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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Medicação

 

 

Olá, quando tinha 11 anos passei por um problema, deixei de ir à escola, não me sentia bem em sítios públicos, era um menino calmo, sensível, carinhoso.

 

Os meus pais levaram-me a vários médicos, acabei num psiquiatra, que me receitou um anti-depressivo (paroxetina 20mg) dali a algumas semanas voltei à escola, muito irrequieto, insensível, agressivo, tinha ataques de euforia, sentia-me dono de tudo, inatingível, depois de começar a tomar esse medicamento sempre fora assim, me metia em confusões, não me conseguia concentrar, não conseguia raciocinar direito, para mim nada era problema, só eu que estava certo e todo mundo errado, arrumei muita confusão, falhei muito , mas não tinha noção disso.

 

Em 2010 já com 23 anos decido cortar a medicação, já tinha tentado antes mas nunca tinha conseguido, era muito doloroso os efeitos no meu corpo, sentia choques na cabeça e tonturas, mas desta vez comecei a cortar o comprimido aos pouquinhos, com muita força consegui em Novembro de 2010 cortar completamente a medicação, minhas mãos deixaram de tremer, deixei de ficar irrequieto, os filmes me comoviam, comecei a conseguir chorar, antes não conseguia, comecei a conseguir pensar de uma maneira diferente, as memórias do passado deixaram de ser “baças” comecei a recordar-me de tudo,  cai em mim e vi que fiz muitas asneiras, antes não comunicava com meus pais, essa droga me tentou roubar minha vida, hoje me sinto muito mal, por todos os erros que cometi, estou destroçado, essa droga me afastou de todo mundo.

Repare bem nas pessoas que tomam anti-depressivos, elas tem um discurso sem lógica, perdem-se constantemente no seu raciocínio, ficam maníacas, alteram sua forma de estar e vestir, ao falar as palavras não saem, tem crises de euforia. Desligam-se dos pais,  filhos, ficam interesseiras...Essa droga é pior que a depressão...Essa droga altera os níveis da serotonina , você passa a ver as coisas de uma outra maneira..
 
Cumprimentos,
P.

 

Caro P.,

 

Não sei com que idade e em que condições começou a tomar paroxetina mas provavelmente não era a medicação correta para si ou a dose era demasiada. Uma grande parte de pessoas tem efeitos paradoxais e o medicamento tem que ser ajustado conforme as reacções de cada pessoa.

 

Entretanto um novo estudo de pesquisadores do Centro Médico da Universidade de Columbia mostrou que o excesso de um tipo de receptor de serotonina no centro do cérebro pode explicar porque os antidepressivos não aliviam os sintomas de depressão em 50% dos pacientes. Por isso temos que ser muito cuidadosos na prescrição e é necessário acompanhamento com pessoas que estão a tomar antidepressivos.

 

Diante de fracassos, não podemos generalizar pois há muitos casos de sucesso especialmente quando acompanhados por uma psicoterapia.

 

Ainda bem que agora está a se sentir melhor e que recuperou a sensibilidade afectiva que possivelmente esteve rebaixada, em parte também relacionada com o período de adolescência quando há uma fase de revolta contra os valores familiares e uma busca da própria identidade.

 

Entendo que esteja chateado e frustrado, mas pense positivo, na sua idade, nada está perdido, recupere os valores que considera importantes e retome a sua vida em pleno.

 

O mais indicado seria se pudesse fazer uma psicoterapia para trabalhar esses sentimentos de “culpa” e insegurança e falta de autoestima e recuperar a sua força interior para viver a vida plenamente e saudavelmente.

 

Confie em si próprio e procure reinventar a sua vida com novas soluções e entusiasmo.

 

Fique bem

 



2 comentários

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    Mariagrazia 19.07.2014 22:35

    Os antidepressivos podem ter efeitos diferentes, conforme a pessoa.

    O antidepressivo ideal ainda não existe, pois deveria ser eficaz em todas as formas de depressão, inclusive as severas, não ter qualquer efeito colateral, ter custo baixo, poucas interações medicamentosas, poder ser aplicado em todas as idades, melhorar a qualidade do sono, sem distúrbios colaterais, ter posologia fácil e efeito ansiolítico. Obviamente decidir o que prescrever ou não prescrever para qual paciente, por enquanto, é uma questão essencial na prática terapêutica.
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