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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Bloqueio sentimental

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Ola Drª,

Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo blog, que é muito interessante onde tive a oportunidade de me identificar com muitos casos. Gostaria de colocar o meu caso em especial, e requerer se possível uma opinião a respeito dessa situação.

 

Eu acredito que esteja com bloqueio sentimental, eu tenho problemas para sentir amor para com os outros, antes eu conseguia forçar essa situação, agora nem isso consigo mais, está tudo muito estranho gostaria de saber sua opinião.

Já sofri sim por amor, mas tenho certeza que já superei todas essas experiências

 

Caro Leitor,

O amor é um sentimento que surge espontaneamente e não pode ser forçado. Se não sentiu mais talvez seja por não ter surgido, embora possa estar travado por medo de sofrer.

 

O bloqueio emocional é um mecanismo de defesa no qual o inconsciente oculta memórias de dor para evitar o sofrimento. Quando isso acontece, entretanto, a situação dolorosa não deixa de existir: ela passa a se manifestar de maneira inconsciente, refletindo negativamente na vida da pessoa sem que ela perceba.

Tratar um bloqueio emocional é um processo difícil, pois as memórias precisam vir à tona para que possam ser ressignificadas internamente. A experiência vivida não mudará, mas a pessoa poderá dar um novo sentido àquela memória, fazendo com que cause menos dor.

 

A solução para o bloqueio emocional é reconhecer a emoção e liberá-la. Se não conseguir sozinho procure ajuda de um psicólogo para que possa trabalhar todos os seus traumas e ressignificar cada um até que esses bloqueios se dissolvam.

Fique bem

Amor

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“Sobre a tendência universal à depreciação na esfera do amor”, Freud (1912) destaca características que determinam a escolha da pessoa amada, demonstrando conflitos que ocorrem entre a capacidade de amar e desejar sexualmente o mesmo objeto. A harmonia de uma relação amorosa normal sustenta-se entre o equilíbrio das correntes eróticas e afetivas.

 

Feliz dia de San Valentim!

Vazio de sentimentos

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É normal não sentir amor pela própria família? Eu mesma não ligo pra minha família nunca me apaixonei por ninguém pra dizer a verdade nunca senti amor sou vazia de sentimentos não choro apenas sinto um vazio dentro de mim e ódio onde sou capaz de matar sem me preocupar com as consequências. Não ligo pra vida. 

Isso é normal ou simplesmente estou estou ficando louca?

 

Cara leitora,

Essa condição afetivo-emocional de vazio de sentimentos possui uma denominação médica: "atimia", do grego "athumía", que consiste na ausência de sentimentos e de manifestações afetivas.

Uma condição que é comum em portadores de esquizofrenia, neurose ou depressão.

Não quer dizer que seja portadora de esquizofrenia ou neurose, mas pode estar a passar por uma depressão. Ou ainda é mais provável que isso seja apenas um traço isolado da sua personalidade, pois no quadro completo da esquizofrenia o portador da enfermidade não tem consciência da sua condição afetiva, como está a ocorrer consigo.

Manifestações de indiferença afetiva são também observadas nos neuróticos. Na melancolia, o desinteresse pelas coisas do mundo

Essa condição surge a partir e durante as interações da pessoa com o ambiente, principalmente no seu período de formação cognitiva e desenvolvimento de habilidades sociais, a pessoa tem uma habilidade comportamental não aprendida ou bloqueada por algum acontecimento traumático ou sucessões de acontecimentos onde a pessoa sente dificuldade para sentir e expressar-se.

 

Não está ficando louca, está consciente do que está a passar e à procura de respostas. O melhor que tem a fazer é procurar ajuda de uma terapia para que, além de compreender o que se passa consigo, possa desenvolver novas maneiras de sentir, de se relacionar com as pessoas e de viver repeitando a vida humana.

 

Sobre mães

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O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

 

Ser mãe não é fácil, ser filha ainda menos, e há maus momentos entre todas as mães e filhas, tal como há em todos os casamentos. Há mães esporadicamente difíceis (todas). E também há as mães consistentemente difíceis. A filha de uma Mãe Difícil tem sempre a esperança de que as coisas mudem. Com uma mãe narcisista, isto nunca acontece. A narrativa dela rejeita a mudança, o tempo, e os outros.

A narcisista é um dos ‘tipos’ de mãe difícil. Uma mãe difícil é mais do que uma pessoa com quem temos problemas de vez em quando. Uma mãe difícil põe a filha perante um grave dilema: ou desenvolve mecanismos complexos e autocastradores para manter a relação com a mãe, com grandes custos para a filha em termos de autoestima, relação e valores, ou arrisca-se a sofrer humilhações, desaprovação e rejeição.

 

Algumas mães podem ser tóxicas.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

Por mais que pareça estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

Para lidar com uma mãe tóxica é preciso estar consciente para quebrar o ciclo de toxicidade.

Viver para ser feliz, exige dizer “não”, colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

 

Agradecemos às boas mães, pelo milagre da vida, pelo amor incondicional, pelo esforço, pelo cuidado, pelo carinho e proteção.

Duas mulheres

 

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Meu nome é Dani.

Meu marido, certa vez enquanto fazíamos amor, insinuou que queria mais uma pessoa para ficar connosco. Perguntou se eu não gostaria de ter mais alguém para ficar naquele clima que nós estávamos naquele momento, eu ja havia me antecipado minutos antes, dizendo a ele que ele sabia que eu não suportaria ver ele com outra mulher, mas pra minha infelicidade ele insistiu. Minha reação foi imediata, estávamos num clima tão bom, ele dizia que me amava... fiquei sem chão.

Nunca, nenhuma das pessoas que passaram na minha vida me fizeram essa proposta, me senti tão desrespeitada, e ainda não consegui superar. Ontem ele pediu que nós fizéssemos um vídeo, e queria contratar alguém pra gravar, tenho certeza que não passa de uma estratégia pra ver se ele consegue o que quer. Estou muito triste com isso, me senti tão desrespeitada, com a insistência, estou sentindo uma repulsa por ele, um embrulho no estômago quando penso na proposta, sempre fui fiel a ele, sempre o respeitei, fico me perguntando porquê ele insiste em me magoar dessa forma, Dra. Me ajude! Minha autoestima caiu por terra, e eu não sei se levo o relacionamento adiante, penso até em me separar de tanto que estou sentindo-me triste, chateada, magoada, acho que não sou suficiente para ele... sinto-me tão mal, tão invadida. Eu o amo, mas não vou suportar a insistência se ele continuar, já me sinto traída só pelo convite.

Por favor! Me responda, me diga alguma coisa, me diga qualquer coisa, por favor.

 

Cara Dani,

 

O que ele quer é realizar uma fantasia e não significa desrespeito ou que não a ame. De qualquer maneira só vai funcionar se for de comum acordo, se não se sente capaz fale sinceramente com ele para que isso não leve ao fim da relação. Pelo seu relato, não está preparada para essa aventura e isso precisa ser respeitado.

Entendo que seu marido tem uma grande vontade de realizar essa fantasia. Porém, quando envolve outra pessoa, é importante que essa também esteja na mesma sintonia para ser boa para ambos. Quando só um quer, não vai ser bom.

 

Quando o tempo da pessoa não é respeitado, o resultado acaba não sento interessante. Também percebo o quanto isso pode abalar a relação. Não quero dizer que essa prática deve ser abortada, mas sim, que esse tema seja muito discutido entre o casal e que haja uma real vontade de ambos.

Num momento oportuno, valeria à pena seu marido investigar o porquê dessa vontade incontrolável.

 

Um abraço

 

 

Feliz Natal!

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A todos um Natal Feliz , com muita tranquilidade e amor!

Mariagrazia

 

 

Amor e desilusão

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 Vi o seu espaço aqui na net e as pessoas a elogiam muito Dra. Por isso lembrei se me poderia responder a este problema.

Dediquei minha vida à minha namorada e ela quando viu que estava mal nem uma chamada fazia em demonstração que me ama. Agora tento ligar e me desliga na cara. Ela descobri que pelo modo como me tratava que essa falta de afeto era falta de amor. Tinha planos queria filhos. Tenho 33 anos Ela25 e ela se não amasse não devia ter arrastado a asa e dar falsa esperança.  Sempre fui fiel comunicativo na relação. 

Ela de repente me desliga telemóvel na cara e só responde por mensagem. Nem diz se namoramos ou se está terminado. Eu nunca a abandonei na vida. Em tudo o que ela sofreu estive sempre do lado dela até largava algum tempo de trabalho pra poder estar a apoiá-la. E agora quando estive mal de saúde ela nem uma chamada me fez mostrando preocupação. A amo muito. Não estou aguentando. Só me penso em suicidar porque não suporto esta dor. Ela fez violência psicológica comigo. É o que penso porque não se anda com alguém tanto tempo e dar falsa esperança.

Ela tem um defeito é fria e sofre quando faz amizades. Ela se chega a gente que a trata mal e quem lhe quer bem ela magoa por isso há pessoas que dizem que  não vale de nada serem amigos dela. Porque ela devia dar valor a quem lhe faz bem. Ela age a vida com Frieza sem admitir que magoa como se tivesse alguma sociopatia.

Gostaria de a ajudar a Mudar mas também preciso de ajuda porque este desgosto vai acabar por me matar. Estou muito magro e só choro todas as noites meus pais nem sabem como lidar.

 

Caro leitor,

Desilusões de amor acontecem, mas a vida continua e não vale desesperar. Pelo comportamento dela parece que ela está zangada consigo, mas só vai saber ao falar com ela. Se entretanto não conseguir um diálogo, o melhor é esquecê-la e refletir sobre a relação para tirar um ensinamento. A questão principal é tentar lidar da melhor maneira possível com essa experiência de vida dolorosa, procurando tirar um aprendizado para escolher uma pessoa mais adequada para si e poder ser mais feliz no futuro. Não se deixe violentar psicologicamente.

Chorar faz parte do luto e da dor, mas nunca pense em acabar com a vida, que é o bem mais precioso que temos. Lembre-se que uma pessoa ativa precisa trabalhar, divertir-se, sair com amigos e não precisa levar adiante o  sofrimento para sempre.

Nada melhor para esquecer um amor do que um novo amor!

Amor líquido

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Segundo o sociólogo polonês radicado na Inglaterra Zygmunt Bauman, um dos intelectuais mais respeitados e produtivos da atualidade, está-se a viver uma modernidade líquida ou pós-moderna. Esse período se traduz num mundo cada vez mais fragmentado e de um sujeito cada vez mais confuso consigo mesmo, com o espaço que ocupa e com o tempo que o rodeia.

 

Essa crise provocada pela modernidade líquida assola o indivíduo com o individualismo e o narcisismo exacerbado. Vive-se hoje num mundo fragmentado, sem referências e à deriva. Essa nova realidade tem afetado diretamente o cotidiano das pessoas, trazendo interferências negativas e em especial nos relacionamentos.

 

Bauman reflete sobre esse retrato do mundo contemporâneo e fala em “amor líquido”, tanto nos relacionamentos pessoais como no convívio social cotidiano, numa sociedade mediada por tecnologia e diz: (...) talvez seja por isso que, em vez de relatar suas experiências e expectativas utilizando termos como “relacionar-se” e “relacionamentos”, as pessoas falem cada vez mais (auxiliadas e conduzidas pelos doutos especialistas) em “conexões”, ou “conectar-se” e “ser conectado”. Em vez de parceiros, preferem falar em “redes”. (BAUMAN, 2005)

 

Desta forma, a internet assumiu a função de conectar pessoas, formar redes de relacionamentos, cada vez mais flexíveis e esta modernidade líquida criou uma nova era nos relacionamentos, que estão cada vez mais fragilizados e desumanizados.

 

É importante refletir e pensar-se nessa era do “amor líquido” em algumas questões: Como viver junto? Como conviver com o outro? Como amar? Questões que se facilmente são ultrapassadas pelo amor, não devem ficar esquecidas para alcançar um relacionamento mais sólido e autêntico dentro desta liquidez contemporânea.

 

Feliz dia de São Valentim!

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