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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Medo de HIV

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Estou sofrendo muito com medo do HIV. Sinto dores de cabeça, angústia, fastio e já estou procurando alterações no meu corpo. Sou homem, atualmente vivendo sozinho e num vacilo da vida, deixei um desconhecido gay fazer sexo oral em mim (primeira vez isso). Agora o medo e pânico se instalaram.

Fiz o teste rápido 3 dias após o ato, fui ao infectologista e refiz o teste agora (Ago/18) com 31 dias tanto o teste rápido (pra saber na hora) quanto numa clínica particular (aguardando 4 dias). Deram negativo....mas o temor, a obsessão continuam 24h.

Visto que a janela imunológica dessa doença fica entre 30 e 90 dias... Logo, não sei como suportar tudo isso pra fazer mais exames (fiquei também com medo da agulha do teste rápido) estou vivendo de calmante.

Pior coisa do mundo é ter que esperar o tempo passar... a mente voa e ficamos em ciclo remoendo, se martirizando, pensando no pior e tendo que disfarçar no trabalho e com familiares. Estou uma pilha de nervos, uma panela de pressão a ponto de explodir.

Já venho comprando todo tipo de remédio pra minimizar os sintomas dessa doença da fase inicial.

 

É preciso direcionar seus pensamentos catastróficos para melhores direções e para tal use as seguintes declarações:

  1. "Não está acontecendo agora." Uma catástrofe poderá ocorrer, mas não está acontecendo agora, neste momento está seguro.
  2. "Aconteça o que acontecer, eu posso lidar." Esta declaração lembra de seus próprios recursos internos e dá-lhe a determinação para enfrentar os desafios da vida.
  3. "Estou causando meu próprio sofrimento. Eu poderia parar? ”A primeira parte desta declaração tem suas origens nas Quatro Nobres Verdades do Budismo.

Espero que isso o possa ajudar a ver que há uma escolha e se realmente acontecer uma catástrofe pergunte-se: "como eu poderia estar melhor preparado para ultrapassar isso?" Então  planeie seus passos de ação, o que vai aliviar a sua ansiedade.

Medos e postura rígida.

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Olá! Eu me chamo Diana e tenho 16 anos. Eu me sinto presa em meu próprio corpo. Não consigo agir com naturalidade. Uma pessoa que mora comigo, sempre diz que ando igual um menino, e não como uma menina. Quando tinha uns 10 anos, eu comecei a agir igual um menino, por ter medo dos homens e não queria que olhassem pra mim, eu tinha raiva quando olhavam. Eu agi dessa forma por muito tempo, eu não sou lésbica, não quero agir como uma menina masculinizada, mas parece que os traços masculinos que comecei a ter aos 10 anos em diante, permanecem. Eu sinto muita vergonha em andar na rua, eu que tenho que controlar meus braços, ando feito um robô. Eu me sinto muito mal com isso... Acho que sofro de ansiedade, pois além de tudo isso, sinto vergonha/medo de fazer qualquer coisa, a mais simples, torna-se a mais difícil. Parece que é difícil pra entender alguma coisa, sou muito distraída. Por ex.: abro uma porta, e sempre esqueço de fechá-la com a chave. Abro alguma coisa e não fecho... Parece que o meu raciocínio é lento... Eu sinto um medo constante de fazer qualquer coisa, medo de abrir e andar de guarda-chuva na rua, medo de copiar a lição em sala de aula... Eu sinto um medo constante de errar, e sempre acabo errando. Parece tudo dá errado, nada dá certo. Eu não me sinto bem perto de outras pessoas, eu não consigo me socializar direito com as pessoas, nem na escola... Sempre fico isolada, porque tenho medo de me julgarem e de eu errar alguma coisa... Eu preciso de ajuda, já cheguei até a pensar que tivesse Deficit De Atenção, pois tenho muito medo de errar, tenho medo de frustrações e não reajo bem a críticas, sempre me coloco pra baixo, sempre acho que sou incapaz, sou tão distraída, tão desligada... Será que devo passar em um psiquiatra? Eu não aguento mais ser desse jeito, presa em minha própria mente...

 

Cara Diana,

Sentir medo é natural e saudável e costuma nos proteger dos perigos e nos afasta de situações em que nos sentimos ameaçadas. Em excesso torna-se patológico. O medo constante de errar, de ser julgada e de não fazer as coisas as coisas bem-feitas prejudica a dinâmica da sua vida e como consequência acaba por errar. Procure dissociar, ou seja, estar distante emocionalmente do desconforto sem se perder no medo. 

Quanto à sua postura rígida e pouco natural, faça exercícios de Pilates ou Yoga e vai se sentir muito mais confortável com o seu corpo. 

Para uma ajuda mais específica procure um psicólogo que a conduza para um desenvolvimento emocional saudável. Cuidar de si e da sua saúde psicológica é um ponto de suma importância para superar seus medos e sentir-se livre no seu próprio corpo.

Vontade de chorar

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Tenho 20 anos e sofro desse problema desde a adolescência.

A questão é que eu não consigo falar de assuntos sérios sem que me dê vontade de chorar. No trabalho isso também acontece. Por exemplo: trabalho com direito e muitas vezes, preciso explicar casos para o meu chefe, o que acontece é que chega um ponto que eu começo a sentir muita ansiedade (acho que é ansiedade), fico nervosa, tremo e começa a me dar uma vontade terrível de chorar. Tenho que desviar o olhar, muita das vezes pois fico com os olhos cheios de lágrimas.

A mesma coisa acontece com os meus pais. Quando conversamos sobre assuntos sérios, eu sempre acabo chorando. Ex: meus pais brigaram e pediram que eu escutasse a discussão e desse a minha opinião, e eu não consigo segurar o choro. Eu acabo dando a minha opinião chorando mesmo.

Eles não entendem o motivo do choro (nem eu, na verdade), ficam bravos me perguntando o porque do choro, e eu me descontrolo mais ainda.

Em resumo, eu choro em momento que sinto que preciso conversar sobre assuntos sérios.

Isso é comum? Como evitar esse tipo de comportamento?

Cara leitora,

 

O segredo é permitir-se experimentar as emoções como ocorrem, em vez de as negar, ou suprimir.

Não se preocupe de manifestar as suas emoções tanto as colectivas como as pessoais, que sendo fruto do seu mundo interior, certamente são criativas. As funções das emoções são importantes principalmente para seu desenvolvimento pessoal.

O importante é olhá-las e vivê-las naturalmente. Quanto menos tentar reprimir, melhor.

Muitas pessoas em momentos imprtantes reagem com choro, o que é preciso é gerir a ansiedade com inteligência emocional.

 

Um abraço

 

 

Sensação de estar fora do corpo

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Boa tarde! Quando fico muito nervosa, minha memória apaga; quando chega o ápice, tenho a sensação que estou fora do corpo (já me vi, como se eu estivesse atrás de mim) , ou maior do que sou, já cheguei a ponto de parecer que estou levitando no teto vendo meu corpo em baixo, em todas situações, me vejo fora, mas meu corpo continua como se eu estivesse dentro.

Entretanto quando chega a esse nível, não me lembro de mais nada depois, só me lembro destes flashes; isso começou a acontecer depois que tive depressão. Por favor, gostaria de entender. Grata

 

Cara leitora,

O seu distúrbio está, provavelmente, relacionado com o seu alto nível de ansiedade e como consequência da depressão. O que descreve é uma espécie de despersonalização. Esta é entendida como uma desordem dissociativa, caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia. Pode ser um sintoma de outras desordens como transtorno bipolar, transtorno de personalidade borderline, depressão, esquizofrenia, stresse pós-traumático e ataques de pânico. A despersonalização pode ainda surgir com o consumo de drogas, como Cannabis ou Ecstasy; mas há outras causas: esta pode desenvolver-se devido a uma exposição prolongada a stress, mudanças repentinas no contexto pessoal, laboral ou social, entre outros factores. A despersonalização encontra-se intimamente relacionada com a ansiedade.

 

A despersonalização associa-se, frequentemente, a outras perturbações mentais que necessitarão de ser tratadas ou é desencadeada por elas. Deve ter-se em conta qualquer tipo de stress relacionado com o início (instalação) da perturbação de despersonalização.

 

Como tratamento é eficaz a psicoterapia. A sensação de despersonalização desaparece, frequentemente, com o tratamento.

Procure ajuda e vai ver que vai sentir-se bem melhor e vai conseguir superar o seu problema.

 

Emoções

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Olá, eu não tenho exatamente um problema.

Como você é psicóloga eu tenho uma dúvida.

 

Eu quero saber se tem como tornar-se menos emotivo e mais racional, eu não me considero uma pessoa emotiva, várias pessoas já morreram, pessoas próximas e para mim quase não fez diferença. Nem na hora, nem depois de ter morrido...

 

Eu já fui bem emotivo mas este tempo já passou, me tornei bem frio.

Faz muito tempo de que não sinto nenhuma emoção forte mas tenho certeza que se sentir será inevitável, mas eu acho que não sofro de alexitimia, por que eu consigo me colocar no lugar de outras pessoas e saber o que elas sentem , as vezes até pela expressão da pessoa, ou por um desenho que ela fez, ou a forma que ela age. Inclusive, algumas pessoas me conhecem por eu saber "ler" a mente das pessoas.

 

Mas eu quero saber se tem como não ter as menores emoções, por exemplo: Sentir raiva por que não conseguiu fazer determinada coisa.

Ficar chateado pelo mesmo motivo.

 

Imagine a seguinte situação: Eu consegui algo que eu supostamente considero muito importante, mas qualquer erro eu posso perder essa coisa importante, por isso bate um "desespero", uma "ansiedade", não sei explicar. Eu não quero ter isso.

E também, quero poder agir sobre pressão.

 

Geralmente, Não consigo fazer nada, com outras pessoas olhando. Mas se eu estiver sozinho, consigo fazer qualquer coisa.

 

Eu quero tornar-me mais racional. E jogar fora essas emoções.

Pode ajudar-me?

 

Caro leitor,

 

É preciso entender que as emoções não são boas nem más, nem positivas ou negativas. Podem ser agradáveis ou desagradáveis mas são todas adaptativas, isto é, orientam-nos para a nossa sobrevivência.

 

Na nossa cultura e sociedade está de alguma forma implícito que sentir algumas emoções é mau. Não devemos mostrar-nos tristes e o choro deve ser evitado, existindo uma pressão social para estarmos sempre bem dispostos e sorridentes. Fomos educados a não expressar raiva e quanto ao medo é só para os mais fracos. A falta de permissão e apoio para sentir e expressar as emoções e o desconforto experimentado leva a que muitas pessoas as anulem ou neguem, em vez de as regularem e expressarem adequadamente.

 

As emoções mesmo as que sentimos subjetivamente como desagradáveis (tristeza, medo, raiva, etc.) são úteis, têm uma função precisa e devem ser experimentadas e expressadas adequadamente para que sejam potencialmente reparadoras.


 

O importante é que aceite suas emoções e perceba as “mensagens” que o seu corpo lhe dá. Não só é lícito sentir dor, raiva, medo ou tristeza, como é uma boa forma de prevenir o aparecimento de perturbações psicológicas.

E lembre-se que a razão e a emoção interagem para construir a nossa vida mental e que o importante é o equilíbrio.

 

Se sentir dificuldade em entrar em contacto com as suas emoções e expressá-las apropriadamente não hesite em procurar ajuda de psicoterapia.

 

Vazio, medo e ansiedade

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Oi doutora tudo bem, gostaria muito de um conselho da senhora para me dizer o que eu faço da minha vida.

Me chamo J. tenho 23 anos e de uma tempos pra cá passei a sofrer com ansiedade que eu ía levando. Só que agora ultimamente do nada comecei a ter medo de ter esquizofrenia, mas um medo intenso mesmo, sabe de me dar dor de barriga, enjoo, falta de apetite suor e etc. Daí comecei a ver os sintomas da esquizofrenia na internet e dai que me deu mais medo ainda e fico imaginando que estou com os sintomas.

Não escuto vozes as únicas vozes que escuto são meus pensamentos dentro da minha cabeça me dizendo que estou louca. E depois que passei a ver os sintomas na internet passei a acreditar que tudo que eu li esta acontecendo comigo. Vivo com crises de choro, medo de ficar louca e ando com insónia e nem consigo mais dormir. Sinto um desespero junto com um vazio muito grande dentro de mim. Nada enche esse vazio mesmo quando saio pra distrair a minha mente, esse vazio está dentro de mim.

Doutora o que eu faço será que estou ficando louca?

 

Cara J.,

Todos nós temos alguns sintomas de perturbações mentais, mas para termos uma patologia, depende da quantidade. No seu caso, parece seja somente uma questão de ansiedade e medo de estar doente. Tem bem a consciência que os “pensamentos estão dentro a sua cabeça” e, atenção, que se for muito impressionável quanto mais pesquisa para ver sintomas, mais vai se identificar com alguns deles. Ao pesquisarmos é preciso agir com discernimento e sensatez, do contrário podemos por em evidência a “loucura”.

 

O vazio existencial está presente na vida de todo ser humano, em maior ou menor grau. É sentido e vivenciado em inúmeras circunstâncias da existência humana. Emerge diante de situações peculiares e às vezes stressantes na vida da pessoa.

O vazio que sente dentro de si, pode estar relacionado com o seu momento de vida e quem sabe se a partir daí vai se revelar uma “oportunidade” e procurar desenvolver e aprofundar todos os seus recursos e capacidades no caminho da autorrealização e a responsabilidade pela própria vida.

 

Feliz 2016!

Ouvir vozes

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Olá, Dra.

 

Como vai? Sou Maísa, tenho 20 anos. Gostaria de conversar sobre algo que vem acontecendo comigo. Desde pequena, antes de dormir, eu escuto vozes na minha cabeça, às vezes são de pessoas conhecidas, outras eu não sei de quem são. Isso nunca me incomodou muito pois acontecia sempre antes de dormir, ou quando estou com muito sono, com a cabeça cansada. Quando durmo pouco, também, minha cabeça fica super confusa, estranha, como se meus pensamentos gritassem. Essas vozes conversam entre si ou simplesmente falam coisas aleatórias, não me lembro o que falam, são coisas que não fazem muito sentido, como que um "pré-sonho". Não confundo com vozes reais, sei que são da minha cabeça... 

 

Mas de um tempo pra cá, desenvolvi ansiedade em excesso, quadros de síndrome do pânico, porém com acompanhamento psicológico melhorei bastante. Nunca conversei com a minha psicóloga sobre ouvir essas vozes, pois como disse, elas não chegavam a me incomodar. O problema é que com a ansiedade, tudo me preocupa demais e sempre coloco na minha cabeça que estou com alguma doença, seja risco de enfartar até outras coisas e agora tenho medo de Esquizofrenia. Assim, não sai da minha cabeça que essas vozes são um dos sintomas, que eu estou ficando louca e parece que por pensar assim, sempre que vou dormir eu presto mais atenção nelas e elas ficam mais evidentes. Depois eu passo o dia inteiro pensando nisso, se estou doente... Essas vozes podem ser um sintoma? Durante o dia não ouço nada, mas sinto alguns desconfortos, como já te disse, barulhos altos me incomodam, parece que ficam ecoando na minha cabeça, além de outras sensações ruins que imaginam ser por ansiedade.

O pior de tudo é que minha família está passando por uma crise financeira e eu não tenho mais condições de pagar um tratamento com psicólogo. Tento me convencer de não é nada demais, mas creio que a ansiedade não me deixa desligar. Por favor, me ajude. Aguardo resposta,

MM

 

Cara MM,

 

Não está a ficar louca, mas é melhor tratar esses sintomas para que não se agudizem. Pode procurar um médico psiquiatra para ver se é o caso de tomar algum medicamento que alivie a sua ansiedade.

Muitas vezes essas vozes são simplesmente parte de si que revelam suas preocupações subconscientes.

O importante é como interpreta estas vozes. Se acredita que todas as outras pessoas são agressivas, pode vir a interpretar as vozes como hostis, poderosas ou danosas. Por outro lado, se tem experiências de vida mais positivas e uma imagem mais positiva de si mesma e de outros pode desenvolver uma visão mais positiva das vozes. Segundo estudos, as pessoas que ouvem vozes geralmente tiveram uma infância traumática.

 

A melhor maneira é ter consciência que essas vozes são parte de seus pensamentos, é como pensar alto.

 

Um abraço

Esquizofrenia

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Olá, Dra.

Meu nome é P. e tenho 20 anos. Gostaria, se possível, de sua ajuda, porque tenho medo de falar com meus pais e causa-los apreensão.

 

Bom, eu tenho MUITA coisa pra falar e não sei nem por onde começar, mas tentarei.

 

Eu sempre fui uma criança saudável, nunca reclamei da minha saúde nem tinha preocupação com ela quando criança, sempre brinquei, me diverti bastante e tudo mais. Nunca demonstrei nenhum sinal de loucura quando pequeno, não ouvia/ouço vozes, não via/vejo coisas e nem tinha mania de perseguição. O tempo foi passando, amadureci e no momento sou estudante de medicina. Reconheço que no momento sou um pouco hipocondríaco, qualquer coisa já penso que é algo sério. Dor no tórax?

Enfarto ou embolia pulmonar. Dor no estômago? Possivelmente úlcera. Câncer? Penso que talvez tenha e não sei. Bem, até o momento isso não me incomodava, tinha esses pensamentos mas depois esquecia e melhorava. O que vem agora é o que mais me perturba e inclusive tenho até um pouco de vergonha em falar isso do tanto que é absurdo e estranho, chega até a ser engraçado, creio eu. Quase que junto com a minha hipocondria, eu desenvolvi uma espécie de conflito com a minha cabeça. Por exemplo, um dia eu pensei sobre a minha respiração e até hoje às vezes tenho de respirar no manual.

Outro dia eu pensei como seria uma pessoa que não saberia engolir, e adivinhe: desenvolvi uma espécie de dificuldade pra engolir, mas que agora já não tenho mais isso, passou. Ou seja, sempre que penso sobre alguma coisa, parece que minha mente faz com que ocorra em mim e tento lutar contra isso e isso é bem desagradável. Isso foi evoluindo e chega até hoje, que é onde eu quero chegar com este e-mail.

Depois que eu comecei a cursar medicina, minha hipocondria de certa forma tinha piorado, tudo era preocupação com meu coração, estava neurótico, mas não a ponto de me inutilizar ou me impedir de fazer minhas tarefas, neurótico que falo no sentido de todos os dias pensar nisso e inclusive pesquisar na Internet. Até que um dia, tive uma vertigem bem rápida, mas que pra mim ela não tinha passado e fiquei pensando nela, olhava para os lados ou movimentava minha cabeça para de certa forma verificar se a tontura realmente tinha passado, só que isso evoluiu para uma preocupação constante, do tipo preocupação mesmo, como o que uma pessoa sente antes de fazer uma prova de vestibular, por exemplo, aquele frio na barriga, enjoo, não sentir fome, essas coisas. Foi uma crise tão forte que achei que estava enlouquecendo ou que estava em depressão, já que até um pouco mal-humorado eu estava. Pesquisei um pouco na Internet, eu vi que isso poderia ser ansiedade, então de certa forma fui me acalmando e depois de uns 4 dias já estava bem melhor em comparação a antes. Só que aí, peguei uma virose grande, que me fez ficar preocupado novamente, só que dessa vez, eu comecei a me sentir mais estranho, como se o mundo em que eu vivesse estivesse estranho, não sei explicar bem, mas era como se eu fosse um personagem de um jogo, por exemplo. Fui pesquisar outra vez na Internet e vi que isso TALVEZ fosse despersonalização, coisa que segundo a Internet acontece com quem tem crise de ansiedade ou síndrome do pânico, então eu pensei que realmente era ansiedade, mesmo. Parece que tudo está resolvido, não é?

Mas não. Um dia, navegando pela Internet, fui ler novamente sobre despersonalização e acabei por ver que isso também poderia ser sinal de esquizofrenia. Pode adivinhar o que aconteceu? Comecei a pensar: "será que estou com esquizofrenia?" PRONTO. Isso me bastou para que eu ficasse preocupado outra vez, e desde então (faz uns 3 dias) penso que qualquer coisa que acontece comigo é um sinal de esquizofrenia. Estou de certa forma, vigilante. Fico constantemente olhando para os lados na angústia de ver coisas, fico olhando para ver se já estou tendo alucinação visual, qualquer som que escuto fico na apreensão de ver o que é para saber se já estou ouvindo coisas que não existem. Estou tão preocupado, que quando passo rápido por alguma coisa, como um reflexo, por exemplo, já acho que estou vendo coisas.

 

Vê como sou perturbado? Estou ficando louco de vez, não é? Tenho medo de perder o controle e ficar insano de vez. Novamente, fiz buscas na Internet e alguns sintomas da esquizofrenia parece-me que são comuns. Não sei se a senhora Dra. acredita em Deus, mas eu sempre acreditei mas não era do tipo fiel, as vezes parecia até que estava virando ateu por não dar muita importância. Mas depois da minha primeira crise de ansiedade (aquela antes de que eu achasse que era esquizofrenia) eu fiquei muito mais próximo de Deus e da religião, para pedir ajuda a superar essa situação. Esses são sintomas iniciais da esquizofrenia, não é? Se preocupar com religião e ter crise ansiosa.

 

O que me deixa mais angustiado, é que transtornos mentais acompanham minha família, como Alzheimer e a esquizofrenia, mas ninguém nunca foi para um hospício, cada um vive sua vida mas sabemos que cada um tem alguma característica que não achamos normal.

 

Dra., eu não sei mais o que fazer, estou louco de vez? Estou esquizofrénico de vez? Tenho medo de não ser mais como era antes, tenho meso de mudar totalmente para uma pessoa louca. Me perdoe pelo tamanho do texto, mas pelo menos achei uma forma de desabafar com alguém.

 

Obrigado, de coração.

 

PS: Não estou vendo coisas ou ouvindo vozes, mas fica naquela apreensão de a qualquer momento começar a ter essas coisas.

 

Caro P.,

Não está ficando louco e nem esquizofrénico. Provavelmente sofre de ansiedade e está a passar crises hipocondríacas e tudo que lê ou estuda ou vê ou ouve é motivo para sentir em si. Hipocondria e ansiedade andam de mãos dadas. O hipocondríaco sofre com ansiedade e assim tende a aumentar cada sensação corporal normal a ponto de considerar que algo não vai bem.

 

A patologia mental depende da quantidade. Todos nós temos alguns traços das diferentes patologias e nem por isso somos loucos. A doença está em relação com a quantidade. O doente é aquele que tem traços patológicos em excesso que o prejudicam e o impedem de viver uma vida normal.

 

O melhor será se puder ter um acompanhamento psicológico para se compreender melhor e para mudar certas crenças infundadas que prejudicam a sua vida. O que precisa é alguém para falar seus problemas e alguém que o ajude a esclarecer, confirmar ou retificar, clarificar, interpretar, bem como o ajude a identificar recursos pessoais e sociais sobre os quais se possa apoiar para resolver o seu problema.

Confie em si, na sua força e motivação interior para mudança e tratamento.

Um abraço

Medo e pânico

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Eu tenho 12 anos e passo por medo e pânico. Sou muito ansiosa, tenho dores de cabeça frequentes, tenho medo de tudo e à noite eu não durmo sem minha avó.

Maria Fernanda

 

Cara Maria Fernanda,

O medo é um sentimento intrínseco ao ser humano, tal como a alegria ou a desilusão, por isso é normal todas as pessoas terem medo. O medo faz parte da aprendizagem, e constitui uma parte importante do desenvolvimento da pessoa.

 

O medo de dormir sozinha está relacionado com um sentimento de desprotecção e com fantasias erradas que no escuro criaturas estranhas estejam no seu quarto para te assustar.

 

Se até agora não aprendeste a enfrentar esse medo e não te sentes segura na tua cama é hora de começar. Para tal a melhor maneira é, criar a desejável habituação e usar algumas técnicas de adaptação. Para começar é importante teres um ritual para ir para a cama que te acalme, que te deixe tranquila, segura e autoconfiante.

 

Pensa que embora os medos sejam reais os monstros não existem. Ajuda-te criando alguns mecanismos de defesa e técnicas de relaxamento.

 

A coragem não é a ausência de medo: é sim saber enfrentá-lo. Partilha com teus pais os teus medos e discuta as possibilidades para ultrapassá-los.

 

Com algumas técnicas de relaxamento os medos não se apoderarão dos teus pensamentos. Na hora de ir dormir procura visualizar uma cena relaxante, como estar na praia, assistir a um pôr-do-sol ou a observar as estrelas. Isso vai ajudar-te a ter a mente ocupada afastando os pensamentos que te inquietam. Além disso é fisicamente impossível estar relaxada e assustada ao mesmo tempo.

 

Evitar excesso de televisão e aparelhos electrónicos durante o dia e manter-te desligada depois da hora de jantar é uma boa aposta.

 

No quarto deixa as portas e gavetas dos armários fechadas, para não dar azo à imaginação.

 

Começa desde já a criar hábitos saudáveis de sono e de adormecer e vais ver como a ansiedade e as dores de cabeça consequentemente também melhorarão e essas mudanças irão te acompanhar durante a vida.

 

Lembra-te que tens dentro de ti todas as ferramentas necessárias para reinventar o teu presente. Não quer dizer que seja fácil. Vais encontrar resistência a mudar e vais ter de lutar contra as tuas limitações, mas é isso que vai tornar-te mais forte.

 

Começa hoje a reinventar-te!

Um dia fantástico!

 

Despersonalização

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Doutora, eu estive esse tempo todo tentando perceber o que se passava comigo. Eu tinha medo de falar com um médico pois tinha receio que ele me quisesse internar por estar maluca. Mas eu fiz algumas pesquizas na net sobre os meus sintomas e aponta a que eu sofra de despersonalização. Eu sinto minha cabeça vazia sinto me vazia parece que não estou presente. As vezes faço me questões tipo o que estou a fazer. Eu não tiro prazer do momento que estou a viver. Eu já não sei o que é sentir felicidade. Eu vivo frustrada com medos e com este problema. Que posso fazer doutora?

 

Cara leitora,

A despersonalização pode ser um sintoma de outras perturbações psiquiátricas

A despersonalização está intimamente relacionada com a ansiedade. Enquanto desordem isolada pode ser desencadeada pela vivência de uma situação traumática ou pode ainda despoletar-se no indivíduo se este atravessar um conflito interno insuportável: a mente passa por um processo inconsciente de dissociação - separa (dissocia) conhecimento, informações ou sentimentos incompatíveis ou inaceitáveis oriundos do pensamento (realidade) consciente.

 

Não tenha medo de falar com o médico. Para tudo tem remédio, o que é preciso é que tenha motivação para se tratar. Não é o caso de estar maluca, mas deve estar com algum problema psicológico, talvez relacionado com a ansiedade, ou com alguma grande tensão geradora de stress.

No seu caso há indicação de psicoterapia para trabalhar os conflitos e sua solução.

Procure ajuda de uma psicóloga para um diagnóstico preciso e inicio de um tratamento. Entretanto também pode ser que se trate de uma fase, uma de crise passageira. O importante é confiar em si própria e buscar uma ajuda efectiva.

Um abraço