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Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Consultório de Psicologia

Espaço de transformação com a finalidade de orientar, ajudar, esclarecer dúvidas e inquietações. Encontre equilíbrio, use sua criatividade e deixe fluir sua energia. Mariagrazia Marini Luwisch

Infidelidade e violência

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Boa noite Dra. Espero que esteja bem. Escrevo-lhe pelo seguinte sou médica e tenho 30 anos, 1 filha de 3 anos e sou casada a 4 anos com homem de 36 anos. Nos conhecemos há 10 anos. Desde namoro que temos problemas de compatibilidade e no casamento estamos sempre com brigas.

E sempre foi muito desleixado, uma pessoa que não pensa no futuro, sempre tive ser eu a lutar pelo nosso futuro. Ele tem ensino médio, sempre lhe incentivei a fazer faculdade, ele sempre me disse que iria fazer é até hoje nada.

Gosta de consumir bebidas alcoólicas e sempre gostou de chegar de madrugada em casa, e isso sempre me deixou triste motivo de várias discussões nossas e melhorou um pouquinho.

A casa onde moramos é minha e o carro que ele conduz também é meu. E ajuda pouco ou quase nada com as despesas de casa e da nossa filha é preciso muita discussão.

Quase nunca saímos juntos sozinhos para passear, assistir cinema. Ele prefere ir beber com os amigos e deixar-nos em casa sozinha ou na casa da mãe dele.

Apaixonei por outro homem, que partilha e entende os meus problemas, e a nossa química sexual é muito maior.

Meu marido descobriu e ficou chamando-me nomes durante um tempo, pedi perdão e ele diz que me tem perdoado. E deixei o meu amante. A verdade é que 4 meses depois por uma mensagem que não tem nada a ver com meu ex amante ele me agrediu violentamente, ao ponto de ir parar a polícia e todos vizinhos do prédio acordarem.

Estou na casa dos meus pais e pedi a ele para sair da minha casa, deixar meu carro e me dar o divórcio. Ele diz que me ama precisa que eu o perdoe e volte para casa, já passa 1 mês e eu não quero, não me sinto feliz ao lado dele. Nem sinto prazer em estar com ele. Sinto-me explorada por ele.

Que faço ajude me por favor??

 

Cara Maria ,

 

A minha indicação é para fazerem uma terapia de casal. Entre os principais motivos que levam os casais a recorrer à terapia, destacam-se as dificuldades de comunicação, o desinteresse sexual, os conflitos, como por exemplo, na gestão da parentalidade ou em relação às famílias de origem.

 

Durante a terapia, o casal aprende a conhecer melhor o outro, a falar dos seus problemas de forma positiva, sem críticas, sem preconceitos e a compreender o tipo de dinâmica que têm e o que os leva a entrarem sistematicamente em conflito. A comunicação é o maior problema de muitos casamentos. E é por isso que é importante a intervenção de alguém que promova o diálogo aberto, mas sem ofensas.

 

Relacionamentos não nascem prontos, toda relação tem que ser continuamente construída e é preciso ter respeito, reconhecimento, responsabilidade e recreatividade . A cotidianidade exige maturidade para administrar conflitos e ao mesmo tempo deixar espaço para o lúdico, para o amor e para o sonho.

 

E tanto um como outro não estiveram a construir juntos, pelo contrário estão a seguir caminhos opostos com toda consequência que essa postura possa trazer: infidelidade, violência, programas individuais e agora é tempo de rever a relação para decidirem se há possibilidade de recuperação ou se o divórcio é a solução.

Um abraço

Namoro adolescente

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 Meu nome é I., tenho 51 anos e uma filha de 12 anos que anda a namorar com um rapaz de 16, isso é ilegal? O que devo fazer, trata-se de um individuo com historial de drogas e violência. Agradeço desde já a ajuda

 

Cara I.,

A sua filha está num namoro prematuro e prejudicial. A comunicação entre pais e filhos é essencial nesse caso.

 

Converse muito com ela sobre as possíveis consequências de seus atos e fale da importância que esta pessoa seja da sua idade ou de idade próxima, que compartilhem os mesmos princípios, valores e crenças pessoais e familiares. Esse rapaz não pode namorar com ela pois irá prejudicar a vida de sua filha em todos os sentidos.

O papel dos pais é buscar que seus filhos vivam com intensidade o que é próprio da idade juvenil, isto é, que cada etapa seja aproveitada em extensão e plenitude com as experiências necessárias ao amadurecimento pessoal, sem os obstáculos apresentados por uma relação afetiva prematura.

 

Fique perto de sua filha e não permita que essa relação continue, aos 12 anos ainda não tem maturidade para decidir e nem para namorar.

Caso não consiga sozinha encaminhe-a para uma consulta de psicologia para que possa ajudar nesta e quiçá outras questões que estejam por trás.

 

Tudo de bom

Companheiro agressor

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Boa noite, desculpa pelo incómodo. Estive a ler alguns testemunhos no seu site e gostaria de lhe pergunta se há solução para o meu companheiro que pela 2a vez me agrediu, eu acho que ele precisa de ajuda psicológica e de algo para tomar porque quando explode é agressivo e violento para mim e nada justifica ele bater-me.

 

Não me queria separar dele, já falamos em ele ir ao médico, mas oque queria saber é que se com a sua experiência médica algum tipo de tratamento iria resultar? Ele nunca mais me iria bater??

 

Agradeço imenso se me poder responder, melhores cumprimentos.

 

Cara leitora,

Casos de violência precisam ser tratados por psicoterapia. Seu companheiro precisa uma ajuda e um acompanhamento de uma psicóloga para tratar o problema de agressividade e conseguir ser capaz de ter autocontrole e uma vida normal.

 

Não há segredos mágicos que resolvam este problema, mas sim uma mudança de cultura, de crenças e valores.

Perante o agressor, a vítima tem que se mostrar forte, nunca se resignar e reagir a cada agressão. A mulher tem que demonstrar ao agressor que não tem medo e que, apesar de ser mais frágil, pode exercer força sobre o agressor, tanto fisicamente como legalmente. A mulher deve sempre denunciar a agressão às autoridades, à família, aos vizinhos, fazendo diminuir a autoestima social que o agressor tem perante a sociedade.

 

Os agressores não são felizes, estão em desequilíbrio emocional, e provocam muito sofrimento ao seu redor.

O tratamento psicológico de seu companheiro é essencial para a sua própria eficácia de proteção e criação de mecanismos que permitam quebrar o ciclo de violência.

 

Fale com ele e motive-o para um tratamento correto e eficaz.

Abuso sexual

 

chagall27.jpg Drª, gostaria de sua ajuda, sofri abuso sexual na minha infância, e quando me tornei adolescente comecei uma vida sexual muito cedo. Sempre busquei refúgio no sexo sem prazer, e quando me quando me apegava, me apegava muito rapidamente.

 

Vivo uma vida de dupla personalidade, na frente das pessoas sou uma pessoa normal, mas quando estou sozinha tenho prazer em me sentir triste e chorar.

Será que tenho algum tipo de transtorno? Desde já agradeço
Amanda

 

Cara Amanda,

As vítimas de violência e abuso sexual sofrem consequências psicológicas tanto imediatas quanto crónicas.

 

As consequências da violência e do abuso sexual na esfera emocional são:

* Choque.

* Negação.

* Medo.

* Confusão.

* Ansiedade.

* Recolhimento.

* Culpa.

* Nervosismo.

* Falta de confiança nas pessoas

* Sintomas de transtorno do stress pós-traumático.

 

O seu comportamento na intimidade pode estar relacionado ao seu passado, quando viveu o prazer associado à tristeza e à dor. Para melhor tratar do seu problema e está indicada uma psicoterapia que vai ajudá-la e proporcionar-lhe um ambiente seguro onde poderá expressar a sua dor e iniciar daí um processo terapêutico de cura do seu trauma do passado.

 

Entretanto não desanime. Essas situações acontecem e o que é preciso é conseguir superar o trauma e recuperar a sua auto-estima.

 

Rapariga feia

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Boas. Vou aqui contar pelo que estou passando. 

 

Eu sempre fui a rapariga feia que ninguém queria, e que todos usavam. Sempre fui vítima de Bullying. 

Nunca consegui superar isso, até hoje tudo continua dentro de mim, como se tivesse ocorrido a pouco tempo, e nem consigo encarar quem me fez isso. Apenas faço como se isso nunca me tivesse afectado, mas é mentira isso tudo continua bem vivo dentro de mim. Mas nunca consegui contar isso a ninguém, porque as pessoas iriam dizer que eu estaria a exagerar. 

Com os meus 15 anos, conheci um amigo do meu irmão, e apaixonei-me, ficamos amigos, e acabamos por começar a namorar. Namoramos 3 semanas, nessas três semanas, tivemos 3 vezes juntos, porque ele não era de perto de mim, essas semanas foram boas, nunca tínhamos discutido, era perfeito e eu acreditava em tudo o que ele me dizia. Era muito inocente. A última vez que tivemos juntos eu apresentei-o à minha melhor amiga, e a partir daí tudo mudou. Ele começou a mandar mensagens a minha melhor amiga, mas eu nem desconfiava de nada. Ele acabou comigo no dia dos namorados, e eu fiquei devastada. Mas já me estava habituando à situação e ele quis entrar na minha vida de novo, mas eu não queria mais cometer outro erro, e disse que não queria, e ele chantageou me e eu sofri, mas não liguei. 7 meses depois voltou me a chatear a dizer que me queria de volta, mas eu recusei novamente. 1 ano depois de termos namorado, uma amiga veio me contar que a minha melhor amiga, tinha dormido com o meu namorado. E eu parva no dia em que dormiram juntos, ajudei-a a arrumar o quarto para eles fazerem sexo, mas eu não sabia que era com ele. Quando soube disso, afastei me de ambos, e agora já não dirijo mais a palavra a essa amiga, mas com ele, voltei a falar e dei lhe mais 9 oportunidades, e todas elas ele desperdiçou.

 

Sofri muito, chorei muito, por muitas vezes pensei em me matar, mas arranjava forças e conseguia superar, e quando isso acontecia ele voltava de novo, para me deitar a baixo. Na segunda vez que namoramos, eu já não confiava nele. Um fim-de-semana ele foi a uma festa, e levou o fim-de-semana todo me ignorando. E eu acabei cometendo o maior erro da minha vida. Perdi a minha virgindade numa traição com um amigo. Nunca mais consegui encarar bem esse meu amigo. E o meu namorado na altura nunca chegou a saber disso, depois de o trair acabei com ele. Noutra vez que namoramos dois meses apenas, ele levou 10 dias me ignorando, eu sem aguentar acabei por acabar com ele. 

 

E outra, ele acabou comigo do nada, e mais tarde disse-me que tinha acabado comigo porque não aguentava um mês sem me ver, tudo mentira dele. 

Quando íamos tentar a 11 vez, eu não conseguia, já não conseguia mais confiar nele, por muito que tentasse já não dava mais, ele me tinha destruído.

 

Agora já não falamos mais, ele diz que me ama, mas eu não consigo acreditar. Eu não sei mais se o amo. Quando estávamos juntos, ele só queria sexo, quando fazíamos, logo a seguir íamos embora, e ele partia deixando me sem saber o porquê. Agora quando estou com um rapaz, só consigo pensar que ele só me quer para sexo e nada mais. Namorei com mais rapazes, mas nunca os consegui amar. Não me consigo entregar a ninguém completamente, porque todo o passado que tive me assombra. Não consigo gostar de ter relações sexuais com ninguém. E não consigo querer só um rapaz, porque um não é o suficiente para mim. Estou a sete meses sem namorar, e sinto me tão sozinha, não é que não me faltem rapazes a dizer que me amam, mas não consigo acreditar neles, e não me consigo entregar a eles. Todas as noites choro, e quando estou pior, arranho me toda, para que não me doa mais o coração. Não sei mais o que fazer para ultrapassar este medo de me entregar a alguém. Preciso de ajuda, mas não tenho dinheiro para ir a um psicólogo. 

 

Por favor preciso de ajuda. Não consigo mais aguentar isto.

 

Cara leitora,

 

Não te desesperes. Procura não pensar negativamente de ti. Observa as tuas qualidades e aprimore as tuas dificuldades. Todos temos o poder de mudar a nossa vida. Abandona essas mágoas por ter sofrido bullying e desilusões amorosas. Desfruta o que está ao teu alcance de forma gratuita. Sorria, passeie, elimine do teu rosto a tristeza e apreensão… Depois… já podes recomeçar a acreditar e confiar em ti e no mundo Depois…já podes sonhar acordada, pensar em ti, na tua vida e fazer planos futuros.

 

A vida é o que tu “fazes” com os teus pensamentos. Acredita ou não tudo o que te aconteceu e te acontece, foi pensado por ti. Se mudares os pensamentos, mudarás a tua vida.

Procura não te auto violentares com violência física ou psicológica.

 

Tens tempo para namorar. Não é um namorado que vai resolver o teu sentimento de solidão. Aproveita esse momento como oportunidade para ponderar e reflectir sobre o momento presente e sobre a tua vida. Planeja coisas novas para fazer, como trabalho, estudo, etc. Com calma e paciência vais conseguir ultrapassar esse momento de crise.

Acredita em ti e valoriza-te e vais ver como tudo vai mudar.

 

Se não conseguires sozinha procura ajuda psicológica, para abrir o caminho do teu autoconhecimento e da felicidade. A psicoterapia foca-se no desenvolvimento das tuas capacidades pessoais de modo a que possas viver uma vida mais enriquecedora e livre.

 

Um abraço

 

Abuso sexual

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Bom meu nome é Ana e estou precisando de ajuda. Há mais ou menos 3 anos sofri abuso sexual. Há mais ou menos 4 meses e eu consegui contar para minha professora através de uma carta.

A carta foi mostrada para o meu pai, mas nada mudou porque ele não acreditou. Sou da igreja católica, então tivemos retiro e um dia antes eu tinha conversado com uma amiga da mãe e ficamos 3 dias lá e no 2 dia eu passei mal porque sabia que tinha que contar. Acontece que ela me pediu permissão e contou para minha mãe, desde então minha vida mudou.

Eu mudei e comecei a me cortar, tive várias tentativas de suicídio, fui para um grupo de apoio e eu estou extremamente cansada. Me trato com psicólogo e psiquiatra mas não está resolvendo. Me sinto fraca por não me defender e suja. Espero que responda e consiga me ajudar ...

 

Cara Ana,

Obviamente todo abuso é uma violência e tem a tendência de causar transtorno e consequências graves para a vítima, dependendo de como a pessoa o interpretou.

A violência sexual abrange um conjunto de atos sexuais dos quais a penetração é apenas um exemplo. Há outras formas de violência sexual: obrigar à prática de sexo oral ou de masturbação; carícias indesejadas nos órgãos sexuais; forçar à exposição, visualização ou participação em filmes de natureza erótica ou pornográfica ou forçar à prática de prostituição.

É possível sentir prazer durante uma interação sexual forçada por uma razão simples: o nosso organismo possui mecanismos biológicos que são ativados, de forma involuntária, perante o toque. O sistema reprodutor, o sistema hormonal e o sistema nervoso (cérebro) são os principais responsáveis por este processo do nosso organismo.

É importante não esquecer que, mesmo que se sinta este suposto"prazer", não significa que tenha gostado do que aconteceu, muito menos faz com que a vítima seja culpada pela violência sexual.

O mais importante é não se culpar pelo que aconteceu, mas aceitar como uma forma de acidente que aconteceu e que é preciso ultrapassar para continuar a viver sem traumas e para que não aumentarem os problemas.

No seu acompanhamento psicológico  e psiquiátrico, fale sobre tudo o que sente e também sobre esses novos comportamento, que são destrutivos e precisam acabar e ser substituídos por comportamentos saudáveis como  dedicar-se ao estudo, ao trabalho e ao crescimento pessoal.

Procure desdramatizar o acontecido, saiba que muitas mulheres sofrem abusos principalmente na infância e adolescência e o importante é viver a experiência como aprendizado para a vida.

Um abraço e Bom Ano!

 

 

 

Namoro e violência

 

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Olá  Dra., tudo bem? Bom, terminei um namoro de 2 anos já há 8 dias, mas já vínhamos brigando muito  frequentemente, e entre nossas brigas ele sempre apresentava uma certa agressão, até que um dia me deu um tapa no rosto e acabei perdoando-o. Nossa última discussão, ele novamente me deu um tapa e me ameaçou de morte, disse que se ele não tirasse minha vida, iria mandar outra pessoa tirar, depois daquele dia monstruoso não nos vimos mais. Até conversamos depois, mas ele muda completamente de uma hora para outra, num momento esta bem, pede pra voltar, no outro já me xinga , diz que vou sofrer também.. Ando com muito medo dele, não sei o que ele pode ser capaz de fazer !!! Me ajude

 

Cara leitora,

Se ele é agressivo, violento e brigam muito, é melhor desistir do namoro. O importante é não se deixar agredir, é preciso cortar o mal pela raiz e não aceitar nenhum tipo violência. É preciso prevenir, já que o comportamento agressivo pode piorar com o tempo. Um namoro exige antes de tudo respeito e cuidado. Não tenha medo e não caia em tentação de acreditar em falsas promessas, afaste-se dessa pessoa e se ele ameaçar pense em denunciá-lo.

Fique bem

 

 


 

 

 

 

Violência entre irmãos

Cara Dra. Mariagrazia

 

Desde já dar lhe os parabéns por ser tão excelente

profissional. 

 

Resolvi desta forma entrar em contacto consigo, porque estou numa situação em que não sei que fazer, melhor sei que fazer mas o meu receio é que isso vá de alguma forma prejudicar o meu filho de dez  meses. 

Tenho 34 anos, engravidei sem querer, pois havia pouco tempo que tinha mudado a minha vida, morava no Alentejo e o meu companheiro em Lisboa. Resolvemos juntar e vim morar para Carcavelos. 

Trabalhei em rádio durante 12 anos, mas devido a esta decisão fiquei sem emprego, situação que se mantém até hoje.

 

A gravidez surgiu na pior altura. Apesar do choque nunca me passou pela cabeça jamais abortar. O meu companheiro levou três dias a massacrar para fazer o aborto, sempre disse que não e que ia embora para o Alentejo, mas abortar nunca.

 

Um dos argumentos, tinha um filho de 8 anos e que o tratasse como filho, que esta fase passava e daqui a 4 anos engravidava. Foram momentos muito complicados, sozinha sem apoio e a única pessoa que amava estava contra mim. 

Mudou de ideias e disse para ficar em Lisboa e levarmos a gravidez para a frente. 

 

Durante os 9 meses, foi a uma ecografia. tive uma gravidez de alto risco, devido ao bebe ter aumentado do percentil 50 para o 95, a medica disse o bebe tinha problemas de certeza, incluindo diabetes. Fiz todos os exames e mais alguns e o resultado sempre o mesmo, o bebe é grande mas está tudo bem. Durante este percurso muito chorei porque nunca sabia qual o resultado do exame que ia fazer. o pai do meu filho, a única preocupação se for encontrado problemas no bebe vamos logo para o aborto. 

 

Graças a Deus, o único problema pelo menos foi  a medica a dize-lo, engordei 30 kgs e na passagem do natal tudo se modificou ou seja do percentil 50 para o 95. 

Fiz uma indução de parto, entrei num domingo e o meu bebe nasceu de cesariana na quarta as 3 da tarde, foram muitas horas de sofrimento tudo ultrapassei. 

 

Quero só mencionar que somente no sétimo mês, o meu companheiro contou ao filho de 8 anos, que ia ter um mano, Porque o miúdo anda na psicóloga tem problemas de se relacionar com as outras crianças e saber que ia ter um mano ia afectar ainda mais o seu problema. 

Estava habituado a ter todos os brinquedos e a atenção de todos e um mano vinha complicar. Tudo aceitei. 

Vim para casa da maternidade, o miúdo de 8 anos, filho do meu companheiro, sempre esteve connosco. Era para vir só de 15 em 15 dias, mas dado a situação veio uma semana inteira. Tudo corria bem até ao momento em que o Lourenço quer agredir o mano de 15 dias. Sufocando o bebe no ovo, a minha mãe é que viu, falamos todos e o pai ainda ficou chateado por termos abordado o assunto em família. 

 

Várias tentativas seguiram e o pai nada fez. Diz que é uma situação nova para ele e que não vai repreender o filho, que isto vai passar. Nunca faz a frente do pai, mas depois confrontado conta que fez. A situação mais grave foi há uma semana, as escondidas, isto em segundos, tirou uma parte do cinto da cadeira de refeições, por pouco o bebe não ia ao chão, agora tem 10 meses não para sossegado na cadeira, sem cinto claro ia ao chão. O pai nada faz porque se ralhar com o Lourenço nada vai ajudar e só vai fazer pior na próxima vez. O miúdo há frente do pai e das visitas é um querido com o mano, faz-lhe tudo, por trás só não o mata porque temos de estar atentos ao segundo. 

 

Não aguento mais esta situação e o meu companheiro ainda se vira contra mim, porque não trato bem a criança. 

 

Quando na realidade, claro que agora estou fria por ver que o pai nada faz ao filho e esquecendo que o bebe esta em perigo. Há mais situações pelo meio, mas este é basicamente o resumo. 

 

Peço a vossa ajuda pois não sei como resolver. 

 

O meu desejo é voltar para o Alentejo. 

Cumprimentos

 

Violência psicológica

 

 

Bom dia, peço desculpa por a estar a contactar via e mail, mas é a única maneira de o fazer. Sou mulher de um agente da psp. Vivo com ele há 11 anos e desde sempre que tenho sofrido violência a nível psicológico. Tenho 2 filhos e também eles já sofreram com o meu génio do pai.

Gostava de lhe pedir ajuda.

Obrigada,

L.

Violência contra as Mulheres

 

 

 

A violência contra as mulheres, o fosso salarial e as dificuldades em conciliar vida privada e actividade profissional são as desigualdades de género que mais preocupam os portugueses,

 

É quase sempre entre as paredes domésticas, no relacionamento com o marido ou companheiro ou ex, e cada vez mais frequentemente na frente dos filhos, que se tornam testemunhas aterrorizados, que, por sua vez, se tornam os algozes. A violência contra as mulheres é um fenómeno que não diminui no mundo. A dependência económica resulta em um fator determinante tanto na expressão da violência de genero através de fortes restrições económicas e uma gestão completa de dinheiro por parte do parceiro, quanto em tornar ainda mais difícil, se não impossível para a mulher sair do contexto violento.

 

Segundo estudos recentes o autor é o marido (48%), o parceiro (12%) ou ex-(23%), um homem entre 35 e 54 anos (61%), empregado ((21%), educado (46 % média superior e superior 19%). Ele faz uso particular de álcool ou drogas (63%). Em suma, um homem "normal".

 

Assim como normal é a vítima, uma mulher de 35 anos e 54 anos, com ensino secundário (53%) ou licenciatura (22%), empregada (20%) ou desempregada (19%) ou doméstica (16%), com filhos (82%). A maioria da violência continua a acontecer em casa, em um relacionamento sentimental (84%), em uma família "normal".

 

Além disso, a preocupação de não ser capaz de sustentar financeiramente os filhos torna-se na corrente que obriga a mulher a permanecer na violência e somente quando essas crianças colocam-se entre a mãe e o violentador na tentativa de defesa ou quando ambos estão diretamente envolvidos em ações violentas, a mulher encontra a motivação e a coragem para assumir o risco e fugir.

 

A situação é agravada no caso de convivência (chega atualmente a 37%) pela falta de leis que a protegem. Sobe de 13% para 18% a proporção de mulheres que admitem a fraqueza como uma motivação que tem levado por anos (1-5 anos: 35%, de 5 a 20 anos: 34% e acima de 20 anos: 12%) perdurar a situação de violência: a mulher finalmente começa a reconhecer o dano da violência vivida. Durante as consultas as mulheres afirmam ter percebido que a perda de auto-estima e insegurança que sentem são um resultado direto de anos de perseguição e humilhação. Também diminui de 14% para 11% a convicção de tolerar a violência do amor.

 

Segundo os últimos relatórios, o ato violento nunca é isolado , mas é constante e continuo e não termina com o fim do relacionamento, continua através de uma atitude persecutória do parceiro( satalking).

 

Em 55% dos casos, os maus tratos ocorrem apenas em casa, permanecendo desconhecida para o mundo exterior (amigos, parentes e colegas). A violência física aumenta de 18% para 22%, mas sempre é acompanhada de violência psicológica, com ameaças e violência económica.

Talvez o fato mais impressionante é chamado de "violência presenciada”, um fenómeno que sem uma ajuda especializada, as crianças menores já começam a vida adulta com uma bagagem de problemas comportamentais e psicológicos até desenvolvimento de transtornos dissociativos e de personalidade.

 

Além disso, crescer em um ambiente violento significa assimilar uma modalidade de relacionamento de violência, que tenderá a se repetir nos seus próprios relacionamentos amorosos quando adultos. 40 % das mulheres afirmam que na família de origem de parceiros violentos,- houve comportamento violento.

 

É preciso respeito pelas mulheres e acima de tudo que as pessoas comecem a entender que os direitos das mulheres precisam ser respeitados.

 

 “Se você educar um homem, educa um indivíduo; mas, se educar uma mulher, educa uma família”.

 Charles Mclver (1860-1906)