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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Trauma de infância

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Eu tenho 22 anos, estudante, solteira, gostaria de fazer um relato de uma situação imperdoável que aconteceu na minha infância, que até hoje me prejudica emocionalmente. Você pode ajudar-me?

 

Na época que eu tinha 12 anos, sempre ia na casa da minha prima para jogar vídeo game (fica bem na frente da minha casa, em certo momento, ela disse que precisava ir no supermercado e me deixou sozinha jogando lá, depois o marido dela chegou (eu me dava bem com ele naquela época), e começou a me acariciar e por fim, conseguiu o que ele queria. Voltei para casa imediatamente, apesar de estar ameaçada, chorei horrores de dor no banheiro, tomei banho para me acalmar e me limpar, sendo que minha mãe estava em um quintal lavando roupas e não me viu entrando, acabei não contando, após 4 anos, comecei a pensar que não adianta sentir um negócio ruim dentro de mim e acabei revelando para os meus pais. Eles ficaram em choques, tanto que infelizmente não tínhamos opções para provar o quanto isso foi injusto e cruel comigo. Até hoje, eu vejo ele em frente da minha casa e só sinto nojo e não tem nada para fazer para prova-lo. Porque eu só sinto nojo? Hoje sou uma pessoa muito fria. Não consigo demonstrar os meus sentimentos totalmente. Muita gente me julga até hoje o porque o meu comportamento é assim, frio/seco. Às vezes consigo demonstrar o quanto importo ou amo a pessoa, mas com o meu jeito diferente. Estou conhecendo alguém e estou com medo dele não gostar desse meu jeito... um pouco distante.

Hoje percebi que o que tem dentro de mim é o medo. O medo de passar por isso novamente, de ser tocada com força por amigo/namorado, qualquer pessoa. Gostaria de saber a sua opinião, o que faço para se livrar desse medo, desse trauma?

 

Se puder ajudar-me, aguardo a sua resposta. Desde já agradeço.

 

Cara jovem,

uma de abuso sexual pode manter as feridas até a vida adulta dependendo da sua intensidade ou de quanto a pessoa conseguiu elaborar a situação que passou. As sequelas de um trauma fazem com que o adulto acredite estar sempre desamparado, abandonado e solitário, tornando-se uma pessoa insegura, tímida e com medo de se aventurar na vida.

 

Quando a elaboração não ocorre é aconselhável procurar ajuda de um psicoterapeuta.

A psicoterapia fazer com que o adulto perceba que não é mais aquela criança inocente, submissa, indefesa e despreparada que acreditava ser. Junto com o terapeuta, o indivíduo traumatizado vai encontrar novos caminhos para redescobrir sua força, sua energia e sua vontade de viver. Para isso, é necessário que o trauma seja revivido não só com lembranças, mas com emoções e afetos correspondentes. É preciso retornar àquele lugar doloroso, mas com segurança não elaborada anteriormente. A terapia vai fazer com que o indivíduo organize aquilo que ficou fragmentado no decorrer da vida. As lacunas do viver serão preenchidas por pensamentos de confiança, tranquilidade, força e ousadia para se recolocar no mundo de forma ativa e positiva. O processo não é fácil, mas é possível.

 

Procure ajuda para elaborar o seu trauma e confie em si que vai conseguir ultrapassar e amar plenamente sem a sombra do passado.

Um abraço

Bloqueio sentimental

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Ola Drª,

Primeiramente gostaria de parabenizá-la pelo blog, que é muito interessante onde tive a oportunidade de me identificar com muitos casos. Gostaria de colocar o meu caso em especial, e requerer se possível uma opinião a respeito dessa situação.

 

Eu acredito que esteja com bloqueio sentimental, eu tenho problemas para sentir amor para com os outros, antes eu conseguia forçar essa situação, agora nem isso consigo mais, está tudo muito estranho gostaria de saber sua opinião.

Já sofri sim por amor, mas tenho certeza que já superei todas essas experiências

 

Caro Leitor,

O amor é um sentimento que surge espontaneamente e não pode ser forçado. Se não sentiu mais talvez seja por não ter surgido, embora possa estar travado por medo de sofrer.

 

O bloqueio emocional é um mecanismo de defesa no qual o inconsciente oculta memórias de dor para evitar o sofrimento. Quando isso acontece, entretanto, a situação dolorosa não deixa de existir: ela passa a se manifestar de maneira inconsciente, refletindo negativamente na vida da pessoa sem que ela perceba.

Tratar um bloqueio emocional é um processo difícil, pois as memórias precisam vir à tona para que possam ser ressignificadas internamente. A experiência vivida não mudará, mas a pessoa poderá dar um novo sentido àquela memória, fazendo com que cause menos dor.

 

A solução para o bloqueio emocional é reconhecer a emoção e liberá-la. Se não conseguir sozinho procure ajuda de um psicólogo para que possa trabalhar todos os seus traumas e ressignificar cada um até que esses bloqueios se dissolvam.

Fique bem

Dar um tempo

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 Boa noite,

O meu namorado pediu-me um tempo porque queria ver o que estava a fazer da vida e eu perguntei-lhe se o sentimento dele por mim tinha mudado e ele disse que mudou e diz que esta confuso.

O que faço?

 

Cara leitora,

Ouvir seu namorado dizer que precisa dar um tempo no relacionamento pode ser confuso. É provável que se questione sobre a relação, juntamente com as dúvidas sentidas sobre como lidar com esse pedido.

 

Precisa saber o que se passa com ele e qual a verdadeira questão. Vale uma discussão honesta sobre o assunto.

 

Chamá-lo para conversar abre dois cenários. É possível que simplesmente contorne a questão e não queira discutir sinceramente sobre o problema. Essa ausência de comunicação pode mostrar a deficiência da vossa relação.

Há também a possibilidade de que abra o seu coração. Nesse caso, irá dizer as razões pelas quais decidiu pedir um tempo de separação e poderá avaliar melhor qual é a sua posição.

 

Após essa conversa poderá decidir se vale a pena, se está disposta a esperar e também durante quanto tempo. Lembre-se que essa fase pode ser difícil, mas definir algumas questões entre ambos pode ser um grande passo.

Entretanto confie em si e decida ouvindo sempre o seu coração.

 

Um abraço

Sentimento de falha

 

 

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Olá. Tenho 33 anos e uma menina com 3 anos e 7 meses. É a luz dos meus olhos e a filha que sempre desejei. Não me dá problemas de maior. Amo-a demais e mimo-a mas também a repreendo quando necessário. Ensino-a e tento estar sempre presente mas por vezes tenho a sensação que algo me falha... será normal este sentimento ?

 

Cara leitora,

Ter um sentimento de falha está relacionado ao medo do fracasso, talvez relacionado com o desejo de ser uma mãe perfeita. Procure agir normalmente, educando com carinho, responsabilidade e amor o que garantirá ser uma boa mãe.

A perfeição não existe. Confie em si e na sua capacidade de atingir um equilíbrio emocional saudável e educar sem ansiedade, mas com consciência de estar a formar uma filha saudável.

Um abraço

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não sentir emoções

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Estava pesquisando sobre a falta de emoção e vi esse depoimento e decidi escrever-lhe. Talvez possa dar-me uma "luz".

Temo não sentir qualquer emoção, mas antes vou tentar explicar como cheguei a essa conclusão.

A alguns anos atrás, mais ou menos uns 4 a 5 anos, perdi meu avó, e eu era muito próxima a ele. Me surpreendi que no enterro dele, desde o momento da descoberta do câncer até o falecimento, simplesmente não me "emocionei" muito, no enterro caíram algumas lágrimas, mas eram mais pelos parentes ali presente e pelo desespero da minha mãe.

Recentemente descobrimos que meu pai está com câncer de próstata, quando recebi a notícia fiquei chocada, chorei algumas vezes e pronto, é como se não fosse com meu pai e sim algum estranho, e quando as pessoas me falam que estão muito mal pelo meu pai, minha sogra ficou noites sem dormir, meu sogro a taxa da diabetes subiu muito, eu fico me perguntando se eu não deveria está mais apreensiva do que eles, afinal é o meu pai, e eu estou aqui super bem, preocupada com minhas provas pra estudar, sobre onde vou passar o natal ou as festas de final de ano....eu fico chocada comigo mesma, por simplesmente parecer "não me importar", e sou muito apegada a meu pai.

Ontem (14/08) a minha vizinha perdeu o irmão, que matou a esposa e se matou, fui lá consolá-la, minha sogra chorou muito quando soube, mas pra mim não pareceu nada. Foi quando notei que simplesmente não sinto nada., como se eu fosse oca, seca, fria.

Me irrito com facilidade com coisas bestas, e nunca fui assim. Quero acreditar que seja um resultado ao acúmulo de stresses que me deixou assim, mas começo a me preocupar, vejo as pessoas mais emocionadas com coisas que me dizem respeito, do que eu mesma.

Raramente choro, mas quando ocorre é incontrolável e as vezes por nenhum motivo, do nada passa e é como se não tivesse acontecido nada.

 

Será que pode dar-me uma luz? Desde já agradeço!

 

 

Cara L.,

Muitas das pessoas chamadas frias ou racionais sofrem de alexitimia, uma espécie de analfabetismo emocional.

 

São pessoas com dificuldades para identificar e descrever os próprios sentimentos bem como dos de outros, que choram raras vezes, mas quando choram o seu pranto é intenso.

Tem dificuldade em diferenciar o que sentem, se é raiva, temor ou ansiedade e descrevem o que sentem através de expressões gerais como "estou bem" ou "mal", sem poder diferenciar emoções como alegria, tristeza, cansaço, irritabilidade ou nervosismo.

 

Também não podem interpretar as emoções das pessoas que lhe rodeiam, assim como sentir empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro.

 

A incapacidade de expressar as emoções atinge uma em cada 10 pessoas, empobrece a vida e as relações e a saúde.

 

A impossibilidade de verbalizar e abordar os conflitos psicológicos, como a morte de um familiar, uma demissão ou um divórcio, faz com que a pessoa somatize adoecendo o corpo e favorecendo úlceras e gastrite ou doenças mais graves. Assim, o alexitímico responde à situação através de manifestações de seu corpo, ao em vez de com palavras.

 

A psicoterapia é a abordagem mais indicada, acompanhada de exercícios de relaxamento para optimizar o tratamento.

 

Tudo de bom

 

 

Emoção ou sentimento

Bom dia Sra. Dra.
 
Acabei de conhecer o seu blog e, dada a possibilidade de a contactar, agora escrevo.
Não sei bem como me explicar. Tenho 23 anos, sou licenciada e trabalho na área. Tenho conseguido atingir vários objectivos, contudo, na maioria das vezes, para não dizer quase sempre, não sinto qualquer tipo de emoção ou sentimento. Simplesmente não sinto nada. Se sou feliz? Teimo em dizer que sim, mas sinceramente, não sei, porque raramente sinto a felicidade. O mesmo digo em relação ao amor. Adoro o meu pai mas, e as outras pessoas??? Não consigo sentir qualquer tipo de emoção ou sentimento. É esta situação normal??? Não sou uma pessoa fria, embora por algumas vezes o possa parecer; sou do tipo de moça que chora que se farta a ver filmes ou ler livros mas e na vida real?? Porque não sou como as pessoas normais?

Faço coisas na vida que gosto como turismo, fotografia, ajudar os outros, conduzir, trabalhar, essas pequenas coisas que para mim eram e são objectivos mas e a emoção ou o sentimento por se fazer aquilo que se gosta? Será possível que só experimente o sentimento quando algo de facto me surpreende? Ainda para mais não sou pessoa que se surpreenda facilmente.
Será normal?
 
Com os melhores cumprimentos