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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Surtos nervosos

1.jpgOlá Dra.

Tenho um irmão de 20 anos que recentemente tem ouvido vozes, teve alguns surtos nervosos em casa quebrando coisas e disse que ao quebrar as coisas as vozes não paravam de o atormentar.

Ele tem-se mostrado muito fechado e com um semblante triste, ele diz que ouve vozes de pessoas conhecidas e próximas,  mas também ouve vozes de desconhecidos, que a noite não o deixa dormir, estou preocupado com ele.

O que será que posso fazer para ajudá-lo?

Caro leitor,

O surto depressivo é muitas vezes visto como uma fraqueza e é tratado como se fosse tabu. Ainda assim estudos mostram que a depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas no mundo.

Os quadros de depressão podem ser leves e às vezes são confundidos com questões de personalidade, como se fosse um tipo de fraqueza. Esse tipo de comportamento faz com que o próprio paciente não se sinta estimulado a procurar logo tratamento ou que perceba os sinais de depressão que está apresentando. Ele só vai se tratar quando o quadro fica grave.

O melhor é levar o seu irmão a uma consulta de psiquiatria, pois pelo que refere ele provavelmente precisa ser medicado para acalmar esse distúrbio. Ao mesmo tempo é indicado uma psicoterapia com um psicólogo para que possa entender a problemática profunda e ultrapassá-la de uma maneira consciente e saudável.

Feliz 2019!

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Feliz Natal

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Casamento sem amor

30.jpgOlá bom dia,

Estou casada há 32 anos, casei com 19 anos e tenho 50.

Quando casei foi para fugir o trabalho que desempenhava com os meus pais. Nunca fui feliz desde que me conheço, só me deixaram estudar até o 6ºano,depois tive de ir trabalhar.

Por volta dos 16 anos comecei com o primeiro namorico que não resultou, depois pensava eu que se arranjasse outro lhe poderia fazer ciúmes, assim foi namorei com o que é hoje meu marido, mas sem amor. A minha mãe obrigou-me a casar com ele porque as pessoas falavam que às tantas eu já estava desonrada.

Fui então obrigada a casar para fugir do trabalho, também tive um filho hoje com 28 anos, mas a vida tem sido muito difícil porque da minha parte não há amor.

Nunca nos entendemos, um diz que é peixe o outro que é carne sempre foi assim nunca passamos a agressão.

Ele complica com tudo, se for a gaveta das meias e não estiver o par já há barulho, é insuportável estou fartinha dele sou um ser humano excelente, não merecia isto.

Ele trabalha em França e eu tenho um pequeno negócio vem ca de mês a mês, mas a questão de ser obrigada a ter sexo com ele deixa-me nervosa. Já não durmo antes de ele vir oito dias. Queria arranjar um escape para onde ir e ele ficar e governar a vida dele mas é difícil a minha família não sabe de nada e também tem a vida deles. Gostaria do vosso concelho.

Atenciosamente,

M C

Cara MC,

 

Entendo a desilusão que sente com o seu casamento, mas lembre-se que não há casamento perfeito, todos tem prós e contra. Se sente que está infeliz, insatisfeita e que não há amor nesta relação, pode sempre ponderar uma separação. Se ainda existe um carinho e uma amizade, como ele está em França, pode manter e aproveitar os dias que estão juntos numa relação amigável.

Reflita sobre isso. Afinal aos 50 anos ainda tem muita vida pela frente e merece encontrar o seu equilíbrio e a sua felicidade.

Entretanto sempre está em tempo para aprimorar a sua vida com cursos, viagens ou novas estratégias de vida que a façam sentir mais feliz e realizada.

Se não conseguir resolver sozinha, procure ajuda de uma psicóloga para que possa sentir-se mais segura na sua decisão.

 

 

 

Dificuldade de amar

31.jpgO meu problema é que não sei se consigo amar alguém. Eu amo minha família, mas não consigo demonstrar afeto, e só demonstro raiva e amargura, e sinto, eu acho, mas não consigo demonstrar, não consigo dizer, não consigo abraçar ou dar um beijo no rosto, seja com qualquer parente, principalmente se for minha mãe, meu pai ou minha avó, com esses três a coisa é pior pois não consigo demonstrar, e quando estou com a família sempre sou aquele que fica geralmente no canto.

E meus irmãos eu os amo, mas não consigo dizer isso diretamente para eles. Sou adotado tenho 4 irmãos adotivos e eu me dou bem com todos, mas um em específico eu o adoro demais, e quero estar perto dele, mas não consigo falar com ele. Eu conheço um irmão biológico, mas não sinto que somos irmãos, mesmo tendo crescido junto com ele, que foi adotado por outra família. Eu só queria entender tudo isso...

Caro leitor,

O psiquismo humano se constrói no interjogo da criança com o seu meio envolvente a partir dos primeiros anos de vida. Provavelmente alguma coisa falhou nas suas primeiras relações afetivas. É preciso que se permita viver agora experiências que talvez nunca tenha experimentado e a partir daí poderá desenvolver uma vida afetiva e emocional mais plena de sentimentos e amor.

Há um vazio dentro de si que necessita ser preenchido, com amor e cuidado. O primeiro passo é a sua preocupação e desejo de amar e ser amado.

Aprendemos a amar a partir do momento em que nascemos e da maneira como vamos ser cuidados pelas pessoas que nos amam, mas também podemos aprender com amigos, com os namoros e com as pessoas em geral. Aprendemos a amar nessa troca de carinho e cuidados.

Vá em frente, vai ver que vai conseguir amar e ser amado.

Tudo de bom

Transtorno de personalidade

32.JPGOlá, doutora!

Encontrei o seu blog e acredito que possa me ajudar a identificar um perfil psicológico. Um amigo com atitudes que tem provocado muitos danos familiares, nas relações sociais e profissionais, mas não sei como agir para ajudá-lo. Por favor, me ajude! Vou descrevê-lo para que possa compreender.

 

O perfil é de um homem de 37 anos, casado (13 anos), com filhos, trabalhador e religioso. Porém, nada é o que parece. O casamento está deteriorado por uma atitude de indiferença e falta de diálogo (passam dias sem se falar). Casou-se sem estar apaixonado, apenas para cumprir um papel social. Trai a mulher constantemente em relacionamentos, em sua maioria, virtuais. Tem preferência por um tipo de mulher com traços físicos específicos (mesmo tom de pele, mesma cor de olhos e cabelos - sem nenhuma relação com as características físicas de sua mãe). Tem necessidade de conquistar emocionalmente essas mulheres, mas nem sempre chega a ter relações sexuais com elas e em todos os casos perde o interesse após conquistá-las. Tem necessidade e habilidade em criar apego e dependência emocional nessas mulheres, mas logo as trata com indiferença e desprezo.

 

Teve filhos no casamento (é afetuoso com a primogénita, uma menina, mas trata mal o segundo filho, um menino).

É mentiroso compulsivo e tem muita facilidade em persuadir e conquistar a confiança de outras pessoas. É muito atraente e se comporta com extrema dedicação quando deseja alguma coisa, incluindo o ambiente profissional. Tem facilidade em identificar o que os outros desejam e esperam dele e consegue fingir e interpretar com muita habilidade.

 

Tem necessidade de ser reconhecido, tem atitudes egocêntricas e narcisistas e não suporta ser contrariado e rejeitado. Apesar disso, tenho a impressão que ele não gosta de si mesmo e em algumas situações provoca reações que reforçam esse sentimento nos outros e nele mesmo.

Guarda ressentimento, mágoa e rancor. Tem tendência a se vingar. Não confia nas pessoas ao seu redor e vive sob uma perspectiva negativa das coisas e dos outros.
Altera sua postura e humor repentinamente, alterna entre um homem comunicativo e sedutor e um sujeito calado e observador.

 

Tem aversão a atitudes de afeto demonstradas por adultos e tem profunda desconfiança quando alguém demostra afeto por ele. Parece ter um certo ódio e raiva contidos e reprimidos.

É religioso por influência da família e desde pequeno foi educado de forma rigorosa por seus pais, mais especificamente a sua mãe. Cresceu em uma comunidade religiosa, apesar de ter assumido (apenas uma vez) não acreditar em Deus.

 

Atualmente foi demitido e rejeitado por uma amante e sua atitude tem sido de profunda apatia, desinteresse e indiferença a tudo e a todos. Seu comportamento tem causado danos aos filhos e a esposa. A menina (10 anos de idade) tem tido atitudes narcisistas e o menino (7 anos de idade) não demonstra afeto e não consegue se relacionar com outras crianças. Acredito que o ambiente familiar tem contribuído para tais comportamentos.

 

Quero ajudá-lo antes que seja tarde demais. Mas não consigo identificar o perfil, seria ele um sociopata, seria um transtorno de apego reativo vivido na infância, seria um transtorno de personalidade bipolar? Como posso ajudá-lo? Como posso orientar a esposa e influenciar de forma positiva a educação dos seus filhos?

 

Teria uma cura para tal personalidade? O que pode ser feito?

Cara leitora,

O seu amigo parece sofrer de um transtorno de personalidade. A principal complicação decorrente do transtorno de personalidade é o comprometimento grave da qualidade de vida do indivíduo, que passa a ter problemas em suas relações, na carreira profissional e em outros círculos sociais. Para ajudá-lo precisa motivá-lo a procurar ajuda especializada. Uma psicoterapia poderá ajudá-lo a desenvolver o lado emocional, bem como desenvolver estratégias de vida saudáveis.

 

A psicoterapia é essencial para dar maior estabilidade emocional, com sessões que visam aumentar a conscientização dos atos, comportamentos e ações para melhorar os relacionamentos interpessoais e a vida em geral.

 

Agora para tal é preciso que o seu amigo tenha consciência que tem problemas e que o seu comportamento não é saudável e poderá trazer-lhe agravamentos na sua vida.

Tudo de bom

 

 

Mundo imaginário

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Desde 13anos vivo em um mundo imaginário. Lá me apaixonei, namorei, casei, tive uma filha, vivo situações que parecem reais, sinto amor, sensações que intercedem na minha vida pessoal. Já tenho 32 anos e não consigo parar. Acho que estou ficando louca e não conto para ninguém a não ser para os papéis em que escrevo. Lá tenho toda uma vida. Já tentei parar mas tenho um sentimento de perda imensa. É como se eu fosse perder meu grande amor.

 

Cara leitora,

 

A vida acontece no mundo real e não é normal viver na fantasia. O que pode fazer é usar essa sua criatividade e aptidão e escrever livros de romances, novelas, etc. e publicar.

Precisa liberta-se desse mundo irreal e viver a sua vida em pleno. Essa transição pode ser difícil e dolorosa, mas vai valer a pena, e certamente irá evoluir com a mudança e poderá sentir-se viva!

Jogos online

 

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Olá bom dia, meu nome é Gabi, estou tendo dificuldade com meu filho, ele tem 17 anos, e dê uns tempos pra cá, só quer saber de ficar jogando jogos online, não quer sair de casa, não quer conversar com amigos, ele fica a madrugada toda acordado.

Estou me sentindo angustiada e decepcionada, parece que fui derrotada por uma máquina e não sei o que fazer.

Obrigada

 

Cara Gabi,

Ficar em frente ao computador muitas horas tem impacto negativo no bem-estar do adolescente. Adolescentes que ficam muitas horas no computador tem baixa auto-estima, baixa satisfação pessoal, menos entusiasmo na relação com amigos e na diversão e queda do sentimento de segurança e menor o índice de bem-estar. Aqueles que usam meios eletrónicos por seis horas ou mais, apresentaram índice 68% maior de infelicidade.

É preciso estabelecer limites. Cada hora que um adolescente passa em frente ao ecrã, perde cerca de 50 minutos de interação com a família. Para evitar que a situação se acentue, cabe aos pais a tarefa de limitar o tempo de utilização das tecnologias.

Mas proibir não é solução. Ao invés disso, há que estabelecer um horário que poderá ser um pouco superior nos fins-de-semana e férias, contudo, no resto do ano, não pode comprometer o estudo. Durante a semana 1 hora por dia é mais que suficiente.

Para além de tudo, é necessário estimular também os jovens a praticarem atividades físicas, preferencialmente ao ar livre, e a conviverem face a face com os seus pares, pois só deste modo poderão tornar-se adultos equilibrados e felizes.

Caso seu filho continue com esse comportamento pondere a necessidade de encaminhá-lo à uma consulta de psicologia.

Rejeição ao sexo

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Boa noite,

eu namoro vai fazer 2 anos, sempre fui apaixonada pelo meu namorado, porém de um mês pra cá eu não suporto mais fazer amor com ele, e nem que ele me toque. Amo-o muito e não sei oque fazer, me sinto triste pois ele esta se sentindo rejeitado.

 

Cara Leitora,

Se gosta de seu namorado, não é normal sentir repulsa em fazer amor com ele. Talvez tenha surgido algum pensamento ou alguma crença tóxica em relação ao namoro que esteja a prejudicar a sua libido e que se manifesta inibindo o seu desejo na relação sexual com seu namorado. Tente perceber o que vai na sua mente para que consiga ter algumas pistas que a ajudem a superar isso, sem ofender e nem prejudicar a si e ao seu namorado.

 

Caso a situação se mantenha e continue a se sentir assim, procure uma consulta de psicologia para que possa trabalhar esse sentimento e voltar a ser a mulher desejante.

Desânimo de viver

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 Bom dia doutora, me chamo JC, tenho 37 anos, e ando desgostoso da minha vida, nunca tive uma vida feliz ou harmoniosa, minha família sempre viveu mais de aparência do que de verdade, tanto que cresci em um meio onde o que importa é a aquisição de bens materiais ou seja ter para ser, e com o passar dos anos sempre fui tentando ter as coisas, mas chegou a um ponto onde tudo parece ter perdido o valor, carro, eletro eletrónicos, trabalho, estudo etc.

Percebi isso mas não consigo me expressar ou fazer algo a respeito, sempre fui educado desde de criança a não demonstrar o que sinto, que sentimentos eram fúteis e desnecessários, tinha sempre de sorrir, bem o tempo passou e agora percebo que o mais importante eu não consigo ter, já estou velho não tenho uma família minha mesmo, a maioria dos meus amigos casou-se e possuem filhos, esposas e uma vida “normal”, mas parece que isso é impossível para mim, sempre quem eu gosto ou acho que tenho afinidade acaba por se afastar ou eu me afasto por receio de me magoar, e eu odeio com todas as minhas forças ser derrotado, para mim o segundo lugar nada mais do que o primeiro dos fracassados, o maior incómodo meu é fitar me no espelho pois não me vejo mais, eu literalmente me detesto, se eu quero algo material é só ir lá e comprar, mas fazer quem eu gosto gostar de mim parece impossível.

Tenho feito muitas pesquisas sobre suicídio, mas ainda tenho sido covarde, não o fiz ainda porque preciso planejar mais minuciosamente a fim de que seja bem longe de meus parentes, ou encontrar um método de viver essa vidinha de aparência idiota, sem graça e sem alegria, o que realmente eu queria era ser uma pessoa normal por que isso é tão difícil para mim. Obrigado.

 

Caro JC,

 

Sinto que está muito desiludido consigo próprio e que não tem um plano de reabilitação. Tudo tem conserto e sempre pode mudar algumas coisas que sente que não o favoreçam e que prejudiquem a sua vida. Portanto em vez de pensar em destruição pense em construção. Aos 37 anos não pode considerar-se “velho” mas sinta-se que está mais maduro e apto a modificar, aos poucos pequenas coisas até passar a sentir-se bem consigo próprio. Se te consciência de que “ser” é mais importante que do que “ter”, opte por “ser” uma pessoa mais consciente.

Falar de mudanças importantes, significa um ato de necessidade, de firme convicção e, principalmente de coragem para recomeçar e encontrar um novo equilíbrio. As mudanças são positivas sempre que não perdemos a nossa essência e nossos próprios valores. Portanto, qualquer variação que fizermos ao longo do nosso ciclo vital deve ter como objetivo aproximarmo-nos um pouco mais daquilo que realmente desejamos “ser”.

 

Um abraço