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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

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Emoções

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Olá, eu não tenho exatamente um problema.

Como você é psicóloga eu tenho uma dúvida.

 

Eu quero saber se tem como tornar-se menos emotivo e mais racional, eu não me considero uma pessoa emotiva, várias pessoas já morreram, pessoas próximas e para mim quase não fez diferença. Nem na hora, nem depois de ter morrido...

 

Eu já fui bem emotivo mas este tempo já passou, me tornei bem frio.

Faz muito tempo de que não sinto nenhuma emoção forte mas tenho certeza que se sentir será inevitável, mas eu acho que não sofro de alexitimia, por que eu consigo me colocar no lugar de outras pessoas e saber o que elas sentem , as vezes até pela expressão da pessoa, ou por um desenho que ela fez, ou a forma que ela age. Inclusive, algumas pessoas me conhecem por eu saber "ler" a mente das pessoas.

 

Mas eu quero saber se tem como não ter as menores emoções, por exemplo: Sentir raiva por que não conseguiu fazer determinada coisa.

Ficar chateado pelo mesmo motivo.

 

Imagine a seguinte situação: Eu consegui algo que eu supostamente considero muito importante, mas qualquer erro eu posso perder essa coisa importante, por isso bate um "desespero", uma "ansiedade", não sei explicar. Eu não quero ter isso.

E também, quero poder agir sobre pressão.

 

Geralmente, Não consigo fazer nada, com outras pessoas olhando. Mas se eu estiver sozinho, consigo fazer qualquer coisa.

 

Eu quero tornar-me mais racional. E jogar fora essas emoções.

Pode ajudar-me?

 

Caro leitor,

 

É preciso entender que as emoções não são boas nem más, nem positivas ou negativas. Podem ser agradáveis ou desagradáveis mas são todas adaptativas, isto é, orientam-nos para a nossa sobrevivência.

 

Na nossa cultura e sociedade está de alguma forma implícito que sentir algumas emoções é mau. Não devemos mostrar-nos tristes e o choro deve ser evitado, existindo uma pressão social para estarmos sempre bem dispostos e sorridentes. Fomos educados a não expressar raiva e quanto ao medo é só para os mais fracos. A falta de permissão e apoio para sentir e expressar as emoções e o desconforto experimentado leva a que muitas pessoas as anulem ou neguem, em vez de as regularem e expressarem adequadamente.

 

As emoções mesmo as que sentimos subjetivamente como desagradáveis (tristeza, medo, raiva, etc.) são úteis, têm uma função precisa e devem ser experimentadas e expressadas adequadamente para que sejam potencialmente reparadoras.


 

O importante é que aceite suas emoções e perceba as “mensagens” que o seu corpo lhe dá. Não só é lícito sentir dor, raiva, medo ou tristeza, como é uma boa forma de prevenir o aparecimento de perturbações psicológicas.

E lembre-se que a razão e a emoção interagem para construir a nossa vida mental e que o importante é o equilíbrio.

 

Se sentir dificuldade em entrar em contacto com as suas emoções e expressá-las apropriadamente não hesite em procurar ajuda de psicoterapia.

 

Não sentir emoções

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Estava pesquisando sobre a falta de emoção e vi esse depoimento e decidi escrever-lhe. Talvez possa dar-me uma "luz".

Temo não sentir qualquer emoção, mas antes vou tentar explicar como cheguei a essa conclusão.

A alguns anos atrás, mais ou menos uns 4 a 5 anos, perdi meu avó, e eu era muito próxima a ele. Me surpreendi que no enterro dele, desde o momento da descoberta do câncer até o falecimento, simplesmente não me "emocionei" muito, no enterro caíram algumas lágrimas, mas eram mais pelos parentes ali presente e pelo desespero da minha mãe.

Recentemente descobrimos que meu pai está com câncer de próstata, quando recebi a notícia fiquei chocada, chorei algumas vezes e pronto, é como se não fosse com meu pai e sim algum estranho, e quando as pessoas me falam que estão muito mal pelo meu pai, minha sogra ficou noites sem dormir, meu sogro a taxa da diabetes subiu muito, eu fico me perguntando se eu não deveria está mais apreensiva do que eles, afinal é o meu pai, e eu estou aqui super bem, preocupada com minhas provas pra estudar, sobre onde vou passar o natal ou as festas de final de ano....eu fico chocada comigo mesma, por simplesmente parecer "não me importar", e sou muito apegada a meu pai.

Ontem (14/08) a minha vizinha perdeu o irmão, que matou a esposa e se matou, fui lá consolá-la, minha sogra chorou muito quando soube, mas pra mim não pareceu nada. Foi quando notei que simplesmente não sinto nada., como se eu fosse oca, seca, fria.

Me irrito com facilidade com coisas bestas, e nunca fui assim. Quero acreditar que seja um resultado ao acúmulo de stresses que me deixou assim, mas começo a me preocupar, vejo as pessoas mais emocionadas com coisas que me dizem respeito, do que eu mesma.

Raramente choro, mas quando ocorre é incontrolável e as vezes por nenhum motivo, do nada passa e é como se não tivesse acontecido nada.

 

Será que pode dar-me uma luz? Desde já agradeço!

 

 

Cara L.,

Muitas das pessoas chamadas frias ou racionais sofrem de alexitimia, uma espécie de analfabetismo emocional.

 

São pessoas com dificuldades para identificar e descrever os próprios sentimentos bem como dos de outros, que choram raras vezes, mas quando choram o seu pranto é intenso.

Tem dificuldade em diferenciar o que sentem, se é raiva, temor ou ansiedade e descrevem o que sentem através de expressões gerais como "estou bem" ou "mal", sem poder diferenciar emoções como alegria, tristeza, cansaço, irritabilidade ou nervosismo.

 

Também não podem interpretar as emoções das pessoas que lhe rodeiam, assim como sentir empatia, ou seja, colocar-se no lugar do outro.

 

A incapacidade de expressar as emoções atinge uma em cada 10 pessoas, empobrece a vida e as relações e a saúde.

 

A impossibilidade de verbalizar e abordar os conflitos psicológicos, como a morte de um familiar, uma demissão ou um divórcio, faz com que a pessoa somatize adoecendo o corpo e favorecendo úlceras e gastrite ou doenças mais graves. Assim, o alexitímico responde à situação através de manifestações de seu corpo, ao em vez de com palavras.

 

A psicoterapia é a abordagem mais indicada, acompanhada de exercícios de relaxamento para optimizar o tratamento.

 

Tudo de bom

 

 

Emoção ou sentimento

Bom dia Sra. Dra.
 
Acabei de conhecer o seu blog e, dada a possibilidade de a contactar, agora escrevo.
Não sei bem como me explicar. Tenho 23 anos, sou licenciada e trabalho na área. Tenho conseguido atingir vários objectivos, contudo, na maioria das vezes, para não dizer quase sempre, não sinto qualquer tipo de emoção ou sentimento. Simplesmente não sinto nada. Se sou feliz? Teimo em dizer que sim, mas sinceramente, não sei, porque raramente sinto a felicidade. O mesmo digo em relação ao amor. Adoro o meu pai mas, e as outras pessoas??? Não consigo sentir qualquer tipo de emoção ou sentimento. É esta situação normal??? Não sou uma pessoa fria, embora por algumas vezes o possa parecer; sou do tipo de moça que chora que se farta a ver filmes ou ler livros mas e na vida real?? Porque não sou como as pessoas normais?

Faço coisas na vida que gosto como turismo, fotografia, ajudar os outros, conduzir, trabalhar, essas pequenas coisas que para mim eram e são objectivos mas e a emoção ou o sentimento por se fazer aquilo que se gosta? Será possível que só experimente o sentimento quando algo de facto me surpreende? Ainda para mais não sou pessoa que se surpreenda facilmente.
Será normal?
 
Com os melhores cumprimentos