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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Morte do pai

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Boa tarde,

 

O meu pai faleceu na passada 3ªfeira dia 10/11/2015, o mundo desabou.

 

O meu pai estava doente com um tumor no pulmão, mas nada fazia prever o desfecho quase imediato, até porque na 2ªfeira tinha estado no médico e as análises estavam melhores e algumas das suas incapacidades estavam melhores, ele acreditava e pedia muito a deus e aos médicos a cura, nós mais realistas pedíamos um prolongar da vida com qualidade e isso a médica disse nos ser possível. Nessa manhã esteve bem, mais ativo ao final da tarde disse à minha mãe que estava mal disposto e a minha mãe ao segurar-lhe a cabeça para vomitar caiu-lhe nos braços já inanimado, foi o verdadeiro horror, porque estavam os dois sozinhos, afinal era o seu companheiro de 40 anos que lhe partia nos braços e no seu leito onde todos fomos muito felizes. Satisfazendo o seu pedido levamos o meu pai para o Alentejo (nós vivemos em Lisboa). A minha mãe está um farrapo, não come, só dorme com medicação, tendo ela problemas de tensão arterial os valores estão totalmente desequilibrados, o que me preocupa bastante pois há uns tempos devido a uma situação de maior tensão nervosa com um pico de tensão teve um pequeno derrame no cérebro, sem qualquer consequência.

 

Optámos por a minha mãe ficar no Alentejo acompanhada na casa de uns familiares pelo menos durante umas semanas. A minha mãe fez-nos um pedido, que lhe alterássemos o quarto pois a imagem com que ficou foi a do meu pai caído. Também para nós isso é muito difícil. Somos três filhos eu que vivo em Cascais, o meu irmão que é solteiro e que vive perto da Amadora e a minha irmã que é casada e vive no Alentejo, neste momento que tem tratado de tudo sou eu, porque o meu irmão tem crises de ansiedade e de pânico e nesta situação foi-se muito abaixo, e a minha irmã tem um bebé com 3 meses.

 

O que mais me dói é a sua falta, vê-lo tocar-lhe, saber como está e sobretudo o facto de ele querer viver para ver os netos crescer, sobretudo o grande amor que tinha pelo meu filho Gonçalo que desde os 6 meses que esteve com os meus pais até aos 3 anos, dizendo ele que era o seu grande companheiro, tenho tanto medo que o meu filho se esqueça do avô de tudo o que fez com ele.

 

Aquela que outrora foi uma casa sempre cheia, está vazia, está vazia de alegria de barulho de felicidade. Temo muito o regresso da minha mãe, até porque cá em Lisboa está sozinha, pois todos nós trabalhamos. Eu gostava de a convencer a alugar uma casinha junto às minhas primas, pois lá mesmo estando sozinha, ora entra uma em casa ora entra outra e sai à rua e conversa e está também a minha sogra que já passou pelo mesmo, e a casa de Lisboa ficaria para vir sempre que desejasse.

 

O que acha? Ajude-nos a superar toda esta dor e diga-me de que forma posso atenuar a dor da minha mãe e fazer com que o meu filho não se esqueça de tudo o que fez com o avô.

 

Desculpe o desabafo.

CC

 

Cara CC,

 

A perda de um ente querido é uma experiência de grande impacto emocional, que nos leva a repensar o significado da vida e como a pessoa que partiu pode continuar a fazer parte dela, agora de uma forma diferente.

 

Atenuar a dor vai ser difícil, só o tempo consegue dar algum alívio, embora alguma dor e a saudade persistam sempre.

 

No meu entender, o melhor é deixar que a sua mãe decida o que prefere fazer, embora o que mais ajuda a elaborar a perda e ultrapassar a dor é viver o luto, voltar aos lugares onde a dor foi vivida, falar sobre os sentimentos e sobre a falta sentida da pessoa falecida. Expressar

 

Também é importante que passado algum tempo, a sua mãe consiga retomar gradualmente as suas rotinas diárias e a sua vida social.

 

Se sentir que ela não consegue sozinha ultrapassar a dor do luto e se reorganizar convém que tenha um acompanhamento psicológico para compreender e ter com quem desabafar o que sente e poder reencontrar um sentido para sua vida.

 

Quanto ao seu filho, vai certamente sentir a falta mas com o tempo vai passar. A criança precisa ser acolhida e mais do que dizer algo para consolá-la, deixar que ela expresse as suas emoções e só ouvir.  O importante é que a criança encontre espaço para expressar a perda. Para que tudo fique na memória promova uma comunicação afetiva, fale com ele sobre os momentos alegres vividos com o avô e mostre-lhe as fotografias, tudo isso de uma forma tranquila sem provocar mais tristeza.

 

A perda de um pai é sempre muito triste, fica a saudade e ficam as recordações. E por ser a filha mais disponível vai certamente sentir ainda mais, mas a vida é mesmo assim não há nada a fazer, é aceitar com paciência e gratidão.

 

O ser humano tem uma capacidade surpreendente para recuperar-se das piores adversidades. Apesar da obscuridade há sempre uma chama que avivará a luz que necessitamos para viver.

 

Um abraço e os meus sentidos sentimentos