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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Gaguejar

Olá Doutora Mariagrazia,

 

Fala daqui um padre católico e gostaria que me ajudasse a compreender uma coisa se passa comigo ultimamente:

 

Como acontece com todas as pessoas, há dias em que nós, sem saber porquê, gaguejamos em algumas palavras ou bloqueamos na pronúncia de outras. Só que agora estou quase mentalizado que não consigo pronunciar aquelas palavras e quando chega o momento de o fazer,  a minha mente já está a antecipar o fracasso (os lábios prendem e fico bloqueado) e acontece mesmo…gaguejo de novo e cada vez pior. Durante o dia essas situações vêm à memória e fazem-me crescer em ansiedade.

 

O que lhe parece isto? Sou um padre com dom de palavra , tenho muita facilidade em improvisar um discurso ou um sermão, com um à vontade muito grande, mas ultimamente sinto este incómodo. Quando vou ler algo que está escrito, fico nervoso. Por vezes, bloqueio muito, até em palavras simples e banais. A insegurança está a crescer e já me preocupa.

 

Como ultrapassar estas mentalizações ou obsessões, se é que o é? Será que tenho algum problema psicológico ou psiquiátrico?

 

Acredito que somos nós que nos convencemos e mentalizamos que não conseguimos fazer isto ou aquilo, ou dizer isto ou aquilo, mas como desviar o pensamento?

 

Desculpe a minha ousadia, mas há horas em que é preciso ouvir os outros e pedir ajuda.

 

Uns dizem que cultivamos uma certa imagem de perfeição e achámos que os outros, quando nos viram gaguejar, nos diminuíram e ganhámos as nossas defesas. Outros dizem que pode ser cansaço mental. Outros apontam a ansiedade. Mas esta acho que é um pouco fruto do resto. Não sei

 

Estou muito cismático nestas coisas, ultimamente, e está a influenciar o meu desempenho pastoral.

 

Bom trabalho e muito obrigado.

 

Caro Padre,

 

O século XIX é o do surgimento da Psicanálise e Freud (1888) acompanhou um caso de gagueira: Frau Emmy von N. (Baronesa Fanny Moser): viúva, meia-idade, uma gama variada de sintomas. Dentre eles, uma gagueira associada a tiques e estalidos, interpretada por Freud (1888) como o resultado de dois desejos conflituantes: calar e falar.

 

A ideia de associar a gagueira ao conflito calar x falar perdura, com versões levemente alteradas, dando ênfase às pulsões, aos embates ego x id x superego ou mesmo enfatizando os conteúdos das representações pulsionais (Coriat, 1943; Anzieu, 1997).

 

O seu gaguejar parece ser um sintoma de uma ansiedade, quanto mais se preocupa em não conseguir e quanto mais se sentir inseguro, mais acontece o gaguejar. É preciso que consiga desmontar o seu pensamento e que procure mentalizar o fluir das suas palavras tal como elas venham, mesmo que haja alguma disfluência, sinta-a como uma pausa e se a palavra faltar, encontre um sinónimo ou uma palavra substituta.

 

De qualquer maneira poderá consultar ir a uma consulta de psicologia para perceber se existe algum tipo de “trauma “, sentimentos ou pensamento negativos relacionados com o seu gaguejar e com a ansiedade relacionada, para que esse sintoma não se agrave ainda mais e se transforme em obssessão.

 

Tudo de bom

Mariagrazia

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