Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Sonhar que bate no pai

26.jpg

O meu nome é Cristina, tenho 50 anos e um filho de 19. Meu filho sempre sonha que está batendo muito no pai dele. Joga coisas, fere com faca, etc. Ele fica muito triste com estes sonhos.

O que isso significa? Como fazer para não ter mais esses sonhos? 

 

Cara Cristina,

O pai simboliza autoridade e proteção. O sonhar com o pai sugere necessidade de maior auto-confiança.

Sonhar que bate e fere o pai pode representar uma tentativa de chamar a atenção para a carência de afeto e necessidade de maior proximidade. Talvez sinta que é um pai ausente e precisa que ele lhe dê ouvidos.

Seu filho agride o pai em sonho como forma de chamar a sua atenção para receber carinho.

O que pode ajudar é procurar melhorar a relação entre ambos: estarem mais tempo juntos, trocarem ideias, falarem, conviverem, etc.

 

Tudo de bom

 

 

Abusada pelo pai

16.jpg

Boa noite doutora,

 

Pensei muito antes de escrever. Tenho 24 anos, fui abusada sexualmente pelo meu pai quando tinha 10 anos, não sei por quanto tempo mas imagino que um ano mais ou menos, com frequência, as vezes vinha na minha cama quando estava dormindo, ou quando estava em casa sozinha com ele.

Eu não dizia nunca de não, e gostava quando me tocava. Não contava pra ninguém porque pensava que se eu não dissesse ele seria sempre "bonzinho" comigo, não me bateria mais e daria coisas como doces e presentes.

Na verdade nada mudou, e uma vez que fiquei até mais tarde na casa de uma amiga, levei uma surra de cinta. Decidi que não queria mais, mas quando ele vinha eu não tinha coragem de dizer não!

 

Minha irmã descobriu, e escreveu uma carta a minha mãe contando o que acontecia! Minha mãe me chamou para conversar, chorei horrores, achei que ela ia bater-me, mas ela só estava em choque e queria saber a verdade, contei tudo.

 

Não me lembro se se passaram uma semana ou um dia, mas ela falou com ele e pediu para ele ir embora de casa, ele não aceitou, meu pai bebeu veneno e morreu no mesmo dia.

 

Desde então eu tenho uma relação com o sexo que não vejo natural. Perdi a virgindade com 15 anos, depois disso tive vários homens, não perguntava nem o nome! Aos 19 fui morar em outra cidade e lá depois de alguns meses comecei a prostituir-me. Fiz por um ano e meio mais ou menos! Não consigo manter uma relação duradoura, estou há oito meses com uma pessoa, e já sinto vontade de sair com outra, não quero trair, gosto muito dele, mas não é ativo sexualmente como eu sou! Penso sempre no que me aconteceu no passado e acho sempre que tudo acontece por esse motivo, o sexo a prostituição, a minha frieza... Espero que possa ajudar-me! Agradeço desde já!

Um Abraço Maria

 

Cara Maria,

 

O abuso sexual praticado em crianças e adolescentes provoca nessas pessoas, dores e traumas irreversíveis. Esses traumas desencadeiam uma profunda violação dos limites físicos e psicológicos, gerando consequências gravemente negativas para a vítima ao longo de seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, comportamental e social, e principalmente para os seus relacionamentos interpessoais futuros.

Percebe-se que com a vivência do abuso, a Maria perdeu a espontaneidade e naturalidade de sua sexualidade, deixando marcas profundas, o que em muitos casos pode levar até à perda do sentido da vida.

 

Para enfrentar essas consequências psíquicas e emocionais é preciso primeiramente conscientizar-se que a via da prostituição não é o caminho adequado para ultrapassar o seu passado de abuso, muito pelo contrário leva a uma agudização da sua inconstância sexual e frieza emocional, por não confiar nem nas pessoas e nem em si.

 

Procure ter uma atitude positiva, o que aconteceu consigo faz parte do passado, aceite o sucedido como fosse um acidente de percurso e não como justificação para seus comportamentos presentes. É preciso superar com esforço, com assertividade e força.

 

Ao mesmo procure ajuda especializada. Faça uma psicoterapia para poder trabalhar os seus fantasmas do passado e poder viver o presente com desenvoltura, serenidade e amor.

Morte do pai

niki5.jpg

Boa tarde,

 

O meu pai faleceu na passada 3ªfeira dia 10/11/2015, o mundo desabou.

 

O meu pai estava doente com um tumor no pulmão, mas nada fazia prever o desfecho quase imediato, até porque na 2ªfeira tinha estado no médico e as análises estavam melhores e algumas das suas incapacidades estavam melhores, ele acreditava e pedia muito a deus e aos médicos a cura, nós mais realistas pedíamos um prolongar da vida com qualidade e isso a médica disse nos ser possível. Nessa manhã esteve bem, mais ativo ao final da tarde disse à minha mãe que estava mal disposto e a minha mãe ao segurar-lhe a cabeça para vomitar caiu-lhe nos braços já inanimado, foi o verdadeiro horror, porque estavam os dois sozinhos, afinal era o seu companheiro de 40 anos que lhe partia nos braços e no seu leito onde todos fomos muito felizes. Satisfazendo o seu pedido levamos o meu pai para o Alentejo (nós vivemos em Lisboa). A minha mãe está um farrapo, não come, só dorme com medicação, tendo ela problemas de tensão arterial os valores estão totalmente desequilibrados, o que me preocupa bastante pois há uns tempos devido a uma situação de maior tensão nervosa com um pico de tensão teve um pequeno derrame no cérebro, sem qualquer consequência.

 

Optámos por a minha mãe ficar no Alentejo acompanhada na casa de uns familiares pelo menos durante umas semanas. A minha mãe fez-nos um pedido, que lhe alterássemos o quarto pois a imagem com que ficou foi a do meu pai caído. Também para nós isso é muito difícil. Somos três filhos eu que vivo em Cascais, o meu irmão que é solteiro e que vive perto da Amadora e a minha irmã que é casada e vive no Alentejo, neste momento que tem tratado de tudo sou eu, porque o meu irmão tem crises de ansiedade e de pânico e nesta situação foi-se muito abaixo, e a minha irmã tem um bebé com 3 meses.

 

O que mais me dói é a sua falta, vê-lo tocar-lhe, saber como está e sobretudo o facto de ele querer viver para ver os netos crescer, sobretudo o grande amor que tinha pelo meu filho Gonçalo que desde os 6 meses que esteve com os meus pais até aos 3 anos, dizendo ele que era o seu grande companheiro, tenho tanto medo que o meu filho se esqueça do avô de tudo o que fez com ele.

 

Aquela que outrora foi uma casa sempre cheia, está vazia, está vazia de alegria de barulho de felicidade. Temo muito o regresso da minha mãe, até porque cá em Lisboa está sozinha, pois todos nós trabalhamos. Eu gostava de a convencer a alugar uma casinha junto às minhas primas, pois lá mesmo estando sozinha, ora entra uma em casa ora entra outra e sai à rua e conversa e está também a minha sogra que já passou pelo mesmo, e a casa de Lisboa ficaria para vir sempre que desejasse.

 

O que acha? Ajude-nos a superar toda esta dor e diga-me de que forma posso atenuar a dor da minha mãe e fazer com que o meu filho não se esqueça de tudo o que fez com o avô.

 

Desculpe o desabafo.

CC

 

Cara CC,

 

A perda de um ente querido é uma experiência de grande impacto emocional, que nos leva a repensar o significado da vida e como a pessoa que partiu pode continuar a fazer parte dela, agora de uma forma diferente.

 

Atenuar a dor vai ser difícil, só o tempo consegue dar algum alívio, embora alguma dor e a saudade persistam sempre.

 

No meu entender, o melhor é deixar que a sua mãe decida o que prefere fazer, embora o que mais ajuda a elaborar a perda e ultrapassar a dor é viver o luto, voltar aos lugares onde a dor foi vivida, falar sobre os sentimentos e sobre a falta sentida da pessoa falecida. Expressar

 

Também é importante que passado algum tempo, a sua mãe consiga retomar gradualmente as suas rotinas diárias e a sua vida social.

 

Se sentir que ela não consegue sozinha ultrapassar a dor do luto e se reorganizar convém que tenha um acompanhamento psicológico para compreender e ter com quem desabafar o que sente e poder reencontrar um sentido para sua vida.

 

Quanto ao seu filho, vai certamente sentir a falta mas com o tempo vai passar. A criança precisa ser acolhida e mais do que dizer algo para consolá-la, deixar que ela expresse as suas emoções e só ouvir.  O importante é que a criança encontre espaço para expressar a perda. Para que tudo fique na memória promova uma comunicação afetiva, fale com ele sobre os momentos alegres vividos com o avô e mostre-lhe as fotografias, tudo isso de uma forma tranquila sem provocar mais tristeza.

 

A perda de um pai é sempre muito triste, fica a saudade e ficam as recordações. E por ser a filha mais disponível vai certamente sentir ainda mais, mas a vida é mesmo assim não há nada a fazer, é aceitar com paciência e gratidão.

 

O ser humano tem uma capacidade surpreendente para recuperar-se das piores adversidades. Apesar da obscuridade há sempre uma chama que avivará a luz que necessitamos para viver.

 

Um abraço e os meus sentidos sentimentos

 

Pai preso

 

 

 

 

Estamos passando por uma situação não muito agradável.

O seguinte, tenho duas filhas, uma de treze anos e outra de três.

Só que  minhas filhas presenciaram o pai  sendo preso.

Daí a de três anos não toca no assunto, e nem pergunta pelo pai, mesmo sendo que ambos eram muitos apegados.

 

Um dia achei estranho quando a de três anos foi perguntar pelo pai e depois mudou de assunto, 

Daí ela falou assim: Mãe cadê meu pai? Só que na mesma hora em que perguntou, ela tentou corrigir e disse : não a Helinha é que perguntou.

Helinha é a sua irmã.

 

Achei estranho, porque ela tentou consertar? E  não pergunta pelo pai? O que eu faço?

Desde já muito obrigada!

M.

 

 

 

Rejeitada pelo pai

 

 

 

Boa noite Dr.ª!
Quando eu era criança, eu fui rejeitada pelo meu pai, eu conversava com ele, escrevia carta do dia dos pais pra ele e tudo que sempre tive foi sua indiferença. Quando ele conversava comigo era só pra brigar comigo por causa de alguma coisa, com o passar do tempo eu parei de responder por medo as perguntas que ele fazia pra mim como "por que você fez isso?"

 

Aos 7 anos eu comecei o ensino fundamental e eu continuava igual sem conversar, não lanchava na escola, não comia em público, não respondia chamada e assim continuei até o meu ensino médio.

 

Atualmente com 21 anos eu e minhas irmãs não conversamos com ele desde pequenas, já escutei várias vezes ele dizer que a culpada sou eu e minhas irmãs, escutei ele dizer que não somos filhas dele (sendo que infelizmente somos). Eu desenvolvi um medo enorme dele que quando tenho que falar algo com ele meu coração acelera. Hoje em dia faço Faculdade e tenho os mesmos problemas, já sofri muita humilhação pelos meu colegas, escutei pessoas me dizer "pega aí vê se você presta pelo menos pra isso"  tomei várias vezes remédio pra depressão, não tenho vida social, tenho dificuldade para ter amigos, tenho auto estima baixa, choro com frequência  com medo de não conseguir me livrar disso tudo, choro quando lembro do passado, fico triste pois perdi metade de minha vida.

 

Hoje em dia ele está prestes a sair de casa, eu queria nunca mais poder vê-lo, afinal ele mudou a minha vida, eu poderia ser muito diferente do que eu sou. Por favor me ajude, eu não sei o que fazer.

 

 

 

Amor mãe e filha

 

Seraphine Louis

Cara Sra. Dra.,
Antes de mais um muito obrigada pela ajuda sempre prestada, pela atenção que dá às suas leitoras, ... é extremamente importante, a sua ajuda.

Pois bem, tenho andado muito deprimida pois está a contecer-me o que nunca temi na minha vida: a minha filha de 16 meses não me liga.
Está completamente viciada no pai , e se ele estiver por perto não liga a mais ninguém.
Quando vai para as avós é quase sempre o cabo das tormentas para regressar comigo. Tenho de lhe prometer que vamos ao jardim, que vamos ver o gato, o cão, sei lá mais o quê.
Ela gosta muito de brincar comigo, mas não sente a minha falta, não me abraça, só com o pai.
Pior, se se magoa, se fica com medo, é o pai que ela chama. só vem ter comigo para comer.

O que será que eu fiz de mal?
Onde é que eu errei?
Será que ela não sente o que habitualmente os filhos sentem pelas mães? Parece que se eu não desaparecesse ela nem ia notar.
Gosto tanto dela, estou sempre a beijá-la, a abraçá-la, e ela começa logo "Num qué (não quero)".

Será que é por ser o pai a adormecê-la que ela se desligou de mim? Eu não consigo estar muito tempo com ela ao colo porque é pesada, mas é só mesmo nesse momento.
Sinto-me muito mal, sem saber o que fazer e o que pensar.

Acredite, Sra. Dra., é a única criança que me rejeita. Lido com crianças todos os dias e adoram-me, enchem-me de beijos, e eu tb gosto imenso delas, mas claro, não como da minha filha que tanto adoro.
Obrigada por me ouvir.

 

Feliz dia do Pai!

 Ser Pai 

 
é acima de tudo, não esperar recompensas. 
Mas ficar feliz caso e quando cheguem. 
É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. 
É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância
(mas compreensão) com os próprios erros.

 

 Ser pai 
é aprender errando, a hora de falar e de calar. 
É contentar-se em ser reserva, coadjuvante,
 deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso. 
É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte.
É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

  

 Ser pai 
é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. 
É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. 
Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem 
pelos sofrimentos necessários, 
buscando protegê-los sem que percebam,
para que consigam descobrir os próprios caminhos.

 

 Ser pai
é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. 
Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. 
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que,
a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos 
a quota de sua imperfeição, o seu lado fraco, desvalido e órfão.

 

Ser pai
é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. 
É compreender sem  demonstrar, e esperar o tempo de colher, 
ainda que não seja em vida. 
Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. 
Mas ir às lágrimas quando chegam.

 

Ser pai
é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido 
se faz na personalidade do filho,
sempre como influência, jamais como imposição. 
É saber ser herói na infância, exemplo na juventude
e amizade na idade adulta do filho.
É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, 
ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.

  

 Ser pai
é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, 
projeção de  sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão 
e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; 
de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, 
mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

 

Ser pai
é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. 
O máximo de convivência no máximo de solidão. 
É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho 
a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. 
É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, 
por tudo haver feito para deixar de ser importante.

Artur da Távola.