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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Medo da solidão

 

 

 

Boa Noite Dra. Mariagrazia

 

 

Venho relatar aqui um pouco do que tenho vivido em meu segundo casamento, e se puder gostaria de um conselho para o meu caso que já se tornou um tormento.

 

Meu primeiro casamento foi muito conturbado, ambos éramos novos quando nos juntamos no que resultou em dois filhos. Vivemos juntos por 12 anos, mas a partir do sexto já arrastávamos o casamento entre diversas separações de idas e vindas, isso resultou na nossa definitiva separação, que por sinal muito dolorida. A partir deste momento valorizei a minha vida, mas nunca me esqueço do que vivi neste casamento. Fiquei traumatizada com tudo que passei. Tenho medo da dor da separação.

 

Quanto ao meu segundo casamento começou em um espaço de tempo bem pequeno entre a minha separação, confesso que me precipitei, por carência ou para esquecer o anterior. Hoje estou casada com um rapaz de 23 anos, tendo eu 31 e com dois filhos, mentes diferentes, apesar dos mesmos objetivos, criação diferente e claro, há muita imaturidade.

 

Tive a primeira impressão, que claro, não foi boa. Menino imaturo, sem responsabilidades, ainda não sabe o que quer da vida, porém com sonhos. Mesmo com toda esta transparência, tapei o sol com a peneira. Sabia que não daria certo, mas me guiei pelo encantamento que estava sentido. Dei ouvido a emoção.

 

E com o decorrer do tempo fui-me apegando, havia qualidades mas, os defeitos transpareciam mais e mais, e o amor cego, afinal o ser humano é feito de defeitos e qualidades.

Ao longo do tempo, percebi em meias palavras e outras que o sonho do meu marido era casar-se com uma virgem, que tivesse o primeiro filho com ele. A partir de então ouvi diversas outras coisas que me feriram demais. A minha atenção tinha que se dedicada somente a ele, meus filhos em diversos momentos ficaram em segundo lugar. Me sentia mal por isso, mas não queria deixá-lo com “raiva”. Essas e outras situações desagradáveis aconteceram por mais de um ano. Atualmente, estamos juntos a dois anos, mas o mundo dá voltas, hoje a situação é diferente, virei a página e reivindiquei os meus direitos no relacionamento, meus filhos em primeiro lugar entre outras coisas, mas ele não aceita e o casamento está por água abaixo.

Conclusão: Me precipitei totalmente. Não existe futuro, ao lado dele minha vida estagna, não consigo caminha para alcançar meus objetivos. Seus ciúmes são doentes, e ele me sufoca, já não sei se existe ainda o amor. Só tenho uma alternativa, a separação, mas o trauma vivido no passado me impede de executá-lo. Tenho medo da solidão, tenho medo de viver a dor da separação novamente.

 

O que devo fazer?

 

Obrigada,

P.

Cara P.,

 

Se sente que com ele não vai dar certo é melhor pensar em separação do que viver insatisfeita, frustrada e em sofrimento.

A diferença de idade e a diferença de maturidade não são um bom prognóstico.

O medo da solidão não é suficiente para manter uma relação, pelo contrário só vai prejudicar. Ainda mais que tem os seus filhos para cuidar e acompanhar.

A sociedade favorece a dependência entre as pessoas, mas em certos momentos, deveríamos estar capacitados para atos de plena autonomia. Infelizmente a simples ideia nos assusta. E ficamos presos num emaranhado complexo em que se transforma a vida conjugal cheia de atritos. Nem consideramos a possibilidade de uma separação temporária. Penso que esse tipo de medo é muito perigoso, pois muitas vezes uma “pausa conjugal” pode ser a última chance para a reconciliação.

 

Sozinhos e longe da situação de conflito, temos oportunidade para refletir melhor e fazer uma autocrítica mais correta. Aliás, deveríamos recorrer à solidão sempre que nos encontrássemos numa encruzilhada, seguindo o exemplo de Moisés, Jesus e tantos outros, que se isolaram para meditar, nas montanhas ou no deserto, ganhando novas forças antes de tomar decisões radicais e definitivas.

Pense nisso. A decisão deve ser sua, mas pelo que refere, parece que o melhor é viver a sua vida, com seus filhos e pensar que algum dia encontre a pessoa certa para si.

 

Fique bem