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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Suicídio (Baleia-Azul)

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O jogo "Baleia Azul" terá surgido na Rússia. Hoje em dia, está disseminado por vários países, entre eles França, Inglaterra, Roménia, Espanha, Portugal e também Brasil. O jogo funciona à base de pressão emocional. É composto por cinquenta desafios “absurdos” diários que devem ser completados no final de 50 dias e inclui mutilação de partes do corpo, filmes de terror e atividades praticadas durante a madrugada. Uma das premissas do jogo é que se deve jogar até ao fim, sem desistências e sem contar a ninguém. Este jogo acaba por ser, na realidade, um incentivo ao suicídio, já que além de envolver automutilação, o último desafio é uma provocação mortal: “Tira a tua própria vida”. O propósito final do jogo é levar os jogadores a cometerem suicídio.

 

Os mentores são as pessoas responsáveis por introduzirem os jogadores, a maior parte jovens, nos desafios “Baleia Azul”. Enviam mensagens diariamente com o desafio do dia e asseguram-se, pedindo fotografias ou vídeos como prova, de que os desafios sejam cumpridos. Os mentores dizem ter em sua posse todas as informações do jogador, como o local de residência e quem são os seus familiares, informações que são usadas como ameaça no caso de o jogador querer desistir.

Os mentores, aliciam, acompanham, coagem e ameaçam os jogadores até ao desafio final e conseguem, assim, entrar na mente dessas pessoas a ponto de elas fazerem o que eles mandam e perderem a noção de perigo

 

O nível emocional da quem se deixa envolver é de alguém que se encontra fragilizada, que está em grande sofrimento psicológico ou com alguma ideia de suicídio já em mente. É um jovem vulnerável, com um nível emocional debilitado, tem um comportamento depressivo, com baixa autoestima, dificuldade de relacionamento, passando por um momento de crise, sofrendo com angústias e inquietações. A automutilação é uma forma de expressar todo esse sofrimento, substituindo uma dor psíquica indefinida por uma dor física localizada.

 

Os jovens devem ter o cuidado quanto aos riscos de adicionar desconhecidos nas redes sociais e não participar de jogos desconhecidos.

 

Os sinais que indicam que a pessoa possa estar a participar a esse tipo de jogo são:

  1. mutilações na palma da mão
  2. assistir filmes de terror ou psicadélicos com frequência
  3. mutilações nos braços , cortes grandes com desenho de baleia ou de qualquer outro animal
  4. desenhos de baleia
  5. post em redes sociais com dizeres“#i_am_whale” (eu sou baleia)
  6. sair de casa em horários estranhos
  7. cortes nos lábios
  8. furos nas mãos com agulhas
  9. arranjar brigas
  10. evitar conversar durante muitas horas

 

Há ainda outros sinais de risco exteriores como a sensação de desesperança, ansiedade intensa, autodesprezo, apatia, tristeza intensa, comportamento impulsivo e mudanças rápidas de humor.

 

As pessoas não devem entrar no jogo, por ser um jogo misterioso e perigoso, que vai num crescendo, espalha o medo entre os jovens e pode conduzir ao suicídio adolescentes que se encontrem vulneráveis.

 

É preciso precaução, pais e professores, devem escutar os jovens e permitir que eles se abram. O espaço familiar acolhedor dá segurança ao adolescente, fortalece a sua autoestima e faz com que se sinta acolhido em seu sofrimento. É preciso passar a mensagem: "conte comigo sempre”.

É preciso desenvolver empatia e compaixão pelos adolescentes e tentar nos aproximarmos deles com intimidade, sem invadir sua privacidade, para dialogar sem moralismos, ouvir com atenção e interesse o que dizem abertamente e aprender a ler o que dizem nas entrelinhas

 

O ideal é que o jovem possa conversar com um adulto: pais ou professores, para que possa ser orientado e ajudado a sair desse esquema. Os jovens e adolescentes querem e precisam a presença do adulto verdadeiramente interessado na vida deles que o escute. É preciso incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.

 

É importante estar alerta e, se for o caso, denunciar pelo facebook dizendo que é um conteúdo violento e prejudicial, através do whatssap quando o curador entra em contato, ou diretamente na polícia.

 

É preciso também:

  1. Reforçar a supervisão e monitorização da atividade das crianças e jovens na internet e redes sociais.
  2. Alertar as crianças sobre os riscos de adicionar desconhecidos e recomendar que apenas a família, amigos e pessoas da escola façam parte da sua lista de amizades nas redes sociais.
  3. Incentivar o diálogo e o debate no seio da família sobre os assuntos relacionados com a segurança, perigos e privacidade na internet.
  4. Caso haja alguma suspeita, os pais devem dirigir-se à esquadra mais próxima.

 

Sabemos que o índice de suicídio vem crescendo no mundo todo, em todas as faixas etárias, em especial entre os jovens e adolescentes. O Brasil e Portugal seguem essa tendência global, e o tema costuma ser tratado como tabu, ou melhor, não costuma ser tratado. A polémica em torno da "Baleia Azul", portanto, provocou pelo menos uma consequência produtiva. Falar sobre o suicídio, um assunto tão inquietante e espinhoso, é bem melhor do que silenciar.

Jogo no computador

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Meu filho de 17 anos, trabalha e não quer mais estudar, sendo que o trabalho dele depende do estudo pois ele é menor aprendiz, tudo por causa de jogo no computador, tento colocar limites mas não consigo, ele não obedece. O que fazer? Ele a cada dia sai de uma coisa, saiu do curso de inglês, agora da escola, e não importa se perder o emprego, tenho medo de influências de (amigos) no jogo. Me ajuda por favor.

 

Cara Leitora,

 

Os pais ou responsáveis por adolescentes relatam com frequência a influência do uso excessivo da Internet em seus filhos, bem como os déficits de comportamentos manifestados em suas rotinas, refletindo-se nas áreas familiar, académica/profissional, social e na saúde física. Acrescentam-se dificuldades pela labilidade de humor, comportamento depressivo e reações emocionais impulsivas quando são restringidos no uso da internet.

Na tentativa de oferecer ajuda, os pais geralmente adotam recursos aversivos, visando a cessação imediata do comportamento abusivo. O adolescente, em contato com atividades e emoções prazerosas advindas da Internet e frente ao controle dos pais, foge e/ou esquiva-se, criando paulatinamente um ciclo desadaptativo de convivência familiar.

 É preciso também haver disciplina em casa com horários fixos para o computador, bem como maior convivência familiar. Procure estimular seu filho a participar das refeições familiares e mostre interesse por suas atividades (incluindo os jogos). Também é importante proporcionar atividades em família ou com amigos que sejam prazenteiras para ele, bem como inseri-lo em programa de actividades físicas e em contextos sociais onde ele possa sentir-se bem.

Caso a situação se mantenha é fundamental encaminhar seu filho para um psicólogo para uma avaliação e tratamento.

 

 

 

Vício em jogos

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Faz tempo, viciei-me em um jogo online chamado League of Legends, tornei-me uma pessoa antipática, que não ligava mais para a família, não queria sair de casa e as minhas notas na escola caíram.

Já se passaram quase 2 anos, mas sempre gostei muito de jogos, sejam eles de computador ou de videogame. E o LoL (League of Legends), apesar de ter-me deixado em um estado ruim, era meu preferido.

 

Tomando essas atitudes erradas, fui proibido de jogar. Não jogarei escondido e nem tenho coragem de desobedecer meus pais mais uma vez, mas sinto muita falta do jogo. Já conversei com meus pais sobre isso, mas eles não concordam que eu jogue mais uma vez.

Eu acredito estar mais maduro hoje, aceitaria jogar com tempo controlado, mas sou só um adolescente, é difícil que acreditem em mim, e preciso ser sincero, eu não sei se vou conseguir-me controlar sem experimentar.

 

Vários amigos meus frequentemente conversam sobre o jogo. Contam as novidades, riem... E eu fico de fora. E isso me entristece.

 

Você acha que eu mereço uma segunda chance? Ou você acha que quando desejamos muito algo devemos nos esforçar para esquecer tal coisa?

Atenciosamente;

X.

 

Caro X.,

 

Os jogadores online sofrem, essencialmente, de distúrbios de ansiedade e stress, com efeitos muito graves ao nível do abandono escolar, de insucesso, de instabilidade emocional e de conflitos familiares.

A maioria dos casos patológicos correspondem a estudantes universitários com idades entre os 17 e os 22 anos, mas o problema começa bem mais cedo, entre os 12 e os 13 anos. São jovens focados, em 20% dos casos, em jogos como os vídeos jogos, os ‘call of duty’ e ‘league of legends’, jogos que envolvem muito tempo.

 

Quando a pessoa deixa de ter padrões relacionais, quando o jogo prejudica o seu trabalho, o seu sono e até a sua alimentação, isso já é motivo de preocupação.

Se esse não é o teu caso. Certamente tu mereces uma segunda oportunidade, mas talvez ainda seja cedo para teres a garantia que não vais entrar outra vez no vício, pois muitas vezes é só uma questão de começar.

É preciso haver uma reeducação, nomeadamente através de "intervenção psicoterapêutica", para poder tratar o que está por trás do vício do jogo, que, provavelmente, surge como uma espécie de tranquilizante de alguma patologia ou frustração.

 

É preciso muito cuidado com exageros, jogar com responsabilidade. Fala com teus pais e coloca-te um limite no tempo de jogo e cumpra-o sistematicamente. E ao mesmo tempo procura ampliar o teu leque de interesses, focalizando nos estudos, desporto e aprimoramento pessoal.

Fica bem

Computador bloqueado

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Boa noite 

Eu sou o Gui e tenho 17 anos e entrei este ano para a faculdade.

O meu pai nunca teve muita confiança em mim uma vez que nos meus anos escolares anteriores à faculdade era bastante irresponsável imaturo.

O que aconteceu foi o seguinte: o meu pai comprou-me um computador novo porque o meu computador atual está bastante estragado e com vírus, mas continua funcional.

Ao me comprar um computador novo bloqueou o acesso às redes sociais e aos jogos. Eu estou num curso onde muitos dos meus colegas jogam jogos e como tenho muito tempo livre, jogo sempre à noite depois de estudar e de jantar um jogo online com os meus amigos. O meu pai sempre que me vê a jogar fica todo exaltado e diz "isso não é vida".

Resumindo, eu tou a dar imensas provas de responsabilidade ao meu pai como o facto de estar sempre a estudar e passar tardes na biblioteca a estudar e boas notas e mesmo assim ele continua a não ter confiança em mim porque diz que é para o meu bem eu deixar de jogar jogos.

Eu acho que é normal quando se tem um tempo livre jogar uns jogos de computador e o meu pai está a me privar disso. 

Desculpe não me conseguir expressar da melhor maneira mas eu estou bastante nervoso e com vontade de fugir de casa.

Obrigado

 

Caro Gui,

Fugir de casa não vai resolver o teu problema, pelo contrário só vai agravar o relacionamento familiar e a tua vida.

Não se trata de não confiar em ti, mas o teu pai quer evitar que te tornes dependente do mundo digital e principalmente de jogos on-line. Jogar on-line pode ser normal dependendo das condições e desde que o tempo de jogo seja limitado. Se para ti é muito importante, fale com teu pai assim como falou comigo e demonstra-lhe que pode confiar em ti. Faz uma negociação com ele e define um tempo para jogar e ao mesmo tempo preenche o teu tempo livre com leituras, atividade física, desporto, de modo equilibrar o tempo despendido na vida virtual e real.

Lembra-te que jogar pode ser uma evasão e um alheamento. É preciso ganhares o gosto por atividades alternativas.

Um abraço e parabéns pelo estudo!

Constituir uma família

 

 

Olá Doutora!

 

Bem, tenho uma relação séria e estável (ao menos para mim) há quase dois anos, e venho percebendo mudanças no meu namorado, que está afetando drasticamente a relação, meu modo de enxergar a relação, e o que penso sobre ele.

 

Tudo começou a mudar quando o pai dele morreu a um ano. Ele sempre foi muito romântico, dedicado, atencioso, delicado comigo. Já algum tempo que ele mudou muito, se tornou mais frio, grosseiro, insensível. Ele diz que se fechou mais depois da morte do pai, mas acho que é só uma desculpa para se fazer de vítima.

 

Há outra questão que me desestimula e me faz querer desistir de tudo. Nós dois temos um passado parecido, tivemos casamentos desastrosos, e cada um tem um filho desse casamento, mas nós amadurecemos muito com o tempo, e me sinto pronta para construir outra vez uma família e ele recua, diz que não quer nesse momento e não me da esperanças de que um dia vamos viver juntos, e estou no momento da vida que preciso de alguém do meu lado, dividindo tudo e não de um namorico. Nos damos melhor quando estamos em convivência diária, do que cada qual em sua casa. Há outra questão que afeta muito também, não só a mim, como a família e o filho dele.

 

Ele é viciado por um jogo on line e dedica muito tempo a isso, prejudicando ele em muitos aspectos,  principalmente na relação familiar. Ele brigou muito feio com um dos irmãos e esses é uma dos motivos. Sinto que ele está perdido na própria vida e eu não sei mais o q fazer pra ajudar.

 

Por favor, me de uma luz, do que eu posso fazer, estou a um fio de desistir de tudo, mas amo muito ele.