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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Vida às avessas

 

 

Exma. Sra. Dra. Mariagrazia

Encontrei o seu blog por acaso venho por este meio pedir a V. Exa. aconselhamento para lidar com uma situação desagradável que me tas bastante tristeza e desconforto.

 

Vou começar pelo principio, chamo-me Isa, tenho 24 anos (quase 25) e uma filha de 8 anos, vivo sozinha com ela e com o meu actual namorado de 23 anos.

 

Desde muito nova sempre sofri, os maus tratos por parte do meu pai, a separação dos meus pais, a morte do meu irmão, a morte da minha avó (fui criada pelos meus avós desde os 6 anos) isto tudo antes de eu completar 15 anos, entretanto tive a minha filha com 16 anos e aos 19 anos a minha não foi assassinada o que fez com que ficasse sozinha apesar de viver com o pai da minha filha, nós vivia-mos uma relação muito conflituosa a qual aguentei 7 anos. Estes entre outros acontecimentos levaram-me a auto mutilar-me e a tentar o suicídio varias vezes, actualmente estou medicada e a ser acompanhada por um psiquiatra de 3 em 3 meses.

 

Actualmente vivo com o meu namorado há um ano e com a minha filha como já referi acima, o problema é que estou a passar por muitas pressões e já não sei o que fazer, acusam-me de ser má mãe apesar de eu fazer de tudo pela minha filha e ela ser super apegada a mim, a relação entre a minha filha e o meu namorado não é má mas também não é boa o que me trás muita angustia, pois ele não tem paciência para ela, ele não lhe bate nem a trata mal mas falta-lhe aquele carinho e dedicação, sei que não é pai dela e não lhe posso exigir isso, depois acho que ele é imaturo e não sabe assumir responsabilidades, para qualquer coisa pede a minha ajuda ou que eu o faça por ele o que origina vários conflitos entre nos pois sempre fui "obrigada" a desenrascar-me sozinha e a lutar pelo que quero, enquanto ele as vezes tem uma atitude de quem espera que as coisas lhe caiam do céu...

 

Para agravar mais as coisas, estou a lutar pela guarda da minha filha em tribunal, pois além de estar separada do pai dela à mais de um ano, desde que nos separamos sou eu quem suporta as despesas dela sozinha, na primeira audiência ele recusou dar-me a guarda da menina alegando que eu não tenho condições psicológicas para cuidar dela, o que segundo o meu pediatra estou bastante capacitada para o fazer. 

 

Entretanto no meu desta "guerra" ela foi sinalizada pela comissão de protecção de menores e jovens, que apesar de me dizerem que eu não estou a agir mal na sua criação tenho que mudar certos aspectos, nomeadamente em relação aos estudos dela pois apesar de ela ser boa aluna tem vindo a ressentir-se na escola por causa destes acontecimentos pois apesar de eu tentar protege-la ela não é parva e apercebe-se de algumas coisas, o que me levou a coloca-la num psicólogo, pois vi que ela não andava bem, que andava muito sensível. Mas até aqui tudo bem pois sei que faço o melhor que sei por ela e que a comissão de protecção de crianças e jovens serve para melhorar mais ainda. 

 

O problema vem agora, fui acusada por uma senhora da segurança social de não me conhece de lado nenhum nem nunca viu a minha filha que eu posso dar o melhor de mim mas que tenho que dar mais ainda, que a culpa da minha filha estar assim é minha pois ela não socializa na escola (o que eu estranho pois no parque ela socializa com todas as crianças), que a minha casa apesar de ter condições, podia estar melhor, que é uma casa de jovens que não tem ambiente familiar (coisa que os da comissão de menores não referiram, pelo contrario afirmaram que é uma casa asseada e para continuar a manter assim), essa doutora referiu ainda que eu era muito nova mas que isso não era desculpa que se não queria responsabilidades para dar a menina, pois bem a minha filha não é um objecto para ser dado e eu nunca tive medo das responsabilidades pelo contrario, as assumi desde cedo sem as empurrar para ninguém...

 

Estes acontecimentos todos têm-me deixado bastante stressada e agoniada, pois essa doutora fez um relatório que vai entregar em tribunal e apesar do pai da menina me te assinado um papel em que me dava a guarda total da menina pois não tem condições para a ter (não tem trabalho nem casa) fico com medo de perder a minha filha, um medo que me acompanha desde que ela nasceu e com os últimos acontecimentos piorou mais ainda... tem momentos em que me desespero, em que não sei mais o que fazer pois por mais que eu me esforce nunca é suficiente, à sempre algo que está mal.

 

A relação com o meu namorado também não anda bem pois até recuso até que ele me toque, recuso as suas caricias e estes stresses todos reabriram feridas antigas referentes a acontecimentos que passei em pequena (abusos por parte do meu irmão mais velho e uma tentativa de violação na adolescência), sou exigente com ele e fico frustrada quando vejo que as coisas não estão a correr como tenciono e acabamos por nos chatear, queria mais apoio por parte dele mas também sei que não é fácil para ele. A nossa relação não é o que era, noto um fosso a abrir-se entre nós e já dei por mim a querer terminar a relação vaias vezes, ele não é mau para mim, se eu precisar de ajuda e lhe pedir ele não recusa, mas também não tem iniciativa.

 

Já não sei o que fazer para não me ir abaixo, tenho medo de ficar sem a minha filha... se as vezes penso que estes acontecimentos todos vão passar e me tornar mais forte, outros momentos sinto que não vou aguentar mais e apetece-me desistir de tudo, a única coisa que me dá forças é olhar para a minha filha e ver o seu sorriso...

 

Agradeço desde já a atenção para com o assunto, de desculpe o testo tão grande.

Com os melhores cumprimentos, I.

 

 

Cara I.,

 

Procure ser forte e aguentar essa fase até o tribunal decidir a guarda, a pensão etc. É uma fase difícil, de inseguranças e incertezas, mas pense na sua filha e procure dar o melhor de si para não perder a guarda da criança. Geralmente a guarda da criança menor fica com a mãe, ao menos que a mãe não tenha condições psicológicas e físicas de cuidar da filha. Se a sua casa é acolhedora e se for uma mãe responsável e cuidadora, certamente vai ficar com a guarda da sua filha.

 

Quanto ao namorado, não me parece que seja uma pessoa que favoreça nessa situação, às vezes é melhor só do que mal acompanhada ou pelo menos cada um viver na sua casa.

O que precisaria é ter um acompanhamento psicológico que a oriente e que a ajude a gerir e ultrapassar essa fase difícil.

 

De qualquer maneira, procure ser forte e não se deixar abater, pense na sua filha e na responsabilidade que tem de a criar para o mundo e verá que com amor e carinho vai conseguir!

 

Tudo de bom

Mariagrazia

 

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