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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Medo de morrer

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Olá,

tenho 27 anos e desde os 12 anos eu tenho esses tipos de pensamentos..... Fico pensando no agora e na fluidez do tempo e como ele passa, Quando eu começo a ter o ataque milhões de coisas passam na minha cabeça como, e se eu morrer agora, o que é o universo, estamos em um multiverso, ele pode acabar a qualquer momento, um asteróide pode se chocar com a terra, Deus existe de verdade, para onde vamos, será que é só isso aqui.

Lutamos tanto para acumular conhecimentos e memórias e isso nos molda, não faz sentindo tudo isso acabar com o nosso cérebro derretendo e tudo isso se perdendo após morrermos.... Minha cabeça se enche desses pensamentos, me falta o ar, o coração vai a mil, e me dá uma vontade louca de sair correndo.... Às vezes eu penso em por um fim nisso para não sentir mais essas coisas,momento pois só eu sei como é horrível e minha família não entende.

Às vezes sinto vontade mesmo é de me matar só para não esperar um fim inesperado e iminente, pois aí sim eu teria a certeza do que estaria acontecendo e o momento do acontecimento....

Me ajuda Dra. Tenho medo de Fazer uma loucura

 

Caro leitor,

Todo o ser humano tem medo do desconhecido. O medo da morte é o medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da ruptura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento.

É preciso ter em mente que a morte faz parte da vida. É uma etapa da existência humana com a qual tem-se que conviver. Todo ser humano está programado para nascer, crescer e morrer.

Refletir sobre a morte pode torná-la mais familiar e, portanto, menos ameaçadora. O que pode ajudar a refletir é um exercício de meditação, inspirado nas práticas budistas: repita a palavra “morte”, de olhos fechados, inúmeras vezes. Surgirão pensamentos, imagens e sentimentos muitas vezes antagónicos. Mas, se continuar essa experiência de mergulhar até onde a palavra ‘morte’ o levar, verá que algo dentro de si mudará positivamente.

A morte tem também um lado vital. O medo da morte é fundador da cultura. Funciona como motor de todas as civilizações. A partir do desejo de perenidade, se desenvolvem instituições, crenças, ciências, artes, técnicas e mesmo as organizações políticas e económicas.

O medo da morte nos força a viver, a nos relacionarmos, a procriarmos, a criarmos e a construirmos coisas que nos transcendam.

Acolhê-la, encará-la de frente, compreendê-la, admiti-la é o caminho para viver a vida e para que possa se relacionar, procriar e construir coisas que o transcendam sem fazer nenhuma loucura.

Viva a vida em sua plenitude!

 

Emoções negativas

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Não evite emoções negativas ou você se tornará uma vítima

As emoções negativas são estados energéticos, indispensáveis para o desenvolvimento interior: se você recusa o tédio, a tristeza ou o medo, você não se torna uma pessoa melhor, você se torna banal.

 
Vivemos na era do compartilhamento universal: graças à internet e em particular às redes sociais, estamos sempre conectados e em todos os lugares e muitas de nossas experiências se tornam "virgens", pelo menos entre nossos amigos e conhecidos. Nós compartilhamos muito, mas não tudo: ainda há algo que é melhor não externalizar. Eles são emoções negativas e dolorosas: a insegurança, o medo, o tédio, a tristeza são sentimentos que escondemos, temendo que eles não sejam aceitos em um mundo que parece ser povoado apenas por pessoas felizes que sorriem batendo diante do último selfie.

Este fenômeno é pelo menos parcialmente compreensível: as emoções negativas são percebidas como sinais de fraqueza e onde a aparência importa muito, elas podem ser facilmente consideradas bolas irritantes no pé. Devemos sempre ser fortes, felizes, sorridentes, vencedores. O problema não reside tanto no fato de esconder essas emoções dos outros, mas também muitas vezes os escondemos de nossos próprios olhos: se isso acontecesse, significa que transformamos uma recusa externa suposta em algo interior. Rejeitamos uma parte fundamental de nós mesmos e isso é contraproducente: nos tornamos triviais e superficiais e, a longo prazo, corremos o risco de adoecer.
 
As emoções recusadas se tornam doenças

O medo que se esconde por trás de tal comportamento é precisamente o de não ser aceito: se todos são felizes e despreocupados (porque todos mascaram sua parte "negativa") significa que estamos errados. Assim, nos esforçamos para esconder nossas emoções negativas, preenchendo a vida de compromissos, distrações e entretenimento, negando problemas e dores ou tratando-os superficialmente. Você entra em um círculo vicioso e, mais cedo ou mais tarde, você paga o preço: sintomas psíquicos ou físicos, às vezes doenças sexuais muito intensas serão a única maneira pela qual essas emoções negativas reprimidas ou negadas podem se expressar. Por mais surpreendente que seja, como seres humanos, precisamos perceber essas emoções também para criar espaço para elas: não há outra maneira de crescer e evoluir.

É uma regra universal: sem as dificuldades, sem provas a serem superadas, nossa espécie não poderia ter se desenvolvido como fez. A história ensina como momentos de grande crise muitas vezes prepararam o terreno para o futuro progresso da civilização. Do ponto de vista psicológico, deve-se lembrar que uma dor, um momento de crise, paragem ou apatia são às vezes necessárias para nos separar daquilo que já não nos corresponde, mudar nossa pele e abrir novas janelas em nossas vidas.

As cinco emoções negativas que mais escondemos:
 
Insegurança
Medo
Tristeza
Tédio
Mal-estar físico

Medo de ir à escola

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Olá,

tenho 16 anos e gostaria de pedir ajuda, eu tenho medo de ir para escola, desde o sétimo ano que comecei a faltar. Ano passado parei de ir pra escola na metade do ano, por sofrer bullying, na verdade acho que eram apenas brincadeirinhas, mas eu sempre fui sensível, e acho que também usei de desculpa para não ir mais para a escola, eu muitas vezes ia e tinha que voltar para casa por estar passando mal, falta de ar, dor de cabeça...

E esse ano inteiro só fui três vezes, tenho que voltar duas para casa por começar a ter crises e chorar. Para piorar uma das professoras tirou sarro da minha cara por saber que eu passo por tratamento psicológico e psiquiátrico. Agora minha mãe conseguiu uma vaga em outra escola, eu não quero ir, eu tenho medo, só não sei de que, mas eu sei que não é nervosismo normal. Eu iria agradecer se pudesse ajudar-me.

 

Obrigada.

 

Cara adolescente,

A recusa em ir à escola é um problema que atinge muitas crianças e adolescentes em idade escolar. A pessoa sente-se ansiosa, assustada, e por vezes até mesmo em pânico perante a necessidade de ir para a escola.

 

Este medo e preocupação intensa podem causar dificuldades em dormir e ter pesadelos, assim como apresentar sintomas físicos como por ex. dores de barriga ou de cabeça, perda de apetite, vómitos ou febre.

 

Quando a situação de absentismo às aulas se prolonga há progressivamente uma maior dificuldade em regressar à escola. É comum instalar-se uma situação de atraso ou insucesso escolar e, progressivamente, um distanciamento dos colegas e amigos e isolamento do convívio.

 

A estas dificuldades graves no funcionamento educacional e social, associa-se ainda o maior risco para desenvolver-se uma Perturbação de Ansiedade caso não se intervenha atempadamente sobre as suas dificuldades.

Quando há fatores que contribuam para o problema é preciso encontrar uma solução para os mesmos ou procurar a ajuda profissional de um Psicólogo.

De qualquer maneira tens que ir à escola para não aumentar o problema. Enfrentar a situação pode ser a melhor maneira de superar.

Também é importante falares com a tua mãe para ir à escola falar com o professor para perceber o que se passa, e como poderão ultrapassar o problema de bullying e ainda encontrar novas estratégias para lidar com o problema.

Convidar amigos da escola para vir à tua casa também é uma boa ideia e assim poderes partilhar conversas e interesses comuns.

Confia em ti e enfrenta os teus medos com assertividade e vais certamente conseguir superá-los.

Um abraço

 

Filha adolescente

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Ola boa noite.

Eu tenho uma filha adolescente com 13 anos e hoje tenho 57 anos, gerei ela em meu ventre aos 42 anos e ela nasceu aos meus 43 anos, pois da data da concepção ao parto eu completei 43 anos.

Fui muito feliz por tê-la, mas hoje eu sinto tantas dificuldades no relacionamento com ela que às vezes eu sinto que devo deixá-la e ir embora, talvez eu esteja com minhas manias de pessoa já madura irritando ela muito, é uma moça boa, estudiosa, decente, mas às vezes olho pra ela e sinto muito dó por ela ter uma mãe velha e às vezes severa demais. Não consegui ainda encontrar um equilíbrio no trato com minha filha, às vezes sinto que sou demais e às vezes de menos..entende?

Tenho medo de estar transformando minha filha numa pessoa fraca, porque eu na minha idade já sou uma pessoa cheia de medos e suposições sobre as coisas da vida. Eu preciso de uma orientação de como fazer para lidar com isso. Porque eu não sei.

 

Cara mãe,

 

O que entendo pela sua carta é que está com dificuldades, como qualquer mãe, em lidar com a filha adolescente, enquanto a jovem está tentando desenvolver sua independência e a sua individualidade própria.

 

Muitas vezes a mãe têm expectativas idealistas demais sobre o relacionamento com a filha. Por isso, há que ser mais realista. Muitas mães querem que as filhas não repitam seus erros, mas com isso podem tentar forçar uma versão melhorada de si mesmas. É preciso ter respeito e aprender a respeitar a individualidade da sua filha.

Entendo que esteja a sentir alguns medos e que não quer passá-los para a filha. O que pode fazer é conversar com outras mães com filhas adolescentes e trocar ideias. Outra hipótese é ler alguns livros para se inteirar dos problemas da adolescência e possíveis intervenções. Em último caso pode fazer uma terapia para trabalhar a sua auto-estima e assim sentir-se mais segura no seu papel de mãe.

De qualquer maneira não se preocupe com a diferença de idade, ser mãe de uma filha adolescente sempre é um desafio e a diferença de idade não significa menos aptidão para educar.

 

Um abraço

 

Medo de solidão e mudanças

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Meu nome é Patricia, eu tenho 42 anos e muito medo de mudanças e solidão. Me afligem ao ponto de paralisarem-me e eu perder totalmente a ação do dia-a-dia até para pequenas coisas. Não consigo ultrapassar isso e me sinto cada dia pior. Por favor me ajude.

 

Cara Patricia,

 

A solidão, apesar de ser algo sentido a um nível universal, é ao mesmo tempo complexa e única para cada indivíduo. A solidão não tem causa única comum, por isso, as prevenções e os tratamentos para este estado de espírito variam bastante de pessoa para pessoa.

A solidão não é necessariamente estar sozinho. Pelo contrário, é a perceção de estar sozinho e isolado.

 

De acordo com estudos realizados na Universidade de Chicago, a solidão está fortemente relacionada com a genética. No entanto, existem outros fatores que contribuem para a solidão, como o isolamento físico, a mudança para um novo local ou o divórcio. A morte de alguém importante na vida de uma pessoa também pode levar a sentimentos de solidão.

 

Além disso, a solidão também pode ser atribuída a fatores internos, como a baixa autoestima. As pessoas que não têm confiança em si mesmas, muitas vezes acreditam que não são dignos da atenção ou respeito de outras pessoas, podendo levar ao isolamento e à solidão crónica.

 

Algumas sugestões que o podem ajudar a superar a solidão:

 

– Permita-se aceitar que a solidão é um sinal de que algo precisa mudar;

 

– Compreenda os efeitos que a solidão tem na sua vida, tanto física como mentalmente;

 

– Considere fazer serviço comunitário ou outra atividade que goste. Estes contextos oferecem oportunidades para conhecer pessoas novas e cultivar novas amizades e interações sociais;

 

– Foque-se no desenvolvimento de relacionamentos com pessoas que partilham atitudes, interesses e valores semelhantes aos seus;

 

– Espere o melhor. Pessoas solitárias muitas vezes esperam rejeição, por isso, concentre-se em pensamentos e atitudes positivos nos seus relacionamentos sociais.

 

O medo sempre vem na hora da mudança, pareça ela boa ou não, mas não devemos permitir que ele nos pare, não podemos nos autossabotar, jamais desistir, ter sempre uma coragem maior que o medo, ter autoaceitação, autoconfiança, saber que somos capazes de vencer o que for necessário. Como a lagarta, não devemos cortar etapas, e sim, aceitar a metamorfose, sair da zona de conforto, vislumbrar e desbravar novos horizontes, cientes de que a cada queda é preciso recomeçar, e é possível, basta acreditar!

 

Um abraço

Medo que alguém morra

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Olá Doutora, preciso muito de sua ajuda!! Meu filho tem 10 anos e já passou por alguns fatos que marcaram a vida dele como um acidente que o pai sofreu, o avô que passou mal perto dele, e o falecimento do seu passarinho de estimação. Pois bem, quando ocorreram esses fatos ele ficou por um tempo muito nervoso, vomitava muito, chorava perguntando a toda hora se alguém iria morrer.

Passado um tempo ele voltou a ser o garoto feliz como sempre, mas de umas 2 semanas pra cá quando chega a noite ele entra em desespero com medo que alguém morra, ele chora, vomita, me faz prometer que não vai acontecer nada com ninguém e mesmo assim ele não consegue se acalmar, eu converso muito com ele mas nada do que eu falo o acalma, eu não sei mais o que fazer!!

 

O que posso fazer pra tirar esse medo dele, toda noite é a mesma coisa e isso está prejudicando muito.

Desde já agradeço pela sua compreensão.

 

Cara mãe,

Embora seja normal as crianças pequenas sentirem receio diante de certas situações (ruídos fortes, pessoas estranhas, início da escola), em algumas ocasiões estes medos convertem-se em fobias que impedem o seu desenvolvimento psicológico normal. Felizmente estes medos irracionais são fáceis de tratar.

Não deve forçar a criança a enfrentar a situação que lhe causa medo, nem superprotegê-la. Fale com o seu filho para saber em concreto o seu medo e saber o que se está a passar e ao mesmo tempo seja paciente com ele.

Seja também assertiva dizendo-lhe que não vai acontecer nada de mal a ninguém e que pode confiar em si.

 

Para acalmá-lo pode aplicar os quatro passos seguintes:

-Pare – Pare por breves momentos e faça algumas respirações profundas com a criança. A respiração profunda pode ajudar a inverter a resposta do sistema nervoso.

-Enfatize – A ansiedade é assustadora. A criança quer saber que você percebe isso.

-Avalie – Assim que a criança fique mais calma, é hora de descobrir possíveis soluções.

-Desapegue-se – Deixe de lado a sua culpa; você é uma mãe ou educadora incrível para a criança, fornecendo as ferramentas para gerir a sua preocupação.

 

Um abraço

 

Medo da morte

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Olá Doutora!!! Preciso de muita ajuda, sou já adulta!! Quando uma pessoa morre pode ser ente querido, parente, vizinhos, amigos, eu tenho medo. Tenho pânico de velório por causa de pessoa morta no caixão.

Quando a pessoa morre já sei que tenho que enfrentar. Sofro muito, muito. Quando criança tinha medo de caixão, hoje diminuiu, mas ver pessoa é pânico. Medo de morrer, mais medo maior é estar viva dentro. Fico distraindo-me. Melhora um pouco, mas volta. Por favor me ajuda.

 

Cara leitora,

o ser humano desde sempre, se preocupou com a sua existência e mais ainda com a sua finitude. É através da morte dos outros, sobretudo daqueles que nos são próximos e queridos e também pensando sobre a nossa própria morte que surgem as nossas angústias.

O medo da morte é inerente ao desenvolvimento humano. Aparece na infância, a partir das primeiras experiências de perda. E tem várias facetas: trata-se de um medo do desconhecido, somado ao medo da própria extinção, da rutura da teia afetiva, da solidão e do sofrimento. O medo da morte é fundador da cultura, esse medo funciona como motor de todas as civilizações. A partir do desejo de perenidade, se desenvolvem as instituições, as crenças, as ciências, as artes, as técnicas e mesmo as organizações políticas e económicas.

É o lado vital da morte. O medo da morte nos força a viver, a nos relacionar, a procriar, a criar, a construir coisas que nos transcendam. Na ilusão da imortalidade, o ser humano acredita que suas obras sejam permanentes e garantam que ele não seja esquecido.

Os terapeutas ajudam o paciente a entender por que o medo é infundado e ajudam o paciente a lidar com esses pensamentos, bem como a controlar respostas físicas e mentais decorrentes da fobia de morrer.

A melhor maneira de enfrentar é compreendê-la.

“A aceitação da morte constitui certamente um dos maiores sinais de maturidade humana, daí a necessidade duma educação sobre a morte, duma “ars moriendi”, porque a morte, paradoxalmente, pode ensinar a viver.”

Oliveira (2002)

Agonia e choro

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Doutora, agradeço o espaço: Fiz uma escolha há uns anos atrás, e resolvi seguir uma nova carreira, com apoio de toda a família. Atualmente estou focado em estudar para concursos públicos, o que demanda uma grande pressão. Além disso, acho que ao chegar aos 40, passei a vislumbrar a velhice dos meus pais com certo medo, face à necessidade cada vez maior de suporte que passarão a ter e o futuro tranquilo, que agora me cobro, em dar-lhes um conforto maior. Isto tem-me causado agonia e choro.

Como proceder para fugir deste quadro.

 

Caro leitor,

A grande pressão nos seus estudos aumenta o seu nível de stress e favorece o sentimento de emoções negativas como o medo e preocupação excessiva.

 

A velhice dos pais é um processo pessoal, natural e inevitável para todo ser humano na evolução da vida e também um fator muito preocupante na realidade atual, mas é fazer o possível para poder dar algum conforto e tentar resolver os problemas, conforme se apresentem.

 

O que precisa é tentar descontrair e procurar acrescentar no seu dia a dia momentos relaxantes.

É importante transmitir-se que pode e consegue suportar algum do incómodo provocado pelas suas emoções negativas, mas que esse incómodo é temporário. Deve acrescentar a ideia de que as coisas irão recompor-se porque sabe como regular o seu estado interno, e que pode colocar em marcha um conjunto de ações que o conduzem para uma solução que no seu retorno lhe irá gerar melhores sentimentos.

 

O compreender um estado psicológico ajuda a superação..

Um abraço

Incapacidade de amar

 

eloy3.jpgBom dia Doutora, meu nome é P.

Tive uma infância bem complicada, minha mãe me abandou quando eu era bem jovem, e cresci em uma estrutura familiar frágil. Meu pai arrumou uma nova companheira, onde sofri muita rejeição. Por fim, tive um em união estável, que veio a ter fim por causa de traição por parte dela.

 

Hoje, me encontrou em um namoro, mas já se passaram alguns meses, e não sinto que surgiu sentimento algum, na verdade não sei descrever o que sinto pela pessoa.

 

Essa pessoa demonstra a todo tempo que me ama, deixa seu sentimento externa pra fora do peito, e eu sinto que esse sentimento que ela tanto demonstra é verdadeiro, porém, eu já não sei dizer o mesmo quanto a mim.  Pensei em deixar o tempo passar, pra que o amor surja naturalmente, mas tenho medo que isso não ocorra, e não quero magoar a pessoa que diz a todo instante que sou o amor da vida dela.

 

Temos um namoro bem harmonioso, pois gosto da presença dela, de algumas coisas que fazemos juntos, mas se nos vemos todos os dias durante uma semana, por exemplo, me sinto sufocado. Não sei explicar, talvez nem tenha explicação, mas me sinto numa necessidade de ficar sozinho às vezes, e isso acaba me bloqueando pra essa pessoa.

 

Ela conhece toda minha história, e é uma pessoa bem compreensível, tenta me ajudar, demonstra seu carinho, amor e afeto que sente por mim, mas eu me sinto bloqueado, e isso está me aterrorizando.

 

Eu quero que esse namoro dê certo, que surja um amor infinito em mim novamente, mas sinto dificuldade, e às vezes sinto que devido a essa situação, acabo tornando a vida da minha namorada infeliz. Apesar do amor que ela sente por mim, queria poder demostrar o mesmo por ela, mas me sinto incapacitado disso.

 

Gostaria que a senhora me ajudasse, ou pelos menos que me orientasse ao que devo fazer?

Desde já agradeço a atenção.

 

Caro P.,

Por ter vivido em um ambiente permeado por rejeições familiares e desavenças psicológicas, inconscientemente rejeita sentir-se preso a um amor, um pouco por já estar habituado a viver sozinho e precisar do seu espaço e também por medo de sofrer novas desilusões. Está a viver uma insegurança amorosa que a sua própria existência representa.

 

Esteja aberto e investa na relação de uma forma autêntica e se sentir que é com ela que deseja construir uma família, sempre pode preservar o seu espaço e ao mesmo tempo criar um novo padrão de viver. Tenha calma, não se anule, mas procure sempre manter a sua identidade e individualidade, pode ser que o amor desabroche. Nem sempre o amor chega via paixão, às vezes cresce aos poucos. 

O essencial é amar sem deixar de amar a si próprio.

 

“Não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra seu significado, mas no estímulo a participar da génese dessas coisas”( Zygmunt Bauman 2004)

Criança de 9 anos com medo


gonga.jpgOlá Bom dia!

Meu filho tem 9 anos, há 3 meses não consigo levá-lo a escola. Passou por um constrangimento em um aniversário escolar, que aconteceu em um restaurante, ele passou mal, vomitou, e as responsáveis pela festinha não trocaram a roupa dele, deixando-o vomitado, as crianças ficaram rindo dele, e não quiseram ficar perto dele!


Descobri porque depois de uma semana, que ele sofria para entrar na escola, ele conseguiu desenhar o que aconteceu!
Agora ele tem medo de ficar sem a minha presença, e ficar doente, morrer, ou acontecer alguma coisa comigo!
Estou tendo que ir na escola, para ele fazer provas, tenho que estudar em casa o conteúdo escolar.


Não se o que fazer, estou levando em uma terapeuta ocupacional, que foi a única que ele quis, e está tomando um medicamento, passado por um neurologista.


Levei em um psiquiatra, que passou em medicamento que deixou ele extremamente agitado, e disse que era para esperar ele se sentir seguro para voltar para escola, ele ouvindo isso, se apoiou nisso, e não consegue voltar!
Não estou sabendo mais o que fazer! Preciso de uma orientação!
Obrigada!
IC

Cara CI.,
Situações de stresse pós-traumático, como bullying aparecem como causadores de ansiedade de separação, ou seja, dificuldade de se adaptar a um novo espaço sem a presença do vínculo familiar. O seu filho pode ter receio de deixar a mãe, por ter fantasias de abandono ou destruição.


A maioria das crianças supera essa fase em, aproximadamente, uma semana. No entanto, apresentar algum tipo de insegurança e ansiedade em até quatro semanas ainda é considerado normal. Os pais devem ficar atentos se o temor do filho de ir para a escola se intensificar ou persistir por muito tempo que pode, sim, ser indício de fobia.


A adaptação desses alunos no ambiente escolar, deve ser feita de forma lenta e gradativa, seguindo o ritmo e a necessidade de cada um. O papel da escola é, aos poucos, mostrar ao aluno que ele possui habilidades e potencialidades, que os erros fazem parte do desenvolvimento e que o ambiente escolar e a aprendizagem podem ser muito prazerosos. Se a ajuda familiar e da escola por meio de conversas e combinados não for suficiente, deve-se procurar um profissional, de preferência um terapeuta familiar, que vai abordar a questão no contexto relacional do problema.


O que é preciso é que ele vá na escola sozinho para que esse medo não se cristalize. A terapeuta ocupacional é uma boa ajuda. Converse com seu filho sobre seus medos, passando-lhe a segurança de que precisa. Os pequenos sempre percebem a ansiedade e insegurança dos pais. Seja breve nas despedidas na escola. Nada de voltar para dar mais um beijinho ou falar algo que esqueceu. Isso aumenta o sofrimento.
Entretanto tranquilize-o sempre dizendo-lhe que não vai ficar doente e que não vai morrer. Procure sempre alimentar a autoestima do seu filho para que possa se sentir mais seguro. Só vai se sentir mais seguro e independente ao conseguir fazer as coisas sozinho e para tal procure sempre incentivá-lo e motivá-lo. A medicação deve ser mantida, mas assim que melhorar fale com o neurologista para retirar.

Fique sempre alerta: se os sinais de sofrimento não diminuírem, procure ajuda junto à escola.

Um abraço