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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Relação madura

56.jpgBoa tarde Dra.

Eu tenho 35 anos e tive 3 namoros meio abusivos onde eu fazia de tudo por ele, para que ele me escolhesse, já que em todas as relações, sempre tinha uma outra mulher no meio (ex, mãe e filho). E eu me entregava por inteira. Fazia de tudo pelos homens e no final, terminava porque eu não aguentava mais a situação. Sempre o luto era bem difícil passar, mas passou. Acreditava que amor era aquela paixão louca, de querer estar toda hora com a pessoa, fazer loucuras, frio na barriga, faltar no trabalho só para ir encontra-lo. Fiz muitas coisas em pro do outro e achava que isto era amor. E hoje vejo que não era. Era uma doença minha e que criei na minha cabeça como se fosse amor e hoje, estou com um rapaz que me respeita, me ama, faz tudo por mim, me leva a passear, as famílias se gostam e é o primeiro relacionamento dele com 34 anos. Muitas vezes.

Sinto falta da maturidade de saber como tratar na hora do sexo, como deve e arrumar o ver a namorada. É como eu estive ensinando para ele como é namorar. No começo o sexo era rápido e passou por uma psicóloga sexóloga que conversou e o orientou e tudo ficou melhor. Ele no começo não era uma pessoa que me atraía fisicamente, mas ele possui todas as qualidades que eu gostaria que tivesse um homem para estar comigo e aceitei namorar com ele depois de resolvermos a parte sexual. Mas quando penso no meu ex, há uma certa comparação com tudo e eu sinto que desta vez, eu estou aprendendo amar ele, dia a dia, detalhes, é isto para mim é novo também. Já que o fogo da paixão era o que eu denominava amor por 35 anos e é difícil mudar isto dentro de mim. Não quero perdê-lo, mas também não sinto um algo a mais com ele. Ficamos juntos, é normal, viajamos, mas nada daquelas loucuras que vivi e parece que isto está me bloqueando para eu me entregar de vez para ele. Estou preocupada porque sei que o problema é comigo porque ele faz de tudo para me fazer feliz e quero viver com ele, mas preciso de ajuda para entender o que está acontecendo dentro de mim.

Desculpe a extensão.

Obrigada

Cara leitora,

A paixão louca não é o principal numa relação madura. As principais bases de todo relacionamento maduro são a confiança e o diálogo, assim os parceiros sentem-se apoiados e comprometidos com a relação. Cultivar um vínculo positivo com a pessoa amada, desenvolver bons hábitos de comunicação e fortalecer a confiança entre ambos amadurece o relacionamento. Além disso, a análise de hábitos passados poderá ajudá-la a resolver problemas comuns de relacionamento.

Ter ao seu lado uma pessoa na qual pode confiar é uma base relevante. Estabilidade emocional e autossuficiência emocional são os pilares mais importantes num relacionamento. Reflita sobre os sentimentos que tem por ele. Pode ser que esteja vinculada a ele por apego, o que é diferente de amor. O apego possui, fecha-nos, aperta-nos, o amor é abertura, liberta.

É um equívoco imaginar que o amor é suficiente para esquentar a relação, é preciso também cuidar da parte sexual. Para tal é preciso cultivar as fantasias e continuar a pensar no parceiro como um objeto de desejo e estimular a vontade de tocar, acariciar e fazer sexo de modo não repetitivo e de uma forma sentida.

Cada casal deve descobrir o que funciona melhor sem desperdiçar e nem interromper a produção de carinho e achar que o prazer esteja garantido.

Caso continue a sentir que há algo errado consigo e não consiga encontrar um caminho, procure ajuda especializada de uma psicóloga para trabalhar os seus bloqueios.

 

Tudo de bom

Adolescente e namoro

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Tenho três filhos dois homens um de 11 anos outro de 4 anos e uma filha de 14 anos.

Minha preocupação hoje é que ela só tem 14 anos e já está namorando e estou preocupada porque ela já age como se fosse adulta. Quer passar o dia na casa do namorado. Ele tem 15 anos, é jovem também, são dois menores e eu já expliquei as coisas: como é se não der certo, o que acontece se fizerem coisas que não devem, mas ela não entende. Me aconselha, como eu faço agora?

Cara mãe,

 

Converse com ela. Falem sobre sexo. Falar sobre sexo permite que ela tenha informação sobre os riscos físicos e emocionais e concede-lhe uma base sobre como deve começar a explorar a sua sexualidade. Oriente em como evitar uma gravidez precoce, doenças venéreas, ensine-a a usar um preservativo o que lhe dá a oportunidade de pensar em todos os riscos que existem e na importância de fazer as coisas de forma consciente. Explique que “não” é uma palavra poderosa, que explorar a própria sexualidade é algo natural, todavia isso não obriga ninguém a fazer algo contra a sua vontade. Explique que ela não é obrigada a realizar as necessidades de outra pessoa por medo e que tem direito de decidir.

Aprender que o “não” é uma palavra poderosa e irá ensinar-lhe que também deve respeitar os desejos da outra pessoa e que qualquer relação sexual deve estar baseada em respeito mútuo.

 

Espero ter dado algumas ideias para abrir um diálogo com ela.

Tudo de bom

Casamento e dificuldades

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Estou casada há 5 anos e estou sofrendo desde o momento que me casei. O meu problema é: não consigo ter relações com o meu esposo. Não vejo o rosto dele, na hora do sexo, tenho que fazer mesmo assim.

Não consigo dormir à noite porque aparecem pessoas querendo fazer-me mal no sono. Tenho 2 filhos gémeos e têm 5 anos. Estou sofrendo muito, meu esposo dá-me tudo que é material, mas na parte do sexo nada.

A família dele não me gostam e vivem colocando problemas no nosso relacionamento, já perdi 3 gravidez sem explicação. Quero separar-me, mas ele não quer e não sei o que faço.

Cara leitora,

No seu pedido refere, dificuldades de relacionamento com o esposo e de sentimentos que as pessoas querem fazer-lhe mal à noite. Provavelmente essas situações estão inconscientemente relacionadas. O fato de não poder ver o rosto do seu marido na hora do sexo, levam a um sentimento de estarem a fazer-lhe mal.

 

Antes de pensar em se separar, porque não tenta resolver? Fale com ele, explique os seus sentimentos e dificuldades. Repensem a maneira de ter relações, reflitam sobre variações de posições, etc. onde ambos possam usufruir prazer.

O problema da família vai ter que ter paciência: pense que casou com ele e não com a família toda. De qualquer maneira com o tempo, se colaborar, o relacionamento poderá melhorar.

Caso não consigam se entender procure ajuda especializada para poder perceber o que realmente sente e descobrir qual seria melhor caminho para a sua vida presente e futura.

Fique bem

Marido infiel

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Dra.

Estou desesperada, angustiada, aflita, me sentindo a pior mulher do mundo.

Sou casada a 13 anos amo meu esposo e achava também que ele me amava, Mas a três meses ele me confessou a sua traição, que aconteceu em Novembro de 2019,

Ele foi trabalhar em outra cidade e lá conheceu a pessoa é disse que ficou duas semanas com ela, neste meio veio para casa no final de semana dessas duas semanas, voltou e ficou com ela novamente.

Estava tudo bem entre nós, ou pelo menos achei que estava. Temos dois filhos lindos, inclusive um ainda tem 1 ano e 10 meses... achei que estávamos felizes, não entendi nada. Fique com muita raiva ódio xinguei ele muito pois para mim estava tudo bem,

E o pior ainda passou dezembro inteiro (inclusive meu aniversário, Natal, ano novo,) passou janeiro e em fevereiro no dia 25 tivemos uma briga pois ele estava escondendo muito o celular, e ai quando a bomba estourou. Chorei muito, nossos filhos viram todas as brigas e xingamento, me vi num luto profundo, uma angústia profunda, Porque vi minha família desmoronando ( e ainda estou vendo) Ao mesmo tempo que estava tudo bem derrapante tudo virava poeira, não sabia nem no que pensar mais... e ainda não conformo. Eu disse a ele que o perdoei pra tentarmos novamente e por causa dos nossos filhos e porque também a amo, são 13 anos muito bem vividos alegres ... enfim. Éramos felizes. "Meu Deus o que que aconteceu?" Não sei, me via num beco sem saída.

Quase dois meses depois, ainda há conflitos entre nós Dra.

Por fim agora ele disse que não se senti digno de mim. Não quer nem me beijar, beijo sabe até mesmo de selinho para uma despedida. Mas o que não entendo é que o sexo ele quer, e com isso estou sentindo-me usada, além de me sentir humilhada pelo acontecido, me sinto desprezada... Pergunto a ele e ele me diz que isso não é desprezo e sim respeito para comigo, que eu não mereço um, comparado da palavra, Um bosta como Ele, que ele manchou nossa história, ele está estranho, se sentindo mal de saúde dores, ... Não sei Dra o que está acontecendo. Mas sinto muito de ele não me beijar, podemos ficar o dia todo em casa, que ele não me dá um beijo, nem de selinho.

Mas o sexo quer... assim mesmo me deito com ele, porque eu o amo muito e que eu mais quero é que nos voltamos ao normal. Não sei mais o que pensar Dra. Não sei mais o que dizer... Não sei. Me sinto perdida,

Desprezada e humilhada.

Estou de mãos atadas e o pior não tenho para quem contar e desabafar

Me sinto sozinha Dra. Não ser mais como reagir a essa situação. Me ajude Dra.

Por favor!

Aguardo seu retorno. Obrigada.

 

Cara leitora,

Parece que estão num momento de transição, um momento onde ainda não se perdoaram o que aconteceu. Primeiramente é preciso separar o perdoar do confiar. O perdão normalmente ocorre pela análise de uma série de fatores, como o tempo que estão juntos, todos os momentos felizes que compartilharam, o quanto construíram juntos, se têm filhos, etc. E é preciso lembrar que a reconstrução gradual da confiança é um processo difícil e doloroso.

Ao voltar a ter relações sexuais, depois que tudo veio à tona, é comum que o casal se depare com alguns obstáculos. Mesmo se os fatores que levaram à traição são entendidos, é inevitável surgirem sentimentos de que algo na vida do casal não ía bem e que precisa ser reajustado. Quem traiu também fica numa posição desconfortável, de certa "dívida" com o par. Não dá para retornar imediatamente tudo como era antes, é preciso ter paciência e ir vivendo um dia após o outro na tentativa de reconstruírem a relação.

Quanto ao beijar é preciso ter paciência, dar tempo ao tempo. Pode ser que o sentimento de culpa bloqueia-o no ato beijar.

Infidelidades acontecem. Pensem em viver esse momento como uma “oportunidade” para reconstruir a vossa relação mais fortalecida, sem cobranças, com muito diálogo e cada um a seu tempo. O investimento deve ser direcionado à vossa relação. Não procure saber, detalhes da infidelidade, foco em melhorar a vossa relação!

Problema sexual

18.jpgBom dia Doutora Mariagrazia, obrigado por ler meu e-mail eu gostaria de pedir uma orientação e conselho.

Eu tenho 21 anos e tenho muita vontade sexual por varias vezes por dia mas eu não quero fazer sexo só depois do casamento.

Eu tentei muitas formas de distrair e fazer outras coisas mas quando vem a vontade é algo imenso impossível de resistir. Eu só gostaria de diminuir essa louca vontade por que não quero praticar masturbação nunca.

A senhora teria algum conselho doutora, algum especialista ou principalmente um truque da psicologia de lavagem cerebral ou hipnose com profissional ou medicamento?

 

Obrigado pela atenção

ML

 

Caro LM,

A masturbação faz parte de uma vida sexual saudável, é totalmente segura e inofensiva, além de diminuir o stress e aumentar a autoestima.

 

Todavia, não se masturbar também pode trazer algumas vantagens científicas e pessoais, como por exemplo o aumento da produtividade e diminuição da procrastinação diária, devido ao aumento de energia, e também maior sensibilidade e energia sexual.

Abster-se da masturbação não constitui qualquer perigo, porém é uma privação desnecessária, pois o ato pode ser muito saudável para o organismo. No entanto, a decisão é pessoal. Cada pessoa possui o direito de fazer o que entender com o próprio corpo.

 

Quanto a procurar formas de escapar dos desejos momentâneos, procure uma distração, ou trabalhe a sua conscientização. Outra opção é usar o relaxamento ou meditação, como uma forma de lidar com o stresse em vez de deixá-lo se acumular. Se a libido estiver muito aumentada pode usar ervas e medicamentos para diminuir os níveis de testosterona e ainda fazer mudanças equilibradas no seu estilo de vida.

O meu conselho é que se dedique a algum trabalho muito exigente, que o satisfaça e que diminua o seu tempo para pensar em sexo. É o que Freud chamou de sublimação, ou seja dirigir a energia sexual para executar algum trabalho importante.

Outra coisa que pode ajudar é a prática regular de exercício físico.

Acontece que na sua idade não é fácil abster-se de pensar em sexo por estar numa fase onde os níveis hormonais estão no auge e agudizam o desejo sexual.

 

O melhor é procurar viver a sua sexualidade naturalmente sem grandes restrições e sem culpas.

Fique bem

Insegura com o namorado

Olá Doutora,

Namoro há dez anos. Tenho 25 anos e o meu namorado tem 27.

Começamos a namorar éramos adolescentes e atualmente ainda não vivemos juntos porque estou a acabar um curso universitário. No entanto, não consigo sentir-me segura neste namoro porque tenho vindo a aperceber-me que ele não tem ou pelo menos não demonstra vontade em fazer certas coisas comigo. Refiro-me ao passarmos uma noite juntos por exemplo. De há uns anos para cá discutimos muito quando lhe expresso essa frustração de se passarem meses sem dormirmos juntos.

 

Não me pergunte o porquê mas sinto uma grande necessidade em ter isso dado que não vivemos juntos. Depois dessas discussões ou conversas ele compromete-se que vai ter mais atenção a isso mas um mês depois, volta tudo ao mesmo e a minha insegurança aumenta.

Mesmo em relação ao futuro sinto que mais depressa sou eu quem fala nisso ou tenta arranjar soluções do que ele. É como se ele vivesse num mundo a parte e vejo que só quer estar em casa dele o dia inteiro. Já pensei que estivesse numa fase depressiva, mas a verdade é que ele foi sempre assim. Até para passarmos a nossa primeira noite juntos, isto há muitos anos, tivemos uma grande discussão e tive que ser eu a demonstrar que queria, da parte dele havia indiferença.

 

Já conversei a bem com ele, já discuti, já chorei muito a frente dele e já fiquei meio ano sem ter relações sexuais com ele por essa indiferença por parte dele, mas agora só fico calada e apática porque não sei mais o que fazer.

Ele no geral é carinhoso e amoroso comigo, mas nestes assuntos é totalmente diferente.

Obrigada

 

Cara leitora,

 

A questão sexual é uma questão importante para a relação. Cada pessoa tem um ritmo e homens e mulheres têm libidos diferentes, o que pode atrapalhar na ora do sexo.

O desencontro do desejo requer comunicação e entendimento entre as partes, e, em muitos casos, uma redefinição do que o sexo significa na relação. Uma harmonia depende do modo como ambos comunicam o que querem. Harmonia é o mais difícil de tudo, mas não impossível.

Falem sobre isso, dialoguem e tentem encontrar um ponto de encontro.

Para favorecer o desejo sexual, pode ser interessante inovar situações de convívio como, por exemplo, irem a ambientes que não costumam ir, programarem jantares românticos, viajarem juntos, terem algum cuidado com o corpo, darem vazão às fantasias, etc.

 

Conversem e conversem um com o outro mas sempre sem forçar nada para não criar inibições. Também há a opção do seu namorado tomar algum medicamento para que se sinta mais confiante e seguro antes do ato sexual.

Outra solução está em procurar um psicólogo para explorar a situação e identificar e trabalhar possíveis inibições ou constrangimentos relacionados com o sexo.

 

Os relacionamentos evoluem na reciprocidade. Se um puder contar com o outro para dar prazer regularmente, mesmo que não seja com tanta frequência quanto um gostaria, já é um ponto positivo.

Não se esqueça de mostrar apreço por seu parceiro quando este demonstrar preocupação genuína sobre sua felicidade sexual. A felicidade sexual não é apenas fazer sexo quando você quer fazer sexo. É também não ter que fazer sexo quando você não quer fazer sexo. E a felicidade sexual é reforçada por saber que seu parceiro é sexualmente feliz consigo, porque os dois estão na maior parte do tempo, mas nem sempre, tendo o sexo que precisam, e principalmente, mas nem sempre, livres da pressão para fazer sexo quando não há clima.

Você tem que dar um pouco para obter um pouco.

Um abraço e tudo de bom

Rejeição ao sexo

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Boa noite,

eu namoro vai fazer 2 anos, sempre fui apaixonada pelo meu namorado, porém de um mês pra cá eu não suporto mais fazer amor com ele, e nem que ele me toque. Amo-o muito e não sei oque fazer, me sinto triste pois ele esta se sentindo rejeitado.

 

Cara Leitora,

Se gosta de seu namorado, não é normal sentir repulsa em fazer amor com ele. Talvez tenha surgido algum pensamento ou alguma crença tóxica em relação ao namoro que esteja a prejudicar a sua libido e que se manifesta inibindo o seu desejo na relação sexual com seu namorado. Tente perceber o que vai na sua mente para que consiga ter algumas pistas que a ajudem a superar isso, sem ofender e nem prejudicar a si e ao seu namorado.

 

Caso a situação se mantenha e continue a se sentir assim, procure uma consulta de psicologia para que possa trabalhar esse sentimento e voltar a ser a mulher desejante.

Colega ou amante

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Olá,

vi seu blog e gostei. Preciso de ajuda. Já conversei com algumas amigas que sabem meu problema, resolveu por um tempo mas não estou sabendo lidar com isso de novo.

Vou resumir minha história. Sou casada há 17 anos e tenho dois filhos. Sempre vivi em função de minha família, me dedicava em tempo integral a todos e com o passar do tempo comecei a notar que eu me anulava que não fazia nada pra mim. Sempre que saíamos era em lugares que meu marido gostava e o que eu gostava foi ficando de lado e cada vez mais distante. E com o passar dos anos fui dando-me conta disso. Comecei a cobrar de meu marido certas atitudes como ir a algum show de um artista que eu gosto, mas sem nenhum interesse dele, até que eu comecei a não querer mais fazer as coisas que ele gostava e isso acabou nos afastando. Cada dia um pouco mais.

Até a um certo dia depois de já desconfiar que ele poderia estar traindo-me, vi uma mensagem no celular dele à outra mulher. Nessa mensagem ela "aconselhava" ele. A mensagem dele pra ela era um elogio, coisa que nunca fazia comigo. Eu estava tão amortecida, tão "acostumada" a não questionar que pensei em deixar pra lá e não tocar no assunto com ele. Mas não aguentei e falei. Ele então disse que era uma amiga de trabalho que desabafou com ele sobre problemas com os filhos dela e ele me confessou que também desabafou com ela sobre nosso casamento. Me senti humilhada, exposta, um lixo, pois não sabia o que exatamente, ele tinha dito a ela sobre mim. Ele me garante que não houve nada entre eles mas fica difícil acreditar. Acredito sim que da parte dele poderia ter alguma intenção sim pelo contexto da mensagem que ele enviou a ela.

 

No dia que vi a mensagem até liguei a ela que também negou e disse ter deixado claro a ele que seriam só amigos. Mas nem ele nem ela me convenceram. Tentei levar em frente, seguir como casal mas o tempo passa e certas coisas ficam martelando na minha cabeça.

Minha vida que estava virada só piorou. Hoje não tenho vontade de fazer nada com ele, nem de sair, nem de sexo, e não sei até quando isso vai durar, pois sei que sexo é importante mas não sinto vontade nem desejo.

Agradeço se puder aconselhar-me.

(Espero ter sido clara)

Obrigada.

 

Cara leitora,

 

O segredo para manter um casamento é fazer coisas junto que cada um goste. Conversem e façam acordos, negociem, para que cada um possa  escolher o programa e para que ambos possam sentir-se felizes e, principalmente, para que não aconteça um afastamento.

O casamento é a dois e cada um precisa  ter o seu próprio espaço. Uma das causas das crises conjugais é o fato de as mulheres terem expectativas desproporcionais em relação a seus parceiros. Muitas mulheres querem um homem que as "inspire” e exigem que viva no auge do magnetismo e possa fazê-las sentirem-se o máximo o tempo todo.

Temos dentro de nós necessidades essenciais. São as demandas e expectativas inegociáveis - e que, quando abortadas em uma relação, só trazem frustração. Ninguém pode ter todas as necessidades preenchidas por outra pessoa. Mas há duas ou três coisas de que não dá para abrir mão, e o parceiro ideal é aquele que as respeite e as preencha.

Esqueça essa colega de trabalho. Invista na vossa relação pois é assim que podem recuperar o prazer de viver feliz como um casal.

 

Um abraço

 

Abusada pelo pai

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Boa noite doutora,

 

Pensei muito antes de escrever. Tenho 24 anos, fui abusada sexualmente pelo meu pai quando tinha 10 anos, não sei por quanto tempo mas imagino que um ano mais ou menos, com frequência, as vezes vinha na minha cama quando estava dormindo, ou quando estava em casa sozinha com ele.

Eu não dizia nunca de não, e gostava quando me tocava. Não contava pra ninguém porque pensava que se eu não dissesse ele seria sempre "bonzinho" comigo, não me bateria mais e daria coisas como doces e presentes.

Na verdade nada mudou, e uma vez que fiquei até mais tarde na casa de uma amiga, levei uma surra de cinta. Decidi que não queria mais, mas quando ele vinha eu não tinha coragem de dizer não!

 

Minha irmã descobriu, e escreveu uma carta a minha mãe contando o que acontecia! Minha mãe me chamou para conversar, chorei horrores, achei que ela ia bater-me, mas ela só estava em choque e queria saber a verdade, contei tudo.

 

Não me lembro se se passaram uma semana ou um dia, mas ela falou com ele e pediu para ele ir embora de casa, ele não aceitou, meu pai bebeu veneno e morreu no mesmo dia.

 

Desde então eu tenho uma relação com o sexo que não vejo natural. Perdi a virgindade com 15 anos, depois disso tive vários homens, não perguntava nem o nome! Aos 19 fui morar em outra cidade e lá depois de alguns meses comecei a prostituir-me. Fiz por um ano e meio mais ou menos! Não consigo manter uma relação duradoura, estou há oito meses com uma pessoa, e já sinto vontade de sair com outra, não quero trair, gosto muito dele, mas não é ativo sexualmente como eu sou! Penso sempre no que me aconteceu no passado e acho sempre que tudo acontece por esse motivo, o sexo a prostituição, a minha frieza... Espero que possa ajudar-me! Agradeço desde já!

Um Abraço Maria

 

Cara Maria,

 

O abuso sexual praticado em crianças e adolescentes provoca nessas pessoas, dores e traumas irreversíveis. Esses traumas desencadeiam uma profunda violação dos limites físicos e psicológicos, gerando consequências gravemente negativas para a vítima ao longo de seu desenvolvimento cognitivo, afetivo, comportamental e social, e principalmente para os seus relacionamentos interpessoais futuros.

Percebe-se que com a vivência do abuso, a Maria perdeu a espontaneidade e naturalidade de sua sexualidade, deixando marcas profundas, o que em muitos casos pode levar até à perda do sentido da vida.

 

Para enfrentar essas consequências psíquicas e emocionais é preciso primeiramente conscientizar-se que a via da prostituição não é o caminho adequado para ultrapassar o seu passado de abuso, muito pelo contrário leva a uma agudização da sua inconstância sexual e frieza emocional, por não confiar nem nas pessoas e nem em si.

 

Procure ter uma atitude positiva, o que aconteceu consigo faz parte do passado, aceite o sucedido como fosse um acidente de percurso e não como justificação para seus comportamentos presentes. É preciso superar com esforço, com assertividade e força.

 

Ao mesmo procure ajuda especializada. Faça uma psicoterapia para poder trabalhar os seus fantasmas do passado e poder viver o presente com desenvoltura, serenidade e amor.

Ultrapassar luto

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Boa tarde.  Gostaria de receber alguns esclarecimentos acerca da minha situação. Meu pai se suicidou pelo motivo  aparente de situação económica muito difícil, da qual eu nunca tive conhecimento, pois nunca pediu ajuda. já passaram 2 meses e depois disso, nunca mais consegui retomar a minha vida sexual com o meu marido, nunca mais senti desejo nem sequer vontade.

Gostaria de saber se é normal demorar tanto tempo, uma vez que o meu marido está ficar impaciente comigo, pois acha que já deveria ter ultrapassado isto.

 

Grata pela atenção

RC

 

Cara RC,

 

Permita-se sentir a dor. Permita-se sentir tristeza, afinal está a viver a ruptura de um vínculo muito importante. Fale das suas emoções, dos seus sentimentos e inquietudes.

Quando perdemos alguém que amamos, esta pessoa ainda está viva em nossos pensamentos e memórias.

 

Permita-se dizer não. Faça o que for possível e somente aquilo que fizer sentido para si e o que sentir que tem algum significado.

 

O luto de um pai não é fácil, de um pai suicida ainda pior. Ficam muitas dúvidas e sentimentos, por vezes, de culpa. Penso que o importante é poder permitir-se também, sentir alguma alegria no momento presente. Às vezes, quando estamos a sofrer, podemos ter um momento de leveza. Deixe a alegria e o sorriso acontecer! Não se censure caso em algum momento  se sentir feliz mesmo em seu processo de luto.

 

O luto leva seu tempo, não queira queimar etapas, mas também não se culpe de poder sentir algum prazer, como por exemplo prazer sexual. Às vezes  é uma questão de recomeçar.

 

Um abraço