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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Morte do filho

 

 

 

Boa tarde, sou de Portugal.

 

Vivia com o meu filho, só que ele faleceu em março, cada dia que passa mais difícil está de encarar, quando anoitece pioro, fico muito triste, aflita e adormeço muito tarde. Éramos só os dois em casa.

Os meus músculos doem, acho que de tanto nervosismo e de chorar.

 

Estou com aversão a médicos, remédios, hospitais. Leio livros que me indicam, vou á igreja, um bocadinho de meditação.

 

Só que a minha dor é tão atroz que já nem sei o que fazer.

 

Será que pode ajudar-me dando me alguma orientação.

Muito Obrigada

 

Cara G.,

A morte de um filho é geralmente descrita como um dos acontecimentos mais dolorosos da vida de alguém. O sofrimento vivido pelos pais, independentemente da idade do seu filho morto, é dilacerante. Se comparado à dor sentida pela morte de uma outra pessoa da família, é extraordinariamente intenso.

 

A morte de um filho, pequeno ou crescido, torna-se, assim, em quase todas as culturas, a mais absurda das mortes, aquela a que alguns chamam mesmo de «a morte antinatural», ou «a que fica para além de toda a ordem natural da vida».

Sendo assim é natural que sofra muito, ainda mais por ter passado tão pouco tempo. Acontece que é preciso fazer o luto.

A perda de um filho é uma ferida que é para toda a vida, porém é importante que embora emocionalmente a ferida continue por toda a vida, você consiga recomeçar a funcionar.  É importante que passado algum tempo, diria que entre os 6 meses e um ano após ocorrido,  você consiga retomar as suas rotinas diárias, o seu trabalho, a sua vida social.

 

Se isto não acontecer é importante pedir ajuda, porque significa que não está a conseguir ultrapassar a dor e corre o risco de ficar “presa” nessa dor. Nestas condições, e se não houver ajuda, começam a surgir condições para que a doença mental se instale, e se inicie um processo de desorganização mental. É preciso prevenir a entrada no chamado “Luto Patológico”.

 

Ler livros, meditar, ir à igreja certamente vai ajudar. Se tiver alguém para falar desabafar, um parente, uma amiga, uma vizinha, isso vai ajudar muito. Precisa aos poucos pensar em si. Para sair do luto é preciso lutar. A fase que está é a de desorganização e desespero, é a fase mais difícil.

 

Quando passar à fase de reorganização e aceitação, é a hora de se adaptar ao meio em que vive no qual o filho não está mais. É preciso, aos poucos, tirar a sua energia emocional dessa relação com a morte dele.

Cara Graça, não é fácil mas é preciso força e coragem.

 

Compreendo que esteja com aversão à tudo que tem relação com médicos, remédios, etc. mas se sentir que não consegue ultrapassar sozinha, procure ajuda de uma psicóloga, ao menos para poder falar sobre o que sente e juntas encontrarem novas soluções para um novo sentido para sua vida.

 

Um grande abraço

Mariagrazia