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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Família sufocante

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Dra. Mariagrazia boa noite,

Estou com grandes dificuldades na minha casa. Tenho 22 anos e namoro com um homem de 29. Minha família conhece-o e até demonstra gostar dele.

Estamos juntos há quase um ano. Ele trabalhava comigo e antes do meu relacionamento era o meu melhor amigo. Nós tínhamos contacto 6 vezes na semana (dificilmente nos encontrávamos de domingo porque queria ficar com a minha família) mas há 3 meses ele mudou de emprego. Frequênto Universidade com a minha mãe e moro com os meus pais e dois irmãos (18 e 20 anos). Com a mudança de rotina, só consigo ver meu namorado nos finais de semana (Ele mora sozinho).

Então minha mãe acha que é o suficiente que eu o veja somente um dia na semana ou que eu nunca durma fora (toda vez é uma briga), minha mãe sempre que possível fala algo para atingi-lo falando "mal", que ele não fica muito na minha casa e etc. mesmo ele indo.

Só que isso está acabando com o meu psicológico e causando conflitos no meu relacionamento.

Minha mãe engravidou muito nova e eu sempre fui amiga dela.

Meu último relacionamento terminou há 4 anos, sofri muito e acredito que seja por isso esse comportamento dela.

Queria que ela entendesse que sou uma mulher e que ela cortasse um pouco isso, mas não sei como fazer, sem machucá-la.

Cara Leitora,

A independência precisa ser conquistada por si. Não se deixe sufocar. Aprenda a fazer valer a sua vontade através de uma atitude mais assertiva com a sua mãe e com a sua família. Não a culpe a sua mãe pelo seu passado e presente, mas procure em si soluções para os conflitos.

As relações entre mães e filhas não nos podem se confundir com as das melhores amigas. É fundamental haver uma assimetria de poder, para permitir ao filho crescer independente com capacidade de socialização e autonomização.

Procure conquistar a sua autonomização o quanto antes!

Problema sexual

18.jpgBom dia Doutora Mariagrazia, obrigado por ler meu e-mail eu gostaria de pedir uma orientação e conselho.

Eu tenho 21 anos e tenho muita vontade sexual por varias vezes por dia mas eu não quero fazer sexo só depois do casamento.

Eu tentei muitas formas de distrair e fazer outras coisas mas quando vem a vontade é algo imenso impossível de resistir. Eu só gostaria de diminuir essa louca vontade por que não quero praticar masturbação nunca.

A senhora teria algum conselho doutora, algum especialista ou principalmente um truque da psicologia de lavagem cerebral ou hipnose com profissional ou medicamento?

 

Obrigado pela atenção

ML

 

Caro LM,

A masturbação faz parte de uma vida sexual saudável, é totalmente segura e inofensiva, além de diminuir o stress e aumentar a autoestima.

 

Todavia, não se masturbar também pode trazer algumas vantagens científicas e pessoais, como por exemplo o aumento da produtividade e diminuição da procrastinação diária, devido ao aumento de energia, e também maior sensibilidade e energia sexual.

Abster-se da masturbação não constitui qualquer perigo, porém é uma privação desnecessária, pois o ato pode ser muito saudável para o organismo. No entanto, a decisão é pessoal. Cada pessoa possui o direito de fazer o que entender com o próprio corpo.

 

Quanto a procurar formas de escapar dos desejos momentâneos, procure uma distração, ou trabalhe a sua conscientização. Outra opção é usar o relaxamento ou meditação, como uma forma de lidar com o stresse em vez de deixá-lo se acumular. Se a libido estiver muito aumentada pode usar ervas e medicamentos para diminuir os níveis de testosterona e ainda fazer mudanças equilibradas no seu estilo de vida.

O meu conselho é que se dedique a algum trabalho muito exigente, que o satisfaça e que diminua o seu tempo para pensar em sexo. É o que Freud chamou de sublimação, ou seja dirigir a energia sexual para executar algum trabalho importante.

Outra coisa que pode ajudar é a prática regular de exercício físico.

Acontece que na sua idade não é fácil abster-se de pensar em sexo por estar numa fase onde os níveis hormonais estão no auge e agudizam o desejo sexual.

 

O melhor é procurar viver a sua sexualidade naturalmente sem grandes restrições e sem culpas.

Fique bem

Apatia emocional

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Eu estou em uma situação que as vezes parece surreal pra mim, não consigo aceitar o fato de que isso está acontecendo comigo. Mais ou menos no fim de 2017 comecei um tratamento com o Roacutan 20mg, porém não fui muito longe, tomei por uns 2 meses e tive que interromper o tratamento por conta que estava sendo super agressivo ao meu fígado, e por coincidência no fim do ano de 2017 e no começo de 2018 comecei a me sentir meio estranho (minha suposição que tenha sido o Roacutan por relatos de problemas psicóticos, como depressão) mas na época eu não tinha percepção disso, parei de fazer as coisas que eu gostava, e aos poucos os sintomas foram piorando, eu senti que tinha algo muito diferente comigo, a primeira percepção foi que eu estava menos sensível com as pessoas, não conseguia me apaixonar tão fácil nem me apegar a ninguém (coisa que acontecia super rápido e fácil), para mim foi super estranho pois eu sempre fui muito sensível emocionalmente, e com isso foi piorando, depois eu estava me sentindo desconexo do mundo, como se eu não estivesse mais conectado com a vida, com as coisas, com a natureza, a minha essência, minha energia interna estava se apagando, e foi piorando cada vez, mais e mais, tive sintomas de depressão, cheguei a um ponto que não aguentava mais nada, não conseguia conversar com as pessoas, queria ficar isolado, sentia vontade de chorar, só queria dormir e viver no meu mundinho deitado na minha cama assistindo algo que tomasse o meu tempo. Nada mais me dava prazer, nem mesmo sexo, tudo na Minha vida perdeu o sentido, meu mundo estava preto e branco, como se eu estivesse vivendo no automático, só existindo.

 

Fiz um tratamento com antidepressivo por uns 6 meses, aliviou muito meus sintomas, consegui botar minha cabeça no lugar, e sempre tentando achar uma luz no fim do túnel, porém, tudo isso me deixou muitas sequelas, hoje em dia eu estou "bem" porém perdi totalmente o meu lado emocional, me tornei uma pessoa opaca, fria, sem sentimentos, sem motivação, sem vontade de viver sabe? Eu não consigo mais sentir minhas emoções, nem alegria nem tristeza, não tenho mais adrenalina assistindo aquele filme de ação ou aventura, ou até mesmo escutando aquela música empolgante, não consigo amar nada nem ninguém, nem mesmo minha família nem namorada, não consigo sentir amor, nem paixão, é triste, não consigo sentir até mesmo prazer em um beijo, sabe aquela liberação de endorfina ?

 

Isso não acontece mais comigo é como se eu estivesse beijando uma parede, também perdi a minha fé, minha crença, não consigo ter empatia, perdi o respeito pelas pessoas, não consigo levar mais nada a sério, não estou mais nem aí pra nada, se der certo deu, se não der não deu, se morrer morreu, me afastei de todas minhas amizades, e não sinto falta de ninguém, eu preciso ao menos entender o que está acontecendo, ninguém me ajuda, ninguém tenta me entender, eu me sinto sozinho e sufocado.

Caro leitor,

uma das raras reacções adversas do roacutan é a depressão, pode ser que o início da depressão esteja relacionada coma medicação. De qualquer maneira os sintomas que sente precisam ser tratados e para isso é preciso trabalhar o seu estado emocional.

A apatia clínica é considerada depressão no nível mais moderado e diagnosticada como transtorno dissociativo da identidade no nível extremo. O que eu sugiro é que espere mais um tempo para verificar que não seja uma fase passageira e caso a situação se mantenha procure ajuda de um terapeuta para poder falar sobre as coisas e perceber o que está por trás dessa sua falta de motivação.

Entretanto procure socializar: procure encontros com amigos, retome atividades que eram sinônimo de alegria para si, retome hobbies antigos e volte a lugares que costumava visitar. Procure encontrar onde foi perdida a conexão com a  felicidade e tente restabelecer esse elo, voltando a ter uma vida ativa. 

A socialização é o processo que permite a cada indivíduo desenvolver a sua personalidade permite a sua integração na sociedade, o que o irá ajudar a sair desse “bolha” de apatia emocional.

 

 

Sem personalidade

16.jpgSou C, tenho 17 anos. Vivo com a minha mãe, que não tem paciência NENHUMA. Sempre que faço algo errado ela me xinga muito, principalmente de sem cérebro. Diz que não uso minha mente, que sou incapaz de raciocinar, que pareço ter algum problema mental e agora me chama de demente. Eu nunca a contrariei, nunca fiz nada demais, sempre a obedeci, mas quando cometo algum erro dentro de casa, ela me xinga muito, joga na minha cara os erros bobos que eu cometi, faz eu me sentir uma inútil. E ela não tem consciência disso. Muitos dos erros que eu cometo são por falta de atenção, é como se eu fizesse de qualquer jeito, porque sempre faço tudo “correndo”... Ela me julga muito, e é a única pessoa com quem eu converso, já que nem amigos eu tenho. Acho que por culpa dela, por ter-me trancado dentro desta casa que eu sou tímida, ansiosa, insegura e sem personalidade.

Por conversar apenas com ela, nunca tive ideias diferentes da dela. Tudo que é certo para ela é para mim, nem me dou ao disfrute de tentar pensar em algo diferente. Sinto que não consigo pensar e nem agir sozinha, tenho medo de tudo e de todos. Parece que sem a ordem dela eu não faço nada e também não consigo pensar em nada. Acho que é ela quem pensa por mim... Tenho ficado cada vez mais triste por ser tão DEPENDENTE dela, até demais... Não consigo fazer coisas simples, não consigo agir/pensar por mim mesma e quando tento, tenho medo dela me xingar, em tratar mal de novo... E eu estou crescendo, sem personalidade, coragem... Mal consigo pensar por mim mesma, nem opiniões eu consigo ter, nem sei o que eu gosto ou não gosto, cresci com a minha mãe escolhendo e fazendo tudo por mim. Não consigo raciocinar sem ela do lado, não consigo fazer NADA sem que ela esteja comigo, como vou viver assim? Por isso não consigo fazer escolhas, não confio no meu juízo, aliás, nem tem como eu desconfiar já que eu acho que NÃO TENHO um.

Acho que minha mãe me destruiu...

Cara C.,
Por tudo o que disse é hora de começar a pensar por si própria. É hora de começar a conquistar a sua independência. A independência depende dos seus próprios passos.

Na vida crescemos e desenvolvemo-nos à custa da dependência emocional das pessoas que nos são significativas. Na primeira fase da vida da criança esta dependência é funcional, mas com o avançar dos anos, a independência emocional precisa ser desenvolvida.

Este processo pode ter algumas lacunas, seja por carência emocional, falta de habilidades sociais, autoconfiança diminuída, incapacidade de decisão ou vitimização.
A forma como os nossos pais e pessoas próximas estabelecem os laços emocionais nem sempre facilita o desenvolvimento de autonomia emocional. Tornamo-nos adultos sem ter aprendido a ser emocionalmente autossuficientes.

Aqui 3 passos para conquistar sua independência emocional:
Permita Libertar-se!
Construa sua Própria História!
Acredite em Si Mesma!

Caso não consiga sozinha procure ajuda de uma pessoa especializada.

Conhecer mulheres

15.jpgOlá,

Desculpe o desabafo mas não tenho ninguém a quem possa falar da situação que me perturba...por ser fora do comum....

Sou casada, relacionamento de 27 anos, 2 filhos, vida sem grandes problemas, nem financeiros nem de saúde. Casamento normal, com altos e baixos como todos os outros.

A situação está num vício que o meu marido tem, este vício magoa-me, mas não prejudica nem os filhos nem a nossa vida no geral, eu é que não me sinto bem com a situação. Mas também não quero acabar o meu casamento por causa desse vício. Eu amo-o muito e ele também me ama, e aos filhos, aos nossos bens, a tudo o que temos construído, não pretende deixar-me nem me abandonar.

O problema dele, é que apesar de me amar e não ter razão nenhuma de mim, gosta de conhecer e estar com outras mulheres....

Ele diz, que é uma coisa à parte, que não muda o que sente por mim....é um vício, um fetiche...

Eu, como mulher, sinto-me magoada, mas ele diz que não tenho que me sentir assim, pois eu sou a principal, a mais importante, que o amor dele por mim não muda, com ou sem as outras...

E é isto....Obrigada.

Cara Leitora,

Entendo como o “vício” do seu marido esteja afetando negativamente o seu casamento, mas a compreensão e o uso da Inteligência Emocional podem ajudá-la a recuperar a sua autoestima .

O que leva o seu marido a procurar outras mulheres pode ser uma necessidade de autoafirmação, provocada pela insegurança emocional, medo ou baixa autoestima. Algumas pessoas precisam provar a si mesmas que são importantes, desejadas e amadas. Talvez esse vício esteja relacionado com o gosto de sentir que ele tem o poder de seduzir ou com uma meio de autoafirmação para a sua autoestima.

Pode ser que com o tempo essa “curiosidade de conhecer e estar com outras mulheres “ termine.

Depois de 27 anos de vida em comum, sem grandes problemas e sem pretensão de separação, penso que o melhor é investir na vossa relação para que ela se torne cada vez melhor e para que vos torne cada vez mais unidos.

Outra solução é ele procurar ajuda de um especialista para perceber o que o leva a ter esses comportamentos com o perigo de perder a confiança da mulher e destruir o casamento.

Se ele gosta de si e se tiver inteligência emocional, vai perceber que não é certo ter esse tipo de atitude e a possivelmente vai dar mais atenção ao vosso relacionamento.

Medo de amar

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Olá, meu nome é Joana, e só para eu não esquecer de dizer, eu gosto muito de seu blog, e eu gostaria de sua opinião em uma situação.

 

Eu sempre fui muito tímida, e nunca tive coragem de iniciar um relacionamento ou dar o primeiro passo, até que eu conheci uma pessoa, que eu não gostava a princípio, porém conforme a insistência e o tempo, eu me apaixonei, e nós namoramos por um ano, porém nós terminamos, e foi um processo muito difícil pra mim, entender que eu não poderia mais nutrir esse sentimento, e tudo bem, eu acho que consegui lidar com isso a minha forma, o problema é que eu não tenho mais coragem de embarcar em um novo relacionamento, eu até conheço pessoas que eu gosto, mas eu nunca acho que esse gosto é o bastante, então eu deixo passar, e mesmo se o sentimento for recíproco eu abro mão, por não ter certeza disso, e por eu ter namorado somente com 1 pessoa.

Às vezes penso que seria muito mais fácil reavivar um sentimento do que criar um novo, porém essa ideia é inviável, nós já estamos em caminhos bem diferentes e ele já seguiu bem mais em frente do que eu, e o meu medo é que esse meu temor de tentar não passe, e que eu nunca tenha a segurança de tentar de novo.

 

Foi isso. Espero mesmo que me dê sua opinião, pra tentar entender de uma maneira mais ampla, seria de muita ajuda mesmo...obrigada

Cara Joana,

O medo de uma decepção amorosa é o maior empecilho para amar. Se acha que ficou algum “trauma” será preciso que seja trabalhado numa psicoterapia. De qualquer maneira, está na idade de namorar e para perder o medo é preciso ter novas experiências.

A preocupação trabalha contra, quando encontrar a pessoa certa vai voltar a amar. Talvez ainda esteja sofrendo pela decepção amorosa daí o medo de se envolver e não sentir nada por ninguém.

A mente humana para elaborar precisa de tempo e a superação vem somente com o tempo. Os “ensaios” de aproximações, quando positivos, aceleram esse tempo e a confiança em tentar novamente. Somente eles ajudam nesse processo de fortalecimento e confiança renovada.

É importante estar aberta para novos encontros e não deixar que a frustração influencie possíveis relacionamentos futuros. O amor não tem hora e pode acontecer a qualquer momento.

Tudo de bom

 

 

Enteada e desobediência

13.jpgBom dia!

O meu nome é João. Há 5 anos casei com uma senhora de nacionalidade russa (que agora já tem nacionalidade portuguesa). A minha esposa divorciou-se do ex-marido russo em 2006 e ficou com uma filha de 3 anos. O ex-marido da minha esposa nunca mais quis saber da mãe ou da filha, nunca ajuda para nada e nunca telefona. Em 2015 a minha esposa viajou para a Rússia para trazer a filha para vivermos os três juntos felizes em Portugal. Hoje a minha enteada tem 16 anos. Antes de viajar para Portugal a minha esposa passou por um processo em Tribunal para conseguir fazer sair a filha do país. A filha testemunhou em tribunal contra o pai. Já em Portugal a minha enteada abraçou-me e chorou no aeroporto na primeira vez que me viu na vida, tinha 12 anos.

Nos primeiros tempos (leia-se meses) em Portugal ajudei a minha enteada na aprendizagem do português, coisa que ela ainda não domina completamente claro, mas entende praticamente tudo que se fala com ela (encontra-se no nível B1). Desde o Verão de 2016 tudo começou a resvalar. Em 2016 depois de concluído o 7º ano com êxito (ao fim de 6-7 meses em Portugal) tudo começou a mudar para os mesmos moldes que continua ainda hoje. Apesar de eu lhe dar tudo e mostrar que me preocupo com ela, a minha enteada não me aceita e não me respeita.

E eu não sei como explicar como isto acontece e porquê isto acontece. Tudo passa pelas atitudes da minha enteada em relação a mim e à diferenciação que ela faz de mim em relação à mãe, e de um modo geral à rejeição da adaptação a Portugal. A minha enteada disse-me uma vez que o pai é um alcoólico e que ele nunca lhe ligou nenhuma, mas ao mesmo tempo ela não me trata por pai (e eu também não estou à espera disso), mas também nunca me confrontou no sentido de responder que eu não sou pai dela.

 

A minha enteada sente a escola como uma obrigação (é este o sentimento russo), mas desobriga-se de tudo o resto, ou seja, de um modo geral ela rejeita assumir as suas responsabilidades do dia-a-dia, e por isso ela quer fazer só o que quer e quando quer. Os traços que exemplificam o que se passa hoje da minha enteada para mim são: Desobediência, falta de respeito e atitudes de desafio e confrontação, tudo de um modo dissimulado e não objectivo. Ela quando desobedece faz silêncio e não responde, quando eu a questiono ela dá-me as costas e vai-se embora faltando-me ao respeito, outras vezes utiliza uma maneira especial na postura e no olhar como atitude de desafio, outras vezes simplesmente ignora-me. Agora deixe-me clarificar melhor as coisas.

A minha esposa trabalha nas estufas e muitas horas do dia está ausente. A minha esposa quando está em casa é ela quem conduz a educação da filha, eu sou apenas o observador e por vezes apenas relembro coisas que há para fazer, e quando isto é necessário eu falo com a mãe e não com a filha. Quando a minha esposa está em casa a filha obedece sempre à mãe embora a minha esposa tenha de repetir as coisas várias vezes, e a filha nunca faltou ao respeito à mãe. Quando estou eu e a minha enteada em casa sozinho os dois, tudo muda.

Tudo gira em volta da responsabilidade que a minha enteada não quer, principalmente porque a mãe não se encontra em casa. Estou apenas a falar das responsabilidades da minha enteada, do dia-a-dia em casa, no que concerne com a vida doméstica. Responsabilidades como sejam: lavar dentes, arrumar o quarto, arrumar coisas que desarruma, limpar coisas que suja, tirar uma coisa do sítio e voltar a pôr no sítio, e outras coisas. Uma vezes ela faz outra vezes não faz, e quando lhe convém utiliza a mentira.

 

Quando se passam coisas mais graves em relação a mim, a minha enteada usa a mentira e o choro no diálogo com a mãe. Ela diz que não faz nada mal, chora para a mãe e diz que não aguenta. A minha enteada foge às responsabilidades quando está comigo, faz-se de vítima e imputa a responsabilidade das situações criadas a mim. Eu penso que há falta de diálogo, mas diálogo são.

A minha esposa diz à filha para fazer as coisas quando ela não está em casa, e a filha responde que sim, mas volta a repetir-se sempre as mesmas coisas quando a mãe não está em casa. Eu não bato na minha enteada, nem grito e nem falo mal, mas estou a interiorizar um estado nervoso cada vez mais periclitante porque ela desobedece-me e desrespeita-me, e experimento muitas vezes estados de depressão, e não sei o que fazer. A minha esposa está no meio desde triângulo e acredito que esteja a sofrer, mas acho que ela tem de moderar um diálogo entre nós os três. Temos de nos encontrar algures no meio para equilibrar a nossa relação, mas eu não sei exatamente como fazer isto, porque a minha esposa tem uma carateristica mais indulgente e permissiva, e eu sou mais por uma autoridade efetiva. Tentamos implementar regras simples em casa, mas a minha esposa nunca fiscaliza o cumprimento destas regras, umas vezes sim e outras não. Agora, desde uma das últimas situações criadas, eu bloqueei e evito a minha enteada, não falo com ela nem respondo. A minha enteada desobedeceu-me no supermercado, fingiu que não me ouviu com todos a olhar, eu fiquei a falar sozinho e a minha enteada ignorou-me, envergonhando-me em público. Para a minha enteada não se passou nada e portanto age normalmente. Para mim, dói que a minha enteada não assuma que agiu mal e peça desculpa. Ela não gosta de pedir desculpa porque acha que não faz nada de mal. Noutras situações quando a mãe fala com ela, ela inventa desculpas, mas a mãe pede para ela vir ter comigo e pedir desculpa, e ela pede-me desculpa. Ela obedece à mãe e pede desculpa mas para ela não tem qualquer significado porque ela não reconhece ou não quer reconhecer que fez alguma coisa mal.

 

Ontem à noite, a minha enteada deixou coisas sujas na sala de jantar e na cozinha, e eu alertei a minha esposa para este facto. A minha enteada andou a fingir que limpava as coisas por 4-5 vezes, e depois a minha esposa stressada perguntou o que faltava limpar mais… depois a minha esposa foi para o nosso quarto, apanhou a almofada e foi para o quarto da filha dormir com ela, e eu dormi sozinho. Eu não entendo o que significam estas atitudes. Eu não sei o que fazer e peço a sua ajuda se me puder aconselhar.

Obrigado.

Caro João,

Lidar com uma enteada é complicado. Lidar com uma enteada adolescente é mais ainda.

Vai ser preciso muita paciência e ter consciência que não sendo o pai, a sua enteada poderá contestar ainda mais a sua autoridade. Ao mesmo tempo é preciso manter limites e regras na casa bem como uma disciplina saudável para que tudo funcione e para a educação dela.

Desobediência e atitudes de desafio e confrontação são características do adolescente que muitas vezes tenta não cumprir regras e contestar. O que não pode permitir é a falta de respeito, mas também tente não ser muito rígido ao avaliar a falta ao respeito e o ultrapasso dos limites.

 

Portanto use disciplina consistente como substituto para severidade inconsistente. Aprenda a dar ordens claras e negociar compromissos. Proponha prémios quando cumprir, faça seus pedidos sempre de maneira positiva ao invés da negativa para motivar o bom desempenho.

Procure não fazer comparações desfavoráveis em relação às outras adolescentes, para não levantar rancores ou abaixar a sua autoestima. Sempre elogiar quando cumprir. É muito importante a maneira como os genitores lidam coma filha, para poder ajudá-la a crescer saudavelmente e interiorizar as regras e valores para a vida.

É também de suma importância que ambos os genitores estejam de acordo na disciplina e regras exigidas, portanto tentem entrar em acordo num equilíbrio saudável: nem tanta permissividade nem tanta rigidez.

 

Não é bem que ela não o aceita como padrasto, provavelmente tenta ultrapassar limites como toda a adolescente e ao mesmo tempo avalia os valores. Psicólogos dizem que o adolescente é aquele que odeia quem ama. Talvez seja oportuno ler algum livro sobre a psicologia do adolescente, pois esta é uma época complicada para os genitores e para os filhos.

Limites são necessários para a ajudar na segurança do adolescente. Combine com a sua esposa para que ambos atuem em conjunto para dar limites à filha e manter as regras e a disciplina.

Para a filha o que poderá ajudar é praticar algum desporto.

 

Com calma, paciência e amor, certamente obterá resultados satisfatórios.

 

 

Medo de morrer

12.jpgBoa noite,

eu tenho medo de morrer e esquecer dos meus amigos perder minha família, perder o meu progresso nesse mundo.

Eu me pergunto qual é o sentido disso tudo, mas infelizmente não encontro resposta.

Meu medo em si não é de morrer, mas sim de deixar esse mundo.

Realmente preciso de ajuda, para acalmar.

Caro leitor,

O medo da morte pode estar relacionado a traumas vividos e também ao peso que ela transmite. Geralmente não somos educados para entendê-la com serenidade.

A morte e tudo o que se relaciona com ela é pouco falada A pior atitude dos adultos é a do silêncio, que se apoia na convicção errónea de que se a morte não for muito falada, o impacto emocional desse acontecimento se dissipa mais rapidamente. Pelo contrário, é preciso falar no assunto.

 

O tratamento é a Psicoterapia, onde o problema presente é analisado através de situações do passado não resolvidas. Meditação e exercícios de respiração também podem entrar no tratamento como terapias auxiliares.

 

Entretanto procure confiar em si e aproveitar a vida vivendo o momento presente com entusiasmo e motivação.

Tudo de bom

 

Pai abusador

11.jpgTenho 22 anos, atualmente, estou casada há 8 meses. Mas no ano passado lembrei-me, eu lembrei que meu pai ia no meu quarto orar comigo e sempre que eu terminava de orar eu dava um beijo no rosto dele e ele um beijo na minha testa, mas a mão dele apalpava meus seios, mas eu achei que era coisa da minha cabeça. Meu pai  com a única filha mulher dele que sempre me deu de tudo, sempre me deu carinho, amor e proteção fazendo isso comigo.

Deixei pra lá e segui minha vida. Depois de uns anos descobri que ele tentou abusar da minha tia quando ela tinha 15 anos. A mesma idade que eu tinha!

 

Então desde esse dia eu não consigo ter desejo sexual, principalmente se ele toca nos meus seios eu fico agoniada com repulsas eu não consigo mais sentir desejo.

 

Eu não sei oque fazer! Só sei que na hora do sexo eu odeio. E antes deu lembrar disso era tranquilo eu gostava. Estou sem rumo ...

 

Cara Leitora,

O melhor é ir a uma consulta de psicologia para poder resolver esse seu “trauma “ de infância e viver uma vida sexual livre de sentimentos contraditórios e sofrimento.

 

É importante não se culpar e nem odiar o seu pai que teve esse péssimo comportamento, talvez por ignorância ou por abuso de poder.

Pense em si e procure ajuda para se libertar desse pesadelo que está a bloquear a sua vida sexual presente.

O que sofreu foi muito grave mas é possível ser superado. É importante dar-se a oportunidade de receber carinho e encontrar o amor, de experimentar as (im)perfeições, de dividir sua vida com seu marido.

 

Lembre-se que no seu processo de reconstrução como mulher, a masturbação tem um papel importante, pois ajuda a conhecer o próprio corpo e permite o contato com o prazer, sem culpa. Para muitas mulheres, a literatura erótica também pode ser uma ferramenta.

 

Um abraço e tudo de bom,

Mãe tóxica

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Olá.

Ultimamente ando muito angustiada. Tive uma infância muito difícil na questão emocional. Minha mãe sempre me xingou muito. Sempre me chamou de burra, caso não fizesse algo certo. Sempre se vitimizou, sempre acha que esta certa em tudo. E sempre me obrigou a cuidar da minha irmã mais nova como se eu fosse a mãe dela. E nossa diferença de idade é apenas 6 anos. Me sentia sufocada quando criança, eu lembro de sempre chorar e dizer que queria morrer. Sempre lembro que eu não era feliz na minha casa, não me sentia bem ali. Me sentia maltratada, sobrecarregada. E infeliz. O tempo passou e eu também lembro que minha mãe só se importava comigo e demonstrava algum afeto quando eu ficava doente.

Enfim. É muita coisa mas hoje eu tenho um sentimento de desgosto por ela. De cansaço só em falar com ela. Não queria falar com ela. Não faço questão de vê-la. Acho ela super dramática em tudo. Não a tenho como um porto. Eu sempre me virei sozinha. E sinto que hoje não posso contar com ela. Me sinto culpada de ter esses sentimentos por ela. Mas é o que eu sinto. E grande parte disso, acho que foi por todas as coisas más que ela já fez comigo. Estou muito cansada.

Não consigo conviver com ela numa boa. Mentalmente começo a ficar sufocada porque não tenho coragem de falar dos meus sentimentos pra ela.

 

Cara Leitora,

Não sei se vale a pena falar com ela. Mãe é mãe e nem sempre é capaz de corresponder à necessidade de amor e atenção de uma filha.

É muito triste ter que aceitar que a mãe, que deveria amar acima de tudo possa ser o algoz da própria filha.

Os pais tóxicos, classificação cada vez mais usada na psicologia, agridem física e psicologicamente, causando sequelas que se arrastam por toda a vida. Nenhum pai ou mãe está livre de falhar, perder a paciência ou a compostura. Mas agir com perversidade ultrapassa os limites aceitáveis de qualquer relacionamento. E a humilhação vinda daqueles a quem se ama é muito mais dolorosa.

É como se houvesse uma confirmação para a pessoa de que ela não é boa o suficiente para receber afeto. A postura dos pais tóxicos deixa graves sequelas, normalmente levadas para a vida adulta. As consequências são agressividade, dificuldade de aprendizado, rebeldia, timidez e um enorme sentimento de culpa.

Mães e pais perversos existem. A constatação coloca na berlinda o chamado amor incondicional. Esse sentimento, é uma construção moldada de acordo com os desejos de cada um. Não é intuitivo, como defende a crença popular. É uma questão cultural, imposta pela sociedade.

O amor incondicional só existe se os pais desenvolveram ao longo da vida recursos para lidar com as adversidades e as mudanças. Porque um filho muda tudo na vida dos pais.

A filha de uma mãe tóxica cresce num estado de alerta, o que causa uma ansiedade que se torna crónica.

Para quem chegou à vida adulta traumatizado pela relação tóxica, a psicoterapia é um caminho. Para muitas das vítimas, o tratamento inclui passar a ter uma relação superficial com os pais.

Parece que para conviver com a sua mãe seja preciso manter uma distância saudável e procurar compreender e talvez admitir que há realmente pessoas desprovidas de afeto e sua mãe é uma dessas pessoas.

Se não conseguir lidar com esses sentimentos e traumas procure uma psicoterapia.