Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Quase violada

 

Olá, o meu nome é A., e aos 15 anos quase foi violada. Hoje tento a todo o custo esquecer, ou pelo menos minimizar na minha cabeça o que aconteceu e simplesmente não consigo. Atualmente estou com quase 19 anos, e infelizmente não consegui relacionar-me com alguém senão há bem pouquíssimo tempo. Para além disso depois de tudo isso ter acontecido conheci um rapaz por quem me apaixonei. Isto tudo paira na minha cabeça como se tivesse acontecido hoje. Eu já estou com o meu namorado há 3 meses, e eu quando estou com ele, dá-me vontade de ter relações sexuais com ele, mas no mesmo momento morro de medo que me toque, que tente fazer o mesmo que o "outro" me fez.

 

Na minha cabeça os rapazes, são todos iguais, e eu sujeito-me a sofrer e fazer sofrer meu namorado por causa disso. Sempre que estamos mais juntos eu fujo e em vez de o ver a ele, vejo o homem que tentou violar-me.

Eu amo muito o meu namorado, mas só que não sei o que fazer para esquecer o passado e seguir com o meu presente. Eu preciso que a Sra. me dê uma luz, porque custa-me imenso amar ele, estar com ele, sentir vontade de ter relações com ele e ter este medo que me domina. O que devo fazer? 

 


Obrigada e aguardo resposta

 

Cara A.,

 

O que está a passar é uma consequência psicológica da sua “quase violação”.

A violação é sempre um acontecimento traumatizante na vida da pessoa  que foi vítima de tal prática.

A sobrevivência a uma violação é uma espécie de crise privada, em que as emoções fortes e conflituosas são vividas de forma isolada. É essencial para sobreviver  a esta crise, desenvolver mecanismos de defesa  adequados.

 

Para lidar com essa crise existem algumas estratégias que são:

-1) explicação – identificação de razões para a violação ter sucedido;

-2) supressão – fazer um esforço consciente para não pensar na violação;

-3) ação – manter-se ocupada, mudar de emprego, etc. ;

-4) redução do stress – usar técnicas especificas de relaxamento ou meditação;

-1) não  diminuição das atividades;

-2) evitar o isolamento;

-3) evitar o abuso de substâncias tóxicas.

 

A culpabilidade é outro sentimento muito comum nas vítimas de violação; sendo que é vista como estando associada a sentimentos de insatisfação, sintomas de depressão e medos intensos. Desta forma, a culpabilidade não é uma resposta saudável no processo de recuperação das mulheres violadas.

Este fenómeno pode dever-se à socialização que é feita às mulheres, uma socialização que muitas vezes as leva a aceitarem a responsabilidade dos eventos que as vitimam.

Por fim temos a resolução/decisão que consiste na assimilação da violência como uma das experiências de vida, ou seja, a sobrevivente consegue um “local” onde a memória da violação/violência não a assalta mais, ela arranja mecanismos de substituição para lidar com a situação.

 

Para poder ultrapassar o seu trauma de “ violação”, precisa seguir as estratégias benéficas descritas acima e, caso não consiga sentir melhoras, pedir ajuda a uma terapeuta que junto consigo trabalhe na reestruturação da memória traumática, redução dos sintomas de ansiedade e transtorno do stresse pós-traumático, identificando suas lembranças, crenças e medo do passado para que não perturbe a sua vida no presente.

 

Confie em si própria e não tenha medo de se tratar, vai certamente conseguir ultrapassar!

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.