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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Prática da Gratidão em 2021

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A atitude de sentir gratidão, sentimento que filósofos como Séneca e Cicerone atribuíam poderes taumatúrgicos, aprende-se com a prática.

Na despedida de 2020 apostem num exercício de gratidão: refletir, escrever, fantasiar sobre pequenas coisas das quais somos gratos.

Ao refletir ou descrever uma cena é como se estivéssemos a revivê-la e reforçamos a carga positiva que ela representa, ao que em psicologia chama-se savoring ou seja saborear os prazeres.

Vamos a cada novo dia agarrar a beleza de novos momentos de gratidão para preencher o nosso viver em 2021!

Feliz 2021 Mariagrazia Marini Luwisch

Desmotivada de tudo

58.jpgOlá boa tarde,

Venho por este meio solicitar a sua ajuda para o seguinte, a minha filha tem 18 anos e encontra-se totalmente desmotivada de tudo, escola, casa, etc...

Estou realmente preocupada e não consigo fazer nada, o que me aconselha para esta situação?

Cara Mãe,

Nessa fase de pandemia é comum surgirem mais casos de desmotivação de adolescentes, que tanto pode estar relacionada com o contexto atual, quanto a problemas pessoais ou mesmo a um processo de depressão. É preciso investigar e ajudar.

No caso da sua filha, o melhor é que seja vista por um psicólogo para uma avaliação e um possível tratamento.

Entendo que para uma mãe ter uma filha desmotivada de tudo é exasperante. Nenhuma mãe quer ver uma filha a desperdiçar o seu futuro.

Aqui ficam algumas sugestões:

Procure dialogar com a sua filha, ouça-a, respeite a sua opinião. Fomente a sua motivação com prémios quando cumpre ou algum bónus quando demostra esforço para as atividades diárias.

Não espere resultados imediatos. Motivar uma pessoa pode ser um processo demorado. É preciso paciência e perseverança.

Acima de tudo nunca desista de educar a sua filha cedendo à pressão de a deixar “fazer o que ela quer” ou deixar ir avante. Vai demorar algum tempo, mas num futuro próximo ela irá sentir-se grata.

 

Pensamentos impuros

57.jpgBoa tarde,

Tinha um relacionamento de 10 anos com minha companheira, ela tem duas filhas de seu outro casamento. Quando a conheci as meninas tinham uma, 9 anos e a outra 5 anos, vim essas meninas crescerem, sempre respeitando cada uma. Hoje a menor tem 16 anos e maior 20 anos.

De uns três meses para cá comecei a olhar a de 16 anos com outros olhos, deixando pensamentos maliciosos invadirem minha mente.

Comecei a fazer planos.

Infelizmente planejei; comprar um chip novo me passando por outra pessoa e comecei a enviar mensagens para ela de cunho erótico. Ela no princípio respondeu, depois bloqueou esse número. Nunca soube que era eu que estava mandando as mensagens.

Resolvi de novo comprar outro chip e fazer. De novo o que fiz com o outro número...assim fiz e ela bloqueou de novo. Esqueci esse chip no meu celular e me ligaram... perguntaram quem era e eu falei o meu nome... ali percebi que minha casa caiu, e realmente caiu!!

Minha companheira, mãe da minha enteada descobriu tudo, viu minhas mensagens e me xingou de tudo.

Hoje percebi o quanto fui ingênuo e me deixei levar por pensamentos impuros, hoje me arrependo de todo mal que causei para minha companheira e para a família dela.

Sou um homem de princípios e não quero levar essa culpa pelo resto de minha vida.

Peço perdão todas as noites de Deus e peço para que ela me perdoe e que possamos voltar, sei que errei e estou muito arrependido e quero mostrar para ela que foi apenas um momento de deslize e que eu não sou o que ela pensa. Por favor qual Conselho que  me daria nesse momento que estou tão angustiado?

Caro leitor,

Tudo que pode fazer para se redimir é pedir perdão e esperar que ela volte a ter confiança em si.

Alguma dicas:

RECONHEÇA O ERRO - Seja humilde e assuma a responsabilidade pelo que houve explicitando que tem conhecimento de que causou sofrimento. Diga que a culpa e o peso na consciência já estão sendo um castigo. No pedido de desculpas, ressalte as suas boas intenções para o futuro. A melhor maneira de ser perdoado é mostrar uma real intenção de mudar.

TRANSMITA BOAS INTENÇÕES - Passe a mensagem de que o ocorrido foi um fato isolado.

ESCOLHA AS PALAVRAS - O sucesso do seu pedido de desculpas depende do seu talento para dizer a coisa certa. Expresse vontade de agir de forma diferente e crie uma boa expectativa na sua mulher.

Cada pessoa tem o seu tempo para perdoar. Vai ter que ter paciência, cumprir o prometido, agir respeitosamente e torcer para que ela volte a ter confiança em si.

Tudo de bom

Relação madura

56.jpgBoa tarde Dra.

Eu tenho 35 anos e tive 3 namoros meio abusivos onde eu fazia de tudo por ele, para que ele me escolhesse, já que em todas as relações, sempre tinha uma outra mulher no meio (ex, mãe e filho). E eu me entregava por inteira. Fazia de tudo pelos homens e no final, terminava porque eu não aguentava mais a situação. Sempre o luto era bem difícil passar, mas passou. Acreditava que amor era aquela paixão louca, de querer estar toda hora com a pessoa, fazer loucuras, frio na barriga, faltar no trabalho só para ir encontra-lo. Fiz muitas coisas em pro do outro e achava que isto era amor. E hoje vejo que não era. Era uma doença minha e que criei na minha cabeça como se fosse amor e hoje, estou com um rapaz que me respeita, me ama, faz tudo por mim, me leva a passear, as famílias se gostam e é o primeiro relacionamento dele com 34 anos. Muitas vezes.

Sinto falta da maturidade de saber como tratar na hora do sexo, como deve e arrumar o ver a namorada. É como eu estive ensinando para ele como é namorar. No começo o sexo era rápido e passou por uma psicóloga sexóloga que conversou e o orientou e tudo ficou melhor. Ele no começo não era uma pessoa que me atraía fisicamente, mas ele possui todas as qualidades que eu gostaria que tivesse um homem para estar comigo e aceitei namorar com ele depois de resolvermos a parte sexual. Mas quando penso no meu ex, há uma certa comparação com tudo e eu sinto que desta vez, eu estou aprendendo amar ele, dia a dia, detalhes, é isto para mim é novo também. Já que o fogo da paixão era o que eu denominava amor por 35 anos e é difícil mudar isto dentro de mim. Não quero perdê-lo, mas também não sinto um algo a mais com ele. Ficamos juntos, é normal, viajamos, mas nada daquelas loucuras que vivi e parece que isto está me bloqueando para eu me entregar de vez para ele. Estou preocupada porque sei que o problema é comigo porque ele faz de tudo para me fazer feliz e quero viver com ele, mas preciso de ajuda para entender o que está acontecendo dentro de mim.

Desculpe a extensão.

Obrigada

Cara leitora,

A paixão louca não é o principal numa relação madura. As principais bases de todo relacionamento maduro são a confiança e o diálogo, assim os parceiros sentem-se apoiados e comprometidos com a relação. Cultivar um vínculo positivo com a pessoa amada, desenvolver bons hábitos de comunicação e fortalecer a confiança entre ambos amadurece o relacionamento. Além disso, a análise de hábitos passados poderá ajudá-la a resolver problemas comuns de relacionamento.

Ter ao seu lado uma pessoa na qual pode confiar é uma base relevante. Estabilidade emocional e autossuficiência emocional são os pilares mais importantes num relacionamento. Reflita sobre os sentimentos que tem por ele. Pode ser que esteja vinculada a ele por apego, o que é diferente de amor. O apego possui, fecha-nos, aperta-nos, o amor é abertura, liberta.

É um equívoco imaginar que o amor é suficiente para esquentar a relação, é preciso também cuidar da parte sexual. Para tal é preciso cultivar as fantasias e continuar a pensar no parceiro como um objeto de desejo e estimular a vontade de tocar, acariciar e fazer sexo de modo não repetitivo e de uma forma sentida.

Cada casal deve descobrir o que funciona melhor sem desperdiçar e nem interromper a produção de carinho e achar que o prazer esteja garantido.

Caso continue a sentir que há algo errado consigo e não consiga encontrar um caminho, procure ajuda especializada de uma psicóloga para trabalhar os seus bloqueios.

 

Tudo de bom

Adolescente com depressão

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Drª Mariagrazia, boa tarde!

Tenho 16 anos e já faz um bom tempo que meu estado de espírito oscila.

De uns anos pra cá desisti dos cursos que fazia, e não consigo mais fazer as coisas que tanto me davam prazer, como: tocar violão, passar o dia lendo ou escrevendo músicas e poesia.

Tenho uma boa família e amigos que amo muito, sou grata por tudo que tenho. A questão é que parte do tempo consigo controlar a tristeza, vou simplesmente seguindo a vida, fazendo as obrigações e até me divertindo com quem amo. Já em outros momentos tudo fica mais difícil e dolorido,  mas não por conta de nenhum evento ou frustração específica. É como se esse vazio estivesse sempre ali, mas eu finjo que está tudo bem, até que não consigo mais me segurar e mergulho nas incertezas.

Me encontro em um desses períodos melancólicos. Sinto que sou como um robô, apenas cumprindo as obrigações, esperando ansiosa por uma chama que me desperte, o problema é que tem sido cada vez mais difícil fazer o básico (ser uma boa aluna, comer, dormir bem).

Percebi que faz anos que eu não tenho um sonho, as coisas parecem sem propósito, sempre monótonas. Sou bem pensativa e sei que posso escolher qualquer sonho aleatório, mas não tenho forças para por nada em prática, nada me deixa eufórica ou motivada e quando penso nisso uma angústia toma conta de mim, como se o vazio avisasse que está sempre comigo.

Acredito que sou capaz de ser feliz, mas há anos que esse sentimento, em sua forma genuína, parece distante e inalcançável...

Penso que é preciso desejar algo, pois quando sonhamos despertamos uma grande força, liberando um leque de sensações.

Consigo passar horas na teoria, mas parece que perdi os sentimentos. Existe algo ou alguma prática que possa me dar, mesmo que o mais leve, impulso para sentir alguma sensação genuína, além de angústia?

           Grata!

            D.M.

Cara D.M.,

Pelo seu relato parece que está a passar por uma fase de depressão ligeira.

Para tentar driblar esses sentimentos, vai precisar fazer algumas mudanças.  O que pode ajudar é fazer exercício físico regular para aumentar a sensação de bem estar. Outras coisas é iniciar a fazer alguma coisa nova como fazer um curso ou engajar-se em algum trabalho.

O que certamente é de maior ajuda é fazer uma psicoterapia.

A psicoterapia é fundamental para o tratamento da depressão.

A psicoterapia, através de sessões regulares, ajuda a:

  • Entender fatores desencadeantes da depressão;
  • Aprender como identificar e fazer mudanças em comportamentos ou pensamentos distorcidos ou negativos;
  • Explorar relacionamentos e experiências;
  • Encontrar maneiras melhores de lidar e resolver problemas;
  • Aprender a definir metas realistas;
  • Recuperar uma sensação de bem-estar e controle;
  • Aprender a lidar com sentimentos como frustração e raiva.

Fale com seus pais e não hesite em ajudar-se e procurar ajuda.

Fique bem

 

Despersonalização/desrealização

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Bom dia,

Espero que se encontrem bem.

Há cerca de 4 anos que os sintomas de despersonalização/desrealização aparecem em mim e desde aí os episódios são recorrentes (1x p/ano).

Há exatamente 1 semana estes episódios voltaram e não há sentimentos de melhoria, o meu estado de humor está bastante alterado e grande parte do tempo não me sinto bem em sair de casa, ir ao supermercado, ir dar um passeio, etc.

Já pensei em ir a uma consulta de psicologia / psicoterapia para ajudar neste transtorno, mas quero ir depois dos sintomas passarem.

Já não sei o que fazer, conseguem-me ajudar?

Caro leitor,

O transtorno de despersonalização, ou síndrome de despersonificação, é uma doença em que a pessoa se sente desconectada do seu próprio corpo, como se fosse um observador externo de si mesmo. É comum também haver sintomas de desrealização, o que significa uma alteração da percepção do ambiente que envolve, como se tudo o que está ao redor fosse irreal ou artificial.

Para tratarmos esse transtorno é necessário um acompanhamento psicológico.

Não espere o surto passar. Sugiro que inicie um percurso de psicoterapia o quanto antes.

 

Traição virtual

 

53.jpgTenho traído meu marido e minha família desde que estamos juntos praticamente (15 anos) faço amizades na internet e começam as trocas de fotos ...

Em um determinado momento meu marido conseguiu acesso ao meu celular e salvou as conversas e imagens, mostrou para minha filha de 14 anos (que tem indícios depressivos e transtorno de ansiedade) e está ameaçando de divulgar aos amigos e familiares o conteúdo... Decidimos então por dar um fim ao relacionamento porém devido a uma crise de ansiedade da minha filha ainda não consegui sair de casa estou completamente perdida sem saber o que fazer ...

Cara Leitora,

Se está perdida é por não ter certezas do que quer fazer. Sendo assim não faça nada por enquanto. Deixe o tempo passar, procure refletir e perceber se ama o seu marido, se está disposta a mudar, a manter o seu casamento, etc. Dialogue com o seu marido, com a sua filha….

Se está arrependida, espere passar esse momento de turbulência, deixe as coisas se acalmarem, a situação melhorar e em seguida programe fazer uma terapia de casal.

Se ainda ama o seu marido, não desista de lutar pelo seu casamento. O perdão faz parte da relação.

Tudo de bom

Adolescente e namoro

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Tenho três filhos dois homens um de 11 anos outro de 4 anos e uma filha de 14 anos.

Minha preocupação hoje é que ela só tem 14 anos e já está namorando e estou preocupada porque ela já age como se fosse adulta. Quer passar o dia na casa do namorado. Ele tem 15 anos, é jovem também, são dois menores e eu já expliquei as coisas: como é se não der certo, o que acontece se fizerem coisas que não devem, mas ela não entende. Me aconselha, como eu faço agora?

Cara mãe,

 

Converse com ela. Falem sobre sexo. Falar sobre sexo permite que ela tenha informação sobre os riscos físicos e emocionais e concede-lhe uma base sobre como deve começar a explorar a sua sexualidade. Oriente em como evitar uma gravidez precoce, doenças venéreas, ensine-a a usar um preservativo o que lhe dá a oportunidade de pensar em todos os riscos que existem e na importância de fazer as coisas de forma consciente. Explique que “não” é uma palavra poderosa, que explorar a própria sexualidade é algo natural, todavia isso não obriga ninguém a fazer algo contra a sua vontade. Explique que ela não é obrigada a realizar as necessidades de outra pessoa por medo e que tem direito de decidir.

Aprender que o “não” é uma palavra poderosa e irá ensinar-lhe que também deve respeitar os desejos da outra pessoa e que qualquer relação sexual deve estar baseada em respeito mútuo.

 

Espero ter dado algumas ideias para abrir um diálogo com ela.

Tudo de bom

Mãe intrusiva

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Olá Doutora.

Estou com o psicológico abalado pela separação dos meu pais, eles foram casados por 20 anos e em março deste ano meu pai saiu de casa pedindo a separação da minha mãe, desde então minha vida virou um caos ela só fala mal dele para mim e tudo que faço nunca esta bom, neste final de semana, foi aniversário do meu namorado e por mais que fiquemos juntos a ela, praticamente, todos o finais de semana, no aniversário dele decidimos almoçar com o pai e mãe dele e ela ficou chateada  zangada connosco por não a ter convidado, mas que culpa tenho eu? O aniversário era dele, não o meu!

Os dois dão-se bem, mas não entendo, ela me proíbe de ver meu pai, toda vez que falo que vou ver ele, ela dá um surto que me faz não ir, pois eu me sinto muito mal.

Não sei o que eu faço. Tudo tem que ser do jeito dela se eu deixar ela se mete até mesmo no meu namoro! Não foi nossa intenção deixa-la chateada mas tem momentos onde ele quer fazer as coisas com os pais dele também, pois ficamos muito com ela e mal ficamos com eles... Não sei o que fazer com essas coisas que me tiram o sono!

Se puder dar-me algum conselho de como resolver a situação ficarei muito grata!

Obrigada

Cara leitora,

Fale com a sua mãe para que ela entenda que tem direito de ver o pai, pois ele vai sempre ser o seu pai e a mãe sempre vai ser a sua mãe, independentemente do que acontece entre eles.

Uma separação abala toda a família e você também vai precisar ter paciência para aguentar não dando tanta importância aos comentários raivosos da sua mãe. Tente entender que ela está zangada com ele e por isso procura sempre dizer mal.

Quanto a ela ser muito intrusiva, faça a sua vida independente das exigências dela. Tem direito de ter vida própria.

Cuide de si , preocupe-se com a sua vida, estudos, namorado, etc.

Tudo de bom

Mãe tóxica

49.jpgBoa tarde Dr.a,

Uma mãe que passa o tempo a fazer-se de vítima perante outras pessoas  e a falar mal da filha.

Mas que em casa, fala para a filha com ódio e rancor, tem amor há filha?

 

És odiosa, metes nojo.

Até dá nojo olhar para tua cara, sempre trombuda.

Detesto a tua forma de ser.

Vou ter que te aturar toda a vida?

Vais viver sempre encostada a mim.

A tua irmã é melhor que tu.

És uma falsa, uma fingida.

Aluga um quarto e vai-te embora.

Um dia dou-te uma surra e ponho-te na rua!

 

Sempre a criticar-me e a rebaixar-me!

É uma mãe tóxica ou narcisista?

Como conseguir viver com uma pessoa assim?

O que fazer?

O único sentimento que tenho pela minha mãe é desprezo e cada vez detesto-a mais!

Ainda não sai de casa, porque não tenho condições económicas para isso.

O que fazer Dr.a?

Cara leitora,

Ela fala essas frases à toa ou tem alguma queixa específica tua? Ela diz essas coisas por estar muito nervosa, stressada ou com algum problema específico?

Tente entender porque e relacionado com que a sua mãe lhe diz essas coisas. Provavelmente tem uma filha idealizada na mente e a Susana não corresponde com essa imagem, mas nada disso justifica esse tipo de tratamento.  Parece que a sua mãe tem um problema sério que pode ser mental ou por falta de cultura ou de educação ou por ela própria ter tido uma mãe abusiva. Não penso que seja falta de amor, mas não é uma situação suportável. Não sei se a sua mãe é narcisista, mas é tóxica e é difícil. Uma mãe mesmo difícil coloca-a diante um grave dilema: ou desenvolve mecanismos complexos e autocastradores para manter a relação com a sua mãe, com grandes custos para si em termos de autoestima, relação e valores, ou arrisca-se a sofrer humilhações, desaprovação e rejeição.

A inveja também pode estar presente. Claro que muitas mães têm estes ‘acessos’. Mas é o carácter constante deste comportamento que define uma mãe difícil.

Pode sugerir à sua mãe que procure uma ajuda terapêutica para que possam tentar melhorar o relacionamento.

Algumas dicas para si:

1 Relação ‘light’

Muitas filhas tentam a terapia, mas muitas mães difíceis são narcisistas: não são capazes de comunicar intimamente com os outros e também não conseguem conectar-se com a sua vida interior, e portanto muitas vezes não colaboram com a terapia. Remédio: admitir que nunca serão próximas e ter uma relação mais leve, mais distante, sem tentar uma intimidade que ela nunca dará.

 

2 Separação temporária

Tire uma ‘folga’ da sua mãe para recompor-se. Diga-lhe que está a tratar de assuntos urgentes e que lhe telefona se houver uma emergência.

 

3 Separação total

Se tentou tudo e mesmo assim aquela relação compromete inequivocamente o seu bem-estar, esta pode ser a única opção. Mas é raro haver quem a tome, até porque é uma opção socialmente muito malvista e condenada.

 

Outra opção é não levar a mãe tão a sério, não lhe dar ouvidos e levar a sua vida sem muita intimidade, não dando oportunidade para que ela fale consigo, isso até o momento que tiver a opção de separar-se dela.

Fique bem