Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Mãe tóxica

10.jpg

 

Olá.

Ultimamente ando muito angustiada. Tive uma infância muito difícil na questão emocional. Minha mãe sempre me xingou muito. Sempre me chamou de burra, caso não fizesse algo certo. Sempre se vitimizou, sempre acha que esta certa em tudo. E sempre me obrigou a cuidar da minha irmã mais nova como se eu fosse a mãe dela. E nossa diferença de idade é apenas 6 anos. Me sentia sufocada quando criança, eu lembro de sempre chorar e dizer que queria morrer. Sempre lembro que eu não era feliz na minha casa, não me sentia bem ali. Me sentia maltratada, sobrecarregada. E infeliz. O tempo passou e eu também lembro que minha mãe só se importava comigo e demonstrava algum afeto quando eu ficava doente.

Enfim. É muita coisa mas hoje eu tenho um sentimento de desgosto por ela. De cansaço só em falar com ela. Não queria falar com ela. Não faço questão de vê-la. Acho ela super dramática em tudo. Não a tenho como um porto. Eu sempre me virei sozinha. E sinto que hoje não posso contar com ela. Me sinto culpada de ter esses sentimentos por ela. Mas é o que eu sinto. E grande parte disso, acho que foi por todas as coisas más que ela já fez comigo. Estou muito cansada.

Não consigo conviver com ela numa boa. Mentalmente começo a ficar sufocada porque não tenho coragem de falar dos meus sentimentos pra ela.

 

Cara Leitora,

Não sei se vale a pena falar com ela. Mãe é mãe e nem sempre é capaz de corresponder à necessidade de amor e atenção de uma filha.

É muito triste ter que aceitar que a mãe, que deveria amar acima de tudo possa ser o algoz da própria filha.

Os pais tóxicos, classificação cada vez mais usada na psicologia, agridem física e psicologicamente, causando sequelas que se arrastam por toda a vida. Nenhum pai ou mãe está livre de falhar, perder a paciência ou a compostura. Mas agir com perversidade ultrapassa os limites aceitáveis de qualquer relacionamento. E a humilhação vinda daqueles a quem se ama é muito mais dolorosa.

É como se houvesse uma confirmação para a pessoa de que ela não é boa o suficiente para receber afeto. A postura dos pais tóxicos deixa graves sequelas, normalmente levadas para a vida adulta. As consequências são agressividade, dificuldade de aprendizado, rebeldia, timidez e um enorme sentimento de culpa.

Mães e pais perversos existem. A constatação coloca na berlinda o chamado amor incondicional. Esse sentimento, é uma construção moldada de acordo com os desejos de cada um. Não é intuitivo, como defende a crença popular. É uma questão cultural, imposta pela sociedade.

O amor incondicional só existe se os pais desenvolveram ao longo da vida recursos para lidar com as adversidades e as mudanças. Porque um filho muda tudo na vida dos pais.

A filha de uma mãe tóxica cresce num estado de alerta, o que causa uma ansiedade que se torna crónica.

Para quem chegou à vida adulta traumatizado pela relação tóxica, a psicoterapia é um caminho. Para muitas das vítimas, o tratamento inclui passar a ter uma relação superficial com os pais.

Parece que para conviver com a sua mãe seja preciso manter uma distância saudável e procurar compreender e talvez admitir que há realmente pessoas desprovidas de afeto e sua mãe é uma dessas pessoas.

Se não conseguir lidar com esses sentimentos e traumas procure uma psicoterapia.

Sobre mães

miro10.jpg

 

 

O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É ela que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, irá sair de seus braços e seguir no mundo sabendo que tem uma mãe que a ama. Ela terá sempre a referência do amor incondicional dela, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

 

Ser mãe não é fácil, ser filha ainda menos, e há maus momentos entre todas as mães e filhas, tal como há em todos os casamentos. Há mães esporadicamente difíceis (todas). E também há as mães consistentemente difíceis. A filha de uma Mãe Difícil tem sempre a esperança de que as coisas mudem. Com uma mãe narcisista, isto nunca acontece. A narrativa dela rejeita a mudança, o tempo, e os outros.

A narcisista é um dos ‘tipos’ de mãe difícil. Uma mãe difícil é mais do que uma pessoa com quem temos problemas de vez em quando. Uma mãe difícil põe a filha perante um grave dilema: ou desenvolve mecanismos complexos e autocastradores para manter a relação com a mãe, com grandes custos para a filha em termos de autoestima, relação e valores, ou arrisca-se a sofrer humilhações, desaprovação e rejeição.

 

Algumas mães podem ser tóxicas.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre suas vidas e a de seus filhos.

Por mais que pareça estranho, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e um outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

Para lidar com uma mãe tóxica é preciso estar consciente para quebrar o ciclo de toxicidade.

Viver para ser feliz, exige dizer “não”, colocar suas necessidades em voz alta e aumentar suas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

 

Agradecemos às boas mães, pelo milagre da vida, pelo amor incondicional, pelo esforço, pelo cuidado, pelo carinho e proteção.