-se.

 

Não está ficando louca, está consciente do que está a passar e à procura de respostas. O melhor que tem a fazer é procurar ajuda de uma terapia para que, além de compreender o que se passa consigo, possa desenvolver novas maneiras de sentir, de se relacionar com as pessoas e de viver repeitando a vida humana.