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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Mãe complicada

chagall22.jpgOlá me chamo T., tenho apenas 17 anos, entendo que é uma fase complicada, tanto pela adolescência, tanto pela vida amorosa de minha mãe ser complicada, por ela ter me tido nova, e por agora ela ter tido a segunda separação, e ter um bebé de 1 ano. Porém ela nunca foi muito presente na minha vida mesmo morando juntas, ela sempre foi grosseira, manipuladora. Eu sempre fui uma criança carente de afeto, sempre ajudei nos afazeres domésticos pois ela botava dinheiro em casa e era o mínimo que eu deveria fazer, e se esquecesse de algo ela era extremamente agressiva me xingava de imprestável, vagab.. pra cima, pois eu não servia pra nada, nunca fazia nada direito, não ajudava em nada só servia pra incomodar...

 

Enfim, sempre fui muito sensível a ofensas e ela quando começa não para, me deixa com muita raiva não somente dela, mas de mim também, ela sabe muito bem "apertar a ferida", . Mas ao mesmo tempo me arrependo de ter raiva e sinto muita pena dela ser assim tão infeliz, tentei muitas vezes falar, dialogar, conversar, mas é um monólogo só, porque ela que manda, eu não sei de nada e cala a boca. Até assuntos simples tipo " mãe preciso sair amanhã cedo.." Já é interrompido, ela ergue a voz, eu tento explicar ela manda eu calar a boca e não retrucar, que e não tenho respeito com ela. E vive ameaçando-me do tipo "vou te ensinar a ter respeito, vou levantar daqui e vou dar na tua cara se não fizer o que eu mando". Tipo é um inferno junto com ela. Mas com os outros, como meu namorado e a família dele ela é um anjo e adora falar mal de mim pra eles.

 

Recentemente estou a semana fora estudando (graças a Deus é um alivio ficar a semana longe dela) porém chega final de semana ela me liga dizendo que eu não me importo com ela se ela esta viva ou morta, e que eu não vou mais ajudar ela, que ela ta sozinha, que vai morrer, e que o bebé incomoda, e que eu to nem aí pra ela.

 

Eu fico com pena, e vou ajudar, faço tudo o serviço ela larga o bebé comigo, vai sair sem dizer onde vai e quando volta, e depois quando volta só me humilha e põe pra baixo, me manda calar a boca e que vai sumir, que eu não sirvo pra nada, que eu não sei de nada, que eu tenho que obedecer ela, pq graças a ela q eu to no mundo e graças a mim q ela ta nesse inferno.. Enfim eu fico com muita raiva (ela não precisa me humilhar pra dizer as coisas), penso em sumir, mas quando estou longe durante a semana eu fico com pena dela ser assim, e ter essa vida infeliz, até me sinto culpada. Esse sentimento de raiva e pena ta acabando comigo, não entendo pq com os outros ela sabe conversar normal e comigo tem que falar qualquer coisa simples gritando e me ofendendo e não quer nem me escutar. Por que ela está sempre correta e eu não sei nada???

 

Completo 18 anos daqui 4 meses, estou pensando em morar com o meu namorado, já estamos juntos há dois anos e a família dele é totalmente diferente, são pessoas alegres, felizes, eles tratam os filhos deles tão bem e a mim também; meu namorado mora sozinho, mas perto da família lá eu me sinto bem, me sinto acima de tudo digna, respeitada coisa que a minha família (mãe) não sabe fazer. Gostaria de saber a opinião de alguém que passa pela mesma situação (ou parecida) que a minha ou que sabe lidar com esse tipo de conflito que me ajudasse, dando uma opinião construtiva.

 

Obrigada e desculpa qualquer coisa que possa ter ofendido alguém ou algum erro de português.

 

Cara T.,

Não existem pais e mães perfeitos, mas existem pais e mães incapazes de se dedicar, de se envolver, de amar. São pessoas perdidas em seus próprios labirintos e não tem a consciência da importância de educar e amar um filho.

 

Muitos processos em que a filha não se dá bem com a mãe resultam em grandes sentimentos de culpa.

Um dos caminhos é procurar entender a sua mãe, e perceber que muitas das atitudes dela estão relacionadas às frustrações, os sonhos e interesses dela. Não é uma fórmula para que você consiga estabelecer uma boa relação com sua mãe, mas talvez deixar de sentir-se tão tanto o que ela fala.

 

Compreendo que conviver com a sua mãe não é fácil, mas ir morar com o namorado só para fugir da presença dela não é solução. Vá morar com ele se essa for uma decisão vossa de ficar juntos por amor que sentem um pelo outro.

 

Um abraço

 

Como lidar com mãe e irmã

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 Chamo-me Sónia sou deficiente, tenho uma incapacidade de 69%, nos ultimo 20 anos tenho sido rejeitada pela minha irmã e pela minha mãe. Há 5 anos que me deixam sozinha no natal.

 

Há 10 anos que tenho um problema muito grave sem se informarem sobre realmente o que se passava responsabilizaram e deixaram me sozinha sem ter como me defender. Comprei a minha casa e fui lesada pela caixa central do crédito agrícola de Lisboa. Descobri que não me deram os meus direitos como deficiente que estão na lei e puseram-me a pagar o dobro da prestação da casa. Fiz um simulação no balcão do mesmo banco em vila franca de rixa, e o valor da prestação eram 562€, no balcão de Lisboa onde fiz o crédito a prestação que eu pagava eram 1100€.Tentei resolver tudo a bem com o banco e pedi para fazerem a correcção, mas recusaram se e disseram que agora só em tribunal. Informei a minha mãe e a minha irmã do que se estava a passar, até porque só me restava ir para tribunal, e elas disseram que é tudo da minha responsabilidade e tinha que resolver sozinha.

 

Devido a esta situação o meu pai que vivia comigo teve um avc e encontrei o sem vida em casa. Fui pedir a ajuda ao Estado para ter uma advogado, foram nomeados 6 advogados da ordem dos advogados que não me prestam auxílio diziam que o caso não tinha condições para seguir para tribunal, dizendo que não tina viabilidade jurídica, o que não corresponde a verdade porque o caso é de facto muito grave.

Tive 5 anos a batalhar sozinha contra o banco e sem advogado. Ao fim deste tempo pedi ajuda ao Dr Marinho Pinto ex bastonário da ordem dos advogados, que me nomeou logo uma advogada. Como eu decidi pagar o valor justo da prestação e não o dobro o banco caixa de crédito agrícola penhorou me a casa, alegando que eu estava em divida quando andei sempre a pagar o dobro durante 4 anos. Depois puseram um processo a minha irmã e a minha irmã em tribunal para as obrigar a pagar o valora mais que eles estavam a exigir ou então retiravam todos os seus bens. Se elas me despregaram tudo ficou ainda pior e fiquei ao abandono.

 

Acusavam me sempre de que a culpa era minha. No processo que foi posto a minha mãe e irmã eu e a minha advogada não fomos notificadas, e a minha irmã e a minha mãe também não me avisaram a cerca desse julgamento que aconteceu nas minhas costas quando eu sou a principal interessada. Depois da audiência foram a minha casa coisa que nunca acontecia para me informar que o tribunal ordenou que saísse da minha casa e a minha mãe e a minha irmã foram condenadas a pagar ao banco mil.

 

Fiquei sem a minha casa ilegalmente e injustamente, fiquei só com os meus objectos pessoas e tive que vir vier para a casa da minha mãe por não ter por onde ir. A minha mãe é empresária tem uma boa situação financeira e a minha irmã também , se tivessem posto logo um advogo em 2008, quando eu lhes contei o que se estava a passar, eu não teria ficado sem casa, e elas também não teriam tido problemas. Isto é reflexo do total desinteresse por mim por parte da minha mãe e irmã. São 20 a perdoar coisas muito graves porque só queria que tudo ficasse bem entre nós é a minha família mais directa. Quanto mais perdoo mais erram, foi ao ponto de me terem posto fora de casa, antes de eu comprar a minha casa. Esta neste momento a decorrer um processo contra o banco caixa central do crédito agrícola no tribunal da relação de Lisboa.

 

A minha mãe pediu-me que passasse uma procuração para que pudesse vender ou arrendar a casa, contudo a casa estava hipotecada pelo banco, por isso não se conseguia vender. Então a minha irmã ficou de baixa 4 meses, e como a imobiliária não vendia a casa, mas intenção não era vender era aguardar a decisão do tribunal da relação, a casa estava a venda e o banco só tinha era que esperar. A minha irmã foi encontrar um investidor uma pessoa dessas que compra e vende casas em leilões e vendeu me a casa nas minhas costa. Estou de rastos nunca mais vou confiar nelas nem nunca mais lhes passo um documento legal para as amos.

 

A minha pergunta nesta tarde é: como devo lidar com a minha mãe e com a minha irmã será que a única solução é afastar me delas sensitivamente?

Desde já agradeço a atenção dispensada, com os melhores cumprimentos Sónia Candeias.

 

Cara Sónia,

Não posso pensar que a sua mãe e irmã tenham vendido a casa para lhe fazer mal, mas talvez tenham achado que era a melhor solução para si.

 

Para lidar com a sua mãe e a sua irmã é preciso dialogar, conversar, contar as coisas, discutirem juntas o que fazer, com a liberdade de falar sobre seu projeto e discutir com elas para certificar-se da que viabilidade. Se tem condições de viver sozinha, poderá pedir um empréstimo e comprar outra casa para ter uma vida mais independente, assim que resolver o processo contra o banco caixa central do crédito agrícola.

 

Quando há problemas de deficiências não é fácil a convivência. De parte a parte pode haver, por vezes, irritação ou falta de paciência. Não sei se continuar a “perdoar” é uma opção, mas cabe a si decidir e lembrar que elas são a sua família e o seu apoio.

 

Quanto a si, seria aconselhável que tivesse um apoio psicológico para ajudá-la a gerir as questões emocionais que por vezes prejudicam a sua estabilidade psicológica.

Um grande abraço e tudo de bom


 

Desprezado

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Tenho 30 anos e nunca entendi o motivo de ser o desprezado da minha casa, a história que sei é que meu pai largou minha mãe quando estava grávida de mim, com isso ela tomou abortivos mais com a graça de Deus eu estou aqui, eu sou o único que puxei pra ela moreno, meus três irmãos são brancos e comecei a percebi a diferença no tratamento ainda pequeno, pois simples coisas do dia-a-dia como passeios, presentes eu sempre fui excluído.

 

Mesmo assim sempre superei todos esses problemas, fui o único que nunca estudei em escola boa, mesmo assim fui o único a passar em 3 vestibulares para escola pública, sempre estive do lado dela nos momentos de doença e nunca consigo enxergar que ela me respeite ou me trate como filho, com muito sufoco casei e as perseguições continuaram, chegou ao ponto de minha ex pedir o divórcio, depois disso acabei passando por muitas dificuldades e ao invés de receber apoio só recebo criticas por parte dela e joga na minha cara o favor que ta fazendo de eu passar uns dias na casa dela, mesmo em crise comecei a melhorar novamente e semana que vem já vou pro meu novo imóvel, já pensei em ir embora pra outro estado ou pais porque no fundo eu vivo sozinho e não tenho apoio em nada de quem deveria ter, percebo que eu falir foi motivo de alegrias pra eles, pois mesmo com toda contradição cheguei onde nenhum cheguei, logo voltarei a minha vida de novo e pretendo excluir minha família de mim.

 

Caro leitor,

 

Ser a ovelha negra da família não é fácil. Ela é o “bode expiatório” sobre o qual se projetam todas as culpas.

A ovelha negra não é má, nem pretensiosa. Ela é diferente, é alguém que aprendeu a se esquivar das pedras, a pensar de outra forma e que sempre soube qual sentido seguir, não como o rebanho de ovelhas brancas.

 

Em psicologia estas pessoas são chamadas de “pacientes identificados”. Se estas situações não forem administradas de forma adequada, seremos nós que mostraremos a sintomatologia dessa família disfuncional ou desse cenário tóxico.

 

Não guarde rancor à sua família. Nem é preciso fugir para longe. Se é um vencedor, isso já basta. Aprenda a se orgulhar de ser capaz de pensar de forma diferente, o que representa um grande privilégio para manter a sua sanidade psicológica.

 

Perfil falso no facebook

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Boa noite, me chamo Matilde. Tenho 24  anos e passo por uma situação  que me deixa bastante entristecida.

Sempre tive uma relação  difícil  com minha mãe desde a infância,  ela nunca teve muito carinho por mim porém sempre fez o melhor que ela pode dentro das condições. Tenho um irmão  mais velho  que ela já disse ser o queridinho já  que ela acha que sou a preferida do pai. Há mais ou menos uns dois anos descobri que minha mãe tinha casos na Internet não  contei para meu pai apenas para meu irmão. Logo após essa descoberta, ela sofreu um enfarto e passou por uma grande cirurgia cardíaca fiquei ao lado dela em todos os momentos larguei meu emprego para cuidar dela.

Recentemente descobri que ela tem um perfil falso no face com minhas fotos se passando por mim além disso peguei várias mensagens no celular dela falando besteira com homens de passando por mim venho sempre guardando  esse ressentimento pra mim pois mudei minha postura com ela hoje sou uma filha melhor mas isso acaba comigo não  saio mais o que fazer.

 

Cara Matilde,

 

A sua é uma situação delicada, difícil de gerir. Penso que o melhor é conversar com a sua mãe e dizer que sabe o que se está a passar (sem criticar) e só pedir que por favor não use as suas fotografias e nem o seu nome pois isso poderá trazer problemas futuros para si, pois tudo que colocamos on-line ou que mandamos por mensagens a desconhecidos, pode sofrer mau uso.

 

Talvez ela usa esse tipo de práticas para se “distrair” da rotina do casamento ou da solidão. Mas é preciso atenção pois todas as práticas que dão prazer podem-se tornar viciantes Há, também a questão do risco. Não o risco físico – esse é nulo, o que permite aventuras seguras com desconhecidos, mas o risco virtual, que se pode tornar “bem real”, com um desconhecido pode ser perigoso, pois não se sabe quem está do outro lado. As imagens podem ser gravadas, manipuladas e postas a circular pela internet e ainda se houver mais pessoas envolvidas, é necessário o seu consentimento para que as imagens possam ser difundidas, senão se está a cometer um crime. Os crimes de abuso de utilização e manipulação de imagens difundidas pela internet têm crescido de forma significativa, embora a maior parte das pessoas não apresente queixa. Trata-se de um crime semipúblico, o que implica a apresentação de queixa.

 

Entendo que não queira “estragar” a relação com a sua mãe uma vez que só agora é que voltou a retomar mas também não pode deixar que ela estrague a sua reputação. Penso que se falar com calma e clareza ela vai entender.

 

Para a sua mãe é indicado um acompanhamento psicoterapêutico, para que a ajude a ultrapassar alguns impasses devido aos problemas cárdicos e aos problemas afectivos, que podem prejudicar ainda mais a sua vida e saúde.

Tudo de bom

 

 

Sobre mães

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O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

 

Ser mãe não é fácil, ser filha ainda menos, e há maus momentos entre todas as mães e filhas, tal como há em todos os casamentos. Há mães esporadicamente difíceis (todas). E também há as mães consistentemente difíceis. A filha de uma Mãe Difícil tem sempre a esperança de que as coisas mudem. Com uma mãe narcisista, isto nunca acontece. A narrativa dela rejeita a mudança, o tempo, e os outros.

A narcisista é um dos ‘tipos’ de mãe difícil. Uma mãe difícil é mais do que uma pessoa com quem temos problemas de vez em quando. Uma mãe difícil põe a filha perante um grave dilema: ou desenvolve mecanismos complexos e autocastradores para manter a relação com a mãe, com grandes custos para a filha em termos de autoestima, relação e valores, ou arrisca-se a sofrer humilhações, desaprovação e rejeição.

 

Algumas mães podem ser tóxicas.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

Por mais que pareça estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

Para lidar com uma mãe tóxica é preciso estar consciente para quebrar o ciclo de toxicidade.

Viver para ser feliz, exige dizer “não”, colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

 

Agradecemos às boas mães, pelo milagre da vida, pelo amor incondicional, pelo esforço, pelo cuidado, pelo carinho e proteção.

Mãe entristecida

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Bom dia me chamo A. tenho 39 anos e dois filhos S de 17 anos e I. de 19.

Tive uma união estável e estou separada a 8 anos.

Trabalho das 08 às 18 chego em casa à noite.

Quando engravidei da S. meu filho era bebé. Pois a diferença de idade é de 1 ano e 6; meses.

O sonho da vida do pai dela era ter uma filha menina.

Hoje e sempre ele faz todas as vontades dela. Deixar dormir fora da casa de amigas, faz dívidas sem poder, leva e busca pra qualquer lugar, escola cara.

E eu sou o contrário procuro orientar que temos que viver dentro das nossas condições financeiras. Minha filha disse que moramos na periferia. E sempre temos diferenças. Hoje ela enviou um e-mail para o pai me chamando de A. e pedindo para o pai tirá-la da nossa casa, disse que eu sempre reclamo dela e que sou negativa e má e que não percebe se eu tenho afeto por ela! E que sente o mesmo pelo irmão!

O que eu faço? Estou totalmente entristecida!

 

Cara A.,

Adolescência é a idade da contestação, há traços de rebeldia que acompanham essa fase da vida e é preciso ter firmeza para educar com amor e ao mesmo tempo dar limites e disciplina. Quando o casal é separado ou não se entendem pode ser mais difícil dar ao filho uma educação consistente para lhe trazer segurança e responsabilidade, mas não é impossível. De qualquer maneira é preciso educar, dar disciplina e responsabilidade.

 

Tenha calma. A sua filha aproveita da vossa situação de separados para tirar vantagens. E para uma adolescente menina é fácil se desentender com a mãe ou reclamar por tudo e por nada. Entendo que você tenha ficado “sem rumo” , depois de tudo que faz por ela, ouvir essas coisas “negativas”. É muito fácil para ela jogar tudo que incomoda na mãe que tem a responsabilidade de educar no dia a dia, (que cuida, que trata) em vez do pai que só mima. O mais importante é você não levar isso a sério e não dar importância ao que ela diz. Dizemos muitas coisas especialmente quando há alguma controvérsia e descontar na mãe ou no irmão é fácil mas não quer dizer que não goste de você e nem do irmão, pelo contrário é porque gosta e se sente amada é que pode se dar ao luxo de “ofender”, sem perder o amor.

 

Converse com ela, mas como mãe e educadora. Adolescente precisa de disciplina e disciplinar é uma tarefa difícil que frustra os pais,- mas ajuda os filhos a amadurecerem e a se tornarem independentes e seguros sabendo o que é certo e errado. Conflitos são “normais” com filhos adolescentes e também mais velhos, mas ajudam a crescer. Por isso que dizem que “ser mãe é sofrer no paraíso”!

 

Um abraço

Dependência emocional com a mãe

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Olá, doutora! Tudo bem?

Estou passando por uma situação da qual não vejo muita solução. Gostaria de receber comentários seus sobre o assunto.

Sou a M., tenho 21 anos. Moro com minha mãe e fazemos praticamente tudo juntas. Dormimos no mesmo quarto, estudamos, comemos... Tudo juntas. E quando vou para a faculdade, vamos e voltamos juntas de carro porque ela passa o tempo estudando na biblioteca (ela está desempregada e estuda na biblioteca durante minhas aulas).

E agora como se não bastasse, vamos começar a fazer academia juntas.

 

Tenho sentido muito incómodo com isso, porque sinto que preciso mais espaço. Mas todas as minhas tentativas de conseguir isso faz ela pensar que não a amo, que sou fria. Ou então ela acaba convencendo-me de que essa é a forma mais conveniente de passarmos nossa rotina, que não tem nenhum problema. E assim continua pra sempre...

Às vezes minto para conseguir algumas horinhas longe dela. Pra ler um livro ou qualquer atividade em que eu aproveite a minha própria companhia ou a de amigos.

Não sei se poderia falar a verdade, pois ela sempre me convence de que é melhor eu fazer essas coisas depois, ou fazer outras coisas (junto dela).

 

Preciso me libertar, mas não sei por onde começar.

Obrigada, doutora.

Abraço.

 

Cara M.,

Quando a mãe tem a função de mãe e o pai tem a função de pai temos uma família funcional, se não for assim teremos uma família disfuncional, onde as relações entre os seus membros não são equilibradas e estáveis e onde os padrões de comunicação alterados conduzem a problemas crónicos no seio da família. Parece que a sua mãe tem uma relação patológica consigo e que esse exagero de convivência é prejudicial para o seu amadurecimento.

 

A relação com a sua mãe é de dependência emocional, uma relação simbiótica e muito pouco saudável. É preciso que encontre o seu equilíbrio e o seu próprio espaço para viver a sua individualidade. Cabe a si não se deixar envolver em demasia e ter consciência que tem o direito de viver a sua própria vida, o que não inviabiliza o afeto e o amor que sente pela sua mãe.

 

Fale com ela e explique o que sente e as necessidades que precisa e não desista de tentar a sua independência afetiva.

Um abraço

Filha e mãe

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Tenho 20 anos, quase 21, fui criada sempre com a minha mãe, meu pai sempre foi ausente, sou filha única. Sempre fiz tudo que minha mãe dizia para eu fazer, sempre escutei muito ela e a respeito muito! Hoje faço engenharia, com grande apoio dela, e moro a 100 km da minha cidade natal, e de onde ela mora, moro sozinha e só estudo. Eu quero muito trabalhar, porém minha mãe quer que eu apenas estudando e quando surgir uma oportunidade de trabalho boa, aí sim posso trabalhar...

Ultimamente tenho tido muitos conflitos com ela, como moro sozinha, me acostumei a manter a casa do meu jeito, e quando ela vem pra cá, ela só me critica só pelo jeito como eu deixo o escorredor de louças na pia, de como eu recolho a roupa, de onde eu guardo as coisas, sacolas de lixo, enfim, tudo! Ela vem pra cá e muda todos os móveis de lugar, muda os tapetes de lugar, isso me cansa! Estou esgotada de ser criticada por ela, tudo que eu faço está errado, se eu faço de uma forma diferente da dela, está completamente errado e ela briga muito comigo, faz piada do jeito como organizo as coisas! Ela me trata como se eu tivesse 10 anos!

Eu não sei se isso acontece porque sou dependente dela, mas eu não suporto mais ela me falando tudo que eu tenho fazer da forma como ela quer!

Peço que me dê um conselho do ponto de vista profissional, por favor!

Obrigada!

 

Cara filha,

 

Procure compreender a sua mãe que a ajuda a se organizar e pretende o seu bem, embora ao mesmo tempo tente discriminar o que está bem para si e o que não está, sugerindo sempre mudanças. Fale ela sua mãe com racionalidade e maturidade, explicando que há coisas que prefere organizar à sua maneira, o que ela certamente vai entender. Se houver lógica e paciência já é um caminho para solução.

 

Acontece que para as mães, muitas vezes, é difícil  aceitar a independência da própria filha o que leva a conflitos  e incompreensões. Cabe a si saber encontrar seu equilíbrio e a sua independência.

 

Um abraço

Relacionamento com a mãe

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Olá Dra. Mariagrazia!

 

Sempre tive um relacionamento difícil com a minha mãe, desde quando me entendo por gente. Quando tinha 10 anos meus pais se separam, e quando isso aconteceu, senti que precisava ajudar minha em tudo que pudesse e foi o que fiz. Ajudava a cuidar dos meus irmãos mais novos, da casa, fazia comida, entre outras coisas. Porque sabia que ela iria precisar de toda ajuda e força possível. Me esforçava para ser uma boa filha, mas mesmo assim, ela nunca se mostrou satisfeita. Só apontava o que era feito de errado, e NUNCA me disse um obrigado. E tudo isso foi deixando-me triste, e me fez se sentir inútil. Com o passar dos anos, nada mudou. Aos 16 anos comecei a trabalhar, ajudava financeiramente dentro de casa e mesmo assim nada era suficiente. Comecei a querer ter mais liberdade, pois sempre demostrei ser responsável e ela só sabia jogar as coisas na minha cara e que "não é porque você trabalha que tu vai fazer o que quiser..." " enquanto você morar na minha casa você não vai fazer o que quiser", e como a respeitava acima de tudo, abaixava minha cabeça e tenta entender, apesar, de ficar muito triste. Mas também, passei a alimentar uma vontade muito grande de sair de casa. 

 

Enfim, hoje tenho 20 anos, e o relacionamento continua muito difícil. A 8 meses comecei a namorar, e além da implicância comigo, agora também é com ele. Ela sempre dá escândalo, me faz passar vergonha na frente dele, diz que sou uma pessoa "indigna", entre outros insultos que prefiro não dizer. Mas nesse ultimo fim de semana, ela simplesmente passou todos os limites. Falou comigo como se eu fosse uma coitadinha (o que ela sempre faz), e que tudo que acontece comigo, que a forma dela me tratar, foi tudo eu que criei. Meu irmão do meio, até quis bater no meu namorado. filh

 

Ninguém na minha casa fala comigo, o ambiente fica cada vez mais pesado. Me sinto odiada pela minha mãe, sem ao menos saber o porquê. E agora estou em um dilema, minha sogra que sempre nos apoiou, já havia me chamado para morar com eles, e agora ele me ofereceu isso de novo, porque não adianta, essa situação na minha casa parece que nunca vai mudar. O que eu devo fazer? Vou morar com meu namorado? Estou muito triste, e confusa.

 

Desde já agradeço!

Obrigada!

Gigi

 

 

Cara Gigi,

 

 O ir morar com o seu namorado não vai ajudar em nada a melhorar o relacionamento com a sua mãe e ainda vai talvez proporcionar dificuldades de relacionamento com o seu namorado e com a sua futura sogra.

O problema tem que ser resolvido entre as duas e só é possível através do diálogo e da compreensão mútua.

Quando tiver a possibilidade de sair de casa para viver por conta própria e se manter sozinha sem depender de ninguém é outro caso, mas por enquanto ainda é muito jovem para isso.

 

O melhor que tem a fazer é tentar se entender com a sua mãe. Certamente enquanto morar com ela vai ter que seguir as regras dela, mas sempre podem conversar quando se trata de algum ponto importante para ambas.

 

A fase adulta de uma filha é uma etapa muito marcante na relação mãe e filha e ambas passam por desencontros, frustrações, mágoas ou ressentimentos, mas quanto mais cada qual, mãe e filha puderem observar todo evento por diferentes prismas, buscar compreender as razões que levaram cada qual a agir desta ou daquela maneira, isto é, não ficarem presas na ocorrência frustrante, e sim ver o que há por trás, ou seja, o que pode ter levado a outra a agir desta ou daquela maneira, e principalmente, não atrelarem-se aos próprios desejos e expectativas, mãe e filha poderão compartilhar muito mais as alegrias inerentes às mudanças e transformações que desencadeiam novas etapas  da vida.

 

Pense nisso e procure uma solução nesse sentido.

Um abraço

Mulher em luto

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Bom dia, perdi meu marido há dois meses e de lá pra cá minha vida anda uma correria, pois ele me ajudava em tudo e era muito ativo . Ele descobriu a leucemia há 4 anos. Lutou, foi um guerreiro até o fim, amava a mim e ao nosso filho de 2 anos com todo o seu coração.

Eu não tenho mãe, e minha família é totalmente desestruturada , tenho alguns amigos, que converso desabafo às vezes, mas sinto-me muito  angustiada com tamanha responsabilidade. Gostaria de alguma dica para lidar com tal situação.

Desde já agradeço pela atenção.

 

Cara leitora,

 

O seu luto ainda é muito recente e é normal que se sinta angustiada e perdida. Que a sua vida se tenha transformado numa correria também é normal pois ficou com a dupla responsabilidade da família.

 

É importante que passado algum tempo consiga retomar as suas rotinas diárias, o seu trabalho, a sua vida social e inicie um processo de reorganização mental.

Nesse momento é importante a ajuda dos amigos e das pessoas que estão ao seu lado.

O luto leva seu tempo e a ferida da perda de alguém querido necessita de tempo para ser suavizada. É preciso paciência e calma para conseguir reencontrar um equilíbrio psicológico.

 

Convém que esteja atenta para prevenir entrar no chamado “Luto Patológico”. Para sair do luto é preciso lutar.

Se tiver alguém para falar, desabafar, um parente, uma amiga, uma vizinha, certamente vai ajudar muito. Precisa aos pouco retomar a sua vida. Não é fácil, mas é preciso força e coragem. Tem um filho de 2 anos que precisa de si e essa é a sua família que deve zelar para ficar o quanto mais estruturada possível.

 

As pessoas em luto passam por várias fases. Agora está na fase de desorganização e desespero, é a fase mais difícil. Quando passar à fase de reorganização e aceitação irá se adaptar à vida na qual seu marido não está mais. Para lidar com a sua perda a solução é enfrentá-la e aos poucos construir uma nova história, com calma, dando tempo ao tempo, com novas experiências, naturalmente conforme se sinta pronta, sem esquecer as boas lembranças que o seu marido deixou.

 

Se sentir que não consegue sozinha ultrapassar a dor do luto e se reorganizar, procure ajuda de uma psicoterapia, ao menos para ter com quem desabafar sobre o que sente e juntas encontrarem um novo sentido para sua vida.

 

Um grande abraço