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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Ultrapassar luto

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Boa tarde.  Gostaria de receber alguns esclarecimentos acerca da minha situação. Meu pai se suicidou pelo motivo  aparente de situação económica muito difícil, da qual eu nunca tive conhecimento, pois nunca pediu ajuda. já passaram 2 meses e depois disso, nunca mais consegui retomar a minha vida sexual com o meu marido, nunca mais senti desejo nem sequer vontade.

Gostaria de saber se é normal demorar tanto tempo, uma vez que o meu marido está ficar impaciente comigo, pois acha que já deveria ter ultrapassado isto.

 

Grata pela atenção

RC

 

Cara RC,

 

Permita-se sentir a dor. Permita-se sentir tristeza, afinal está a viver a ruptura de um vínculo muito importante. Fale das suas emoções, dos seus sentimentos e inquietudes.

Quando perdemos alguém que amamos, esta pessoa ainda está viva em nossos pensamentos e memórias.

 

Permita-se dizer não. Faça o que for possível e somente aquilo que fizer sentido para si e o que sentir que tem algum significado.

 

O luto de um pai não é fácil, de um pai suicida ainda pior. Ficam muitas dúvidas e sentimentos, por vezes, de culpa. Penso que o importante é poder permitir-se também, sentir alguma alegria no momento presente. Às vezes, quando estamos a sofrer, podemos ter um momento de leveza. Deixe a alegria e o sorriso acontecer! Não se censure caso em algum momento  se sentir feliz mesmo em seu processo de luto.

 

O luto leva seu tempo, não queira queimar etapas, mas também não se culpe de poder sentir algum prazer, como por exemplo prazer sexual. Às vezes  é uma questão de recomeçar.

 

Um abraço

 

 

Mãe complicada

chagall22.jpgOlá me chamo T., tenho apenas 17 anos, entendo que é uma fase complicada, tanto pela adolescência, tanto pela vida amorosa de minha mãe ser complicada, por ela ter me tido nova, e por agora ela ter tido a segunda separação, e ter um bebé de 1 ano. Porém ela nunca foi muito presente na minha vida mesmo morando juntas, ela sempre foi grosseira, manipuladora. Eu sempre fui uma criança carente de afeto, sempre ajudei nos afazeres domésticos pois ela botava dinheiro em casa e era o mínimo que eu deveria fazer, e se esquecesse de algo ela era extremamente agressiva me xingava de imprestável, vagab.. pra cima, pois eu não servia pra nada, nunca fazia nada direito, não ajudava em nada só servia pra incomodar...

 

Enfim, sempre fui muito sensível a ofensas e ela quando começa não para, me deixa com muita raiva não somente dela, mas de mim também, ela sabe muito bem "apertar a ferida", . Mas ao mesmo tempo me arrependo de ter raiva e sinto muita pena dela ser assim tão infeliz, tentei muitas vezes falar, dialogar, conversar, mas é um monólogo só, porque ela que manda, eu não sei de nada e cala a boca. Até assuntos simples tipo " mãe preciso sair amanhã cedo.." Já é interrompido, ela ergue a voz, eu tento explicar ela manda eu calar a boca e não retrucar, que e não tenho respeito com ela. E vive ameaçando-me do tipo "vou te ensinar a ter respeito, vou levantar daqui e vou dar na tua cara se não fizer o que eu mando". Tipo é um inferno junto com ela. Mas com os outros, como meu namorado e a família dele ela é um anjo e adora falar mal de mim pra eles.

 

Recentemente estou a semana fora estudando (graças a Deus é um alivio ficar a semana longe dela) porém chega final de semana ela me liga dizendo que eu não me importo com ela se ela esta viva ou morta, e que eu não vou mais ajudar ela, que ela ta sozinha, que vai morrer, e que o bebé incomoda, e que eu to nem aí pra ela.

 

Eu fico com pena, e vou ajudar, faço tudo o serviço ela larga o bebé comigo, vai sair sem dizer onde vai e quando volta, e depois quando volta só me humilha e põe pra baixo, me manda calar a boca e que vai sumir, que eu não sirvo pra nada, que eu não sei de nada, que eu tenho que obedecer ela, pq graças a ela q eu to no mundo e graças a mim q ela ta nesse inferno.. Enfim eu fico com muita raiva (ela não precisa me humilhar pra dizer as coisas), penso em sumir, mas quando estou longe durante a semana eu fico com pena dela ser assim, e ter essa vida infeliz, até me sinto culpada. Esse sentimento de raiva e pena ta acabando comigo, não entendo pq com os outros ela sabe conversar normal e comigo tem que falar qualquer coisa simples gritando e me ofendendo e não quer nem me escutar. Por que ela está sempre correta e eu não sei nada???

 

Completo 18 anos daqui 4 meses, estou pensando em morar com o meu namorado, já estamos juntos há dois anos e a família dele é totalmente diferente, são pessoas alegres, felizes, eles tratam os filhos deles tão bem e a mim também; meu namorado mora sozinho, mas perto da família lá eu me sinto bem, me sinto acima de tudo digna, respeitada coisa que a minha família (mãe) não sabe fazer. Gostaria de saber a opinião de alguém que passa pela mesma situação (ou parecida) que a minha ou que sabe lidar com esse tipo de conflito que me ajudasse, dando uma opinião construtiva.

 

Obrigada e desculpa qualquer coisa que possa ter ofendido alguém ou algum erro de português.

 

Cara T.,

Não existem pais e mães perfeitos, mas existem pais e mães incapazes de se dedicar, de se envolver, de amar. São pessoas perdidas em seus próprios labirintos e não tem a consciência da importância de educar e amar um filho.

 

Muitos processos em que a filha não se dá bem com a mãe resultam em grandes sentimentos de culpa.

Um dos caminhos é procurar entender a sua mãe, e perceber que muitas das atitudes dela estão relacionadas às frustrações, os sonhos e interesses dela. Não é uma fórmula para que você consiga estabelecer uma boa relação com sua mãe, mas talvez deixar de sentir-se tão tanto o que ela fala.

 

Compreendo que conviver com a sua mãe não é fácil, mas ir morar com o namorado só para fugir da presença dela não é solução. Vá morar com ele se essa for uma decisão vossa de ficar juntos por amor que sentem um pelo outro.

 

Um abraço

 

Filha e sexualidade

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Boa tarde Dra.

Meu nome é Ana, tenho 37 anos e uma filha de 08 anos. Ultimamente ela tem pensado muito em sexo, já pequei ela algumas vezes se masturbando, mas não tive reação, fingi que não percebi. Porém, ela tem-se sentido culpada e vem falar-me as coisas que pensa e que sente, está com a sexualidade muito aflorada, pensa muito em namoro, em beijos, colegas sem roupa, e ela me fala que é feio mas ela não consegue parar de pensar...

 

Não sei como agir, falo  pra ela tentar distrair a cebecinha que esses pensamentos vão embora, mas ela fala que não consegue e não sei como ajudá-la, mas estou sentindo que essas coisas e esses pensamentos a estão deixando depressiva.

Por favor, me oriente. Obrigada

 

Cara Ana,

Ter curiosidade sexual nessa idade é normal. Fale com ela naturalmente respondendo as perguntas sem dizer que é feio, mas diga que são questões normais que surgem com a curiosidade sobre sexo e que pode sempre falar consigo quando tiver alguma dúvida. O que ela precisa é satisfazer essa curiosidade sem sentir-se culpada. 

 As respostas devem ser simples e claras, não havendo necessidade de responder além do que lhe for perguntado. Dar respostas insuficientes faz com que a criança pergunte mais e mais . Dar respostas extensas demais não é indicado, é preciso buscar respostas de acordo com o que a criança for solicitando.

Poderia comprar um livro para a ajudar a falar de sexo com ela.

 

Tudo de bom

Mãe e filha

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Preciso de ajuda!!

No dia 29/05/93, dei a luz uma menina chamada M., num momento terrível da minha vida. Estava vendo o meu casamento, a minha estrutura, se desmoronar. O meu ex-marido estava com um relacionamento paralelo que se iniciou logo após a notícia da gravidez. Fato que me fez sentir um grande arrependimento de ter engravidado nessa época. Cheguei a rejeitá-la, a esmurrar minha barriga, a chorar copiosamente quamdo a vi no berço pela primeira vez.

 

O tempo passou e esse sentimento de mim para ela foi mudando, ou seja, passei a aceitar a maternidade e a criá-la com amor e proteção. Porém percebia que ao  crescer, mais ou menos a partir dos seus 12 anos, ela aparentava gostar mais do pai, da avó, da madrinha do que de mim. Sentia uma mistura de coisas e sentimentos que me deixavam e me deixam até hoje muito triste: culpa, dor, sensação de que gerei uma inimiga, frustração, etc. O fato é que, sinto como se ela hoje, aos 21 anos, não goste de mim. E quando sinto ou passo por alguma decepção com ela, falo coisas terríveis, como por exemplo: você foi a pior coisa que me aconteceu, me arrependo de não ter feito outras coisas em minha vida por sua causa, chamo-a de ingrata, coloco-a para fora de casa, sinto raiva e muita dor dentro de mim nesses momentos. Depois que passa, sinto-me muito mal...

 

O pai dela não dá a mínima para ela, só faz as coisas em troca de algo, enfim, ao contrário de mim que cumpro com meus deveres e estou sempre presente. Na realidade me sinto injustiçada, pois tenho o carinho e o afeto de todos que me rodeiam em todos os lugares que passo, menos o dela. Hoje estou casada com outra pessoa, ela continua morando comigo, porém, a minha sensação é que não possuo família e me sinto bastante injustiçada e com um vazio e dor muito grande.

O que faço??? Me ajude com algumas palavras, por favor.

Sou um ser sedento por ajuda.

MF

 

Cara MF,

Essa sua situação têm uma origem, não surgiu do nada. A gravidez e o nascimento da sua filha aconteceram juntamente com uma grande frustração pelos seus problemas vividos no casamento, com infidelidade e fim da relação.

 

Quando a mãe se sente insatisfeita com a criança, algumas marcas ficam registradas na psique da pequena, podendo até resultar em dificuldade de aceitação e distorções profundas de autoimagem. Situações de mal-estar entre mãe e filha podem acontecer. Mas, é preciso ter cuidado. Quando uma não compreende a maneira de ser da outra pode se instalar um processo de estranhamento mútuo.

 

Entendo que se sinta frustrada por sentir que ela também ama o pai, a avó e a madrinha, sendo que cuidou dela sozinha, mas ela não merece esses seus ataques de raiva, que são muito prejudiciais e destrutivos para a vossa relação. A filha mulher costuma ter uma relação mais estreita com o pai e os filhos geralmente gostam da mãe e do pai, mesmo quando ele está pouco presente e o pai é e sempre será o pai.

 

Penso que ainda está muito presente esse seu trauma do passado e seria importante se pudesse ultrapassar e seguir em frente na sua posição de mãe e mulher e investir no presente em  relaçõesboas e saudáveis, especialmente com a sua filha e preferencialmente pautadas por respeito mútuo, compreensão e amizade, aceitando-se como são, mãe e filha, perfeitamente imperfeitas. É imprescindível parar de culpar a sua filha pelo seu passado, ela não tem nenhuma culpa. Entenda que a frustração é sua!

 

É claro, que como esse processo está longe de ser fácil e por isso é sempre possível contar com a ajuda de uma terapia. A análise pode ajudar na elaboração desse seu passado e isso é extremamente libertador, para que possa deixar surgir todo o seu amor de mãe e mulher.

Um abraço

Mariagrazia

 

Sogros dominadores

 

Oi Mariagrazia,

 

Estou vivendo junto com um rapaz e tenho uma filha de um ano e quatro meses. Estou certa de que quero separar-me, mas estou sem coragem de dizer a ele. Nós moramos juntos, não casamos e me sinto sozinha e abandonada por ele.

 

Estou com medo de me separar, na realidade chega ao pânico, não por causa dele, pois por mim está bem claro que ele não gosta de mim. Não me levou na primeira consulta do pediatra com minha filha, não levou-me tirar os pontos, precisei ir sozinha, nunca pagou uma fralda, uma pomada, uma roupa, uma lata de leite para a menina. Mas tenho pânico que minha filha fique sozinha com os meus sogros, caso nos horários de visitas ele a leve lá.

São pessoas muito dominadoras. Acho que meu relacionamento começou a acabar por causa deles. Quando minha filha nasceu foi quase impossível amamentá-la, pois apesar de morar em outra residência, todo dia eles iam lá. Tiravam a criança do meu seio e ficavam dizendo que ela estava gorda, a menina só fazia chorar. Não sei se foi o estado puerperal, mas não conseguia reagir. Até que aos vinte dias de nascida, levei minha filha ao pediatra. Lá fui informada que ela não tinha engordado, pelo contrário, havia sim emagrecido e que isso era um perigo.

 

Pedi para não virem mais e levei minha sogra para conversar com o médico, tudo em vão. Cada dia eles chegavam mais cedo. Até que minha mãe teve a ideia de eu levá-los nos parentes por parte deles. Quando chegamos lá expliquei tudo para as duas mães das duas crianças com eles do lado. Que a menina não tinha engordado, os dois já estavam usando P de fralda, enquanto a minha estava no RN. E quando vi as crianças percebi o quanto minha filha estava desfasada. As duas falaram para meus sogros deixarem a criança mamar a vontade e me deixarem em paz.

 

O incrível é que bem cedo, no dia seguinte minha sogra chamou o meu marido até lá e falou que minha filha tinha que ser magra, porque magra é que é bom. Tinha comprado uma lata de leite para complemento que o médico pediu para dar a cada mamada, quando ele chegou da casa da mãe todo alvoroçado e queria jogar fora a lata. Por que a criança ia ficar obesa. Ali tive a certeza em meu coração que minha sogra e sogro queriam a qualquer custo que a menina morresse. Comecei a sair cedo de casa, e eles não me encontravam mais. Coloquei a criança em uma escolinha e só vou lá no final de semana. Mesmo assim, sinto ameaças veladas, ela finge que vai derrubar a criança e no dia em que resolvi não me abalar com isso, ela derrubou a menina de cabeça, coisa que já fez com outras crianças, entre outras coisas. Por sorte não aconteceu nada. Na família dele a mãe e o sobrinho fazem tratamento psiquiátrico, e sinceramente sinto que ela pode vir sim a machucar minha filha.

 

Sinto-me culpada por ter ido morar com meu companheiro, pois vejo que não tenho necessidade alguma dele cuidar da minha filha, já que é um alcoólatra. O que mais sinto é que ao ir morar junto, coloco minha filha em risco, pois sei que ele vai pegar a menina e deixar com os pais, pois o vício dele é mais forte. Estou sentindo-me realmente muito culpada e uma idiota. Sinto que tenho que resolver este impasse, mas não consigo.

 

Gostaria de sua opinião.

 

Olá R.,

 

Será que não é um exagero tudo isso que pensa dos seus sogros? Porque haveriam de querer mal a um bebé?

De qualquer maneira precisa pedir a eles que não se intrometam nos cuidados da criação da sua filha.

Se quiser separar-se, vai ter que exigir que ele visite a bebé na sua casa ou na presença de alguém da sua confiança, pelo menos enquanto ela é pequena e indefesa, mas essas coisas todas, se ele não concordar, tem que ser decididas pelo tribunal.

 

E já pensou em ir morar com os seus pais, para que a ajudem a cuidar da menina?

 

Entretanto pode ser que esteja um pouco esgotada e sinta tudo que acontece com mais força. O cuidado do bebé coloca à prova todas mães. A pequena é sem dúvida a sua prioridade principal e, dessa forma, é simples que acabe por absorver toda a sua energia emocional e física. E sentindo-se mais stressada, mais facilmente pode sentir pânico e preocupação e por vezes até mais exacerbada.

 

Procure ajuda de sua mãe e procure perceber se tudo que sente é verdadeiro ou se é um sentimento exagerado por excessiva preocupação e cansaço!

O melhor seria se pudesse ter um acompanhamento de uma psicóloga para a orientar nesse momento de crise e impasse.

 

Um grande abraço

 

 

Culpa e arrependimento

Bom dia, o meu nome é Sofia e tenho 17 anos. Sei que estou na flor da adolescência e que se passam muitas coisas à minha volta.

 

Recentemente, e não é a primeira vez, sinto-me fisicamente mal e com o meu estômago à volta, devido à culpa que sinto por algo. Talvez seja normal mas não sei o que fazer, pois sinto-me muito mal disposta e com vontade de chorar. É como se a culpa, mesmo não sendo nada demais, tomasse conta do meu corpo. E, consequentemente tenho vontade de ir dormir e nunca mais acordar.

Eu faço as coisas e quando me arrependo, isto acontece. O que devo fazer doutora?

 

Cara Sofia,

 

Numa perspectiva evolutiva, o sentimento de culpa e remorso têm funções adaptativas e um grande valor de sobrevivência na maioria das situações. No entanto para algumas pessoas e devido a uma avaliação inadequada e exacerbada das situações, a culpa e remorso tornam-se num terrível problema que assombra a vida e suga a energia e bem-estar.

 

O movimento do homem, em compreender as suas transgressões internas e/ou externas, pode propiciar uma maior compreensão de seu funcionamento psíquico e promover a busca de novos caminhos para o aperfeiçoamento de suas virtudes.

 

SINTONIZE-SE, ACEITE E APRENDA  COM O SENTIMENTO DE CULPA, como uma experiência importante de crescimento na sua vida.

 

Um abraço

Autoflagelação

 

 

Gostaria que alguém me respondesse, anteontem um colega de escola meu, que é assumidamente evangélico, conversou comigo.

Falei para ele sobre a prática do autoflagelo, e ele disse-me que isto é algo do mal! De fato ele está certo, mas o meu problema, envolve uma coisa grotesca e nojenta, chamada sexo "Sexo"! Deus! Maldita foi a hora em que eu, saí do Underground! Deveria ter permanecido no "Útero". Ma enfim, agora eu estou com vontade. Não posso mais praticar o autoflagelo, pois sinto que isto pela primeira vez está fazendo-me mal, de verdade.

 

Semana passada, durante o meu costumeiro ritual de dor, eu exagerei um pouco na dose, tanto é, que durante a noite eu senti que minha respiração estava difícil, pois eu costumava golpear o meu próprio tórax, acho que se eu tivesse continuado, teria quebrado ou afundado uma de minhas costelas.

 

Não cheguei de fato, a praticar tal ato repulsivo, graças a Deus! Mas depois que eu, dei meu primeiro beijo, foi como se aquilo tivesse despertado em mim, o velho instinto do "Adão Caído", neste mesmo dia, a ideia do suicídio me veio à mente. Tive que ser forte para não fazer coisa pior comigo próprio, por isso mesmo, gostaria de sair de minha própria cidade, mas infelizmente não tenho para a onde ir, então só me resta continuar lutando contra essa praga dos infernos! Maldita seja essa natureza de Adão! Por favor, ajude-me!

 

Um abraço.

 

 

Caro leitor,

 

A Autoflagelação é o ato de causar flagelo (dor) a si mesmo, de se castigar fisicamente. Essa atitude geralmente é motivada pelo sentimento de culpa ou insatisfação, que leve a acreditar na necessidade de punição, por consequência de remorso ou então como uma forma de aliviar alguma dor, geralmente causada por depressão, stress ou síndrome do humor bipolar.

A autoflagelação é um problema conhecido pela psiquiatria, atinge principalmente adolescentes e jovens adultos, mas tem tratamento e apresenta bons resultados.

 

Procure ajuda de uma terapia, o quanto antes, para que os seus sintomas não se agudizem e para que possa voltar a se sentir saudável e sem esses pensamentos e comportamentos doentios.

Perdoe-se e goste de si. Proporcione-se uma mudança, uma mudança para uma vida plena e com realizações construtivas.  

Invista em si sempre!

 

 

Violência e agressividade doméstica

 

Boa noite

 

Escrevi para aqui na esperança que me pudesse ajudar a pelo menos entender o porque e o que posso fazer para melhorar.

 

Sou portador de XXX, tenho 22 anos e sempre fui muito mal tratado pelo meu pai também se fartava de espancar minha mãe.

 

Eu desde sempre que vi minha mãe ser agredida pelo meu pai constantemente e diariamente e apenas era dia de paz quando ele não estava em casa e passava dias fora, o pior mesmo era quando ele se embebedava...

 

Após 16 anos de os meus pais estarem juntos, a minha mãe não aguentando mais tais agressões e maus tratos, fugiu de casa abandonando-me a mim e a minha irmã.

 

Ficamos os dois entregues ao monstro do meu pai. 

 

A minha irmã foi para uma instituição porque o meu  pai começou a agredi-la também e a todas as "namoradas" que cruzaram seu caminho.

 

Eu fui posto fora de casa com 20 anos o meu pai apontou-me uma arma a cabeça e mandou-me embora.

 

Eu sempre fui um rapaz atinado e ajuizado fazia as minhas "brincadeiras" e saídas como toda agente normal.

 

Agora com 22 anos tenho um relacionamento com uma mulher mais velha, e já dura a 1 ano e meio.

 

O grande problema agora e que eu já a agredi algumas vezes e depois sinto-me mal por isso fico com remorsos e até nojo de mim próprio.

 

Isto acontece sempre que ela me levanta a voz ou e um pouco mais brusca comigo.

 

Eu não quero ser igual ao meu pai e quero mudar mas quando acontece eu não consigo tomar conta de mim e algo que não controlo.

 

Eu amo-a muito e agressão não tem perdão e eu não a quero perder, por favor ajude-me a tratar-me. 

 

 

 

 

Caro leitor,

 

Esses ataques de agressividade que sofre estão relacionados com a sua experiência do passado. Embora as experiências do passado tenham sido traumáticas, presenciou e sofreu muitas cenas de violência doméstica que registaram no seu subconsciente como ser uma maneira de agir.

 

O melhor para si é fazer uma psicoterapia, para poder entender quais são seus bloqueios que o impedem de ter um relacionamento saudável e uma vida normal sem violência. Precisa mudar o seu comportamento e controlar sua impulsividade e para tal necessita de uma ajuda psicológica válida para reorganizar a sua mente e investir num projecto de vida saudável. O tratamento psicológico é essencial para a sua própria eficácia de protecção e criação de mecanismos que permitam quebrar o ciclo de violência e encontrar novas atitudes para gerir a sua vida.

 

Entretanto confie si próprio, procure sempre se controlar antes de agir, nessas situações pare e faça alguma outra coisa como sair da sala, ir fazer uma caminhada, faça uma acção inofensiva, entretanto inscreva-se num curso de artes marciais para soltar a energia, etc.

 

Conscientize-se que é possível demonstrar insatisfações sem ser violento!

O ser portador de XXX, em princípio, não é uma predisposição para a agressividade.

 

O ter consciência do seu problema já é um passo para o caminho do tratamento, agora é ter motivação, segurança e certeza de si!

 

Um abraço

Mariagrazia

 

Violência Doméstica

Tenho 22 anos e estou há 5 anos numa relação com um rapaz de 26. É uma relação difícil, na qual nunca houve confiança da minha parte, visto ele ter cometido alguns erros que me foram deitando abaixo, mas que sempre fui perdoando, mas nunca esquecendo...Sinto que desde há uns 3 anos para cá deixei de ser a pessoa que era. Sou fria, descontrolada, desconfiada e sobretudo bastante má.

 

Quando muitas das vezes discutimos, muitas vezes por nada de especial, eu levo a situação mais além e acabo por agredi-lo das formas piores que existem (com garfos, mordidelas, lápis,...), não só fisicamente, mas também psicologicamente. Durante o confronto físico ele agarra-me os braços para que eu não leve a situação avante, mas nunca me agrediu. Após a discussão, de cabeça fria, arrependo-me de tudo, e arrependo-me sobretudo porque estou a arruinar um ser humano, e não tenho esse direito, estou a aproveitar-me da sua fragilidade para mostrar superioridade e ele está cada vez mais arruinado, e eu não sei o que fazer. Ele bebe álcool para esquecer, mente-me para eu não lhe bater e eu acabo por me sentir culpada de tudo o que está a acontecer, pela pessoa que ele está a ser...

 

Mas foram os erros que ele cometeu no passado que me puseram assim, a "disparar" ao primeiro erro dele. Preciso imenso de ajuda, pois já perdi o controlo da situação, estou aflita, sobretudo por ele, não por mim.

 

 

Culpa e dramatizações

 

 

Olá, Dra. Mariagrazia:
 
Espero encontrá-la bem.
 
Doutora gostaria de saber se possível porque dramatizamos situações simples?
 
Gostaria de saber porque nos culpamos tanto, nos censuramos tanto?
 
Muito obrigada pela atenção!
 
Atenciosamente,
A.