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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Instabilidade na relação

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Boa tarde caríssima Mariagrazia,

 

Tenho-me como uma pessoa minimamente inteligente e com capacidade de me analisar e perceber quando estou errada e quando não estou, quando deveria ter trabalhado mais ou não em qualquer situação na vida, reconheço os meus limites.

 

Sou igualmente uma pessoa altruísta, chegando na maior parte das vezes, prejudicar-me em prol dos outros. Boa ouvinte, boa amiga, e boa namorada e essencialmente boa mãe.

 

No que vou expor em baixo, gostaria de ter a sua opinião, pois o meu senso comum não me dá uma resposta ao que tento há já algum tempo, perceber o significado disto:

 

Separei-me já lá vão 4 anos e desse casamento, tenho 2 filhos com idade 11 e 10 anos.

 

Comecei do zero, e fui construindo novamente da estaca zero e encontrando em conjunto com as crianças o nosso ponto de equilíbrio e finalmente neste momento, posso afirmar que me sinto realizada, grata com o que tenho e com a vida que levo. O tormento já lá vai!

 

Nestes 4 anos, conheci um rapaz que tem atualmente 35 anos e eu 40, que sabendo ele, na altura, as dificuldades financeiras, emocionais, perdas, tudo o que na maioria dos casos, uma separação implica, pelo que eu estava a passar, veio a ser uma pessoa que me deu uma lufada de ar fresco na minha vida. Fez-me apaixonar por ele, viver um amor quase de adolescente uma paixão, era bom ouvinte, interessado…enfim...um príncipe! Eu nem queria acreditar no que a vida me estava a oferecer. Alguém que me desejava e amava. Contudo, fui aos poucos apanhando algumas mentiras que na altura achei que deveria ignorar, visto não serem prejudiciais para a nossa relação.

 

Soube que traiu a ex mulher por 2 vezes e inclusive, uma delas foi comigo, quando me tinha dito, que vivia sozinho e que tinha um filho dessa união. Fiquei chateada, mas pensei, erradamente, que comigo não seria assim. De fato nunca soube se me traiu alguma vez ou não.

 

O problema que se colocou foi que, durante a nossa relação, esta pessoa me pediu sempre mais e mais, (conhecer o meu mundo, filhos, família, e etc.), dormia várias vezes na minha casa, mas ao contrário isso nunca aconteceu. Eu não sou digna de estar ao pé do filho, ao pé da mãe, família e etc. Quando por diversas vezes que foi confrontado com o meu descontentamento, havia sempre uma razão plausível…ora porque a mãe estava com uma depressão...ora porque eu não lhe dava estabilidade para avançar, ora porque eu não podia entrar na casa dele porque isto e aquilo...enfim provocando em mim frustração, revolta. Cheguei a pensar que seria eu o foco do problema que existia na nossa relação! Aliás, ele dizia que a culpa era minha e eu sem perceber bem no quê!

 

Quando eu desisti, e fi-lo umas 4 vezes, ele veio sempre atrás, com falsas promessas de que agora é que era o momento em que ia avançar, chegando a usar a manobras tais como usando o que eu mais queria: ser novamente mãe; " quero muito ter um filho nosso", " és a mulher da minha vida"; as pessoas mais importantes e que amo és tu e o meu filho"...e quando eu voltava a dar hipótese, nada acontecia...era um ciclo infernal. Fez-me sentir culpada e a duvidar de mim mesma.

 

Sinto que devo ter uma resposta, para poder avançar na minha vida, o porquê desta atitude, se não quer evoluir na relação e continua a correr atrás? Para depois eu voltar ao inicio e tudo fica igual....

Grata,

ML

 

Cara ML,

 

A sua relação com esse rapaz parece que tem uma falha qualquer, que não tenho dados para saber o que seja. De qualquer maneira o comportamento dele não é normal, pois a exclui da sua família por algum motivo. Será que ele está a esconder alguma coisa? Será que tem uma família problemática ou desajustada? Ou será que ele está inseguro na relação?

Além do que com esse comportamento mostra que não tem intensão de assumir um relacionamento em pleno. Parece que tem dificuldade em assumir um compromisso, o que trabalha contra a um possível relacionamento maduro e estável.

 

O que pode fazer é falar com ele e tentar perceber o que está por trás dessa instabilidade de comportamento da parte dele. Ele não desiste, mas também não assume!

Reflita também sobre o que pretende para a sua vida e para o seu futuro e deixe bem claro quais são os seus limites, e que embora goste dele precisa da participação efectiva e contundente da parte dele.

 

Se nada disso resultar procure uma terapia de casal para uma orientação e talvez seja altura para ponderar uma separação.

 

Tudo de bom e boa sorte!

 

Escassez de sentimentos

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Bom dia!

Vi seus artigos no blog e achei bastante interessante, e vi a maneira que se pode dizer gratificante suas explicações. Então resolvi encaminhar um para você, na esperança que você possibilite-me auxilio, e se possível que esse e-mail seja respondido!

Atualmente tenho 23 anos, e desde muito novo sinto uma escassez de sentimento ou algumas emoções, muito pouco chorei ao longo dessa vida e tampouco me importei com a ausência das demais. Seria como se, as pessoas não se importassem, porém não posso viver isolado, então sempre procurei ou até mesmo por ser simpático, agradável, educado etc... Sempre construir ótimos vínculos, onde quer que eu esteja. Mas dentro de mim, é como se fosse desnecessário. Irrito-me fácil (porem procuro demonstrar paciência para não haver desentendimentos), não sei ou consigo está em constantes demonstrações de afetos constantes seja físico/palavras, não sinto saudade, diante de algumas situações reajo mais fisicamente interno do que externando, e sou muito racional diante tudo, e a maioria das coisas se tornam complexas.

Minha irmã vai ter um bebé, no dia em que soubemos, mãe chegou toda animada contando, e para mim foi tipo “sim, e daí?”, ou quando alguém falece parece que tenho que ficar triste, mas não consigo, porém compreendo e presto um tipo de solidariedade, entre outras coisas. Mas não fico lamentando-me, reclamando ou nada, toco minha normalmente, faço minhas obrigações e tento ser o mais sociável possível, mesmo que isso seja apenas, possamos que dizer indispensável, surreal, entre outras coisas. Isso foi um pouco do que se passa com minha pessoa.

 

Agradeço sua atenção.

Abraços.

Caro leitor,

 

Talvez tenha sofrido uma falta de aprendizagem emocional desde a infância. Embora não se possa compensar essa falta, com treino pode ensinar-se à pessoa que busque elementos que lhe ajudem a diferenciar suas emoções e expressá-las de modo básico.

 

Quanto mais detalhado seja o reconhecimento das emoções que se desenvolvem numa pessoa, maior será sua capacidade dela ser feliz e funcionar bem em sociedade.

Para aprender a expressar as emoções é preciso dedicar tempo e empenho a tratar de identificar o que sente, tratando de descrever sempre o sentimento com palavras.

 

Para isso, é preciso empregar os adjetivos que o ajudem a descrever para dar maior significado ao que se diz, procure utilizar frases como "me sinto como um cão raivoso", "é como se me tivessem cravado uma faca". Tente aprender palavras que tornem os sentimentos mais específicos. Por exemplo, em vez de dizer "bem", o que é muito comum, use palavras como "alegre", "feliz", "grato" ou "eufórico". Por outro lado, em vez de dizer que se sente "mal", diga que se sente "irritado", "inseguro", "desmotivado" ou "rejeitado

Também é útil focar em como as outras pessoas descrevem suas emoções, que expressões utilizam, como se comportam, como reagem e perguntar-lhes o que é que sentem.

 

Uma psicoterapia, com uma abordagem adaptada à falta de expressividade costuma ser propícia para tratar esse problema. O primeiro passo é ter consciência do problema o que faz antever um prognóstico positivo.

 

Tudo de bom

Sensações estranhas

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Doutora,

Boa tarde!

 

Espero, do fundo do meu coração, que este E-mail seja respondido! Estou apostando minhas últimas fichas em você. Espero poder ser ajudado e retribuir de alguma forma!

 

Tnho 24 anos e há aproximadamente 10 dias estou sentindo constantemente, 24 horas por dia, algumas sensações estranhas.

 

Sinto como se eu tivesse tomado um remédio muito forte, que influenciasse nas minhas habilidades mentais de pensamento, raciocínio, memória e capacidade de resolver problemas. Parece que tudo ficou mais difícil. Me sinto como se eu tivesse ficado "burro" de uma hora para outra. Me sinto lerdo, sinto que eu preciso fazer um esforço muito maior para realizar tarefas simples que envolvem raciocínio.

 

Além da sensação de estar dopado, de estar dentro de uma bolha, tenho efeitos visuais constantes semelhantes a chuviscos, manchas ao redor do ponto em que foco a visão, e quando começo a prestar atenção nestes pontos parece que estou olhando para uma TV sem antena.

 

Sinto-me como se fosse um zumbi as vezes. Parece que 60% do meu cérebro funciona. Fui ao psiquiatra e ele não me soube dar um diagnóstico. Fui ao psicólogo e ele tenta-me ajudar como se eu tivesse criado isso, contudo cabe esclarecer que todos esses sintomas são involuntários.

 

Não tive nenhum episódio de decepção recente. Não sofri nenhum trauma. Foi espontâneo, algo do nada.

 

O meu neurologista pediu que eu fizesse uma ressonância magnética do crânio e está tratando isso como se fosse uma enxaqueca! Me receitou alguns remédios para ansiedade. Sempre fui ansioso e nunca fiquei neste estado!

 

Estou começando a me desesperar pois é difícil tentar tratar algo sem saber o que é.

 

Muito obrigado por tudo até o momento!

 

Caro leitor,

o seu tratamento está adequado: psicoterapia, psiquiatria, neurologista e ressonância magnética.

A ressonância vai dar alguma pista ou pelo menos mostrar que não há nada de anormal no lado físico e a partir daí poderá elaborar o melhor tratamento.

 

Compreendo que essa situação de não saber o que tem lhe cause um excesso de ansiedade que certamente lhe agudiza os seus sintomas.

Mas é preciso paciência e esperar pelos resultados. Não tenho infelizmente nada de novo para lhe dizer, mas espero que possa com os exames médicos descobrir as causas do seu problema, ser tratado adequadamente e que continue com o psicólogo que sem dúvida vai ajudá-lo a gerir da melhor maneira esse momento difícil.

 

Tente não ficar focado nisso, mas aproveite os seus dias da melhor maneira.

Tudo de bom e melhoras!

Um abraço.

Mariagrazia Marini

Separação

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Boa noite,

Faz um ano que estou em um relacionamento confuso, onde meu namorado, não consegue se separar. O fato é que a esposa sofre de depressão, ela já descobriu várias vezes que estamos juntos, colocava ele para fora de casa e depois pedia para voltar porque não sabia viver sem ele. Agora estou grávida dele, ela soube e mais uma vez colocou ele para fora e dessa vez, ele não quis voltar, até que tivemos a ideia dele procurar tratamento psicológico para ela. Bem, a psicóloga disse que ela quase não tem traços de depressão, mas esta com uma tristeza profunda, que pode levar à morte, então recomendou que ele voltasse para casa e assim seria feito o acompanhamento para ela começar a aceitar a separação, dizendo que vai chegar uma hora em que ela mesma vai pedir a separação.

Ele voltou, e assim que voltou, no dia seguinte ela já me mandava mensagens dizendo que eu deixasse ele em paz, que eu não iria maltratar ela quando meu filho nascesse porque ele iria pra casa dela porque é direito do pai passar dia inteiro com filho, eu nunca respondi mensagens dela, ela promete que não vai pegar mais telefone dele, mas pega, vê ligações entre nos dois, e me manda mensagens para deixar eles em paz. Eles não vivem mais como casados, ele dorme em quarto separado, conversam pouco, e tal.

 

Preciso saber, existe a possibilidade dela aceitar essa separação com o tratamento? O que podemos fazer para agilizar esse processo?

 

Desde já agradeço muito sua atenção.

 

Cara leitora,

Essa é uma situação muito delicada. Não dá para prever o que poderá acontecer. Tudo está em aberto.

Para agilizar o processo, seria ele assumir a separação e sair de casa, mas agora que há um filho à caminho, tudo fica mais difícil.

O melhor para si é sair fora desse relacionamento confuso já que o prognóstico não é retilíneo. E partir para uma nova vida, com alguém que não seja comprometido e que possa lhe dar a atenção merecida.

Um abraço.

Medo de morrer

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Olá,

tenho 27 anos e desde os 12 anos eu tenho esses tipos de pensamentos..... Fico pensando no agora e na fluidez do tempo e como ele passa, Quando eu começo a ter o ataque milhões de coisas passam na minha cabeça como, e se eu morrer agora, o que é o universo, estamos em um multiverso, ele pode acabar a qualquer momento, um asteróide pode se chocar com a terra, Deus existe de verdade, para onde vamos, será que é só isso aqui.

Lutamos tanto para acumular conhecimentos e memórias e isso nos molda, não faz sentindo tudo isso acabar com o nosso cérebro derretendo e tudo isso se perdendo após morrermos.... Minha cabeça se enche desses pensamentos, me falta o ar, o coração vai a mil, e me dá uma vontade louca de sair correndo.... Às vezes eu penso em por um fim nisso para não sentir mais essas coisas,momento pois só eu sei como é horrível e minha família não entende.

Às vezes sinto vontade mesmo é de me matar só para não esperar um fim inesperado e iminente, pois aí sim eu teria a certeza do que estaria acontecendo e o momento do acontecimento....

Me ajuda Dra. Tenho medo de Fazer uma loucura

 

Caro leitor,

Todo o ser humano tem medo do desconhecido. O medo da morte é o medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da ruptura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento.

É preciso ter em mente que a morte faz parte da vida. É uma etapa da existência humana com a qual tem-se que conviver. Todo ser humano está programado para nascer, crescer e morrer.

Refletir sobre a morte pode torná-la mais familiar e, portanto, menos ameaçadora. O que pode ajudar a refletir é um exercício de meditação, inspirado nas práticas budistas: repita a palavra “morte”, de olhos fechados, inúmeras vezes. Surgirão pensamentos, imagens e sentimentos muitas vezes antagónicos. Mas, se continuar essa experiência de mergulhar até onde a palavra ‘morte’ o levar, verá que algo dentro de si mudará positivamente.

A morte tem também um lado vital. O medo da morte é fundador da cultura. Funciona como motor de todas as civilizações. A partir do desejo de perenidade, se desenvolvem instituições, crenças, ciências, artes, técnicas e mesmo as organizações políticas e económicas.

O medo da morte nos força a viver, a nos relacionarmos, a procriarmos, a criarmos e a construirmos coisas que nos transcendam.

Acolhê-la, encará-la de frente, compreendê-la, admiti-la é o caminho para viver a vida e para que possa se relacionar, procriar e construir coisas que o transcendam sem fazer nenhuma loucura.

Viva a vida em sua plenitude!

 

Filho de 13 anos

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Não aguento mais. Tenho um filho de treze anos. Quando me separei ele era bom filho, sempre estava comigo, passamos muito trabalho, ele sempre cuidou do irmão menor e agora que estabilizamos e não passamos dificuldades e eu ganhei um bebé, ele está terrível. Reprovou na escola, tudo que eu falo ele réplica. Responde e eu sempre sou a culpada, eu tento dar tudo que posso mais ele sempre quer mais. Resolvi por limite pois nada é fácil na vida. Ele está pior só me responde, maltrata o irmão e o pai que nem lembra que dele. Se eu não deixo ele ir passar o final de semana sou má, lá ele faz o que quer, em casa não faz, mas todo dia é briga e discussão.

Eu sei que ele não é mau, mas só queria que ele me respeitasse pois na escola melhorou, gosta de todos mas em casa a coisa está difícil.

Preciso de ajuda não sei realmente o que fazer e como lidar com ele, peço socorro, amo meu filho mas estou perdendo para rebeldia!

Virginia

 

Cara Virginia,

É preciso saber equilibrar o tratamento que dá ao seu filho nesta fase da vida, enfrentando-o como um adulto em que ele está a se transformar, embora ainda não tenha maturidade suficiente e cuidando-o como a criança que ainda é, principalmente no aspeto emocional.

O que funciona é o diálogo permanente, o afeto mútuo, a determinação em acertar, o amor, a paciência e, principalmente, a certeza de que se trata de uma fase passageira. É preciso manter a comunicação e a disciplina, bem como compreensão e persistência.

Emoções negativas

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Não evite emoções negativas ou você se tornará uma vítima

As emoções negativas são estados energéticos, indispensáveis para o desenvolvimento interior: se você recusa o tédio, a tristeza ou o medo, você não se torna uma pessoa melhor, você se torna banal.

 
Vivemos na era do compartilhamento universal: graças à internet e em particular às redes sociais, estamos sempre conectados e em todos os lugares e muitas de nossas experiências se tornam "virgens", pelo menos entre nossos amigos e conhecidos. Nós compartilhamos muito, mas não tudo: ainda há algo que é melhor não externalizar. Eles são emoções negativas e dolorosas: a insegurança, o medo, o tédio, a tristeza são sentimentos que escondemos, temendo que eles não sejam aceitos em um mundo que parece ser povoado apenas por pessoas felizes que sorriem batendo diante do último selfie.

Este fenômeno é pelo menos parcialmente compreensível: as emoções negativas são percebidas como sinais de fraqueza e onde a aparência importa muito, elas podem ser facilmente consideradas bolas irritantes no pé. Devemos sempre ser fortes, felizes, sorridentes, vencedores. O problema não reside tanto no fato de esconder essas emoções dos outros, mas também muitas vezes os escondemos de nossos próprios olhos: se isso acontecesse, significa que transformamos uma recusa externa suposta em algo interior. Rejeitamos uma parte fundamental de nós mesmos e isso é contraproducente: nos tornamos triviais e superficiais e, a longo prazo, corremos o risco de adoecer.
 
As emoções recusadas se tornam doenças

O medo que se esconde por trás de tal comportamento é precisamente o de não ser aceito: se todos são felizes e despreocupados (porque todos mascaram sua parte "negativa") significa que estamos errados. Assim, nos esforçamos para esconder nossas emoções negativas, preenchendo a vida de compromissos, distrações e entretenimento, negando problemas e dores ou tratando-os superficialmente. Você entra em um círculo vicioso e, mais cedo ou mais tarde, você paga o preço: sintomas psíquicos ou físicos, às vezes doenças sexuais muito intensas serão a única maneira pela qual essas emoções negativas reprimidas ou negadas podem se expressar. Por mais surpreendente que seja, como seres humanos, precisamos perceber essas emoções também para criar espaço para elas: não há outra maneira de crescer e evoluir.

É uma regra universal: sem as dificuldades, sem provas a serem superadas, nossa espécie não poderia ter se desenvolvido como fez. A história ensina como momentos de grande crise muitas vezes prepararam o terreno para o futuro progresso da civilização. Do ponto de vista psicológico, deve-se lembrar que uma dor, um momento de crise, paragem ou apatia são às vezes necessárias para nos separar daquilo que já não nos corresponde, mudar nossa pele e abrir novas janelas em nossas vidas.

As cinco emoções negativas que mais escondemos:
 
Insegurança
Medo
Tristeza
Tédio
Mal-estar físico

Vontade de chorar

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Tenho 20 anos e sofro desse problema desde a adolescência.

A questão é que eu não consigo falar de assuntos sérios sem que me dê vontade de chorar. No trabalho isso também acontece. Por exemplo: trabalho com direito e muitas vezes, preciso explicar casos para o meu chefe, o que acontece é que chega um ponto que eu começo a sentir muita ansiedade (acho que é ansiedade), fico nervosa, tremo e começa a me dar uma vontade terrível de chorar. Tenho que desviar o olhar, muita das vezes pois fico com os olhos cheios de lágrimas.

A mesma coisa acontece com os meus pais. Quando conversamos sobre assuntos sérios, eu sempre acabo chorando. Ex: meus pais brigaram e pediram que eu escutasse a discussão e desse a minha opinião, e eu não consigo segurar o choro. Eu acabo dando a minha opinião chorando mesmo.

Eles não entendem o motivo do choro (nem eu, na verdade), ficam bravos me perguntando o porque do choro, e eu me descontrolo mais ainda.

Em resumo, eu choro em momento que sinto que preciso conversar sobre assuntos sérios.

Isso é comum? Como evitar esse tipo de comportamento?

Cara leitora,

 

O segredo é permitir-se experimentar as emoções como ocorrem, em vez de as negar, ou suprimir.

Não se preocupe de manifestar as suas emoções tanto as colectivas como as pessoais, que sendo fruto do seu mundo interior, certamente são criativas. As funções das emoções são importantes principalmente para seu desenvolvimento pessoal.

O importante é olhá-las e vivê-las naturalmente. Quanto menos tentar reprimir, melhor.

Muitas pessoas em momentos imprtantes reagem com choro, o que é preciso é gerir a ansiedade com inteligência emocional.

 

Um abraço

 

 

Adolescente com fobia social

 

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Olá doutora,

Eu tenho um filho que acabou de fazer 16 anos esse mês e está passando por uma série de problemas. Há dois meses foi diagnosticado com fobia social. Sempre foi muito tímido, calado e envergonhado, porém encontrou dificuldades em fazer novos amigos, sair com eles para os cantos, encontrar uma namorada etc. Seus assuntos são muito alheios ao do universo adolescente por gostar de falar mais sobre política e ciências. Ademais, passou a sofrer bullying por parte de alguns colegas por tirar boas notas.

Recentemente, ele tem-se mostrado constrangido de andar comigo pelas ruas ou de passear pelos cantos.

Meu filho é 10 cm mais alto e mais claro do que eu, que sou pai dele, ele tem 182 cm de altura, é forte, calvo, magro; parece mais velho. Ele tem ficado com vergonha de estar ao meu lado. Observo algumas pessoas que o olham de cima em baixo para ele e depois para mim, riem, fazem comentários com outros pelo fato de ele ainda passear comigo ou então acham até que ele tem alguma deficiência. Quase todos já o tratam como adulto. Esses acontecimentos nos têm distanciado.

Tudo isso o tem deixado deprimido e mais silencioso em casa, parou de falar tanto de suas ideias criativas e tem-se mostrado menos sorridente. Gostaria vê-lo alegre novamente e com uma vida social saudável, afinal ano que vem ele já deve entrar na faculdade e daqui menos de 2 anos completar 18 anos. É necessário prepará-lo para essa fase de transição.

Obrigado pela atenção.

 

Caro pai,

 

O adolescente que apresenta problemas de fobia social pode ter um medo desproporcional de ser julgado ou avaliado em situações com membros não familiares. Isso leva-o a temer e evitar relacionamentos com colegas e estranhos, enquanto com membros da família há um desejo de contato e envolvimento.

 

Para que possa enfrentar esse problema recomenda-se um tratamento psicológico onde é indicada uma psicoterapia.

É preciso promover a modificação dos pensamentos que mantêm essa fobia social. Através de uma psicoterapia, o terapeuta ajuda o adolescente a identificar e a combater pensamentos "erróneos" sobre a sua situação social específica e também a encontrar maneiras alternativas de lidar com essas situações.

 

O passo seguinte é a terapia de exposição. O adolescente precisa se expor-se às situações temidas de forma sistemática, gradual e progressiva de modo a obter aos poucos vivências de sucesso, o que leva à diminuição da ansiedade antecipatória bem como a enfrentar os medos com toleráveis níveis de ansiedade.

 

Para um tratamento eficaz recomenda-se um tratamento psicológico onde é indicada uma psicoterapia.

 

Tudo de bom

Dúvida sobre sexualidade

 

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Olá, boa tarde!

 

Tenho 22 anos e até o momento não possuo nenhuma experiência com relacionamentos. Nunca namorei e nem ao menos beijei. Porém desde o mês passado venho criando certas dúvidas quanto a minha orientação sexual. Tenho uma colega de trabalho lésbica e conversando com ela, percebi que em alguns momentos também tive algumas crises de orientação. Não sei se isso se deve a minha falta de experiência, mas desde então não consigo não pensar no assunto. Não me imagino namorando com outra mulher, porém tento evitar tanto pensar sobre o assunto que isso tem-me causado certa angústia. Será que sou bi? Ou apenas estou tendo uma crise tardia por conta da minha falta de experiência?

Agradeceria se pudesse ajudar-me e também agradeço desde já pela atenção.

 

Cara leitora,

É importante lembrar que não se nasce com uma orientação sexual definida, pronta e acabada. Pelo contrário, ao longo da vida vamos aprendendo e nos identificando com diferentes formas de vivenciar nossos desejos de uma forma mais fixa ou mais flexível, conforme as experiências vividas.

Provavelmente a sua falta de experiência impede que tenha um sentimento claro da sua sexualidade e quanto mais se preocupa mais fica angustiada. O importante é deixar fluir seus sentimentos e viver a sua sexualidade naturalmente sem forçar nada.