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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Problemas com a mãe

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Olá, mu nome é B., tenho 20 anos e sou estudante de direito. Tenho um problema com a minha mãe que existe desde que me entendo por gente: ela sempre tenta diminuir-me.

Desde criança eu não tenho um gosto próprio, tudo o que eu vestia, usava e assistia era escolhido pela minha mãe. Quando eu tentava escolher uma peça de roupa, por exemplo, minha mãe sempre dizia o quanto aquilo era horrível e eu acabava desistindo da compra. Tudo, absolutamente tudo, o que eu gostava tinha o dedo dela, até mesmo com relação aos desenhos animados. Aprendi que o certo era escolher o que ela queria, minha opinião era simplesmente terrível, vergonhosa.

 

Por conta disso, eu me tornei uma menina tímida e isso só aprofundou as críticas. Agora, o passatempo preferido de minha mãe era dizer o quanto eu era esquisita, sempre dizia que eu parecia uma doente. Dizia que eu era burra e preguiçosa. Com 10 anos fiz um concurso para conseguir uma vaga no melhor colégio do Rio de Janeiro e ela disse mais de uma vez que eu não passaria. E quando passei ela não deu parabéns.

 

No entanto, as pessoas sabiam da minha insegurança e timidez e se aproveitavam. Sofri muito bullying no colégio e fui vítima de pessoas falsas, que só se aproximavam para ficar na minha aba nos trabalhos escolares ou pedir dinheiro. Eu era a esquisita, a estranha da sala como a minha mãe falava. Tentava de tudo para parecer normal, até mesmo nos meus gestos eu me policiava. Vivia sendo xingada por pessoas que eu chamava de amigas, e quando alguém era grosseiro comigo eu abaixava a cabeça e pensava o quanto eu era estúpida e que eu devia ficar calada. Em casa, a situação continuava a mesma: se eu colocasse uma música para tocar, minha mãe logo aparecia dizendo o quanto a música era horrível e eu desligava o som, me sentindo uma idiota.

 

Com 15 anos, eu já me havia cansado disso. Comecei a comprar coisas escondidas da minha mãe. Ia de ônibus para a escola então às vezes eu parava no centro comercial e comprava um pequeno presente para mim (escondido da minha mãe, lógico, pois é algo que ela iria detestar). Comecei a gozar da minha independência e me sentir melhor quando estava sozinha. No entanto, ainda assistia filmes à escondida, escutava música escondida... Tudo como se eu estivesse cometendo um crime.

 

Minha mãe continuava a mesma. A era do vestibular chegou. Eu saí de casa seis horas da manhã e voltava às 23h. Dormia três horas por noite porque os estudos não deixavam eu ter uma vida saudável. Em meio a isso, lembro da minha mãe dizer que estava torcendo para que eu não passasse. Isso só me deu mais força para continuar e passei. Só não contava com a hipocrisia da minha mãe, que esfregava na cara de todo mundo que a sua filha conseguiu uma vaga numa faculdade pública.

 

O melhor de tudo é que quando eu saí do ensino médio eu deixei para trás todo o bullying que sofria, passei a interagir com mais gente e creio que finalmente me sinto à vontade para expressar minha vontade. Mas a minha mãe não muda. Hoje sou a mal educada da casa, aquela que dá patadas quando ela fala uma besteira. Vivemos brigando por conta disso e, por isso, sinto que perdi a confiança nela.

 

Não conto mais nada sobre o que passa na minha vida à ela, mesmo morando na mesma casa que ela. Não gosto de ver filmes ou sair com ela, não comento sobre nada que não seja um gosto em comum. Eu não queria que fosse assim, só que ela parece com esse tipo de atitude. Hoje mesmo eu comentei com o meu pai que quando eu tirar a carteira da OAB eu o representaria nos processos que ele passasse, aí ela se meteu no meio da conversa e disse: "ah, mas o problema é que você nunca abre a boca, não vai ser uma boa advogada". Eu, furiosa, perguntei porque ela dizia esse tipo de coisa e ela, sem graça, remendou: "ah você é inteligente, mas não abre a boca..." Mandei ela controlar a língua e repensar as suas atitudes e ela se retirou constrangida para o quarto. Ela não muda não importa o quanto eu fale.

O que eu posso fazer?

 

Cara B.,

Precisa se libertar dessa sua mãe muito opressiva e adquirir a sua independência.

 

Aqui tem 3 MEDIDAS DE EMERGÊNCIA

Sugeridas pela terapeuta familiar Karyl McBride, no livro ‘Will I ever be good enough’.

 

1 Relação ‘light’

Muitas filhas tentam a terapia, mas muitas mães difíceis são narcisistas: não são capazes de comunicar intimamente com os outros e também não conseguem conectar-se com a sua vida interior, e portanto muitas vezes não colaboram com a terapia. Remédio: admitir que nunca serão próximas e ter uma relação mais leve, mais distante, sem tentar uma intimidade que ela nunca dará.

 

2 Separação temporária

Tire uma ‘folga’ da sua mãe para se recompor. Diga-lhe que está a tratar de assuntos urgentes e que lhe telefona se houver uma emergência.

 

3 Separação total

Se tentou tudo e mesmo assim aquela relação compromete inequivocamente o seu

bem-estar, esta pode ser a única opção. Mas é raro haver quem a tome, até porque é uma opção socialmente muito malvista e condenada.

 

Um abraço

Mãe intolerante

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 O meu nome é M. tenho 27 anos e nunca sai de casa pra me divertir ou fazer coisas normal por que minha mãe sempre me impediu, nunca namorei porque ela nunca deixou eu sair... Quando eu trabalhava meu dinheiro ela controlava e eu não podia gastar, tinha que gastar tudo pra dentro de casa... Tô quase cometendo suicídio não aguento mais isso...

Não posso conhecer pessoas ou falar minha opinião q ela quer me bater   está doendo muito essa situação não aguento mais.... Faz 3 anos q amo um rapaz q mora em outra cidade, ele queria vir conhecer-me e ela disse q ele não entra na casa dela e q eu nunca vou sair daqui pra outra cidade... Que eu não sei o q é amor ainda.... Quando eu falo o q quero da minha vida e digo q quero ter uma família ela começa a passar mal e minhas irmãs que já são casadas me culpam pois minha mãe faz tortura psicológica, da a desculpa q tem problema de coração e q não pode passar raiva...

Eu me sinto mal pois quando arrumo um serviço num horário q ela não quer ela me faz desistir... Não me dá dinheiro pra por no bilhete e nem me ajuda ela me atrapalha a arrumar serviço e se ela não gostar da pessoa ela me impede de fazer amizade.... Me ajuda por favor não sei mais o q fazer pois a pessoa q amo já está quase desistindo de mim de tantas desculpas que eu invento pra não passar vergonha por causa da minha mãe... Eu levei 5 anos pra ela permitir que eu colocasse um piercing no nariz....

Pra mim poder sair pra lugar longe tenho q levar meu padrasto senão ela não deixa... E por eu não ter lugar pra morar tenho medo dela não deixar eu entrar mais pois joga na minha cara q enquanto eu estiver na casa dela ela manda em mim por favor me ajude não quero mais viver não aguento mais tanto sofrimento.... Eu não bebo não fumo.. Não sou de gostar de festas só cuido da casa e faço comida porque ela mesmo não faz.... Sempre fui muito obediente e quieta talvez eu tenha uma parcela de culpa por ser tão frouxa mais não aguento mais quero morrer isso tá me destruindo porque faz 27 anos q não sei o q é felicidade..   Eu me tranco no meu quarto e ela fala q é frescura minha minhas irmãs só conseguiram casar porque fugiram mais eu não sou assim sempre quis o apoio da minha mãe mais ela não colabora, acha q sou propriedade dela... Nem meu pai pode se aproximar porque ela diz q sou propriedade dela e q ela manda em mim até quando eu tiver velha... Me ajude por favor, me aconselha, não aguento mais isso : (  e ela disse q só vou sair de casa quando eu casar mais não é minha vontade isso é ridículo porque é vontade dela e não minha.. Tenho 27 nãos e quero curtir a vida, namorar... Viver .

 

Cara M.,

É preciso estar ciente de que a independência não se dá, conquista-se. Independência não quer dizer, em termos de educação, “deixar fazer”. A sua liberdade não é dada pelos seus pais, ela é conquistada à medida que consegue ganhar maturidade (esforço, responsabilidade, vontade, etc.). Pensar em suicídio não resolve. Prove à sua mãe que é suficientemente madura para poder fazer o que quer.

 

O problema não é a sua mãe. A solução é enfrentar o conflito, o problema. Porque é que não tenta resolvê-lo falando sinceramente com a sua mãe? Afinal de contas, penso que a sua mãe não esteja a querer restringir a sua independência, mas ajudá-la. Talvez a ajuda não seja a ideal, mas isso é outra história. Porque é que não tentam encontrar uma solução conjunta? Fale com ela e faça valer as suas escolhas.

Ajuda a ex-detento

chagall9.jpgBoa Tarde Dr.ª, 

 

Encontrei seu blog através do Google e queria poder tirar uma dúvida contigo.

 

Tive uma relação de 8 anos com o Pai da minha filha, ele foi preso ficou 2 anos naquele lugar. Ele saiu ficamos bem e tudo mas acabamos nos separando por conta de uma garota que começou a encher o saco dele eu peguei uma ligação e não pensei outra fui embora faz 8 meses que nós separamos, até um tempo atrás mais ou menos 3 meses atrás eu ainda o via ficava com ele tinha relação mas ele não decidi o que quer da vida , então tomei a decisão de sermos apenas amigos e pais da Kau.... Nossa filha. 

O Pai dele foi embora de casa por causa de uma garota conheceu em um barzinho do bairro traiu a mãe dele e foi embora de casa 25 anos de casados. Eu não sei se tem algo haver mas ele é muito stressado muitooo ao extremo mesmo, as vezes eu tento conversar com ele mas ele não desabafa com ninguém já pedi pra um amigo dele tentar conversar com ele pra vê se ele se solta e nada, se quando ele vê nossa filha ela chora ele fica super nervoso fala que tem muita frescura.

 

Eu fico com dó e quero poder ajuda-lo apesar de não estarmos juntos queria tentar tirar isso dele, ele fica nervoso com tudo como a mãe dele diz as vezes só de olhar pra ele, já explode. O que será que está acontecendo com ele? Será que não existe um jeito de tentar conseguir arrancar algo de dentro dele o que ele sente o que passa na cabeça? 

 

Obrigado Doutora

 

Cara Leitora,

 

Não podemos arrancar nada da cabeça de ninguém. Ele deve estar sofrendo com stress pós traumático pelos anos que passou na cadeia e inseguro com as dificuldades ao tentar reconstruir a vida. A pena de prisão em si não contribui para a mudança dos presos. Livrar-se do estigma de ex-detento, pode durar décadas. A reinserção social ao estar em liberdade é um passo que pode ser muito difícil. Para ajudá-lo seja paciente e compreensiva e encaminhe-o para uma ajuda de uma psicóloga para que possa elaborar todo sofrimento interior e a partir daí retomar a sua vida, seu presente e futuro.

 

Esse novo ciclo resulta no resgate da identidade humana renovada, quando promovida com apoio de todas as esferas sociais (a família, a igreja, a escola, o trabalho, o grupo de amigos, as instituições públicas, a comunidade), que irão contribuir para o desenvolvimento da capacidade de superação do sujeito, permitindo a sua reinserção social na sociedade, como um ser amadurecido, que dá sentido às coisas, às pessoas e à vida, a partir de um novo olhar com liberdade e responsabilidade.

Tudo de bom