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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Automutilação e depressão

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Olá, meu nome é Maria, tenho 16 anos. Posso ser nova mas ando a me sentir muito vazia, muito vazia mesmo. Às vezes tenho vontade de morrer e como busca dos meus problemas eu me automutilo. Acho que a automutilação me ajuda a ter a paciência de que preciso. O mundo é injusto e cheio de desigualdades. A minha vontade no fundo é desaparecer daqui, é ir para outro lugar e descansar em paz. Procuro sair da automutilação mas no fundo, no fundo acho que não quero.

Me ajuda por favor a saber se tenho depressão.

 

Cara Maria,

 

Embora se trate de um ato de agressividade auto-dirigida, o objetivo da automutilação é a relativização física da dor psicológica e emocional. Na base da automutilação está uma muito fraca autoestima, uma depressão e a crença de que o sofrimento é merecido.

Fale com a sua mãe e não desista de procurar ajuda, pois para tudo tem cura e não vale a pena continuar a viver assim agredindo-se e desprezando a vida.

 

Confie em si e na sua capacidade de mudar. Se me procurou é porque há desejo de tratamento e de acabar com esse comportamento inadequado. Procure ajuda o quanto antes, vai ver como logo vai voltar a ter paciência sem a necessidade de automutilar-se e sem desejar morrer. A vida é para ser vivida e enfrentada com coragem, autodeterminação e pensamento positivo.

 

Um abraço

Insegurança

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Olá Doutora, tudo bem? Meu nome é D. e espero não estar a lhe incomodar, mas enquanto eu fazia buscas na internet para ver se eu encontrava as respostas que eu procurava, acabei “esbarrando” em seu blog, muito interessante por sinal.

 

Se não for muito audacioso de minha parte, gostaria de sua resposta clínica e também pessoal sobre a seguinte pergunta; Por que nos sentimos inseguros, em diferentes aspectos desde falar em público até nos sentirmos importantes?

 

Atenciosamente,

D.

 

Cara D.,

 

A insegurança é resultado de uma baixa autoestima.

A autoestima é a valorização que fazemos de nós próprios, do conjunto de características pessoais, psicológicas e sociais que dizem respeito à nossa personalidade. Podemos aprender a melhorar e a desenvolver a nossa autoestima.

 

A baixa autoestima alimenta-se de pensamentos negativos e crenças de falta de valor próprio. É essencial ter muito cuidado com as palavras negativas que usamos sobre nós e evitar entrar em autocrítica. Sempre que nos classificamos com qualquer forma de depreciação, estamos a criar um programa neurológico que nos vai limitar nos comportamentos e na vida. Nunca devemos esquecer que o nosso subconsciente não tem sentido de humor e leva a sério qualquer ameaça e, por vezes, as torna verdades internas. É muito importante aprender a confiar em si e na vida.

A Baixa autoestima pode ser libertada com muita vontade e trabalho diário, acreditar que merecemos algo de bom na vida é o melhor trampolim para nos motivarmos a iniciar um processo de mudança.

 

A maioria das pessoas odeia a sua ansiedade de falar em público. É preciso ser realista e entender que a maioria das circunstâncias difíceis são os nossos melhores professores e sentir o medo de falar em público como uma lição a ser aprendida. O mais importante é genuinamente conectar-se e compartilhar a informação com os outros sendo genuinamente si própria.

Um abraço

Mania de mentir

 

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Estava lendo seu artigo sobre mentira não sei porque, mas eu estou com uma mania de mentir que acaba por me deixar muito mal. Também tenho problemas com ansiedade por ser muito ansioso.

Será que isso tem cura? Será que me pode ajudar? Procuro ajuda.

 

Caro Leitor,

A mentira revela que algo dentro de si não está bem. Essa atitude está relacionada à baixa autoestima ou ao impulso de tirar vantagem. Por trás da mentira pode haver um chamado, uma defesa, um sintoma ou uma compulsão.

 

O mentiroso compulsivo, que reinventa os acontecimentos ou aqueles que adulteram dados, suprimem informações ou colocam em risco a integridade das pessoas devem ser tratados por profissional especializado.

 

Precisa procurar ajuda de um psicólogo para um tratamento para conseguir controlar essa mania.

Entretanto, procure controlar-se para falar somente a verdade ou no caso de não quer falar sobre algum fato, melhor não dizer nada.

 

Um abraço

Problemas com a mãe

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Olá bom dia..estou passando por problema há anos e estou num ponto que não aguento mais....minha mãe me sufoca..ela sempre me falou coisas desagradáveis.

 

Ela parece que não gosta de mim..tudo que eu faço ela sempre coloca defeitos...quando criança me chamava de estrume..inferninho...sempre me coloca pra baixo. ...me chamava de burra..burralda...e hoje sinto que não tenho auto estima alguma...sempre acho que sou pior que os outros...acho que sempre mereço menos..e não consigo me valorizar. ...não sei mais o que faço...sinto que estou depressiva e não consigo melhorar.

Quando cometo algum erro ela sempre me lembra...parece que quer que eu fique me lastimando.

Obrigada

 

Cara leitora,

De forma geral, o relacionamento entre mãe e filha é marcado por movimentos de separação e de aproximação, de busca de diferenciação e descoberta, de similaridades, de encontros e desencontros. Conflitos existem, mas podem ser minimizados em prol da manutenção do relacionamento.

 

O problema é que a sua mãe provavelmente não percebe que a está a prejudicar na sua auto-estima e pensa que é assim que se educa. Não me disse a sua idade mas penso que em primeiro lugar precisa se colocar na posição de não se deixar desrespeitar. Aprenda a fazer valer as suas ideias e fale com sua mãe exigindo respeito. Só assim é que é possível haver um diálogo normal entre mãe e filha. Fazer pequenos reparos para ajudar está certo pois afinal mãe é mãe e gosta de exigir dos filhos e principalmente da filha por sentir uma certa rivalidade, mas é preciso haver educação e respeito.

 

O principal é não se sentir rebaixada mas agir com segurança e autodeterminação, afinal é com erros que fazemos as experiências importantes para a vida. Tente não dar tanta importância aos reparos, valorize-se e foco no seu crescimento pessoal.

Um abraço e tudo de bom

 

Crise adolescente

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Olá o meu nome é Márcia, tenho 15 anos e não tenho passado muito bem, tudo começou há 3 anos, quando senti que estava sozinha e não tinha amigos, que era completamente inútil e que não me sentia apoiada pela família. Sentia-me muito mal e adormecia a chorar e tinha receio do dia seguinte, então eu conheci a automutilação o que se tornou um vício. Eu cortava-me com uma lâmina de afia e os cortes não eram nada profundos.

Eu parava durante o verão e no tempo de aulas sempre que me sentia psicologicamente mal eu cortava-me. Era um vício.

Parei durante quase um ano mas agora voltei e cada vez pior. Comecei a usar lâminas de gilete e cada vez mais fundo.

Sinto-me cada vez pior, sem ninguém para me apoiar, a única pessoa que sabe disto é a minha melhor amiga, mas ela encontra-se a viver longe de mim e só podemos falar por telemóvel.

Já me tentei suicidar, eu sinto que não faço falta a ninguém. Feia, gorda, quem me quer?

Eu estou sempre com um sorriso no rosto a disfarçar a minha tristeza, mas já não consigo muito mais manter este disfarce.

Eu parei porque a minha melhor amiga disse que ia contar aos meus pais. Eu já deixei de ter amor pela vida.

Sinto-me gorda então eu comecei a forçar o vomito e descobri que tinha bulimia. Sempre que como sinto-me mal.

Só queria um psicólogo porque sinto que não consigo ser feliz assim, mas eu não quero contar aos meus pais porque o meu irmão à dois anos ele tentou-se suicidar e isso marcou-me muito, e ele anda num psicólogo, eu não quero dar trabalho aos meus pais.

A minha mãe tem problemas de coração e isto ía-lhe fazer mal ao coração.

O que faço?

Obrigada pela sua atenção e desculpe o incomodo.

 

Cara Márcia,

É imperativo que tu fales com a tua mãe sobre esses teus comportamentos para que ela possa ajudar-te a procurar um psicólogo e sair dessa crise adolescente.

 

É preciso recomeçar pela reconstrução da tua autoestima, restabelecer os laços afetivos que muitas vezes, podem ter sido negligenciados e por isso mesmo ter-se proporcionado esse isolamento e sentimento de abandono.

 

Atividades familiares de lazer, participar em atividades lúdicas e desportivas que sejam do teu agrado e te permitam desenvolver os teus dons são importantes para a tua recuperação, mas sobretudo o acompanhamento psicológico é fundamental para a tua cura.

 

Esses teus vícios de bulimia e cortar-te devem ser considerados como um processo de reabilitação, podendo ocorrer "crises de abstinência" e também recaídas, contudo, não significa que tudo está perdido, mas sim que tens que vencer uma batalha e encontrar um novo e saudável equilíbrio na tua vida de adolescente.

 

Um abraço

Autoestima e imagem

 

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Boa tarde, sou a P. tenho 17 anos, tenho vergonha de falar destes assuntos com os meus pais ou mesmo com alguém, então resolvi mandar-lhe este e-mail porque acredito que me irá poder ajudar como já ajudou noutros e-mails.

 

Eu sou uma pessoa que tenho auto estima em baixo, sinto que tenho um físico mau, que não sou bonita, que não tenho capacidades para nada, e que não sirvo para nada, basicamente sinto-me inútil. 

 

Eu desde pequena que sou considerada sempre na escola das mais feias nas turmas que já pertenci, e este ano aconteceu o seguinte, um grupo de rapazes da minha turma lembraram-se de fazer um jogo que era escolherem as raparigas mais bonitas e o resto seriam as feias, e obviamente como todos os anos sou considerada do grupo das feias, mas todos sabemos que as mais bonitas escolhidas escolhem pelo seu corpo, e pela beleza, mas mais pelo corpo, e eu sinto-me cada vez mais fraca comigo própria, já tentei mudar, já tentei mudar o estilo de vestir, o cabelo, e tudo mais mas não consegui porque sinto que continuaram a pensar que sou feia, eu sei que a beleza não é tudo mas para alguém da minha idade isso como deve saber deixa-nos muito em baixo, já estou a reprovar o ano duas vezes e sinto que esta segunda que vou chumbar novamente porque tenho muitas negativas logo não irei passar, nem conseguir subir, sinto que não tenho capacidades para nada.

 

Quando ganho força de vontade de tentar, no dia a seguir parece que a perdi, não consigo ser forte encarar e lutar para mudar, o que acha na sua opinião que deva fazer? Já andei numa psicóloga na escola mas ela diz-me que sou linda e não preciso sentir assim, mas sei que diz me isso para não me sentir triste. 

 

Agradeço a sua atenção, obrigada.

Aguardo resposta, o resto de uma boa tarde. 

 

Cara P.,

A beleza exterior não é tudo, o mais importante é a beleza interior. Para que tu te sintas mais atraente precisas dedicares mais tempo e energia ao teu crescimento interior.

 

Crescer é ir em direção a algo mais, algo que ainda não existe ou então é dar prosseguimento a algo que já começamos e que queremos completar, ampliar, enriquecer. Ao longo de nossa vida nós nos colocamos metas, objetivos e no centro destes objetivos está o nosso eu.

 

Para cresceres deves procurar dar ênfase ao teu autoconhecimento e com dedicação ampliar o teu nível de estudo e assim poderás sentir que tens capacidade para mudar e ser mais produtiva, mais dinâmica o que elevará a tua autoestima e fará com que te sintas mais confiante, mais corajosa, mais flexível, mais interessante e também mais bonita.

 

Foco no teu autoconhecimento e nos estudos!

Um abraço

 

Falta de amor

 

Boa noite doutora. 

Sou uma jovem de 28 anos, tenho um filho de 7 anos. 

Aos 14 anos sofri assédio por parte do meu pai e ele praticamente me violou. 

Desde que me conheço como pessoa não me lembro de ter apresentado ninguém como meu namorado nem de ser apresentada como namorada de ninguém. 

Tudo o que vivi até agora foi sempre coisas passageiras. No início corre tudo bem mas depois afastam-se e querem apenas continuar a ter relações comigo e como fico carente e sinto-me sozinha acabou por aceitar o pouco que me podem dar. 

Sinto um vazio enorme no peito. Sinto falta de um amor. Alguém que me veja como sou e me aceite e me queira fazer feliz. Sinto-me tão sozinha. Sinto que tenho algo de errado que afasta os homens. 

Já não sei o que fazer. 

Cumprimentos

Ma

Cara Ma,

O ter sido assediada pelo seu pai, provavelmente, pode estar a influenciar o seu comportamento com os homens. O assédio é uma violência grave que pode destruir a sua autoconfiança e sua autoestima.

 

Veja algumas características da mulher para que consiga ter um relacionamento amoroso saudável:

 

1- Ela se aceita completamente, mesmo quando quer modificar partes de si. Existe uma autoconsideração e um amor por ela mesma que são básicos, e que devem ser alimentados.

2 - Ela aceita os outros como são, sem tentar modificá-los para satisfazer suas necessidades.

3 - Ela está ciente de seus sentimentos e atitudes com relação a cada aspecto de sua vida, inclusive sua sexualidade.

4 - Ela cuida de cada aspecto dela mesma: sua personalidade, sua aparência, suas crenças e valores, seu corpo, seus interesses e realizações. Ela se legitima, em vez de procurar um relacionamento que dê a ela um sentido de valor.

5 - Sua autoestima é grande o suficiente para que possa aproveitar a companhia de outras pessoas, principalmente de homens, que são bons exatamente como são. Não precisa ser necessária para se sentir digna de valor.

6 - Ela se permite ser aberta e confiante com pessoas adequadas. Não tem medo de ser conhecida num nível profundamente pessoal, mas também não se abre à exploração daqueles que não estão interessados em seu bem-estar.

7 - Ela pergunta: "Esse relacionamento é bom para mim? Ele me dá oportunidade de me transformar em tudo o que sou capaz de ser?"

8 - Quando um relacionamento é destrutivo, ela é capaz de abandoná-lo sem experimentar uma depressão mutiladora. Possui um círculo de amigos que a apoiam e tem interesses saudáveis, que a ajudam a superar crises.

9 - Ela valoriza a própria serenidade acima de tudo. Todos os conflitos, o drama e o caos do passado perderam sua atração. É protetora de si mesma, de sua saúde e de seu bem-estar.

10 - Ela sabe que um relacionamento, para dar certo, deve acontecer entre dois parceiros que compartilhem valores, interesses e objetivos semelhantes, e que possuam ambos capacidade para serem íntimos. Também sabe que é digna do melhor que a vida tem a oferecer.

 Se não se identifica com essas características precisa de ajuda de um profissional para um tratamento adequado. Procure a ajuda de uma psicóloga para uma avaliação  e tratamento. Entretanto confie em si própria e no seu potencial para amar e de gostar de si mesma.

 

Tudo de bom

Problemas de autoestima

 

Boa noite,

 

Apercebi-me há uns tempos que tenho muitos problemas de autoestima (apesar de saber que sempre tive uma autoestima baixa, só há pouco é que me apercebi que isso era a base de grande parte dos meus problemas). Por muito que tente, aparece sempre algo que faz com que me odeie. Não gosto do meu físico (passo a vida ao espelho a questionar-me se serei bonita), sinto que nunca sou suficientemente boa, tenho muitos medos, penso demasiado em tudo (mesmo que não tenha a ver comigo), estou sempre preocupada com o que os outros pensam de mim, sou muito ansiosa, rebaixo-me em relação aos outros, afeta todo o meu tipo de relações (de amizade: porque não consigo confiar facilmente nas pessoas e raramente lhes conto as minhas coisas porque sinto que estou a ser chata; de amor: bem, não lhe chamaria amor. Não consigo amar ninguém e tenho muito medo de ser rejeitada e quando finalmente encontro alguém que me ame, não dura muito porque eu farto-me rápido da relação; conhecidos: há beira de pessoas que não conheço sinto que sou outra pessoa), sou insensível.

 

Depois de amigos muito próximos me terem feito ver como isso estava a afetar a minha vida, decidi mudar. O problema é que é uma mudança muito grande, que não se faz de um dia para o outro. E piorando, não faço a mínima ideia de como o fazer por isso é que lhe estou a escrever este e-mail a pedir ajuda.

Aguardo por uma resposta, quero mesmo muito aprender a gostar de mim.

Cumprimentos.

 

 

Cara leitora,

 

Há um tripé de sustentação da autoestima constituído pelo auto-respeito, auto-aceitação e autoconfiança. Relações parentais e sociais, desde a infância podem estruturar de modo favorável ou não a autoestima. A baixa autoestima pode influenciar seriamente o comportamento da pessoa, levando-a às vezes à depressão.

 

O autoconhecimento é o melhor caminho para elevar a sua auto-stima, pois à medida que se conhece melhor e começa a agir de modo coerente entre o sentir, pensar e agir, começa também a se respeitar muito mais e a não permitir que não a respeitem na mesma proporção. Com isso, começa a se admirar e a se amar. E aquilo que não gosta em si, aos poucos poderá mudar.

 

Aqui alguma dicas para elevar a auto-estima:

 

- autoconhecimento,

- manter-se em forma física (gostar da imagem refletida no espelho),

- identificar as qualidades e não só os defeitos

- aprender com a experiência passada,

- viver o presente,
- ouvir a intuição (o que aumenta a sua autoconfiança).
 
Se não conseguir superar esse problema sozinha, o melhor é procurar ajuda. A psicoterapia visa ajudar a pessoa na busca do autoconhecimento, propiciando uma melhor perceção de seu comportamento e respetiva eficácia em relação ao ambiente e a si própria. O alívio dos sintomas requer a descoberta e a incorporação no seu EU das questões não resolvidas que a impelem a mal agir, mal sentir aumentando a sua ansiedade, fazendo com que tenha muitos medos e não consiga se entregar. A psicoterapia vai ser uma mais valia para o seu desenvolvimento psicológico.

 

Tudo de bom